
Sla afs mindêxah☝️😞🙏
Fandom: Sem fandom
Criado: 17/07/2026
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Entre o Sal e o Pecado
O sol de fim de tarde em Maresias pintava o céu com tons de laranja e púrpura, mas o calor que emanava da varanda da casa de praia não vinha apenas do clima tropical. Rafaella sentia a pele arder, e não era pelo excesso de sol. Seus olhos estavam fixos em Augusto, que terminava de abrir uma cerveja com uma facilidade irritante, os músculos do braço se contraindo sob a regata branca que parecia pequena demais para o seu porte.
Ele era, sem sombra de dúvidas, a definição de um problema. Lindo, com aquele maxilar marcado e olhos que pareciam ler até os pensamentos mais impuros dela. E Augusto sabia disso. Ele tinha uma intensidade que preenchia qualquer ambiente, uma aura de quem conseguia exatamente o que queria, na hora que queria.
— Gente, a gente vai descer para o luau agora para pegar um lugar bom perto da fogueira — anunciou Sofia, a melhor amiga de Rafaella, ajeitando a canga na cintura. — Vocês vêm?
Rafaella trocou um olhar rápido com Augusto. Havia uma eletricidade estática entre eles desde o café da manhã, um jogo de provocações silenciosas que já estava prestes a explodir.
— Putz, Sofi... eu acho que vou ter que passar — disse Rafaella, fingindo uma careta de dor enquanto levava a mão à têmpora. — Essa caipirinha de limão me deu uma enxaqueca chata. Vou tomar um banho gelado e deitar um pouco. Se eu melhorar, encontro vocês lá.
— Sério, amiga? Que droga — Sofia lamentou, aproximando-se para tocar a testa da amiga. — Você tá meio quente mesmo.
Augusto deu um passo à frente, a voz grave e aveludada soando perfeitamente casual.
— Eu também vou ficar. Esqueci que tenho que enviar uns e-mails do escritório até às oito, se não o chefe me mata na segunda-feira. Podem ir indo, o Vaz sabe o caminho do quiosque do Ceará.
Pedro Vaz, ou apenas Vaz, como preferia ser chamado, deu um tapinha no ombro de Augusto.
— Deixa de ser carrasco de si mesmo, cara! É sábado. Mas beleza, a gente se vê lá. Vê se não morre trabalhando.
Assim que a porta da frente bateu e o som das vozes de Sofia e Vaz se distanciou pelo jardim, o silêncio da casa tornou-se ensurdecedor. Rafaella continuava parada no meio da sala, o coração martelando contra as costelas. Ela não precisou se virar para saber que Augusto estava logo atrás dela.
— Enxaqueca, Rafaella? — A voz dele estava a centímetros do seu ouvido, quente e carregada de ironia. — Essa foi a desculpa mais esfarrapada que eu já ouvi na vida.
Rafaella virou-se lentamente, encontrando o peitoral dele a poucos milímetros de seu nariz. Ela ergueu o queixo, sustentando o olhar desafiador.
— E os e-mails, Augusto? — rebateu ela, a voz um pouco trêmula. — Não sabia que você tinha se tornado um funcionário tão exemplar de repente.
Augusto não respondeu com palavras. Ele apenas sorriu, um sorriso lento que não chegava aos olhos, focado inteiramente nos lábios dela. Ele avançou, obrigando-a a recuar até que suas costas encontrassem a parede fria do corredor.
— Eu não aguentava mais um segundo olhando para você naquele biquíni sem poder encostar — confessou ele, a voz rouca.
— E quem disse que você pode encostar agora? — provocou ela, embora suas mãos já estivessem subindo pelo peito dele, sentindo o calor da pele sob o tecido fino.
Augusto não esperou por uma permissão formal. Ele a calou com um beijo que foi tudo, menos calmo. Era um beijo faminto, urgente, que carregava toda a tensão acumulada dos últimos dias de convivência forçada na viagem. A língua dele explorava a dela com uma possessividade que fez as pernas de Rafaella fraquejarem.
— O quarto... — murmurou ela entre os beijos, as mãos puxando o cabelo da nuca dele. — Alguém pode voltar...
— Eles acabaram de sair, Rafa. Temos tempo — ele respondeu, a voz embargada pelo desejo.
Ele a pegou no colo, e Rafaella entrelaçou as pernas na cintura dele, as unhas cravando-se nos ombros largos de Augusto. Ele caminhou pelo corredor de forma meio errática, os beijos descendo para o pescoço dela, onde ele deixou uma marca que certamente exigiria um corretivo pesado no dia seguinte.
A porta do primeiro quarto no corredor estava entreaberta. No calor do momento, com a visão turva e os sentidos focados apenas no toque um do outro, Augusto a empurrou para dentro do cômodo, chutando a porta para fechar, mas ela não travou completamente.
Eles caíram na cama de casal, um emaranhado de membros e roupas sendo descartadas. Rafaella estava deslumbrante; a luz fraca que entrava pelas frestas da persiana realçava suas curvas, e Augusto a olhava como se ela fosse a coisa mais preciosa e profana que já tinha visto.
— Você é linda demais — sussurrou ele, as mãos grandes percorrendo a cintura dela antes de subirem para desabotoar o que restava.
— E você é um idiota intenso demais — respondeu ela, puxando-o para si novamente.
