
Riley x Robby
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 17/07/2026
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Engrenagens e Obsessão
O silêncio nos corredores da Paper School costumava ser preenchido pelo som de giz batendo no quadro ou pelos gritos distantes de algum aluno azarado fugindo da Senhorita Circle. Mas, naquela ala específica, onde as janelas não existiam e a luz das lâmpadas fluorescentes piscava de forma irregular, o único som audível era o clique rítmico dos sapatos pretos de Robby contra o chão de linóleo.
Robby segurava sua chave inglesa cinza com força. Ele era um garoto de estatura baixa, mas suas mãos de três dedos, em forma de garras, eram habilidosas o suficiente para consertar qualquer mecanismo. Seu chapéu de hélice azul e vermelho parecia pesado sobre seu cabelo preto e fofo, e seus óculos pretos escorregavam levemente pelo nariz devido ao suor frio que brotava em sua testa. Ele odiava aquele corredor. Era escuro demais, estreito demais, e parecia que as paredes de papel estavam se fechando sobre ele.
De repente, a escuridão pareceu ganhar voz.
— Robby... — O sussurro ecoou, doce e cortante como uma lâmina de papel.
O garoto parou abruptamente, os membros longos e finos tremendo visivelmente. Ele olhou para os lados, mas não viu nada além de sombras.
— Você é tão interessante, sabia? — A voz de Riley agora parecia vir de todos os lugares ao mesmo tempo. — Eu sei tudo sobre você, Robby. Sei que você prefere o cheiro de óleo de motor ao perfume das flores. Sei que você guarda aquela engrenagem quebrada no seu bolso frontal porque foi o primeiro conserto que você não conseguiu terminar...
Robby sentiu um calafrio percorrer sua espinha, onde o pescoço deveria estar. Ele apertou a gola de sua camisa polo preta, sentindo o coração disparar.
— Riley? É você? — perguntou ele, a voz falhando. — Isso não tem graça. Eu só estou tentando chegar na oficina.
— Eu sei que você gosta de se esconder lá — a voz continuou, agora mais próxima, quase um hálito frio em sua orelha. — Eu sei como seus dedos tremem quando você está concentrado. Eu sei como você ajusta seus óculos quando está nervoso... exatamente como está fazendo agora.
Antes que Robby pudesse reagir, um vulto branco e preto saltou das sombras. O impacto foi súbito e certeiro. Robby caiu de costas no chão frio, soltando sua chave inglesa, que tilintou no chão antes de deslizar para longe.
Riley estava sobre ele. Seus longos cabelos brancos caíam ao redor do rosto de Robby como uma cortina de seda pálida, e o laço preto em seu rabo de cavalo balançava levemente. Ela o prendia contra o chão, os braços finos mas surpreendentemente fortes bloqueando qualquer tentativa de fuga. Seus olhos brilhavam com uma intensidade maníaca, e o brilho da faca preta em sua mão esquerda refletia a luz fraca do corredor.
Riley começou a rir. Era uma risada aguda, melódica e completamente insana.
— Peguei você! — exclamou ela, aproximando o rosto do dele.
Robby estava paralisado. Ele podia sentir o peso dela sobre seu torso robusto e a cauda curta e pontiaguda de Riley balançando excitada atrás dela. O rosto do garoto começou a esquentar rapidamente, uma tonalidade avermelhada subindo por suas bochechas.
— Por que você está tão corado, Robby? — Riley perguntou, inclinando a cabeça para o lado, um sorriso predatório brincando em seus lábios. — Está com medo de que eu use minha faca? Ou é outra coisa?
Robby tentou desviar o olhar, mas não havia para onde fugir.
— É... é a sua perna — gaguejou ele, sentindo o contato físico de forma intensa. — Você está... bem em cima de mim.
Riley soltou outra risadinha, seus dedos longos e pretos tamborilhando no peito dele.
— Pode haver um outro motivo, não pode? — provocou ela, estreitando os olhos. — Diga a verdade, Robby. O que você está sentindo?
O garoto tremeu, as garras de suas mãos se fechando contra o chão. Ele respirou fundo, o pânico e uma estranha admiração lutando dentro dele.
— Você... — ele começou, a voz quase um sussurro. — Você é fofa, Riley.
O sorriso de Riley vacilou por um milésimo de segundo antes de se alargar ainda mais. Ela soltou uma gargalhada genuína, parecendo deliciada com a confissão.
— Você me acha fofa? Mesmo sabendo do que eu sou capaz? Mesmo sabendo que eu poderia te cortar em pedacinhos só para ver o que tem dentro? — Ela deslizou o dedo indicador lentamente sobre o tecido da camisa polo de Robby, traçando o contorno do grande bolso frontal. — Isso é muito interessante, Robby. Muito interessante mesmo.
Ela se inclinou mais, o nariz quase tocando o dele.
— Sabe de uma coisa? Eu quero provar um pedacinho de você — disse ela, a voz subitamente baixa e rouca.
Sem dar tempo para Robby processar a informação, Riley largou a faca ao lado da cabeça dele e, com uma agilidade assustadora, começou a desabotoar a camisa polo dele. Robby tentou protestar, mas as palavras morreram em sua garganta. Ela puxou a camisa preta, expondo o peito do garoto ao ar frio do corredor.
— Riley, espera... — Robby começou, mas foi interrompido.
Ela não esperou. Riley se inclinou e o beijou com uma intensidade que o deixou sem fôlego. Foi um beijo caótico, assim como ela, misturando uma doçura súbita com a agressividade de quem não aceitava um "não" como resposta.
Robby soltou um som abafado de surpresa, seus olhos arregalados por trás dos óculos. Por um momento, ele ficou rígido como uma estátua de papel, mas então, algo dentro dele cedeu. O medo, embora ainda presente, foi subjugado por uma onda de calor que ele nunca sentira antes.
Lentamente, as mãos de Robby subiram e se fecharam nas costas da camisa social branca de Riley. Ele retribuiu o beijo. Seus dedos em forma de garras se cravaram levemente no tecido, puxando-a para mais perto.
Riley soltou um gemido de satisfação contra os lábios dele, a cauda pontiaguda chicoteando o ar em um ritmo frenético. O corredor escuro e sem janelas, que antes parecia uma prisão, agora parecia o único lugar no mundo que importava.
Quando finalmente se separaram para buscar ar, Riley tinha um brilho vitorioso nos olhos. Ela passou a língua pelos lábios, como se realmente tivesse provado algo doce.
— Viu só? — sussurrou ela, acariciando o rosto dele. — Eu sabia que você era meu, Robby. Só meu.
Robby, ainda ofegante e com os óculos tortos, apenas assentiu. Ele sabia que Riley era perigosa, sabia que ela era instável, mas enquanto estivesse nos braços dela, o resto da Paper School e seus horrores pareciam distantes. Ele era um mecânico, e talvez, apenas talvez, Riley fosse o tipo de mecanismo complexo e quebrado que ele estava destinado a tentar entender.
— Só seu — repetiu ele, a voz agora firme, enquanto ela se aninhava em seu peito descoberto, pronta para nunca mais deixá-lo ir.
