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Descendentes

Fandom: Descendentes

Criado: 19/07/2026

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Xícaras de Chá e Punhos de Aço

Max Hatter era, por definição, um paradoxo ambulante. Ele herdara do pai a mente labiríntica, capaz de resolver equações complexas de física quântica enquanto decidia qual gravata borboleta combinava melhor com seu humor ácido naquela manhã. Ele era inteligente, terrivelmente carismático e dono de um sarcasmo que poderia cortar o aço mais resistente de Auradon. Crescer na Ilha dos Perdidos com quatro irmãos mais novos ensinou a Max o valor do compartilhamento; ele dividia comida, roupas remendadas e até o pouco espaço que tinham no casebre do Chapeleiro Maluco. Ele não era, sob nenhuma circunstância comum, uma pessoa possessiva.

Exceto quando se tratava de Luis Madrigal.

Sentado em uma das mesas do pátio da Auradon Prep, Max girava uma colher de prata entre os dedos longos, observando o treino de R.O.U.B.O. no campo. Seus olhos, vibrantes e inquietos, estavam fixos em uma figura específica: um rapaz que parecia ter sido esculpido em granito, mas que possuía o coração feito de algodão-doce.

Luis Madrigal era imenso. O filho mais velho de Luisa Madrigal carregava o legado da força da família, mas em vez de uma expressão severa, ele quase sempre exibia um sorriso gentil que lembrava um Golden Retriever gigante. Ele era o "Amore" de Max, o troféu de uma conquista que levou três longos anos de flertes, chás compartilhados e olhares significativos.

— Você está encarando de novo, Max — comentou uma voz distraída ao seu lado.

Max nem se deu ao trabalho de desviar o olhar.

— Não estou encarando, estou monitorando meu investimento — rebateu Max, a voz carregada de um charme melífluo. — Levei tempo demais para lapidar aquele diamante bruto para deixar que qualquer poeira caia sobre ele agora.

O problema, no entanto, não era a poeira. Era a garota de cabelos vermelhos que se aproximava de Luis na beira do campo. Red, a filha da Rainha de Copas. Uma princesa que, na opinião altamente parcial de Max, tinha confiança demais e bom senso de menos.

Max estreitou os olhos quando viu Red rir de algo que Luis disse, encostando levemente no braço musculoso do rapaz. O músculo de Max no canto do olho tremeu.

— Ela sabe que ele é meu, não sabe? — Max perguntou, embora soasse mais como uma ameaça velada ao universo. — Eu deixei bem claro. Eu usei cartazes metafóricos. Eu até ganhei a aprovação do meu pai, e você sabe que o velho Chapeleiro não gosta de ninguém que não saiba distinguir um bule de uma cartola.

— Luis é gentil com todo mundo, Max — disse seu colega, suspirando. — É a natureza dele.

— A natureza dele é ser adorável. A minha natureza é ser territorial — Max levantou-se, ajustando o colete aveludado e ajeitando o chapéu coco que repousava perfeitamente sobre seus fios bagunçados.

Ele caminhou em direção ao campo com uma elegância predatória. Cada passo era calculado. Ele se lembrava de quando se conheceram aos 13 anos. Luis era apenas um garoto grande e desajeitado que pediu desculpas por quase atropelar Max no corredor. Max, por outro lado, ficou instantaneamente hipnotizado pela combinação de força bruta e timidez extrema. Foram três anos de uma caçada estratégica até que, finalmente, Luis o prensou contra um colchão no dormitório durante uma brincadeira de luta que rapidamente se transformou em algo muito mais sério, declarando que também não conseguia parar de pensar no garoto do chapéu.

Agora, quase um ano depois de namoro oficial, Max não aceitaria retrocessos.

— ... e aí eu pensei que você poderia me ajudar com os pesos na academia mais tarde — Red dizia, sorrindo para Luis, que coçava a nuca, visivelmente sem jeito.

— Ah, eu não sei, Red... Eu geralmente treino com o Max, ele gosta de ficar sentado lendo enquanto eu... — Luis começou a dizer, sua voz grave e suave ecoando como um trovão distante.

