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Barry Allen e Eddie Thawne

Fandom: The Flash

Criado: 19/07/2026

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Caos Organizado e o Peso do Olhar

O laboratório de Barry Allen cheirava a café barato, produtos químicos e a uma irritação latente que pairava no ar como eletricidade antes de uma tempestade. Barry, com seu jaleco branco impecavelmente passado, estava debruçado sobre um microscópio, ajustando o foco com uma precisão que beirava a obsessão. Para ele, o mundo era feito de evidências, cadeias de DNA e trajetórias de projéteis. Tudo tinha um lugar. Tudo tinha uma lógica.

Até que a porta foi escancarada por um chute de bota, e o caos entrou na sala vestindo uma jaqueta de couro e um sorriso que Barry odiava por ser bonito demais.

— Allen! Diz que você tem algo pra mim sobre o caso da Rua 52, porque o Capitão tá fungando no meu cangote e eu tô a dois segundos de mandar ele se foder — Eddie Thawne cruzou a sala, jogando uma pasta úmida de chuva em cima da bancada perfeitamente organizada de Barry, espalhando algumas lâminas de vidro.

Barry fechou os olhos, contando mentalmente até dez. Ele sentiu o sangue subir para as bochechas.

— Eddie, pelo amor de Deus! — Barry explodiu, afastando a pasta com a ponta dos dedos como se fosse lixo radioativo. — Eu já te disse um milhão de vezes: não encosta nas minhas bancadas. Você é um detetive, não um animal de carga. Existe um protocolo, sabia?

Eddie soltou uma risada anasalada, aproximando-se mais do que o necessário. Ele se apoiou na mesa, invadindo o espaço pessoal de Barry de um jeito que fazia o cientista recuar instintivamente até bater as costas na prateleira de reagentes.

— Protocolos são pra quem não tem instinto, Barry — Eddie disse, a voz baixando um tom, tornando-se mais rouca. — Eu trabalho com o que eu vejo na rua. E o que eu vejo agora é um legista muito estressado que precisa relaxar os ombros.

— Eu não sou legista, sou cientista forense. E eu não estou estressado, estou tentando trabalhar — Barry rebateu, mas sua voz falhou levemente.

Ele tentou desviar o olhar, mas os olhos azuis de Eddie eram como ímãs. Eddie era loiro, forte, com aquele porte atlético que parecia gritar "herói americano", e Barry, magro e desajeitado em sua própria mente, sentia-se diminuído e, ao mesmo tempo, estranhamente observado.

— Qual é o problema, Allen? — Eddie deu mais um passo, ficando a centímetros de distância. Ele podia sentir o calor emanando do corpo de Barry. — Minha bagunça te deixa louco ou é outra coisa?

— Você me deixa louco — Barry sibilou, a raiva servindo como uma máscara perfeita para o pânico que começava a borbulhar em seu peito. — Sua falta de método, sua arrogância, o jeito que você acha que pode entrar aqui e desarrumar tudo...

— Talvez eu goste de ver você arrumando — Eddie interrompeu, inclinando a cabeça. — Você fica sexy quando tá bravo, sabia?

Barry congelou. O coração deu um solavanco violento. Ele esperava uma piada, um insulto, uma reclamação sobre a demora dos exames, mas não aquilo. Eddie deu um sorriso de canto, um gesto puramente predatório e consciente, antes de se afastar e pegar a pasta de volta.

— Me liga quando tiver os resultados. E tenta não sonhar comigo, tá?

Eddie saiu do laboratório com passos pesados e confiantes, deixando Barry trêmulo, segurando a borda da bancada com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.

— Caralho... — Barry sussurrou para o nada, o peito subindo e descendo em uma respiração curta.


Na área comum da delegacia, Cisco Ramon e Caitlin Snow observavam a cena através do vidro fumê do laboratório. Cisco mastigava um Twizzler, balançando a cabeça.

— O Barry vai ter um aneurisma antes dos trinta se o Thawne continuar cutucando ele desse jeito — comentou Cisco, ajustando os óculos.

— Não é só cutucar, Cisco — Caitlin disse, sem tirar os olhos de uma planilha. — A fixação do Barry no Eddie é... desproporcional. Ele reclama do brilho do sapato do homem. Ele reclama até do jeito que o Eddie respira. Ninguém presta tanta atenção em alguém que odeia de verdade.

