
Oliver !
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 16/07/2026
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O Mistério do Lápis Travado e o Sabonete Perdido
A Paper School nunca foi exatamente um lugar de paz e tranquilidade, mas para Oliver, era o seu playground particular. O corredor do segundo andar estava silencioso, o que era perfeito para ele saborear seu lanche favorito. Oliver caminhava com as mãos nos bolsos — ou melhor, com a mão direita no bolso, já que seu braço esquerdo era um lápis gigante e afiado — enquanto mastigava distraidamente um pedaço de sabonete de lavanda. Para qualquer outra pessoa, o gosto seria repulsivo, mas para ele, era a textura perfeita, crocante e refrescante.
Seu longo cabelo branco, preso naquele rabo de cavalo baixo que quase tocava seus tornozelos, balançava conforme ele andava. A marca de "A+" em seu cabelo brilhava sob as luzes fluorescentes da escola. Ele estava pensando em qual seria a próxima peça que pregaria em Abbie ou em qualquer outro aluno azarado que cruzasse seu caminho.
— Esse sabonete está um pouco seco... — resmungou Oliver para si mesmo, as palavras saindo abafadas pela espuma branca em seus lábios.
De repente, o ar pareceu esfriar. Antes que ele pudesse reagir ou usar seu braço de lápis para se defender, uma mão enluvada e fria surgiu das sombras de uma sala de aula aberta. Com uma força descomunal, a mão o agarrou pelo colarinho da camisa preta e o puxou para dentro da escuridão.
— Ei! Que palhaçada é essa?! — Oliver tentou gritar, mas foi interrompido por um solavanco.
Ele lutou, chutando com suas botas pretas e tentando cravar a ponta de seu braço de lápis em qualquer coisa que estivesse segurando-o, mas um golpe seco na nuca fez sua visão escurecer instantaneamente. O pedaço de sabonete caiu no chão, deslizando pelo piso polido até parar embaixo de um armário.
No dia seguinte, a consciência de Oliver retornou como uma martelada. Seus olhos se abriram devagar, mas tudo o que ele via era o chão cinzento e poeirento de um depósito abandonado nos fundos da escola. Ele tentou se levantar, mas sentiu uma resistência imediata.
Ele estava sentado no chão, com as costas apoiadas em um pilar de concreto frio. Suas pernas estavam esticadas à sua frente, mas presas firmemente pelos joelhos e pelos tornozelos com cordas grossas e ásperas. Seus pulsos, incluindo a junção de seu braço de lápis, estavam amarrados atrás das costas. Para piorar a situação, uma fita adesiva larga e prateada cobria sua boca, impedindo qualquer tentativa de falar.
— Mmmph! Mmm-mff! — Oliver soltou um som abafado, o pânico começando a subir por sua garganta.
Ele se debateu violentamente, as cordas queimando sua pele e suas meias brancas até o joelho ficando sujas pela poeira do chão. Ele era o mestre das travessuras, o garoto que sempre estava no controle, e agora estava ali, reduzido a um prisioneiro silencioso. A humilhação era pior do que o desconforto físico.
"Quem fez isso? Foi a Miss Circle? Não, ela teria me matado de uma vez se eu tivesse tirado uma nota baixa...", pensou ele, a voz ecoando freneticamente dentro de sua própria mente. "Se for o Edward tentando brincar de detetive de novo, eu vou transformar o caderno dele em confete!"
Ele olhou para o lado e viu, a poucos centímetros de sua perna, o seu sabonete. Estava ali, solitário, coberto por um pouco de pó, mas ainda reconhecível. O desejo de morder o sabonete para acalmar os nervos era imenso, mas com a boca lacrada, ele só podia olhar e gemer de frustração.
As horas se passaram. O sol que entrava por uma pequena fresta no alto da parede mudou de posição, indicando que o dia escolar já havia começado. Oliver estava exausto de se debater. Seus chifres pretos batiam contra o pilar de vez em quando, criando um som metálico e oco. Ele fechou os olhos, sentindo o estresse consumir sua energia.
Enquanto isso, nos corredores principais da Paper School, o clima estava estranho. Zip, com seu habitual sorriso travesso, estava encostada nos armários, girando uma caneta entre os dedos. Edward estava ao lado dela, ajustando os óculos e olhando para o relógio de pulso com uma expressão de dúvida.
— Já é a segunda aula e o Oliver não apareceu para jogar aviõezinhos de papel no refeitório — comentou Zip, chutando o chão com tédio. — Isso não é do feitio dele. Ele nunca perde a chance de irritar a Miss Bloomie.
— Eu verifiquei o pátio e o banheiro masculino — disse Edward, cruzando os braços. — Nada. E o armário dele está trancado. É muito estranho. O Oliver não faltaria sem nos avisar para planejarmos algo.
— Você acha que ele foi pego por uma das professoras? — perguntou Zip, agora um pouco mais séria.
— Se tivesse sido, já teríamos ouvido os gritos ou visto o rastro de papel — respondeu Edward. — Vamos procurar nos lugares onde ninguém vai. O Oliver gosta de se esconder para assustar os outros.
Os dois começaram a caminhar pelos setores menos frequentados da escola. Eles passaram pela biblioteca antiga, pelo laboratório de química desativado e, finalmente, chegaram à ala dos depósitos de manutenção, perto da caldeira.