— O "Amore" está ocupado hoje, Red? — Max interrompeu, surgindo como um fantasma elegante atrás de Luis.

O grandão deu um pulo, mas seus olhos brilharam imediatamente ao ver o namorado. Ele envolveu a cintura de Max com um braço que era praticamente do tamanho do tronco do Chapeleiro, puxando-o para perto com uma facilidade desconcertante.

— Max! — Luis exclamou, depositando um beijo rápido e estalado na têmpora do menor. — Eu estava falando de você.

— Imagino que sim — Max lançou um olhar gélido para Red, embora seu sorriso fosse puro açúcar. — Red, querida. Como vai a vida no castelo? Ainda cortando cabeças ou apenas tentando roubar o que pertence aos outros?

Red cruzou os braços, não se deixando intimidar.

— Só estava pedindo um favor ao Luis. Não sabia que ele vinha com uma coleira tão curta.

Max soltou uma risadinha seca, um som que faria qualquer habitante da Ilha dos Perdidos recuar três passos.

— Oh, não é uma coleira, docinho. É um contrato de exclusividade assinado com sangue, suor e muito chá Earl Grey — Max se inclinou para frente, a inteligência brilhando em seus olhos de forma perigosa. — Luis é um Madrigal. Ele ajuda as pessoas porque tem um coração grande demais para o próprio peito. Mas ele treina comigo. Ele janta comigo. E ele dorme... bem, você entende a logística.

Luis ficou levemente corado, a cor subindo por seu pescoço forte até as orelhas.

— Max, seja legal — pediu Luis, embora estivesse apertando Max contra si com um carinho que desmentia qualquer reprovação.

— Eu sou uma delícia de pessoa, Luis — Max ronronou, virando-se para o namorado e ajeitando a gola da camisa dele. — Mas eu não divido o que é meu. Eu dividi meus brinquedos, dividi meu quarto e dividi até meu último pedaço de pão na Ilha. Mas você? Você é a única coisa no mundo que eu guardo só para mim em uma caixa trancada com sete chaves.

Red revirou os olhos, percebendo que não ganharia aquela batalha.

— Vocês são estranhos. Vejo você por aí, Luis.

Assim que a garota se afastou, Luis soltou um suspiro pesado, mas divertido. Ele girou Max em seus braços, levantando o garoto do chão como se ele não pesasse absolutamente nada. Max adorava aquela sensação de impotência física diante da força de Luis; era o único momento em que ele permitia que alguém estivesse no controle.

— Você estava com ciúmes de novo? — Luis perguntou, olhando nos olhos de Max com aquela doçura de "Golden Retriever".

— Ciúmes é uma palavra tão comum — Max respondeu, passando os braços pelo pescoço do grandão. — Eu prefiro dizer que estou protegendo meu patrimônio contra saqueadores.

Luis riu, um som profundo que vibrou no peito de Max.

— Você sabe que eu só tenho olhos para você, meu pequeno Chapeleiro. Desde os treze anos, lembra?

— Lembro que você era um desajeitado que não sabia onde colocar as mãos — Max sorriu, o sarcasmo suavizando-se em afeto real. — E agora você sabe exatamente onde colocá-las.

Luis o apertou mais um pouco, o calor de seu corpo emanando através do uniforme de treino.

— Eu te amo, Max. Mesmo quando você tenta assustar as princesas de Auradon.

— Eu não tento, Amore. Eu consigo — Max puxou o rosto de Luis para baixo, selando seus lábios em um beijo que era ao mesmo tempo possessivo e profundamente apaixonado.

Eles estavam em Auradon Prep, cercados por heróis e vilões, mas naquele círculo formado pelos braços de Luis, Max sabia que era o único lugar onde sua mente caótica encontrava paz. E ele amaldiçoaria qualquer um que tentasse tirar isso dele. Afinal, um Chapeleiro nunca perde o que é seu, e Max Hatter tinha o maior tesouro de todos.

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