
Entre o Desejo e a Chama
O ar no apartamento de Bernardo parecia rarefeito, saturado por uma eletricidade que não vinha das lâmpadas de design industrial, mas do magnetismo bruto entre os dois. Heloísa estava encostada na ilha de mármore da cozinha, os fios loiros caindo em cascata sobre os ombros, contrastando com a seda preta do vestido curto que mal conseguia conter sua inquietação. Ela não era do tipo que esperava as coisas acontecerem; ela tinha pressa, tinha fogo, e naquele momento, seu único objetivo era consumir o homem à sua frente.
Bernardo, com seus cabelos escuros levemente desalinhados e o olhar sombrio de quem guardava um desejo acumulado por dias, deu um passo à frente. Ele não precisava dizer nada. A forma como as veias de seus braços se sobressaiam sob as mangas dobradas da camisa social dizia tudo o que ela precisava saber: ele estava no limite.
— Você demorou a chegar — disse Heloísa, a voz rouca, desafiadora. — Achei que teria que ir buscar você pessoalmente.
Bernardo soltou um riso curto, seco, que vibrou no peito dela antes mesmo dele tocá-la.
— Você não teria paciência para o trânsito — respondeu ele, diminuindo o espaço entre os dois até que as pontas de seus sapatos se tocassem. — E eu não teria paciência para as preliminares se você aparecesse no meu escritório com esse olhar.
Heloísa sorriu, um sorriso predatório que iluminou seu rosto. Ela estendeu a mão, puxando-o pela gola da camisa, forçando-o a se inclinar.
— Quem disse que eu quero preliminares agora? — sussurrou ela contra os lábios dele.
O beijo que se seguiu não foi gentil. Foi uma colisão. Bernardo a prensou contra o mármore frio da bancada, suas mãos grandes encontrando a cintura dela com uma urgência que fez Heloísa soltar um gemido baixo. O contraste entre o frio da pedra e o calor do corpo dele era exatamente o que ela buscava. Ela entrelaçou as pernas ao redor dos quadris dele, puxando-o para mais perto, querendo eliminar qualquer centímetro de ar que ainda teimasse em existir entre eles.
— Heloísa... — Bernardo murmurou entre beijos que desciam pelo pescoço dela, deixando um rastro de fogo por onde passava. — Você vai me enlouquecer antes mesmo de chegarmos ao quarto.
— Então não chegue ao quarto — rebateu ela, arqueando as costas quando sentiu os dentes dele pressionarem levemente a pele sensível da sua clavícula. — Me quer aqui. Agora.
Bernardo não precisou de um segundo convite. Suas mãos subiram pelas coxas dela, subindo o tecido fino do vestido, enquanto seus lábios voltavam aos dela com uma fome renovada. O tesão dele era palpável, uma força da natureza que Heloísa alimentava com cada movimento de seus quadris contra os dele. Ela sentia a rigidez dele contra sua intimidade, um lembrete constante de que o desejo ali era mútuo e avassalador.
— Você é insaciável — disse Bernardo, afastando-se apenas o suficiente para olhar nos olhos azuis dela, que brilhavam com uma intensidade febril.
— E você adora isso — provocou ela, as unhas cravando-se nos ombros largos dele. — Pare de falar e mostre o quanto você me quer, Bernardo.
Ele soltou um rosnado baixo, a mão descendo para abrir o cinto com uma agilidade ditada pela necessidade. Heloísa ajudou, os dedos ágeis desabotoando a camisa dele, revelando o peito musculoso que ela tanto ansiava tocar. Quando a pele se encontrou, o choque foi quase elétrico. Bernardo a levantou da bancada com uma facilidade impressionante, carregando-a em direção à parede mais próxima, sem nunca quebrar o contato visual.
— Eu quero você de todos os jeitos — afirmou ele, a voz baixa e carregada de uma promessa perigosa. — Mas hoje, eu quero que você sinta cada segundo.
— Menos conversa — pediu ela, a respiração curta, o coração martelando contra as costelas. — Mais de você.
Ele a posicionou contra a parede, uma mão segurando firmemente sua coxa enquanto a outra guiava a entrada. Quando ele finalmente a possuiu, em um movimento firme e profundo, Heloísa jogou a cabeça para trás, um grito de puro prazer escapando de seus lábios. Era intenso, era cru, era exatamente o que aquele fogo interno exigia.
Bernardo começou um ritmo frenético, seus movimentos ditados pela urgência que ambos compartilhavam. A cada estocada, Heloísa sentia o mundo girar, as cores se misturando em um borrão de desejo e satisfação. Ela se agarrava a ele como se ele fosse sua única âncora em meio a uma tempestade, as pernas apertando sua cintura, impulsionando-o a ir cada vez mais fundo.
— Mais... — implorou ela, os olhos fechados, entregue à sensação. — Bernardo, não para.
— Eu não vou parar — respondeu ele, o suor brilhando em sua testa, os músculos das costas trabalhando sob o toque dela. — Eu não consigo parar.
O som da respiração ofegante de ambos preenchia a sala silenciosa, pontuado apenas pelo baque rítmico de seus corpos e pelos gemidos que Heloísa não conseguia conter. Bernardo estava entregue, cada fibra do seu ser focada nela, na forma como ela o envolvia, na maneira como ela reagia a cada toque seu. Ele a conhecia, sabia exatamente onde pressionar, como se mover para levá-la ao limite.
E o limite estava perto. Heloísa sentiu a tensão crescer em seu ventre, uma onda de calor que ameaçava explodir a qualquer momento. Ela buscou a boca dele, um beijo desesperado que selou o clímax que os atingiu simultaneamente. Bernardo soltou um gemido profundo, enterrando o rosto no pescoço dela enquanto o prazer os envolvia como uma labareda final, consumindo o que restava de suas forças.
Por alguns minutos, o único som era o das respirações voltando ao normal, pesadas e sincronizadas. Bernardo ainda a segurava contra a parede, recusando-se a soltá-la, como se temesse que ela desaparecesse se ele o fizesse. Heloísa descansou a testa no ombro dele, sentindo o calor da pele morena, o cheiro dele misturado ao dela.
— Você está bem? — perguntou ele, a voz ainda trêmula pelo esforço.
Heloísa levantou a cabeça, um sorriso satisfeito e preguiçoso brincando em seus lábios.
— Eu disse que tinha fogo, Bernardo — comentou ela, passando a mão pelo rosto dele. — Você só ajudou a espalhar o incêndio.
Ele sorriu, beijando a ponta do nariz dela antes de finalmente colocá-la no chão, embora mantendo um braço protetor ao redor de sua cintura.
— Se esse é o incêndio, eu não quero nem ver quando você decidir que quer queimar tudo de vez.
— Ah, você vai ver — prometeu ela, os olhos brilhando com uma nova centelha de malícia. — Mas primeiro, eu acho que merecemos um banho. E quem sabe, o chuveiro também tenha algo a dizer sobre isso.
Bernardo soltou uma risada, a primeira noite estava apenas começando, e ele sabia que, com Heloísa, o fogo nunca se apagava por completo.
— Então vamos — disse ele, guiando-a em direção ao corredor. — Eu não pretendo deixar essa chama baixar tão cedo.
— Ótimo — concluiu ela, encostando a cabeça no peito dele enquanto caminhavam. — Porque eu ainda não terminei com você.
