Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Forced marriage

Fandom: EngLot

Criado: 19/07/2026

Tags

RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoPsicológicoSombrioCiúmesHistória DomésticaLinguagem ExplícitaViolência GráficaEstudo de Personagem
Índice

Vidro Quebrado e Sangue Doce

O som do motor da Ferrari F8 Spider ecoou pela garagem da mansão, um rugido que costumava ser o orgulho de Engfa Waraha, mas que naquela noite soava como um desafio. Ela desligou a ignição, sentindo a adrenalina ainda correndo pelas veias. O perfume de outra mulher — algo excessivamente doce e barato, que ela permitiu que se entranhasse em seu blazer de linho apenas para ver a reação de sua esposa — ainda flutuava no ar do carro.

Engfa saiu do veículo com a elegância de quem sabia que o mundo estava aos seus pés. Aos 35 anos, a empresária era o epítome do sucesso e da arrogância. Ela ajeitou o cabelo castanho-escuro no retrovisor, notando a mancha de batom vermelho no colarinho branco. Um sorriso sarcástico surgiu em seus lábios. Ela sabia o que a esperava lá dentro.

A sala de estar estava mergulhada em uma penumbra estratégica. Charlotte Austin estava sentada na poltrona de couro, segurando uma taça de vinho tinto com a precisão de quem segura um bisturi. Aos 29 anos, a advogada parecia uma estátua de gelo, o cabelo castanho-claro caindo em ondas perfeitas sobre os ombros. Ela não se moveu quando Engfa entrou.

— Você está atrasada três horas para o jantar com os acionistas da sua família, Engfa — a voz de Charlotte era calma, fria e cortante como uma lâmina de aço.

Engfa jogou as chaves sobre a mesa de centro de vidro, o barulho metálico ecoando pelo silêncio opressor.

— Eu me distraí — Engfa caminhou até o bar, servindo-se de um uísque puro. Ela se virou, encostando-se no balcão e encarando a esposa com um olhar desafiador. — A festa da Vogue estava animada demais. E as modelos... bem, você sabe como elas são receptivas.

Charlotte finalmente levantou os olhos. O castanho de suas íris estava escuro, quase negro. Ela observou a mancha no colarinho de Engfa e o leve arranhão no pescoço da empresária. A raiva de Charlotte nunca era uma explosão imediata; era um veneno que ela destilava lentamente.

— Receptivas? — Charlotte se levantou, caminhando com passos lentos e calculados até Engfa. Ela parou a poucos centímetros, a diferença de altura de três centímetros dando a ela uma vantagem sutil. — Você fede a desespero, Engfa. E a um perfume de quinta categoria.

Engfa soltou uma risada anasalada, inclinando-se para frente, invadindo o espaço pessoal de Charlotte.

— Ciúmes, querida? Achei que nosso contrato não cobrisse sentimentos tão... mundanos.

— O contrato cobre a imagem da minha família — rebateu Charlotte, a voz subindo apenas um tom, o suficiente para demonstrar que a pressão estava aumentando. — E você parece uma cadela no cio em cada tabloide de Bangkok.

— Pelo menos eu recebo atenção — Engfa provocou, a mão subindo para tocar o rosto de Charlotte, mas a advogada segurou seu pulso com uma força surpreendente. — Você é tão fria que às vezes esqueço que há sangue nessas veias.

— Quer ver o meu sangue, Engfa? — Charlotte sorriu, um sorriso sem qualquer vestígio de humor. — Ou prefere ver o da sua nova aquisição de garagem?

O coração de Engfa falhou uma batida. Ela conhecia aquele olhar.

— Charlotte, nem pense...

Antes que Engfa pudesse terminar, Charlotte se afastou, pegando um objeto pesado de metal que estava escondido atrás da poltrona: um taco de golfe de titânio. Sem dizer uma palavra, a advogada caminhou em direção à porta da garagem.

— Charlotte! — Engfa gritou, correndo atrás dela. — Aquela Ferrari é edição limitada! Só existem dez no país!

— Agora existirão nove e meia — disse Charlotte com uma calma aterrorizante.

O som do primeiro impacto foi ensurdecedor. O para-brisa da Ferrari estilhaçou-se em milhares de diamantes de vidro. Charlotte golpeava o capô com uma precisão cirúrgica, cada impacto enviando um estrondo pela garagem. Engfa assistia, paralisada por um momento entre o choque e a fúria cega.

— Sua louca! — Engfa avançou, agarrando Charlotte pela cintura e tentando derrubá-la.