O clima no quarto era pesado, carregado de uma luxúria que parecia consumir o oxigênio. Os gemidos eram abafados por beijos profundos, e o som dos corpos se encontrando era o único ritmo que importava. Augusto era técnico, mas também selvagem, movendo-se com uma confiança que levava Rafaella ao limite a cada toque.
Eles estavam em um transe, um universo particular onde só existia o gosto de sal da pele e o cheiro do perfume de um misturado ao suor do outro. Augusto estava por cima dela, os braços sustentando o peso do corpo enquanto ele a olhava nos olhos, a intensidade dele quase insuportável, quando o som da realidade resolveu bater à porta. Ou melhor, escancará-la.
— Cara, eu tenho certeza que deixei a chave do carro em cima da cômoda! — A voz de Vaz ecoou pelo corredor, alta e despreocupada.
— Vaz, espera, a gente não devia entrar assim, vai que eles estão dormindo... — A voz de Sofia soou logo atrás, mas era tarde demais.
A porta do quarto foi empurrada com força, batendo contra o batente.
O tempo pareceu congelar.
Augusto e Rafaella estavam no meio de um movimento particularmente íntimo, as roupas espalhadas pelo chão como destroços de uma batalha. A luz do corredor iluminou a cena com uma clareza cruel.
Vaz parou no lugar, a mão ainda na maçaneta, os olhos arregalados e a boca aberta em um "O" perfeito. Sofia, que estava logo atrás dele, espiou por cima do ombro do namorado e soltou um grito abafado, levando as mãos ao rosto.
— Mas que p... — Vaz começou, mas a voz falhou.
Augusto, com reflexos rápidos, puxou o lençol para cobrir Rafaella, embora ele mesmo continuasse com as costas nuas e a respiração pesada, o rosto vermelho de uma mistura de tesão interrompido e puro choque.
— Vaz! — Augusto rugiu, a voz carregada de uma autoridade que tentava esconder o constrangimento. — Sai daqui agora!
— Rafaella? — Sofia perguntou, a voz esganiçada. — A sua enxaqueca... ela... ela tinha nome e sobrenome?
Rafaella queria que o chão se abrisse e a engolisse. Ela estava escondida atrás do ombro de Augusto, segurando o lençol contra o peito, o cabelo bagunçado e os lábios inchados.
— Sofia, por favor... — Rafaella tentou dizer, mas a situação era tão absurda que a voz mal saiu.
Vaz finalmente pareceu recuperar o controle das pernas, mas não da língua.
— E os e-mails, Guto? — Ele soltou uma risada nervosa, meio histérica. — Pelo visto o relatório era bem... detalhado, né?
— Saiam. Agora! — Augusto repetiu, desta vez com um tom que não admitia réplicas.
Vaz puxou Sofia pelo braço, fechando a porta com um baque surdo. O silêncio que se seguiu foi muito diferente do silêncio de dez minutos atrás. Não havia mais eletricidade, apenas uma vergonha monumental que pairava sobre a cama.
Augusto soltou um suspiro longo, deixando a cabeça pender para a frente, a testa encostando no ombro de Rafaella.
— Eles entraram no quarto errado — murmurou ele, a voz rouca. — Esse é o quarto deles.
Rafaella processou a informação por um segundo antes de olhar ao redor. As malas de Sofia estavam no canto. O perfume de Vaz estava na mesa de cabeceira.
— A gente é muito burro — disse ela, e, para sua própria surpresa, uma risadinha escapou de seus lábios.
Augusto olhou para ela, confuso.
— Você está rindo? Eles viram... tudo, Rafaella.
— Eu sei! — Ela cobriu o rosto com as mãos, rindo mais forte agora, a adrenalina do flagra se transformando em histeria. — O Vaz nunca mais vai deixar você em paz. "Relatório detalhado", Augusto? Sério?
Augusto soltou uma risada curta e seca, deitando-se ao lado dela e puxando o lençol para cobrir ambos.
— É, eu estou morto. Segunda-feira no escritório vai ser um inferno.
Ele se virou de lado, observando-a. Mesmo descabelada e com a maquiagem levemente borrada, Rafaella continuava sendo a mulher mais bonita que ele já tinha visto. O susto tinha cortado o clima, mas a intensidade entre eles ainda estava lá, pulsando sob a pele.
— A gente devia se vestir e descer — sugeriu ele, embora não fizesse nenhum movimento para se levantar.
— Provavelmente — concordou ela. — Mas sabe o que é pior?
— O quê?
— A Sofia vai querer saber cada detalhe amanhã no café da manhã. E ela não aceita "e-mails" como resposta.
Augusto sorriu, aproximando-se e selando os lábios nos dela em um beijo mais calmo, mas ainda assim carregado de promessa.
— Então é melhor a gente dar a eles um motivo real para fofocarem.
Rafaella arqueou uma sobrancelha.
— Você não tem vergonha, não é?
— Com você? Nenhuma — respondeu ele, puxando-a para mais perto. — E, tecnicamente, eles já viram o pior. Ou o melhor, dependendo do ponto de vista.
— Você é impossível — disse ela, mas não se afastou quando ele voltou a beijar seu pescoço.
Lá fora, o som das ondas continuava seu ritmo constante, alheio ao caos que dois "doentes" e "trabalhadores" tinham causado dentro da casa. A noite em Maresias estava apenas começando, e se o segredo deles tinha durado menos de uma hora, a história que começou entre aqueles lençóis errados certamente duraria muito mais que um verão.
