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Descendentes 5

Fandom: Descendentes

Criado: 18/07/2026

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Chá, Ciúmes e Cartas Marcadas

A Ilha dos Perdidos ensinava muitas coisas a uma criança, mas a lição mais valiosa que Max Hatter aprendeu foi a arte do compartilhamento forçado. Quando se é o primogênito de cinco filhos do Chapeleiro Maluco, a palavra "meu" torna-se um conceito abstrato. Max dividia o quarto, dividia as roupas remendadas, dividia o pouco chá que restava no fundo do bule e, em dias particularmente caóticos, dividia até a sanidade mental com seus irmãos mais novos. Ele não era um cara possessivo; na verdade, Max se orgulhava de sua natureza desprendida. Ele era o mestre do sarcasmo, o gênio dos enigmas e o rapaz cujo carisma conseguia desarmar até o mais carrancudo dos piratas.

No entanto, toda regra tem uma exceção. E a exceção de Max atendia pelo nome de Luis Madrigal.

Sentado em uma das mesas de ferro fundido do pátio de Auradon Prep, Max girava uma xícara de porcelana entre os dedos longos, observando o movimento com um olhar afiado que contrastava com o sorriso brincalhão em seus lábios. Ao seu lado, Hazel Gancho polia um gancho de prata enquanto Felix Facilier embaralhava suas cartas de tarô com uma agilidade hipnótica. Chloe Charming, a mais nova adição ao grupo e namorada de Hazel, tentava — sem muito sucesso — ler um livro sobre diplomacia enquanto os três filhos de vilões faziam comentários ácidos sobre os transeuntes.

— Você está fazendo aquele buraco na mesa com os olhos de novo, Max — comentou Felix, sem desviar o olhar das cartas. — O Louco saiu na sua leitura hoje. Significa novos começos, ou talvez apenas que você vai ter um colapso nervoso se não parar de encarar o Luis.

Max bufou, ajeitando a cartola que repousava de forma estilosa sobre seus fios bagunçados.

— Eu não estou encarando. Estou monitorando o perímetro. Existe uma diferença tática fundamental, Felix.

— A diferença tática é que você parece um gato prestes a pular na garganta de alguém — Hazel riu, guardando o pano de polimento. — Relaxa, Chapeleiro. O Luis é um poste de luz humano. Ele nem percebe quando as pessoas dão em cima dele.

— Esse é exatamente o problema! — Max exclamou, batendo a xícara na mesa com um tilintar seco. — Ele é um Golden Retriever gigante. Ele acha que todo mundo é gentil, que todo mundo quer apenas ser "amigo". Mas eu conheço aquele olhar. Eu cresci na Ilha, Hazel. Eu sei quando alguém está tentando roubar o tesouro alheio.

O "tesouro" em questão estava a alguns metros dali, ajudando alguns alunos do primeiro ano a carregar caixas pesadas de equipamentos esportivos. Luis Madrigal era, por falta de definição melhor, uma força da natureza. Herdara a força sobre-humana de sua mãe, Luisa, mas parecia ter filtrado toda a pressão e ansiedade da linhagem Madrigal em pura doçura. Ele era enorme, com ombros largos que pareciam capazes de sustentar o céu e braços que já haviam prendido Max contra o colchão em abraços esmagadores — e maravilhosos — mais vezes do que ele podia contar.

Max passara anos tentando conquistar Luis. Fora um jogo de paciência, enigmas românticos e muita persistência. Até mesmo seu pai, o Chapeleiro Maluco, que normalmente vivia em seu próprio mundo de desaniversários, dera sua benção (depois de testar Luis com um enigma sobre corvos e escrivaninhas que o garoto Madrigal respondeu com uma honestidade tão desconcertante que deixou o velho Chapeleiro satisfeito).

— Lá vem ela — murmurou Chloe, fechando o livro com um suspiro preocupado. — A Red não desiste, não é?

Max estreitou os olhos. Vinda do corredor principal, a Princesa Red, filha da Rainha de Copas, caminhava com aquela arrogância típica de quem acha que o mundo é seu tabuleiro de croquet particular. Ela se aproximou de Luis, que acabara de colocar a última caixa no chão e limpava o suor da testa com o antebraço.

— Oi, Luis! — A voz de Red ecoou pelo pátio, carregada de um charme açucarado que fez Max sentir vontade de vomitar. — Eu estava pensando... meu relógio de bolso parou de funcionar. E como você é tão bom com... bem, com tudo... será que não poderia dar uma olhada para mim hoje à noite?

Luis abriu aquele sorriso enorme e gentil, o tipo de sorriso que fazia Max derreter, mas que agora o fazia querer gritar.

— Ah, oi Red! — Luis coçou a nuca, parecendo genuinamente lisonjeado. — Um relógio? Eu não sou tão bom com engrenagens quanto o Max, mas posso tentar ajudar se for algo simples.

— Oh, eu tenho certeza de que suas mãos grandes podem resolver qualquer problema meu — Red disse, dando um passo para mais perto e colocando a mão no bíceps de Luis.

Na mesa dos "desajustados", o clima esfriou dez graus.

— Ela não disse isso — Hazel sussurrou, chocada. — Ela realmente usou a cantada das "mãos grandes"?

Max não respondeu. Ele se levantou com uma elegância felina, ajeitando o paletó de veludo roxo. O sarcasmo que costumava ser sua armadura agora era uma arma afiada.

