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A princesa

Fandom: Dc

Criado: 16/07/2026

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O Pequeno Pássaro e o Herdeiro do Demônio

As câmeras estavam espalhadas por cada canto da Mansão Wayne, discretas, mas onipresentes. Para o público, o reality show "Os Wayne" era a chance de ver a família mais misteriosa de Gotham sem suas máscaras sociais. O que os produtores não esperavam, no entanto, era que a estrela absoluta do programa não seria o charme de Bruce ou as piadas de Dick Grayson, mas sim uma garotinha de três anos com uma obsessão por vestidos de tule e a habilidade única de desarmar o membro mais perigoso da família.

Damian Wayne estava parado no centro da vasta sala de estar, a postura impecável e os braços cruzados sobre o peito. Seus olhos verdes esmeralda, afiados como lâminas, encaravam a lente da câmera com um desprezo mal disfarçado.

— Eu ainda não entendo por que meu pai consentiu com essa invasão de privacidade — murmurou Damian, a voz carregada de uma arrogância que ele cultivara desde o nascimento na Liga dos Assassinos. — É uma distração inútil e um risco desnecessário à segurança.

— Ah, relaxa, Dami! — Dick Grayson entrou no enquadramento, bagunçando o cabelo perfeitamente penteado do irmão mais novo. — As pessoas amam a gente. E, além disso, é por uma boa causa. O fundo de caridade vai agradecer.

Damian esquivou-se do toque com a agilidade de um felino, o rosto contorcido em uma careta de desgosto.

— Não me toque, Richard. E não me chame por esse apelido infantil. Eu sou o herdeiro de...

— Dami! Dami!

O grito agudo e animado interrompeu o discurso de Damian. O som de passos rápidos e desajeitados ecoou pelo corredor de mármore. De repente, uma pequena mancha cor-de-rosa e branca surgiu, correndo em direção a eles. Era Alice. Ela usava um vestido bufante com estampas de gatinhos, uma tiara de orelhas de coelho que caía levemente sobre seus olhos e, em uma das mãos, apertava um boneco de pelúcia do Robin, cujas costuras já mostravam sinais de uso intenso.

A transformação em Damian foi instantânea. A rigidez de seus ombros desapareceu, e a expressão gélida suavizou-se em algo que, para qualquer desconhecido, pareceria apenas neutralidade, mas que para os Wayne era puro afeto.

Alice não parou até colidir com as pernas de Damian, abraçando seus joelhos com força.

— Dami! Brincar! — pediu ela, olhando para cima com olhos grandes e expectantes.

Damian suspirou, mas não havia irritação no som. Ele se abaixou, pegando a menina no colo com uma facilidade atlética, acomodando-a em seu quadril.

— Alice, eu já lhe disse que não deve correr pelos corredores. Você pode tropeçar e sofrer uma lesão desnecessária — disse ele, o tom sério, embora estivesse ajeitando a tiara de coelho na cabeça dela com dedos surpreendentemente gentis.

— Dami... totoso — Alice respondeu, ignorando o sermão e esfregando o rosto na bochecha dele. Sem aviso, ela abriu a boca e deu uma pequena mordida no ombro de Damian.

— Ai! — Damian exclamou, embora não tenha feito menção de soltá-la. — Alice, já discutimos sobre a prática de mordidas. Os humanos não utilizam a mandíbula como forma primária de demonstração de afeto.

— É o jeito dela, Damian — Jason Todd comentou, surgindo do nada com uma maçã na mão e um sorriso torto. — Ela gosta de você. E você é o favorito dela, aceita que dói menos.

— Eu não sou o "favorito" — rebateu Damian, embora sua mão estivesse acariciando as costas da menina. — Eu simplesmente sou o mais capaz de garantir a segurança dela e manter uma rotina disciplinada. Coisa que nenhum de vocês, incompetentes, consegue fazer.

— Timtim! — Alice gritou, esticando os braços para Tim Drake, que passava com um tablet na mão e olheiras profundas.

— Oi, pequena — Tim sorriu, aproximando-se. — Como está a princesa hoje?

— Timtim dodói? — Alice perguntou, apontando para as olheiras dele.

— Só sono, Alice. Só sono — Tim suspirou.

A tarde seguiu com o caos habitual. As câmeras capturaram Alice tentando montar em Titus, o enorme Dogue Alemão de Damian. O cão, geralmente imponente e intimidador, deitava-se no chão e permitia que a menina usasse seu flanco como travesseiro enquanto ela tentava colocar uma chupeta decorada com pedrarias na boca do animal.

— Não, Alice — Damian interveio, ajoelhando-se ao lado deles. — Titus é um cão de guarda treinado, não um acessório para suas fantasias. E essa chupeta está cheia de germes agora.

— Mas Alfi disse... — Alice começou, o lábio inferior tremendo.

— Alfred está ocupado preparando o chá — Damian cortou, mas ao ver os olhos dela se encherem de lágrimas, sua determinação vacilou. — Se você parar de chorar, eu permitirei que use a minha capa para fazer uma cabana.

Os olhos de Alice brilharam instantaneamente.

— Cabana! Dami, cabana!

Mais tarde, o clima na mansão começou a mudar. O sol se punha em Gotham, e a energia inesgotável de Alice estava se transformando em irritação. Era a temida "hora da bruxa".

— Eu não quero! — Alice gritou, jogando sua pelúcia do Robin no chão. Ela estava no meio da sala, o rosto vermelho e as mãos fechadas em punhos.

