
When two worlds collide
Fandom: Kenan Yildiz
Criado: 16/07/2026
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Entre o Caos e o Infinito
O brilho das luzes de Turim parecia mais intenso naquela noite de outono em 2026. Dentro da luxuosa cobertura que dividiam, o silêncio era uma raridade, geralmente preenchido por risadas, discussões acaloradas ou o som das músicas que Amanda compunha ao piano. Mas, naquela noite, o ar estava denso, carregado com a eletricidade de um amor que queimava tanto quanto destruía.
Kenan Yildiz observava a cidade através da imensa vidraça da sala. A camisa 10 da Juventus, que ele honrava com maestria nos gramados, estava jogada sobre o sofá de couro. Aos 21 anos, ele carregava o peso de ser o sucessor de lendas, mas nada pesava mais em seus ombros do que a intensidade do que sentia pela mulher no cômodo ao lado.
— Kenan? — A voz doce e levemente rouca de Amanda ecoou pelo corredor.
Ela apareceu na sala vestindo um robe de seda que parecia grande demais para sua estrutura pequena de 1,57m. Os longos cabelos castanhos caíam em ondas pelas costas, e os olhos escuros, que já haviam estampado capas de revistas no mundo inteiro, agora carregavam uma sombra de exaustão.
Kenan se virou. O risco na sobrancelha, sua marca registrada, arqueou-se levemente. Ele atravessou a sala com passadas largas, a diferença de trinta centímetros de altura entre eles tornando-se irrelevante diante da forma como ele a envolvia.
— Você demorou no banho — disse ele, a voz baixa, as mãos grandes e possessivas encontrando a cintura dela e puxando-a para perto, colando seus corpos. — Eu não gosto quando você se esconde de mim, Amanda.
Amanda sorriu, um sorriso cansado, mas genuíno, e descansou as mãos no peito largo do marido.
— Eu não estava me escondendo, Ken. Só estava pensando na turnê. A gravadora quer que eu passe três meses entre Londres e Nova York.
O corpo de Kenan tensionou instantaneamente. Seus olhos verdes escuros, geralmente amorosos quando voltados para ela, brilharam com uma centelha de controle e ciúme.
— Três meses? — Ele apertou o aperto em sua cintura, quase como se temesse que ela evaporasse ali mesmo. — Absolutamente não. Nós já conversamos sobre isso, Amanda. Você é minha esposa. Seu lugar é aqui, onde eu possa ver você, onde eu saiba exatamente quem está ao seu redor.
— É o meu trabalho, Kenan — ela murmurou, a natureza submissa lutando contra a necessidade de sua arte. — Você sabe o quanto eu trabalhei por esse álbum.
— E eu trabalho para que você não precise de nada disso — ele rebateu, inclinando-se para que seus lábios quase tocassem os dela. — Eu te dou o mundo, querida. Mas eu não vou dividir você com o resto do globo por três meses seguidos. Você vai reduzir as datas. Ou eu vou com você, e a Juventus que se entenda com meus advogados.
— Você não faria isso — ela disse, embora soubesse que ele faria. Kenan era impulsivo quando se tratava dela. O amor dele era uma redoma de vidro: linda, cara, mas às vezes sufocante.
— Tente me testar — ele sussurrou, antes de selar seus lábios em um beijo que era uma mistura de punição e adoração.
O relacionamento deles, desde que se conheceram em 2023, fora um turbilhão. O noivado veio rápido, o casamento mais rápido ainda. Para o mundo, eram o "casal de ouro": a estrela do futebol e a diva da música. Por trás das portas fechadas, eram duas almas intensas que não sabiam amar pela metade.
No entanto, o destino, que tanto lhes dera, resolveu cobrar seu preço.
Semanas se passaram. A discussão sobre a turnê foi deixada de lado por um motivo muito mais urgente e doloroso. Amanda, que descobrira estar grávida pouco antes do aniversário de casamento, sentiu o mundo desabar quando, em uma manhã cinzenta, a dor aguda e o sangramento anunciaram que o sonho de um herdeiro teria que esperar.
