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Osíris

Fandom: Revenge of the Iron-Blooded Sword Hound

Criado: 18/07/2026

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O Fio Escarlate da Fraternidade

A atmosfera no pátio central da Academia Colosso não era apenas de expectativa; era de puro terror contido. Os alunos das outras classes mantinham uma distância de segurança, sussurrando como se qualquer barulho alto pudesse invocar uma calamidade. O motivo estava parado no centro do pavilhão, uma figura que parecia ter sido esculpida em obsidiana e gelo.

Osíris van Baskerville.

O herdeiro da Casa Baskerville, o cão de guarda mais feroz da próxima geração, estava ali. Seus cabelos pretos como a asa de um corvo brilhavam sob o sol, e seus olhos vermelhos, afiados como lâminas recém-afiadas, varriam o ambiente com uma indiferença gélida. Ele vestia o uniforme formal da família, e cada medalha em seu peito parecia contar a história de um inimigo abatido.

— Ele é... ele é real? — gaguejou Tudor, apertando o cabo de sua lança com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos. — A pressão que ele emana é absurda.

— É como se um desastre natural tivesse decidido usar roupas nobres — comentou Sancho, suando frio apesar da brisa.

Bianca, geralmente a mais audaciosa, estava estranhamente silenciosa, seus olhos de arqueira analisando a postura impecável de Osíris. Dolores, a santa, mantinha as mãos unidas em oração, sentindo a aura de morte e autoridade que o homem exalava. Apenas Sinclaire parecia mais curiosa do que aterrorizada, embora mantivesse uma distância respeitosa.

Vikir se aproximou do grupo, suspirando profundamente. Ele ajustou os óculos no rosto, mas a resignação em seus olhos era evidente. Ele sabia que o disfarce de "aluno comum" tinha os minutos contados.

— Você demorou — disse Vikir, parando a poucos passos do gigante de olhos vermelhos.

O efeito foi imediato. Os alunos ao redor prenderam a respiração, esperando que Osíris punisse a insolência do "plebeu". Em vez disso, a expressão severa de Osíris derreteu. Não foi um sorriso largo, mas sim um suavizar das linhas de seu rosto, algo que apenas aqueles que o conheciam intimamente poderiam detectar.

— O trajeto foi longo, e eu fiz questão de selecionar pessoalmente os suprimentos que você pediu — a voz de Osíris era profunda, como o som de trovões distantes. Ele deu um passo à frente e, para o choque absoluto de todos, colocou a mão pesada sobre a cabeça de Vikir, bagunçando seus cabelos com uma afeição óbvia. — Você está mais magro, Vikir. Eles não estão te alimentando direito nesta escola?

— Tire a mão, Osíris. Você está me fazendo parecer uma criança — resmungou Vikir, tentando afastar a mão do irmão, mas sem sucesso real.

— Você sempre será meu irmãozinho — rebateu Osíris, com um tom de voz que beirava o mimo. Ele então olhou para os amigos de Vikir, e a temperatura do ar pareceu cair dez graus. — Então, estes são os seus... companheiros?

Tudor e Sancho quase bateram continência.

— S-Sim, senhor! — gritou Tudor.

Osíris analisou cada um deles. O silêncio era opressor.

— Bom. Se Vikir os escolheu, devem ter alguma utilidade. Eu serei o responsável pelo treinamento de campo de vocês hoje. Se sobreviverem, talvez eu os convide para um jantar formal nas propriedades Baskerville.

— Sobreviverem?! — Bianca sussurrou, aterrorizada.

— Não dê ouvidos a ele. Ele gosta de drama — Vikir bufou, cruzando os braços. — Vamos logo com isso, Osíris. Pare de tentar intimidar meus amigos com essa cara de quem comeu limão estragado.

— Vikir, sua falta de modos continua sendo sua característica mais irritante — Osíris comentou, embora seu olhar para o irmão fosse de puro orgulho. — Mas tudo bem. Vamos começar com táticas de combate em grupo.

Durante as horas seguintes, o grupo de Vikir passou pelo treinamento mais intenso de suas vidas. Osíris era um instrutor implacável, mas estranhamente atencioso. Ele corrigia a postura de Tudor com um toque firme, explicava a Sancho como maximizar a força do impacto e dava dicas de trajetória para Bianca com uma precisão assustadora.

No entanto, o que mais chocava o grupo não era a habilidade de Osíris, mas a interação entre os irmãos.

— Vikir, sua guarda esquerda está aberta — alertou Osíris, bloqueando um ataque de Vikir com apenas dois dedos sobre a lâmina da espada de treino.

— Está aberta porque eu quero que você ataque por ali, seu idiota — retrucou Vikir, girando o corpo para um chute baixo que Osíris evitou por milímetros, rindo discretamente.

— Ora, veja só. O cachorrinho aprendeu a morder — Osíris provocou.

— Cachorrinho é o seu nariz. Você ainda dorme com a luz acesa quando o pai está de mau humor? — Vikir disparou, fazendo o grupo inteiro empalidecer.

Ninguém falava assim com o herdeiro Baskerville. Ninguém.

Osíris, no entanto, apenas soltou um suspiro curto, que parecia uma risada contida.

— Isso foi apenas uma vez, há quinze anos, e você sabe que a mansão estava especialmente sombria naquela noite.