— Você acha que é tensão sexual? — Cisco deu um sorriso malicioso. — Porque se for, o nível de radiação ali dentro tá maior que em Chernobyl.

— Eu acho que o Barry não sabe o que fazer com o que sente — Caitlin concluiu, finalmente olhando para o amigo no laboratório, que agora tentava, freneticamente, reorganizar as lâminas que Eddie tinha movido. — E o Eddie sabe exatamente o que está fazendo.


Eddie Thawne sabia. Ele sempre soube. Desde que entrou para a CCPD e viu o jovem cientista desastrado derrubando papéis no corredor, houve um estalo. Eddie era bissexual, resolvido, sem dramas internos sobre quem desejava. Ele gostava de homens, gostava de mulheres, e gostava, acima de tudo, do desafio.

Barry Allen era o desafio supremo. O cientista era uma fortaleza de negação, envolto em camisas xadrez e uma moralidade rígida de "bom garoto hétero". Mas Eddie via as frestas. Ele via como Barry ficava sem fôlego quando eles se esbarravam "acidentalmente" nos corredores. Ele via como as pupilas de Barry dilatavam quando Eddie usava uma voz mais baixa, mais íntima.

Sentado em sua mesa, Eddie girava uma caneta, observando Barry através do vidro. Ele admirava a precisão dele, a inteligência brilhante que resolvia crimes que ninguém mais conseguia. Era uma admiração silenciosa, quase uma obsessão que ele guardava para as noites solitárias em seu apartamento, onde a imagem do abdômen definido de Barry — que ele vislumbrara uma vez no vestiário da delegacia — assombrava seus pensamentos.

Eddie decidiu que era hora de apertar o cerco.

No final do turno, quando a maioria dos policiais já tinha ido embora e apenas as luzes de emergência e os abajures das mesas brilhavam, Eddie voltou ao laboratório. Barry ainda estava lá, é claro. Ele sempre era o último a sair.

Desta vez, Eddie não fez barulho. Ele entrou e encostou a porta, ouvindo o clique da tranca. Barry estava de costas, guardando alguns frascos.

— Ainda aqui, Allen? — a voz de Eddie ecoou no silêncio, fazendo Barry pular de susto e quase derrubar um tubo de ensaio.

— Puta que pariu, Eddie! Você quer me matar do coração? — Barry se virou, a mão no peito, o rosto pálido sob a luz fluorescente. — O que você quer agora? O relatório tá pronto, eu deixei na sua mesa.

— Eu não vim pelo relatório — Eddie disse, caminhando lentamente em direção a ele. O tom de voz era diferente. Não era o detetive desleixado. Era algo mais sombrio, mais focado.

Barry sentiu o perigo. Não o perigo de um criminoso, mas o perigo de si mesmo. Ele tentou contornar Eddie para chegar à porta, mas o loiro bloqueou seu caminho, colocando as mãos na bancada, prendendo Barry entre seus braços e o metal frio.

— O que você tá fazendo? — Barry perguntou, a voz saindo como um sussurro estrangulado.

— Eu tô cansado desse joguinho, Barry. Você passa o dia inteiro gritando comigo, reclamando da minha bagunça, agindo como se eu fosse a pior coisa do mundo... mas toda vez que eu chego perto, seu coração dispara tanto que eu consigo ver sua jugular pulsar.

— Isso é ridículo. Eu te odeio — Barry mentiu, mas suas mãos, traidoras, agarraram a borda da bancada atrás dele, os dedos se fechando no metal.

— Odeia? — Eddie se inclinou, o rosto a milímetros do de Barry. O cheiro de Eddie — couro, sândalo e um toque de suor masculino — invadiu os sentidos de Barry, obliterando qualquer pensamento lógico. — Então por que você não me empurra? Por que você tá tremendo, Barry?

— Sai de perto de mim... — Barry pediu, mas não havia força na ordem. Era um súplica.

Eddie não saiu. Em vez disso, ele deslizou uma das mãos pela cintura de Barry, sentindo a firmeza do corpo magro, mas definido, sob a camisa de algodão. Ele subiu a mão, sentindo os músculos do tanquinho de Barry se contraírem sob seu toque.

