
Competição familiar
Fandom: Revenge of the Iron-Blooded Sword Hound
Criado: 18/07/2026
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Herança de Sangue e o Caos da Diplomacia Familiar
A Academia Colosso era, em teoria, o refúgio perfeito para Vikir van Baskerville. Sob o disfarce de um plebeu comum e talentoso, ele buscava apenas um hiato necessário da carnificina constante e das responsabilidades esmagadoras que carregava como o "Cão de Caça" da família Baskerville. Ele queria silêncio. Ele queria anonimato.
No entanto, o destino — e sua própria família — parecia ter outros planos.
Vikir estava sentado em sua mesa habitual na biblioteca, observando o pacote embrulhado em seda negra e fios de ouro que acabara de chegar. Era o quarto presente naquela semana. Dentro, ele sabia que encontraria algo absurdamente caro e desnecessário para um estudante comum: talvez uma adaga de mithril forjada por anões ou um elixir de cura que custaria o orçamento anual de uma pequena vila.
— Outro presente, Vikir? — perguntou Tudor, aproximando-se com uma expressão que misturava curiosidade e uma ponta de inveja. — Seus "parentes" devem ser muito bem-sucedidos para enviar itens com o selo de autenticidade da capital toda semana.
Vikir nem sequer levantou o olhar do livro que lia. Seus olhos vermelhos, frios e intensos como brasas sob cinzas, permaneceram fixos na página.
— Meu irmão é apenas... exagerado — respondeu Vikir, sua voz saindo em um tom monótono e levemente sarcástico. — Ele não entende o conceito de moderação.
Ao lado do pacote, havia uma carta. Vikir a abriu com movimentos precisos. A caligrafia era elegante, mas a mensagem era quase agressiva em seu afeto possessivo. “Vikir, por que não respondeu à última carta? Enviei este pequeno mimo para garantir que ninguém naquela instituição medíocre ouse olhar torto para você. Se precisar que eu queime o campus, basta um sinal. Com carinho, Osiris.”
Vikir suspirou internamente. Ele dobrou a carta e a guardou no bolso, sem qualquer intenção de escrever de volta. Responder apenas encorajaria Osiris a enviar algo ainda mais extravagante, como uma divisão de cavalaria para escoltá-lo até a sala de aula.
A rotina de tranquilidade relativa foi brutalmente interrompida na manhã seguinte.
O Diretor da Academia, um homem que raramente aparecia a menos que algo catastrófico estivesse acontecendo, entrou na sala de aula com uma postura solene. O silêncio caiu sobre os alunos instantaneamente.
— Atenção, jovens talentos — começou o Diretor, limpando a garganta. — Em dois dias, realizaremos o Festival de Integração Familiar. É uma tradição secular da Colosso. Teremos uma competição amigável onde os pais ou responsáveis de vocês participarão. Eles responderão perguntas sobre suas vidas, talentos e personalidades para provar o quão bem conhecem nossos alunos. Escolham um ou dois familiares.
Vikir sentiu um calafrio que nem mesmo o frio das terras do norte conseguia provocar.
“Maldição”, pensou ele, a expressão permanecendo impassível, embora sua mente estivesse disparando insultos que fariam um marinheiro corar.
Ele repensou todo o disfarce que construíra meticulosamente. Ele era Vikir, o órfão talentoso de origens humildes. Como ele explicaria a presença de Hugo van Baskerville, o temido Patriarca do Ferro e do Sangue, ou de Osiris, o herdeiro implacável que tratava qualquer interação social como uma declaração de guerra?
A ideia de Hugo e Osiris em uma "competição amigável" era o equivalente a colocar dois dragões em uma loja de cristais e pedir que eles não quebrassem nada. Os Baskerville não conheciam o conceito de "amigável". Para eles, até um jogo de cartas era uma questão de vida ou morte, honra ou desonra.
— Você vai chamar seu irmão, não vai? — cutucou Tudor, animado. — Seria legal conhecer o cara que envia espadas de luxo pelo correio.
— Eu preferiria chamar uma praga de gafanhotos — murmurou Vikir, fechando os olhos por um segundo.
— O quê? — Tudor franziu a testa.
— Nada. Vou ver o que posso fazer.
