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Engel x Oliver

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 16/07/2026

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SombrioPsicológicoHorrorSuspenseAngústiaDramaSobrevivênciaEstudo de Personagem
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O Silêncio de Grafite e Penas

A atmosfera na Paper School nunca era exatamente tranquila, mas naquele final de tarde, o silêncio nos corredores parecia pesado, quase sólido. Engel caminhava com passos cautelosos, suas polainas listradas em azul e vermelho abafando o som de seus sapatos de salto contra o chão de linóleo. Ele estava tenso. Suas penas, presas cuidadosamente ao lado da cabeça, pareciam vibrar com um pressentimento ruim.

Ao seu lado, Oliver caminhava com uma despreocupação irritante. O garoto de longos cabelos brancos, que chegavam aos seus tornozelos, exibia aquele sorriso malicioso de sempre. Ele girava seu braço de lápis como se fosse um brinquedo, e o som da ponta de grafite raspando no ar incomodava Engel profundamente.

— Por que você está me seguindo, Oliver? — perguntou Engel, parando de repente e encarando o outro com uma expressão fechada. — Eu tenho coisas para fazer. Preciso garantir que ninguém se meta em encrenca com as professoras hoje.

Oliver soltou uma risadinha anasalada, ajustando o laço preto em seu rabo de cavalo.

— Ah, Engel... sempre o herói, sempre o protetor — disse Oliver, aproximando-se um pouco mais do que o necessário. — Não pode simplesmente relaxar um pouco? A escola está vazia. Zip e Edward já foram. Somos só nós dois.

Engel franziu a testa, seus dedos pontiagudos e pretos se contraindo levemente. Ele não confiava naquele tom de voz. Oliver era conhecido por suas brincadeiras cruéis e seu apetite estranho por sabonetes, mas havia algo diferente hoje. Um brilho de malícia mais intenso nos olhos do garoto com a marca de "A+" no cabelo.

— Eu não gosto do jeito que você está olhando para mim — retrucou Engel, virando-se para continuar seu caminho.

No entanto, ele parou bruscamente. No meio do corredor, onde não deveria haver nada, repousava uma caixa preta de tamanho considerável. Não tinha etiquetas, nem marcas, apenas um vácuo de cor no meio do cenário monocromático da escola.

— O que é aquilo? — Engel sussurrou, sentindo um calafrio percorrer sua espinha. — Oliver, se isso for outra das suas pegadinhas com o Edward...

— Eu não sei do que você está falando — interrompeu Oliver, sua voz agora soando estranhamente calma, quase melódica.

Engel deu um passo à frente, a curiosidade lutando contra o medo. Ele se inclinou levemente para inspecionar a caixa, seus olhos fixos na superfície escura. Foi nesse momento que ele sentiu a presença de Oliver mudar. O som dos passos leves sumiu, e uma sombra se projetou sobre ele.

Antes que Engel pudesse reagir ou se virar, uma mão enluvada e firme cobriu sua boca com força.

— Shhh... — a voz de Oliver sussurrou bem rente ao seu ouvido. — Fique quietinho, passarinho. Se você lutar, só vai se cansar mais rápido.

O pânico atingiu Engel como uma onda gélida. Ele tentou se soltar, seus braços pretos arranhando o ar, mas Oliver era surpreendentemente forte. O braço de lápis de Oliver pressionava seu ombro, mantendo-o imobilizado enquanto a outra mão abafava seus gritos desesperados.

— Mmmff! Mmmph! — Engel produzia sons abafados, seus olhos arregalados de terror. Suas penas balançavam freneticamente.

— Eu disse para ficar quieto — repetiu Oliver, e Engel sentiu um cheiro estranho e doce vindo de um lenço que Oliver agora pressionava contra seu rosto, por cima de sua mão. — Logo, logo você vai estar em um lugar muito mais interessante que este corredor sujo.

A visão de Engel começou a nadar. As luzes fluorescentes da escola pareceram girar e se apagar. O peso de seus próprios membros tornou-se insuportável, e a última coisa que ele sentiu antes do esquecimento total foi o aperto possessivo de Oliver e o som de uma risada baixa e vitoriosa.

...

O despertar foi lento e doloroso. Engel sentiu primeiro a frieza do ambiente. O ar era úmido e tinha um cheiro metálico, misturado com o aroma forte de produtos de limpeza — provavelmente o estoque de sabonetes de Oliver. Quando ele finalmente conseguiu abrir os olhos, a luz fraca de uma lâmpada solitária pendurada no teto o cegou por um instante.