— Com licença, pessoal. Preciso ir ali lembrar a uma certa realeza que algumas propriedades são privadas e têm cercas elétricas invisíveis.

— Vai lá, tigre — Felix riu, virando a carta da "Torre". — Isso vai ser divertido de assistir.

Max caminhou pelo pátio com a confiança de quem possuía o lugar. Ele não correu; ele desfilou. Quando chegou ao par debaixo da árvore, Luis o viu imediatamente e seus olhos brilharam com um afeto tão profundo que qualquer um com dois neurônios funcionais teria recuado. Mas Red não era qualquer um.

— Max! — Luis exclamou, estendendo o braço livre para puxar o namorado para perto. — Red estava me pedindo ajuda com um relógio.

Max deslizou para dentro do espaço pessoal de Luis, permitindo que o braço maciço do namorado envolvesse seus ombros. O contraste era gritante: Max, esguio, ágil e vibrante; Luis, vasto, sólido e calmo.

— Um relógio, é? — Max inclinou a cabeça, lançando a Red um sorriso que não chegava aos olhos. — Sabe, Red, querida, o tempo é uma coisa engraçada. Ele voa quando estamos nos divertindo, mas para completamente quando estamos perdendo nosso fôlego com coisas que não nos pertencem.

Red arqueou uma sobrancelha, sem tirar a mão do braço de Luis.

— Só estava pedindo um favor a um amigo, Max. Não precisa ser tão... territorial.

— Territorial? Eu? — Max soltou uma risada curta e seca. — Imagine. Eu sou a pessoa mais generosa que você vai conhecer. Eu divido meus conselhos, divido meu chá e até divido minha paciência, que, aliás, está acabando. Mas o Luis... veja bem, ele é a única peça da minha coleção que não está à venda, para empréstimo ou para consulta técnica de princesas entediadas.

Luis, sentindo a tensão mas fiel à sua natureza de "Golden Retriever", apenas apertou Max contra o peito, achando a cena adorável.

— Max se preocupa muito comigo — Luis disse para Red, com uma simplicidade que quase fez a garota bufar. — Mas ele tem razão, eu sou péssimo com relógios pequenos. Minhas mãos são meio desajeitadas para isso, a menos que seja para segurar o Max.

O Chapeleiro júnior aproveitou a deixa para se aconchegar mais, enterrando o rosto por um segundo no peito de Luis antes de olhar para Red com um brilho vitorioso.

— Ouviu o homem, Vossa Alteza. O talento dele é estritamente reservado para... outras funções. Se você quer consertar algo, procure o ferreiro. Se quer perder a cabeça, continue tentando a sorte aqui.

Red viu o olhar de Max — um olhar que carregava toda a malícia e a inteligência da Ilha dos Perdidos — e finalmente retirou a mão do braço de Luis. Ela sabia quando uma batalha estava perdida, e Max Hatter não era um oponente que alguém quisesse ter permanentemente.

— Que seja — Red deu de ombros, fingindo desinteresse. — Vejo você no treino, Luis.

Assim que ela se afastou, Luis soltou um suspiro e beijou o topo da cartola de Max.

— Você foi um pouco duro com ela, não acha, Mi Amor?

Max se virou nos braços do namorado, circulando o pescoço de Luis com as mãos e forçando o gigante a se inclinar para baixo.

— Eu fui um anjo, Luis. Um anjo com um vocabulário afiado. Você é muito inocente para o seu próprio bem. Se eu não marcar território, daqui a pouco tem uma fila de princesas pedindo para você carregar o castelo delas nas costas.

Luis riu, um som profundo que vibrou no peito de Max, e o levantou do chão como se ele não pesasse nada. Max soltou um ganido de surpresa, mas logo relaxou, sentindo-se seguro naquele abraço que era seu porto seguro.

— Você sabe que eu não vou a lugar nenhum — disse Luis, roçando o nariz no de Max. — Nenhuma princesa tem o que você tem.

— E o que eu tenho? — provocou Max, recuperando seu sorriso charmoso.

— Você tem a chave da Casita, o meu coração e, aparentemente, um ciúme que poderia queimar Auradon inteira.

Max fingiu ponderar, ajeitando a gravata borboleta de Luis.

— É um preço pequeno a pagar por toda essa perfeição Madrigal. Agora, me leve de volta para a mesa. Meus amigos estão assistindo e eu tenho uma reputação de gênio incompreendido a manter, não de namorado carregado no colo.

— Tarde demais para isso — Luis cantarolou, começando a caminhar em direção ao grupo enquanto Max protestava de brincadeira, embora estivesse secretamente adorando a atenção.

De longe, Hazel, Felix e Chloe observavam a cena.

— Ele é completamente louco por aquele grandalhão — Chloe comentou, sorrindo.

— Ele é um Hatter — Felix deu de ombros, jogando a carta dos "Enamorados" sobre a mesa. — Ser louco faz parte do contrato. Mas ai de quem tentar entrar no meio dessa loucura. Eu preferiria enfrentar a Rainha de Copas em um dia ruim do que tirar o Luis do Max.

Hazel assentiu, observando Max agora sentado no colo de Luis na mesa, roubando um pedaço de maçã da mão do namorado com um olhar de pura satisfação.

— É, a Red teve sorte. Max estava de bom humor hoje.

Enquanto o sol de Auradon brilhava sobre o pátio, Max Hatter se sentia em paz. Ele podia dividir o mundo, mas enquanto tivesse Luis Madrigal preso entre seus dedos, o resto do universo podia muito bem ficar sem chá.

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