
Good School
Fandom: Dc
Criado: 16/07/2026
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Herdeiros do Sangue e Sombras
O ar na sala de aula do Colégio François Dupont estava pesado, saturado com o veneno silencioso que Lila Rossi destilava diariamente. Marinette Dupain-Cheng mantinha os olhos fixos em seu caderno, os dedos apertando a caneta com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos. Ao seu lado, Chloé Bourgeois cruzava os braços, bufando audivelmente a cada nova mentira que saía da boca da garota italiana.
— E então o Damian me disse: "Lila, você é a única que me entende" — a voz de Lila era um sussurro teatral, cercada por colegas que bebiam cada palavra como se fosse verdade absoluta. — Ele é tão reservado, sabem? O estilo Wayne. Mas ele me deu este bracelete em Gotham. É uma joia de família, muito rara.
Marinette sentiu uma pontada de náusea. Damian Wayne, seu irmão mais velho, o rapaz que considerava um aperto de mão um contato físico excessivo e que olhava para a maioria das pessoas como se fossem insetos sob um microscópio, nunca daria um bracelete de plástico barato para ninguém, muito menos para alguém como Lila.
A porta da sala se abriu abruptamente, interrompendo o monólogo de Lila. O Diretor Damocles entrou, parecendo visivelmente nervoso, limpando o suor da testa com um lenço.
— Srta. Dupain-Cheng? — chamou ele, a voz falhando levemente. — Peço desculpas pela interrupção, Professora Bustier, mas Marinette foi liberada das aulas pelo restante do dia. Seus irmãos estão aqui para buscá-la.
O silêncio que se seguiu foi absoluto. A turma inteira se virou para Marinette. Alya Césaire franziu o cenho, confusa.
— Irmãos? A Marinette é filha única — disse Alya, olhando de Marinette para o diretor.
Lila empalideceu por um microssegundo, mas logo recuperou a compostura, soltando uma risadinha nervosa.
— Oh, Marinette, não precisa inventar essas coisas só porque eu estava falando dos meus amigos Wayne. Contratar atores para fingir que são seus irmãos é um pouco demais, não acha?
Marinette ignorou Lila, focando-se no diretor. Ela sabia exatamente quem estava lá fora. Dick, Jason, Tim e... Damian. O pensamento de seus irmãos — especialmente Damian — encontrando Lila Rossi era, ao mesmo tempo, aterrorizante e estranhamente satisfatório. No entanto, havia um problema.
— Senhor Diretor — Marinette disse, sua voz firme apesar do tremor em suas mãos —, eu agradeço, mas a Professora Bustier vai anunciar algo importante sobre o projeto de fim de ano agora. Poderia pedir aos meus irmãos para esperarem dez minutos? Eu sairei assim que o anúncio terminar.
O diretor arregalou os olhos, parecendo prestes a ter um colapso.
— Srta. Dupain-Cheng, eu não creio que... eles parecem homens muito... impacientes. Especialmente o jovem de terno escuro. Ele ameaçou processar a escola por "ineficiência estrutural" porque o portão demorou três segundos a mais para abrir.
Chloé soltou uma gargalhada genuína, a primeira em dias.
— Isso soa exatamente como ele — murmurou a loira para Marinette.
— Por favor, diga a eles que eu já vou — insistiu Marinette.
O diretor assentiu e saiu apressadamente. A sala explodiu em sussurros. Lila aproveitou o momento, voltando-se para a turma com uma expressão de falsa pena.
— Pobre Marinette. Ela deve estar tão desesperada por atenção. Provavelmente são apenas primos distantes da padaria que ela está tentando fazer passar por alguém importante. Afinal, todos sabemos que os Wayne não saem de Gotham por qualquer coisa.
Marinette não respondeu. Ela apenas olhou para o relógio. Cinco minutos.
Ela não precisou de dez.
A porta da sala não apenas abriu; ela pareceu ceder sob a pressão de uma presença avassaladora. O primeiro a entrar foi Richard "Dick" Grayson, exibindo um sorriso que poderia iluminar toda Paris, seguido por Jason Todd, que parecia estar a um passo de causar um incidente internacional apenas pelo modo como mascava chiclete. Tim Drake vinha logo atrás, digitando furiosamente em um celular que parecia custar mais do que o prédio da escola.
Mas foi o último homem que fez o ar desaparecer da sala.
Damian Wayne caminhava com uma postura tão ereta e predatória que parecia que o chão deveria se desculpar por estar em seu caminho. Seus cabelos pretos estavam impecavelmente penteados, e seus olhos verde-esmeralda, frios e penetrantes, varreram a sala com um desdém clínico. Ele vestia um terno sob medida que gritava riqueza e poder, mas era a aura de perigo contido que realmente silenciava a todos.
— Dez minutos, Marinette? — A voz de Damian era um barítono cortante, carregado de uma autoridade que não aceitava réplicas. — Você sabe que meu tempo é valioso.
Antes que Marinette pudesse responder, Dick Grayson já estava atravessando a sala. Ele praticamente a arrancou da cadeira, levantando-a no ar como se ela pesasse menos que uma pena.
— Ah, deixe de ser rabugento, Damian! — Dick exclamou, girando a garota. — Olhe para ela! Nossa fada está cada dia mais parecida com uma verdadeira designer.
— Solte-a, Dick, você vai amassar o vestido dela — Jason interveio, embora tenha bagunçado o cabelo de Marinette com uma mão pesada assim que ela foi colocada no chão. — E aí, raio de sol? Pronta para sair deste buraco?
Tim guardou o celular e deu um beijo na testa de Marinette.