Ele tentou levar as mãos ao rosto, mas não conseguiu. Seus braços estavam puxados para trás, os pulsos queimando sob a pressão de cordas grossas e ásperas. Ele estava sentado em uma cadeira de madeira rangente, seus pés também amarrados às pernas do móvel.

— Finalmente acordou — disse uma voz vinda das sombras.

Engel piscou, o coração martelando contra as costelas. Ele estava em um porão. As paredes eram de concreto bruto e havia prateleiras cheias de itens estranhos ao redor. À sua frente, Oliver estava sentado em uma mesa de trabalho, brincando com um pedaço de sabão azul, arrancando lascas com o seu braço de lápis.

— Oliver... o que... por que você fez isso? — a voz de Engel saiu rouca, carregada de medo. — Me solta agora! Isso não tem graça!

Oliver levantou-se lentamente, a marca de "A+" em seu cabelo parecendo brilhar sob a luz fraca. Ele caminhou até Engel com uma elegância predatória. Cada passo fazia o coração de Engel disparar ainda mais.

— Você sempre se preocupa tanto com os outros, Engel — começou Oliver, parando diante dele. — Sempre protegendo os fracos, sempre sendo o "bom garoto". Eu me perguntei: quem protege o protetor quando ele está em perigo?

— Você está louco — sibilou Engel, tentando forçar as cordas, mas elas só apertavam mais sua pele negra e sensível. — Quando a Miss Circle descobrir...

— Ela não vai descobrir — interrompeu Oliver, estendendo a mão de carne e osso. Ele tocou o queixo de Engel, forçando-o a erguer a cabeça e encarar seus olhos vazios e divertidos. — Ninguém vem aqui embaixo. Este é o meu lugar especial. E agora, você é meu convidado de honra.

Engel estremeceu com o toque. O contraste entre a pele fria de Oliver e o calor do seu próprio pânico era insuportável.

— O que você quer de mim? — perguntou Engel, as lágrimas de frustração e medo começando a arder em seus olhos.

Oliver inclinou a cabeça para o lado, um sorriso largo e genuinamente assustador cruzando seu rosto.

— Eu quero ver quanto tempo leva para o herói da Paper School perder a esperança — sussurrou ele, aproximando o rosto do de Engel. — Eu quero ver o que acontece quando o pássaro não pode mais voar.

— Meus amigos vão me procurar — disse Engel, tentando manter a voz firme, embora estivesse tremendo. — Claire... Abbie... eles vão notar que eu sumi.

Oliver soltou uma gargalhada alta que ecoou pelas paredes de concreto do porão. Ele se afastou apenas o suficiente para pegar um pequeno objeto sobre a mesa: era uma das penas coloridas de Engel, que devia ter caído durante o confronto no corredor.

— Eles estão ocupados demais tentando sobreviver às aulas, Engel. Você sabe como as coisas são aqui. Pessoas somem o tempo todo — Oliver passou a ponta da pena no rosto de Engel, de forma quase carinhosa, o que era ainda mais perturbador. — Além disso, eu deixei um bilhetinho. Eles acham que você foi fazer uma patrulha extra na floresta atrás da escola.

Engel sentiu um nó na garganta. Oliver tinha planejado tudo. A caixa, o ataque, a desculpa. Ele estava completamente à mercê daquele garoto travesso que agora se revelava algo muito mais sinistro.

— Por que eu? — Engel perguntou em um sussurro quebrado.

Oliver parou de brincar com a pena e olhou profundamente nos olhos de Engel. Por um momento, a diversão desapareceu, substituída por uma intensidade sombria.

— Porque você é o único que ainda brilha nesta escola de papel, Engel. E eu sempre tive uma vontade irresistível de ver o que acontece quando a gente amassa algo tão... perfeito.

Oliver guardou a pena no bolso da camisa preta e cruzou os braços, observando sua "coleção". O relógio em seu pulso esquerdo tiquetaqueava audivelmente no silêncio do porão, cada segundo marcando o início de um pesadelo do qual Engel não sabia se conseguiria acordar.

— Agora — disse Oliver, pegando uma cadeira e sentando-se bem na frente de Engel, os joelhos quase se tocando. — Vamos conversar. Temos a noite toda, e eu trouxe muito sabonete para o lanche.

Engel fechou os olhos por um momento, as cordas cortando seus pulsos, enquanto a realidade de sua situação se assentava. Ele era o protetor, o escudo da escola, mas ali, no domínio de Oliver, ele era apenas um prisioneiro em uma cela de concreto e silêncio. E o brilho malicioso nos olhos de Oliver prometia que a "brincadeira" estava apenas começando.

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