
Só minha
Fandom: It: a coisa
Criado: 17/07/2026
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Sob o Domínio dos Lobos
O silêncio do meu quarto era quebrado apenas pelo som baixo dos vídeos que eu passava no celular. A tarde em Derry estava abafada, daquele jeito pesado que precede uma tempestade, e o ventilador de teto girava preguiçosamente, sem dar conta do calor. Eu estava esparramada na cama, sentindo o tecido macio do meu conjunto vermelho contra a pele. Era um shortinho curto, com bordas de renda branca que contrastavam com o rubro vivo, e uma blusa tomara que caia combinando. Eu me sentia bonita, e sabia que era. Ser a "princesa" da gangue Bowers tinha seus privilégios, mas também significava carregar a atenção constante dos garotos mais perigosos da cidade.
O toque estridente da campainha cortou meus pensamentos. Rolei para fora da cama, ajeitando os cabelos pretos que caíam em ondas pelas minhas costas. Meus olhos castanhos brilharam com uma antecipação travessa. Eu sabia exatamente quem era.
Ao abrir a porta, o ar pareceu ficar ainda mais denso. Henry Bowers estava na frente, com aquela postura de quem é dono do mundo, ladeado por Patrick Hockstetter e Victor Criss. No momento em que meus olhos encontraram os deles, o tempo pareceu parar.
Henry me percorreu com o olhar, de cima a baixo, demorando-se nas minhas pernas e na curva da minha cintura. Um sorriso lento e predatório surgiu em seu rosto.
— Você está tentando me matar antes do jantar, Hanna? — perguntou Henry, a voz rouca e carregada de uma possessividade que me fez arrepiar.
— Talvez — respondi com um sorriso brincalhão, encostando-me no batente da porta. — O que trazem vocês aqui em um dia tão quente?
Patrick não disse nada, mas seus olhos claros brilhavam com aquela intensidade perturbadora que só ele tinha. Ele deu um passo à frente, invadindo meu espaço pessoal, e aspirou o ar perto do meu pescoço.
— Você cheira a morango e pecado — murmurou Patrick, com um sorriso malicioso que revelava seus dentes.
Victor, sempre um pouco mais contido mas não menos intenso, apenas balançou a cabeça, rindo baixo enquanto entrava na casa sem ser convidado.
— Deixa ela respirar, Patrick. Temos a tarde toda.
Eles subiram para o meu quarto como se o lugar pertencesse a eles. E, de certa forma, pertencia. Quando entramos e a porta foi fechada, o ambiente mudou. A tensão sexual era quase palpável, misturada com a camaradagem bruta que nos unia. Sentamos na cama, e eu me vi cercada por eles.
Victor foi o primeiro a se aproximar, seus lábios encontrando a curva do meu pescoço com uma suavidade surpreendente, enquanto Patrick, do outro lado, era mais faminto, deixando beijos úmidos que subiam até a minha orelha. Eu soltei um suspiro baixo, fechando os olhos e deixando minha cabeça pender para trás.
— Você é nossa, Hanna — sussurrou Victor contra minha pele. — Sabe disso, não sabe?
Antes que eu pudesse responder, Henry puxou meu rosto em direção ao dele. Suas mãos eram firmes, segurando minha mandíbula com uma urgência que exigia atenção total. Ele me beijou como se não houvesse amanhã, uma explosão de desejo que fez meu coração disparar. Era um beijo que reivindicava território, profundo e selvagem. Quando nos separamos por um segundo para tomar ar, seus olhos estavam escuros, quase pretos.
— Ninguém toca no que é meu — declarou Henry, a respiração pesada contra meus lábios.
Nós quatro nos deitamos na cama, um emaranhado de braços e pernas. Passamos um tempo assim, entre carícias, risadas baixas e o conforto estranho que apenas aquela dinâmica distorcida de Derry poderia proporcionar.
Algum tempo depois, o calor do quarto se tornou excessivo. Levantei-me e caminhei até a janela, pegando um cigarro e o acendendo. A fumaça azulada dançava no ar antes de sair para a noite que começava a cair. Eu me apoiei no parapeito, sentindo a brisa leve tocar minha pele exposta. Os meninos continuavam na cama, observando-me com preguiça e satisfação.