Vikir passou o restante do dia tentando arquitetar um plano de fuga, mas as regras da Academia eram rígidas. A ausência dos responsáveis resultaria em uma penalidade severa nas notas e, pior, em uma investigação sobre sua origem. Ele não podia arriscar que os espiões de outras famílias descobrissem sua verdadeira identidade prematuramente.
Ele não teve escolha. Enviou uma breve mensagem através de um mensageiro privado. Foi a mensagem mais curta de sua vida: "Festival na Academia. Dois dias. Não matem ninguém."
Dois dias depois, o pátio da Academia Colosso parecia um desfile de moda da alta nobreza. Carruagens luxuosas estacionavam uma após a outra. No entanto, o ar mudou drasticamente quando uma carruagem negra, sem brasão visível, mas exalando uma aura de opressão absoluta, parou diante dos portões.
A porta se abriu e dois homens desceram.
Hugo van Baskerville caminhava com a autoridade de um homem que governava através do medo e da eficiência. Ao seu lado, Osiris mantinha uma expressão de desdém por tudo o que não fosse seu irmão mais novo.
Vikir, parado em um canto sombreado, sentiu uma dor de cabeça latejante começar.
— Vikir! — a voz de Osiris não era alta, mas cortava o ar como uma lâmina. Ele caminhou até o irmão e, ignorando todos os olhares curiosos, colocou a mão em seu ombro. — Você parece pálido. Eles não estão te alimentando direito? Devo comprar a cozinha desta escola e substituir todos os funcionários?
— Estou bem, Osiris — disse Vikir, retirando a mão do irmão com delicadeza, mas firmeza. — Por favor, lembrem-se: sou um plebeu aqui.
Hugo deu um passo à frente, seus olhos vermelhos idênticos aos de Vikir examinando o ambiente com desaprovação.
— Um plebeu morando em acomodações tão deploráveis — rosnou Hugo. — Vikir, isso é um insulto à nossa... à sua dignidade.
— É um disfarce, pai — sussurrou Vikir, a palavra "pai" saindo quase como um aviso. — Tentem agir como pessoas normais.
— Nós somos normais — afirmou Osiris, ajustando as luvas de couro. — Somos os Baskerville. O resto do mundo é que está fora do padrão.
A competição começou em um palco montado no centro do campo. Várias famílias estavam sentadas em filas. O apresentador, um professor de história com nervos de aço, começou a explicar as regras.
— Os alunos ficarão em cabines isoladas. Faremos perguntas aos familiares sobre os gostos e hábitos dos alunos. Se as respostas coincidirem, ganham pontos!
Vikir se trancou na cabine, rezando para que o tempo passasse rápido.
— Primeira pergunta! — anunciou o professor. — Qual é a comida favorita do aluno Vikir?
No palco, Hugo e Osiris se entreolharam.
— Óbvio — disse Osiris, escrevendo rapidamente na lousa.
Na cabine, Vikir escreveu: "Pão integral e água." (A dieta de um soldado, simples e funcional).
Quando as respostas foram reveladas, o público soltou um suspiro de choque.
Hugo e Osiris haviam escrito: "Coração de monstro rank S, grelhado nas chamas do arrependimento dos inimigos."
O professor empalideceu.
— Er... bem, o aluno Vikir escreveu pão e água.
— O quê? — Hugo levantou-se, a pressão de sua aura fazendo as cadeiras próximas tremerem. — Meu filho está sendo reduzido a comer pão? Quem é o responsável por essa dieta de prisioneiro? Eu exijo nomes!
— Pai, sente-se — sibilou Osiris, embora ele mesmo estivesse com a mão no cabo da espada. — Ele está apenas sendo humilde. Ele adora carne de feras. Eu mesmo vi quando ele tinha sete anos.
Vikir, dentro da cabine, bateu a testa contra a parede de madeira.
— Próxima pergunta! — o professor tentou desesperadamente mudar de assunto, sua voz falhando. — Qual é o passatempo favorito de Vikir nas horas vagas?
Vikir escreveu: "Estudar táticas militares e descansar."
Hugo e Osiris escreveram em uníssono: "Banhar-se no sangue daqueles que ousaram desafiá-lo e polir suas lâminas sob a luz da lua."