— Escuta isso — disse Zip, parando de repente e levantando a mão para Edward silenciar.
Do fundo do corredor escuro, três sons abafados e rítmicos ecoaram.
Mmmph! Mmmph! MMM-MFF!
— Veio dali! — Edward apontou para uma porta de metal entreaberta.
Eles correram e Zip chutou a porta com força, fazendo-a bater contra a parede. A luz do corredor iluminou o interior do depósito, revelando a figura caída e amarrada de Oliver. Suas roupas estavam desalinhadas, a mecha de cabelo no topo de sua cabeça estava murcha e ele parecia furioso.
— Oliver! — gritou Zip, correndo até ele. — Cara, o que aconteceu com você? Você parece um presente de grego mal embrulhado!
Oliver revirou os olhos e se debateu novamente, apontando com a cabeça para a fita em sua boca.
— Calma, calma, eu tiro isso — disse Zip, segurando a ponta da fita prateada. — Isso vai doer um pouco, mas você aguenta.
Com um puxão rápido e seco, Zip arrancou a fita.
— AI! SUA MALUCA! — gritou Oliver, sua voz finalmente livre, embora um pouco rouca. — Você quase levou minha pele junto!
— De nada, aliás — retrucou Zip, rindo da cara dele.
Edward, enquanto isso, já estava ajoelhado atrás de Oliver, usando uma pequena faca de bolso para cortar as cordas que prendiam seus pulsos e o braço de lápis.
— Quem fez isso com você, Oliver? — perguntou Edward, focado na tarefa. — As cordas foram amarradas com nós de marinheiro. Alguém sabia o que estava fazendo.
Assim que os pulsos foram libertados, Oliver começou a massagear o braço direito, enquanto Edward cortava as cordas dos joelhos e tornozelos.
— Eu não vi o rosto! — Oliver exclamou, levantando-se e cambaleando um pouco. — Foi rápido. Uma mão me puxou e depois... apagão. Mas eu juro, quando eu descobrir quem foi, vou usar meu braço de lápis para escrever "perdedor" na testa desse idiota mil vezes!
Ele se abaixou rapidamente e pegou seu sabonete do chão, limpando-o na bermuda branca antes de dar uma mordida agressiva. O som do sabonete quebrando entre seus dentes pareceu acalmá-lo instantaneamente.
— Você está bem mesmo? — perguntou Zip, cruzando os braços e observando o amigo. — Você ficou preso aqui por quase um dia inteiro.
— Tirando o fato de que eu perdi o almoço e minhas pernas estão formigando? — Oliver deu um sorriso malicioso, o brilho travesso voltando aos seus olhos. — Eu estou ótimo. E agora eu tenho um motivo real para causar o caos absoluto nesta escola.
— Bem, o que vamos fazer agora? — Edward perguntou, olhando para a porta. — As aulas ainda estão acontecendo. Podemos ir até a diretoria.
— Diretoria? — Oliver riu, limpando um pouco de espuma de sabonete do canto da boca. — Não, Edward. Nós somos a Paper School. Nós não pedimos ajuda. Nós resolvemos.
— Ele tem razão — concordou Zip, batendo o punho na palma da mão. — Quem quer que tenha feito isso, mexeu com o grupo errado.
Oliver caminhou até a porta, seu longo cabelo branco balançando orgulhosamente atrás dele. Ele olhou para o corredor, o braço de lápis apontado para a frente como se fosse uma espada.
— Primeiro, vamos descobrir quem estava de guarda nos corredores ontem à noite — ordenou Oliver. — E Zip, você consegue pegar as chaves da sala de câmeras?
— Considera feito — disse ela com um piscar de olhos.
— Ótimo — Oliver deu outra mordida no sabonete. — Porque hoje, a aula vai ser sobre como não irritar o Oliver.
Os três saíram do depósito, caminhando com a confiança de quem era dono do lugar. Oliver ainda sentia o ardor das cordas em seus pulsos, mas a raiva havia se transformado em uma energia criativa e perigosa. Ele não era apenas um aluno travesso; ele era uma lenda da Paper School, e ninguém o prenderia em um armário escuro e sairia impune.
Enquanto caminhavam, Edward notou algo no chão, perto de onde Oliver estava amarrado. Era um pequeno pedaço de papel, dobrado em forma de um triângulo perfeito, com um símbolo que ele não reconheceu de imediato. Ele o pegou e guardou no bolso, decidindo não contar a Oliver ainda. Sabia que, se contasse, Oliver poderia explodir de vez.
— Ei, Oliver! — chamou Zip, correndo para alcançar o garoto de cabelos brancos. — Se a gente pegar o cara, eu posso ficar com o lanche dele por uma semana?
— Pode ficar com o lanche, com o armário e até com os cadernos — respondeu Oliver, sem olhar para trás. — Eu só quero a satisfação de ver a cara de pânico dele quando ele perceber que eu me soltei.
A jornada de vingança de Oliver estava apenas começando, e a Paper School estava prestes a se tornar muito mais interessante — e perigosa — do que o habitual. Entre mordidas de sabonete e planos mirabolantes, o trio de amigos desapareceu no final do corredor, prontos para virar a escola de cabeça para baixo.