Foi então que notei um movimento na casa ao lado. O vizinho, um homem de meia-idade com olhos pequenos e uma expressão constantemente suada, estava parado em sua janela. Ele me olhava fixamente, os olhos grudados no meu corpo, na renda do meu short e na forma como a blusa tomara que caia realçava meus ombros. Ele mordeu o lábio inferior, um gesto asqueroso de desejo mal disfarçado.
Eu não recuei. Pelo contrário, deixei a fumaça sair lentamente pelos lábios e arqueei as costas, provocando-o deliberadamente. Eu sabia o poder que tinha e, naquele momento, queria ver até onde a audácia dele iria.
— Ele está olhando de novo? — a voz de Henry veio de algum lugar atrás de mim, fria como gelo.
Eu não respondi com palavras, apenas dei mais uma tragada e joguei o cabelo para o lado, expondo ainda mais o meu pescoço para a visão do vizinho. O homem do outro lado parecia hipnotizado, sem perceber o perigo que se aproximava nas sombras atrás de mim.
De repente, senti mãos tocando meu corpo. Eram seis mãos ao todo, movendo-se com uma sincronia possessiva. Uma mão apertou minha cintura, outra subiu pela minha barriga, dedos longos se fecharam em volta da minha coxa e outras mãos subiram para o meu peito e bunda. O quarto estava escuro, e para o vizinho, os rostos dos garotos eram apenas borrões sombrios, mas as mãos eram bem visíveis, reivindicando cada centímetro de mim.
O vizinho paralisou, a expressão de desejo transformando-se em confusão e um medo crescente. Ele olhava para as mãos que me cobriam, percebendo que eu não estava sozinha, mas sim cercada por predadores.
Henry foi o último a se revelar. Ele deslizou para trás de mim, sua mão subindo lentamente pelo meu pescoço, os dedos traçando a linha da minha garganta com uma promessa de violência se fosse necessário. O rosto dele apareceu logo ao lado do meu, iluminado apenas pelo brilho fraco do cigarro e pela luz da rua.
— Algum problema, senhor Miller? — a voz de Henry ecoou, carregada de um veneno letal.
O homem empalideceu instantaneamente. Ele deu um passo para trás, tropeçando em algo dentro de seu próprio quarto, e fechou as cortinas com uma pressa desesperada.
Eu soltei uma risada clara e cristalina, apagando o cigarro no cinzeiro da janela.
— Acho que ele perdeu o apetite — comentei, virando-me nos braços de Henry.
— Ele tem sorte de eu não ter ido lá arrancar os olhos dele — rosnou Henry, apertando minha cintura com força. — Você gosta de brincar com o fogo, Hanna.
— Eu não tenho medo de me queimar — respondi, passando os braços pelo pescoço dele. — Especialmente quando sei quem são os meus guardas.
Patrick e Victor se aproximaram, fechando o círculo ao nosso redor. Patrick tinha um brilho maníaco nos olhos, claramente divertido com a situação.
— Deveríamos ter deixado ele olhar mais um pouco — disse Patrick, a voz baixa e perigosa. — Só para ele ver o que acontece com quem cobiça o que pertence à gangue Bowers.
— Ele já entendeu o recado — Victor disse, puxando-me para longe da janela e de volta para a penumbra do quarto. — Agora, onde estávamos?
Deitamo-nos novamente, mas o clima tinha mudado. A provocação externa havia inflamado algo neles, uma necessidade de reafirmar que eu era a princesa deles, protegida e adorada por aqueles que o resto do mundo temia. Em Derry, o mal espreitava em cada esquina, mas dentro daquele quarto, entre os beijos de Henry e as carícias de Patrick e Victor, eu me sentia a pessoa mais segura — e mais poderosa — do mundo.
— Você é nossa, Hanna — Henry repetiu, desta vez contra o meu ouvido, enquanto o som do trovão finalmente ecoava à distância. — Nunca se esqueça disso.
— Nunca — prometi, fechando os olhos e deixando-me levar pela tempestade que estava apenas começando, tanto lá fora quanto dentro de mim.