O silêncio que se seguiu foi sepulcral. Os outros pais começaram a afastar suas cadeiras dos dois homens de preto.
— Isso... isso é muito específico — comentou o professor, suando frio. — O aluno disse que gosta de estudar.
— Estudar como matar com mais eficiência, certamente — retrucou Osiris, cruzando os braços. — Vikir não perde tempo com futilidades. Se ele está descansando, está planejando a próxima conquista.
A competição continuou sendo um desastre diplomático. Cada pergunta revelava o quão protetores e absolutamente insanos Hugo e Osiris podiam ser quando se tratava de Vikir. Para eles, Vikir não era um estudante; era uma arma de destruição em massa que precisava ser mimada com o que havia de melhor no mundo.
— Última pergunta — disse o professor, que agora parecia querer apenas que o dia acabasse. — O que o aluno mais deseja para o futuro?
Vikir parou por um momento. Ele pensou em sua vida passada, na traição, na dor e na chance que tinha agora. Ele escreveu: "Paz e a segurança daqueles que me são próximos."
No palco, Hugo olhou para Osiris. Pela primeira vez, a expressão de Hugo suavizou-se levemente, embora ainda mantivesse sua rigidez habitual. Eles escreveram.
Quando a lousa foi virada, dizia: "Supremacia absoluta para que ninguém nunca mais possa feri-lo."
Vikir olhou para a resposta através da pequena fresta da cabine. Era tecnicamente diferente, mas a essência... a essência era a mesma. Eles queriam que ele estivesse seguro. Da maneira distorcida, violenta e exagerada dos Baskerville, eles se importavam.
O festival terminou com a família de Vikir sendo tecnicamente desclassificada por "respostas inadequadas e comportamento intimidador", mas ninguém teve coragem de dizer isso na cara de Hugo.
Após o evento, enquanto caminhavam em direção à carruagem, Osiris entregou a Vikir mais um embrulho.
— O que é isso agora? — perguntou Vikir, embora sua voz não tivesse a frieza de antes.
— Um conjunto de chá feito de ossos de dragão — respondeu Osiris casualmente. — Dizem que acalma os nervos. Você pareceu estressado hoje.
— Eu me pergunto por que — murmurou Vikir, revirando os olhos.
Hugo parou diante de Vikir e colocou a mão pesada em seu ombro. O patriarca não era homem de palavras doces, mas seus olhos vermelhos fixos nos de Vikir transmitiam algo que ele nunca diria em voz alta.
— Você está se saindo bem, Vikir. Mas se este lugar continuar a te dar pão e água, eu realmente vou considerar destruí-lo.
— Eu cuido disso, pai — disse Vikir, soltando um suspiro longo. — Apenas... tentem não enviar nada que brilhe na próxima semana.
— Não prometo nada — disse Osiris, subindo na carruagem.
Vikir ficou parado no portão, observando a carruagem partir. Ele sentia os olhares de seus colegas de classe sobre ele — olhares de puro terror e confusão. Seu disfarce de "simples plebeu" estava oficialmente em frangalhos. Ninguém mais acreditaria que ele era apenas um órfão sortudo.
— Vikir... — Tudor se aproximou, mantendo uma distância segura de cinco metros. — Aqueles eram... seus parentes?
Vikir olhou para Tudor, o brilho vermelho em seus olhos brevemente mais intenso.
— Sim — respondeu Vikir, voltando a caminhar para o dormitório com o conjunto de chá de ossos de dragão debaixo do braço. — Eu avisei que eles eram exagerados.
Naquela noite, enquanto bebia um chá surpreendentemente bom no novo conjunto, Vikir pensou que, apesar do caos, da vergonha pública e da quase destruição da reputação da academia, ter uma família tão competitiva e protetora tinha suas vantagens. Pelo menos, ele sabia que ninguém ousaria roubar seu pudim no refeitório novamente.
Ele pegou uma pena e, pela primeira vez desde que chegara à Colosso, começou a escrever uma resposta para Osiris.
"O chá é aceitável. Não queimem a escola ainda."
Era o máximo de afeto que um Baskerville poderia demonstrar sem desembainhar uma espada. E para eles, seria o suficiente.