— Alice, você precisa comer — Bruce disse, mantendo a voz calma, embora o cansaço fosse visível em seus olhos. Ele tentava oferecer uma colher com purê de legumes. — Só mais uma colherada para o papai.

— Não! Papa chato! — Ela se virou e correu para o sofá, escondendo o rosto nas almofadas.

As câmeras focaram em Bruce, o Batman, o terror do submundo de Gotham, parecendo completamente perdido diante de uma criança de três anos. Stephanie e Cass assistiam da porta, trocando olhares divertidos.

— Tente o Moranguinho — sugeriu Stephanie. — Sempre funciona.

— Já tentamos — Duke respondeu, entrando na sala. — Ela quer o Dami.

Damian entrou no recinto carregando uma mamadeira morna. Ele caminhou até o sofá com uma autoridade que faria generais recuarem.

— O que é esta insubordinação? — Damian perguntou, sua voz baixa e firme.

Alice espiou por trás da almofada.

— Dami... — ela soluçou, estendendo os braços.

Damian sentou-se no sofá e a puxou para o colo. Ele pegou a pelúcia do Robin do chão, limpou-a com cuidado e a entregou para a menina. Alice agarrou o brinquedo e a mamadeira simultaneamente, aconchegando-se no peito de Damian.

— Você está sendo irracional — Damian murmurou, embora estivesse balançando-a suavemente. — O sono é uma necessidade biológica fundamental para o desenvolvimento do seu córtex pré-frontal. Se não descansar, não poderá treinar comigo amanhã.

— Treinar? — Bruce arqueou uma sobrancelha.

— Coordenação motora básica, pai — Damian respondeu rapidamente, um leve rubor subindo às suas maçãs do rosto. — Nada que a Liga consideraria... aceitável. Apenas brincadeiras de criança.

Alice começou a sugar a mamadeira, os olhos pesados. Ela esticou uma mão pequena e tocou o rosto de Damian, traçando a linha de sua mandíbula.

— Dami... quelo papa — sussurrou ela, com a voz embargada pelo sono.

— O papai está bem ali, Alice — Damian disse, indicando Bruce com a cabeça.

— Não... — Alice balançou a cabeça, lutando contra o sono. — Quelo papa abraço.

Bruce se aproximou e sentou-se do outro lado de Alice. A menina, num último esforço de energia, arrastou-se até ficar entre os dois, segurando a mão de Damian com uma mão e a de Bruce com a outra.

— Ela só dorme assim agora — comentou Dick, encostado no batente da porta, observando a cena com um sorriso terno. — O herdeiro do demônio e o cavaleiro das trevas, derrotados por uma chupeta e um desenho de morango.

— Silêncio, Grayson — Damian sibilou, mas não se moveu. Ele não queria soltar a mão pequena que apertava a sua.

A sala ficou em silêncio, exceto pelo som da respiração ritmada de Alice. Damian olhou para as câmeras, sua expressão voltando a ser ríspida.

— Se qualquer uma dessas filmagens for editada para me fazer parecer... vulnerável, eu pessoalmente destruirei os servidores da sua emissora — ele ameaçou, mas o efeito foi um pouco perdido pelo fato de Alice estar usando o seu polegar como apoio para o sono.

— Ela te ama, Damian — Bruce disse em voz baixa, olhando para o filho. — E você é muito bom com ela.

Damian desviou o olhar, focando na pelúcia do Robin que Alice abraçava.

— Ela é uma Wayne — Damian respondeu, a voz quase um sussurro. — É meu dever garantir que ela cresça sem as sombras que nos perseguem. E se isso exige que eu assista a desenhos animados e suporte mordidas ocasionais... que assim seja.

Horas depois, quando as câmeras estavam sendo desligadas para a noite, Alfred entrou na sala com dois cobertores. Ele cobriu Bruce, que havia cochilado sentado, e depois Damian, que permanecia acordado, vigiando o sono da irmã como um sentinela.

— Mestre Damian — Alfred sussurrou. — Gostaria que eu a levasse para o berço?

Damian olhou para Alice, que agora ressonava suavemente, a chupeta caída ao lado. Ele sentiu o peso da responsabilidade, não como um fardo, mas como uma âncora que o mantinha unido àquela família complicada.

— Não, Alfred. Eu ficarei aqui por mais um tempo. A segurança do perímetro da sala ainda não foi totalmente verificada para o período noturno.

Alfred sorriu, sabendo que aquela era a maneira de Damian dizer que não queria se afastar.

— Como desejar, Mestre Damian. Boa noite.

— Boa noite, Alfred.

No escuro da sala, apenas com a luz da lua filtrando pelas grandes janelas, o jovem mestre assassino permitiu-se um pequeno sorriso. Ele beijou o topo da cabeça de Alice, sentindo o cheiro de talco e shampoo de bebê.

— Durma bem, pequena ave — ele murmurou. — Amanhã, ensinarei você a desarmar um oponente usando apenas um chocalho.

Alice se mexeu no sono, abraçando a pelúcia do Robin com mais força, totalmente segura nos braços do irmão que daria o mundo para vê-la sorrir. O reality show poderia mostrar a fachada, as brigas e o luxo, mas ali, naquele momento, as câmeras haviam perdido a única coisa que realmente importava: o coração de um herói sendo forjado pela ternura de uma criança.

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