A perda do bebê mergulhou a cobertura em um luto silencioso. Kenan, o homem que sempre queria estar no controle, sentiu-se impotente pela primeira vez.
— Amanda, por favor, coma alguma coisa — pediu Kenan, sentando-se na beira da cama. Fazia três dias que ela mal saía debaixo dos lençóis.
— Eu não sinto fome — ela respondeu, a voz sem vida, os olhos fixos em um ponto qualquer na parede. — Eu sinto que falhei com você. Com a gente.
Kenan sentiu uma pontada no coração. Ele se deitou ao lado dela, puxando-a para o seu peito, cobrindo-a com seu corpo como se pudesse protegê-la da própria tristeza.
— Nunca mais diga isso — ordenou ele, mas não com a dureza de antes, e sim com uma ternura desesperada. — Você é a minha vida. O bebê... teria sido incrível, mas eu só preciso de você. Só você me basta, Amanda.
— Mas você queria tanto... — ela soluçou, finalmente deixando as lágrimas caírem. — Eu vi como seus olhos brilharam quando eu te contei.
— Eu queria porque era uma parte sua e minha — Kenan disse, beijando o topo da cabeça dela. — Mas nada é mais importante do que ter você aqui, respirando, sendo minha. Nós vamos superar isso. Nós sempre superamos tudo.
— Você não vai me deixar? — perguntou ela, a insegurança da perda flutuando na superfície. — Com todo esse caos, com as brigas, com a minha carreira nos afastando...
Kenan segurou o rosto dela com as duas mãos, forçando-a a olhar nos seus olhos verdes, que agora transbordavam uma promessa inabalável.
— Escute bem — ele disse, a voz firme. — Separação não é uma opção para nós. Nunca foi. Eu sou possessivo, eu sou difícil, e você é a única pessoa que consegue me desarmar. Nós pertencemos um ao outro, nesta vida e em qualquer outra. Se o mundo tentar nos separar, eu quebro o mundo ao meio.
Amanda fechou os olhos, entregando-se ao toque dele. Ela sabia que a dinâmica deles era perigosa para alguns, tóxica para outros, mas para eles, era a única forma de oxigênio disponível. Ela precisava daquela proteção, daquela mão firme que a guiava, e ele precisava da doçura e da devoção que só ela oferecia.
— Eu te amo, Kenan — sussurrou ela.
— Eu amo você mais do que a mim mesmo — ele respondeu, apertando-a ainda mais. — E agora, você vai descansar. Eu cancelei todos os meus compromissos com o clube para os próximos dias. Ninguém entra aqui. Somos apenas nós dois.
— O treinador vai ficar furioso — ela comentou com um pequeno vestígio de seu antigo humor.
— Que fique — Kenan deu de ombros, indiferente a qualquer coisa que não fosse a mulher em seus braços. — Minha prioridade é cuidar da minha esposa.
Naquela noite, o silêncio de Turim não parecia mais tão pesado. No meio da dor da perda e da pressão da fama, Kenan e Amanda reafirmaram o pacto silencioso que fizeram anos atrás: não importava o quão alto fosse o grito do mundo lá fora, o sussurro de posse e amor entre eles sempre seria mais forte.
Eles eram uma tempestade perfeita. E tempestades não se acalmam; elas apenas esperam o momento de mostrar sua força novamente.
— Kenan? — Amanda chamou, já quase pegando no sono.
— Sim, meu anjo?
— Não me deixe ir para Londres sozinha. Se eu tiver que ir... venha comigo.
Kenan sorriu no escuro, um sorriso vitorioso e protetor.
— Eu nunca deixaria você ir sozinha, Amanda. Onde você estiver, eu serei sua sombra. E você será meu sol.
E assim, entre o amor explosivo e a necessidade de controle, eles adormeceram, prontos para enfrentar o dia seguinte, cientes de que, enquanto estivessem juntos, o resto do mundo era apenas cenário. A montanha-russa continuaria, os altos seriam divinos e os baixos seriam cruéis, mas o trilho era um só, e eles não tinham a menor intenção de descer.