Na hora do descanso, o grupo se sentou ao redor de uma pequena fogueira improvisada. Osíris, de forma totalmente inesperada, começou a tirar iguarias de luxo de sua bolsa espacial — carnes defumadas raras, frutas que não eram daquela estação e doces finos.

— Comam — ordenou Osíris, entregando a Vikir a melhor parte da carne. — Vikir sempre foi um comedor exigente. Quando ele era pequeno, ele se recusava a comer qualquer coisa que não fosse cortada em cubos perfeitos de dois centímetros.

— Isso é mentira! — Vikir exclamou, o rosto levemente corado. — Eu tinha cinco anos! E você chorou quando eu quebrei seu boneco de madeira favorito!

— Era uma relíquia de família, Vikir — Osíris disse calmamente, embora seus olhos brilhassem com diversão. — E você o usou para testar se "fogo realmente queimava".

Os amigos de Vikir olhavam de um para o outro, processando a informação de que o temível Vikir e o lendário Osíris eram, no fim das contas, apenas irmãos normais.

— Então... — começou Sinclaire, tentando quebrar o gelo. — Vocês são realmente próximos, não são?

— Vikir é o tesouro da nossa linhagem — Osíris respondeu com uma seriedade que não deixava margem para dúvidas. — Embora ele tente fingir que é um lobo solitário, ele sempre volta para casa.

— Eu volto porque você me manda cartas toda semana ameaçando vir me buscar à força — Vikir resmungou, limpando os óculos. — Além disso, tenho responsabilidades.

— Responsabilidades? — Dolores perguntou curiosa.

Vikir suspirou, percebendo que, com Osíris ali, seu disfarce de "estudante sem passado" estava morto e enterrado.

— Sim. Eu tenho que cuidar da Peri.

— Peri? — Tudor perguntou. — Quem é Peri?

— Minha filha adotiva — respondeu Vikir casualmente, fazendo Tudor engasgar com o suco. — Ela é uma garotinha muda que eu encontrei há alguns anos. Ela mora sob a proteção da família agora. E tem a Pomeria também, minha sobrinha. Elas são... barulhentas.

— Vikir é um pai e tio surpreendentemente gentil — Osíris acrescentou, servindo-se de um pouco de chá. — Embora ele tente manter essa fachada de aço, ele gasta metade do seu subsídio em fitas de cabelo e livros ilustrados para elas.

— Osíris, cale a boca — Vikir disse, mas não havia raiva real em sua voz.

— E não vamos esquecer do compromisso — continuou Osíris, ignorando o protesto do irmão. — Vikir está noivo desde os onze anos. A família Morg é muito persistente.

— NOIVO?! — Bianca, Dolores e Sinclaire gritaram em uníssono.

Vikir cobriu o rosto com a mão, sentindo uma dor de cabeça latejante.

— É um acordo político com Camus Morg — explicou Vikir, a voz abafada. — Ela é... intensa. Mas nos entendemos bem. É uma aliança necessária entre Baskerville e Morg.

— "Nos entendemos bem" é um eufemismo para "ela tenta explodir qualquer um que chegue perto dele" — Osíris comentou com seu humor seco. — Mas ela é uma maga talentosa. Eles formam um par... explosivo.

O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo estalar da lenha na fogueira. Tudor olhava para Vikir como se estivesse vendo um alienígena. Sancho apenas acenava com a cabeça, respeitando a complexidade da vida de seu amigo. As garotas, por outro lado, pareciam estar processando uma avalanche de informações românticas e políticas.

— Eu não consigo acreditar — Bianca disse finalmente. — O Vikir "Bolsista Pobre" é, na verdade, um Baskerville de sangue puro, pai adotivo e noivo de uma das magas mais poderosas do continente.

— O disfarce foi divertido enquanto durou — Vikir admitiu, endireitando a postura. Sua aura mudou. A passividade do estudante comum desapareceu, dando lugar à nitidez de uma espada desembainhada. — Mas Osíris tem razão. O tempo de brincar na academia está chegando ao fim. As sombras estão se movendo.

Osíris levantou-se, sua presença voltando a ser imponente e autoritária. Ele colocou a mão no ombro de Vikir, e desta vez, Vikir não a afastou.

— A família está pronta para o que virá, Vikir. E eu estou feliz em ver que você encontrou aliados que, embora um pouco... ruidosos, parecem leais.

Vikir olhou para seus amigos. Eles estavam chocados, sim, mas não havia medo em seus olhos agora. Havia uma nova camada de respeito e curiosidade.

— Eles são bons — Vikir disse simplesmente. — Melhores do que eu mereço.

— Um Baskerville sempre merece o melhor — Osíris declarou, olhando para o horizonte. — Agora, vamos terminar o treino. Se Tudor não conseguir desviar do meu próximo ataque, eu vou dobrar o peso da armadura dele.

— O quê?! — Tudor gritou, pulando de pé.

Vikir deu um pequeno sorriso, o primeiro sorriso verdadeiro que seus amigos viram em muito tempo.

— É melhor correr, Tudor. Ele não está brincando. Quando Osíris diz que vai dobrar o peso, ele geralmente triplica só para ver a reação.

Enquanto o treinamento retomava com uma intensidade renovada, a dinâmica entre os irmãos Baskerville brilhava intensamente. Um era a lâmina que cortava no escuro, o outro era o escudo que protegia a luz da família. E, no meio de toda a força e autoridade, havia o laço inquebrável de dois irmãos que, apesar de todo o sangue e aço, ainda se lembravam de quem eram quando as luzes se apagavam.

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