— Você é tão tenso — Eddie sussurrou contra o ouvido de Barry, fazendo o cientista soltar um gemido baixo e involuntário que ele tentou abafar mordendo o lábio inferior. — Você guarda tudo aí dentro, não é? Toda essa raiva, todo esse desejo... você acha que se admitir que quer um homem, o mundo vai acabar?

— Eu não... eu não sou... — Barry tentou dizer, mas as palavras morreram quando Eddie selou seus lábios no pescoço dele, dando uma mordida leve, mas possessiva, bem na curva da mandíbula.

O choque elétrico percorreu a espinha de Barry. O pânico de ser descoberto lutava contra uma fome visceral que ele vinha reprimindo há anos. Ele sempre se forçou a ser o "filho perfeito", o "cientista perfeito", o homem que amava a garota da porta ao lado. Mas o toque de Eddie era real. Era bruto. Era o que ele secretamente desejava no escuro de seu quarto.

— Fala, Barry — Eddie provocou, a mão descendo agora para a fivela do cinto de Barry, os dedos roçando deliberadamente no volume que começava a se formar na calça do cientista. — Diz que me odeia enquanto eu te deixo de joelhos.

Barry perdeu a batalha. Ele soltou um palavrão baixo e agarrou a nuca de Eddie, puxando-o para um beijo desesperado, faminto, quase violento. Não era um beijo de romance de cinema; era uma colisão de anos de repressão e provocação. As línguas se encontraram com uma urgência febril, e o gosto de café e desejo era inebriante.

Eddie sorriu contra os lábios de Barry, sentindo a vitória. Ele empurrou Barry para cima da bancada de metal, derrubando papéis e canetas no chão. O barulho dos objetos caindo pareceu despertar algo ainda mais sombrio em Barry. Ele não queria mais ser o cara legal. Ele queria o caos que Eddie oferecia.

— Você é um desgraçado — Barry ofegou entre os beijos, as mãos agora puxando a jaqueta de Eddie, tentando se livrar do couro para sentir a pele por baixo.

— E você é um mentiroso delicioso — Eddie rebateu, descendo o zíper da calça de Barry com uma eficiência que mostrava que ele não estava ali para brincar. — Vamos ver o quanto de ciência tem nessa sua ereção, Allen.

Eddie se ajoelhou entre as pernas de Barry, que estavam abertas sobre a bancada. O contraste era gritante: o detetive loiro e imponente, em uma posição de submissão física que exalava controle total da situação, e o cientista forense, com o jaleco aberto e o rosto distorcido por um prazer que ele nunca se permitiu sentir.

Quando Eddie o libertou da roupa íntima e o envolveu com a boca quente e experiente, Barry jogou a cabeça para trás, atingindo as prateleiras de vidro. O som do metal rangendo sob seu peso e a sensação da língua de Eddie trabalhando nele com uma técnica obsessiva fizeram Barry perder qualquer resquício de sanidade.

— Puta que pariu, Eddie... — Barry gritou, as mãos enterradas nos cabelos loiros do detetive, empurrando-o para mais fundo, sem se importar com o protocolo, com a delegacia, ou com o fato de que Cisco e Caitlin poderiam voltar a qualquer momento.

Naquele momento, no meio do laboratório forense, não havia lógica. Havia apenas a pele, o suor e a constatação de que Eddie Thawne tinha quebrado Barry Allen. E Barry nunca se sentiu tão inteiro.

Eddie parou por um segundo, olhando para cima, os olhos azuis brilhando com uma intensidade sombria, um fio de saliva escapando pelo canto da boca.

— Isso é só o começo, Barry. Eu vou te desmontar pedaço por pedaço até você não conseguir nem lembrar o seu próprio nome.

Barry não respondeu com palavras. Ele apenas puxou Eddie para cima, querendo sentir o corpo pesado do detetive contra o seu, querendo que aquela escuridão o consumisse por completo. O ódio tinha se transformado em uma fome que nenhuma ciência poderia explicar. E enquanto as luzes da delegacia piscavam ao longe, os dois se perderam em um emaranhado de membros e gemidos, transformando o laboratório impecável de Barry Allen no cenário do seu mais belo e sujo desastre.

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