— O jato já está pronto. Bruce está esperando em Londres para o jantar, mas Damian insistiu que precisávamos parar aqui primeiro porque, e cito, "o sistema de segurança de Paris é deplorável e ele não confiava na integridade deste distrito".
A turma observava, em choque absoluto. Alya estava com o celular na mão, mas esqueceu-se de gravar. Lila Rossi, por sua vez, parecia ter virado uma estátua de sal.
— D-Damian? — A voz de Lila saiu aguda e trêmula.
O olhar de Damian Wayne se deslocou para a garota italiana. Foi um movimento lento, calculado. Ele a encarou por três segundos inteiros — o tipo de olhar que Damian reservava para oponentes que não valiam o esforço de desembainhar uma katana.
— Eu conheço você? — perguntou ele, a voz gélida.
— Sou eu! Lila! — Ela tentou um sorriso, embora seus lábios estivessem tremendo. — Nós nos conhecemos em Gotham... o bracelete... a festa na Mansão...
Damian arqueou uma sobrancelha, um gesto de puro desprezo.
— Eu não frequento festas, a menos que seja estritamente necessário para os negócios de meu pai. E certamente não presenteio desconhecidos com joias. — Ele deu um passo à frente, e a turma recuou instintivamente. — Além disso, meu círculo social é extremamente restrito. Se você estivesse nele, eu lembraria do seu rosto. E eu não esqueço erros.
Ele se virou de volta para Marinette, sua expressão suavizando-se em algo que, para qualquer outra pessoa, ainda pareceria severo, mas para aqueles que o conheciam, era puro afeto. Ele estendeu a mão e tocou o rosto de Marinette com as costas dos dedos, um gesto de carinho que ele raramente concedia a alguém fora de sua linhagem.
— Habibti — murmurou ele em árabe, a palavra soando como uma promessa protegida. — Você está pálida. O que está acontecendo aqui?
Marinette sentiu a proteção de seus irmãos como um manto quente. Ela olhou para a turma, para os rostos de choque e arrependimento, e depois para Lila, que parecia querer desaparecer.
— Nada que eu não possa lidar, Damian — respondeu Marinette suavemente. — Mas eu realmente senti falta de vocês.
— Ela está sendo modesta — Chloé se levantou, caminhando até o grupo com sua habitual confiança recuperada. — Essa mentirosa profissional tem dito a todos que é sua namorada, Damian. E que Marinette é apenas uma invejosa.
O clima na sala caiu abaixo de zero. Jason soltou uma risada seca e perigosa, enquanto Dick perdia o sorriso brincalhão. Tim apenas suspirou, já abrindo um tablet.
— Mentir sobre uma conexão com os Wayne é um crime civil em três continentes, dependendo de como você usa essa influência — disse Tim calmamente. — Vou começar a verificar se houve fraude financeira ou uso indevido de imagem.
Damian, no entanto, não desviou os olhos de sua irmã.
— Você permitiu que essa... criatura... a insultasse? — perguntou ele, o tom baixo e perigoso.
— Eu estava esperando o momento certo, Damian — Marinette disse, segurando a mão dele. — E acho que o momento chegou.
Damian olhou para a Professora Bustier, que parecia ter esquecido como respirar.
— Minha irmã não retornará para esta sala hoje. E se eu descobrir que a segurança ou o bem-estar dela foram negligenciados novamente, eu não comprarei esta escola apenas para fechá-la; eu garantirei que ninguém aqui trabalhe novamente em um raio de cinco mil milhas.
— Damian, menos — pediu Dick, embora estivesse abraçando Marinette pelos ombros de forma protetora. — Vamos embora. Temos coisas melhores a fazer.
— Como comprar metade das lojas da Avenue Montaigne para a nossa princesa? — sugeriu Jason, empurrando o grupo em direção à saída.
Damian parou na porta e olhou para trás uma última vez, fixando os olhos em Lila.
— Se pronuncier meu nome novamente, ou o nome de qualquer membro da minha família, as consequências não serão acadêmicas. Serão definitivas.
Ele se virou para Marinette, a postura relaxando minimamente.
— Vamos, Azizati. Este lugar cheira a mediocridade e mentiras.
Enquanto caminhavam pelo corredor, os irmãos Wayne cercavam Marinette como uma guarda de honra. Dick e Jason discutiam sobre qual era o melhor sorvete de Paris, enquanto Tim já estava organizando a agenda de Marinette para as férias.
Damian caminhava ao lado dela, a mão pousada levemente em seu ombro.
— Você deveria ter me contado, Marinette — disse ele, a voz agora desprovida da frieza que usara com os outros. — Eu teria resolvido isso meses atrás.
— Eu sei que teria, Damian — ela sorriu, encostando a cabeça em seu braço por um momento. — Mas eu queria provar que podia lidar com isso.
— Você é uma Wayne-Al Ghul — Damian afirmou, o orgulho brilhando em seus olhos verdes. — Você pode lidar com qualquer coisa. Mas não precisa fazer isso sozinha. Você é o nosso raio de sol, mas até o sol precisa de sombras para protegê-lo.
— Shukran, Damian — sussurrou ela.
— Não me agradeça por ser seu irmão — ele respondeu, permitindo-se um meio sorriso quase imperceptível. — Agora, vamos. Bruce está ansioso e Alfred preparou seus doces favoritos. Se Jason comer todos antes de chegarmos ao jato, haverá sangue.
Marinette riu, sentindo-se finalmente segura. Atrás deles, o Colégio François Dupont ficava em silêncio, mas a onda de choque causada pelos herdeiros de Gotham estava apenas começando a se espalhar. Lila Rossi havia aprendido uma lição valiosa: nunca mexa com a princesa de uma corte de sombras.