As duas caíram no chão de concreto polido, rolando entre os cacos de vidro. Charlotte não gritava; ela lutava com uma ferocidade silenciosa. Engfa conseguiu prender os pulsos de Charlotte acima da cabeça dela, ofegante, o rosto vermelho de raiva.

— Você tem noção do que acabou de fazer? — rosnou Engfa, o corpo pressionado contra o da esposa.

— Eu fiz o que você queria, não foi? — Charlotte cuspiu as palavras, os olhos brilhando com lágrimas de ódio que ela se recusava a deixar cair. — Você quer reação? Você quer que eu grite? Você quer que eu admita que odeio cada vez que você deixa outra mulher tocar o que é meu?

— O que é seu? — Engfa soltou uma risada sarcástica, embora seu aperto nos pulsos de Charlotte tenha se tornado quase possessivo. — Você mal me olha, Charlotte. Você me ignora por dias, trancada naquele escritório com suas leis e seus silêncios punitivos.

— Eu cuido de você! — Charlotte gritou finalmente, a voz embargada. — Eu limpo a sua sujeira, eu organizo a sua vida, eu protejo a sua empresa dos abutres enquanto você está por aí se esfregando em qualquer uma para me provocar!

Engfa sentiu a pontada de culpa, mas seu orgulho era uma muralha intransponível.

— Se você se importasse, não me deixaria sair. Não me daria esse gelo que me mata por dentro.

— Eu não dou gelo, Engfa. Eu dou espaço para você ser a idiota que você escolhe ser — Charlotte tentou se soltar, mas Engfa a prensou com mais força contra o chão.

— Minta para si mesma, advogada. Mas nós duas sabemos que você estava me rastreando. O que é isso no meu blazer? Uma escuta? Uma câmera?

Charlotte desviou o olhar, o que foi a confirmação que Engfa precisava. A empresária sentiu uma estranha mistura de fúria e satisfação. Charlotte era obcecada por ela, tanto quanto ela era por Charlotte, mesmo que ambas se recusassem a usar a palavra "amor".

— Você é doente — sussurrou Engfa, aproximando o rosto do de Charlotte.

— E você é minha — respondeu Charlotte, cravando as unhas nos braços de Engfa, mesmo com os pulsos presos.

O beijo que se seguiu não teve nada de romântico. Foi uma colisão de dentes e línguas, um combate por domínio. Engfa mordeu o lábio inferior de Charlotte até sentir o gosto metálico do sangue, e Charlotte respondeu puxando o cabelo de Engfa com força suficiente para deixar marcas. Era a linguagem que elas entendiam: a dor como prova de presença.

Engfa se afastou por um segundo, olhando para os lábios sangrentos de Charlotte. A raiva ainda estava lá, mas o desejo a consumia com a mesma intensidade.

— Eu odeio você — murmurou Engfa, a voz rouca, traindo a vulnerabilidade que ela tanto tentava esconder.

— Eu sei — Charlotte respondeu, a mão subindo para acariciar a nuca de Engfa com uma ternura súbita e desconcertante. — E é por isso que você nunca vai embora.

Charlotte puxou Engfa para outro beijo, este mais profundo, possessivo. As mãos de Engfa, antes agressivas, agora buscavam a pele de Charlotte por baixo da blusa de seda, a necessidade de toque físico tornando-se uma urgência dolorosa. O silêncio da garagem era quebrado apenas pela respiração pesada das duas e pelo estalar ocasional dos cacos de vidro sob seus movimentos.

Horas depois, no quarto principal, o caos da garagem parecia um sonho febril. Engfa estava sentada na beira da cama, apenas com as calças, enquanto Charlotte, vestindo um robe de cetim, limpava com cuidado o corte no lábio da esposa e os arranhões em seus braços.

O silêncio agora era diferente. Não era a punição que Charlotte costumava usar, mas um cuidado silencioso que ela só demonstrava quando a batalha terminava.

— Você vai ter que comprar um carro novo — disse Charlotte, guardando o kit de primeiros socorros.

— Você vai pagar por ele — Engfa retrucou, embora não houvesse veneno em sua voz.

— Eu sou sua advogada, Engfa. Eu recebo para proteger seus bens, não para pagá-los.

Engfa puxou Charlotte pela cintura, forçando-a a ficar entre suas pernas. Ela enterrou o rosto na barriga da esposa, sentindo o perfume familiar de baunilha e sofisticação que pertencia apenas a Charlotte.

— Não faça mais aquilo — sussurrou Engfa, a voz abafada pelo tecido do robe.

— O quê? Quebrar seu carro ou grampear suas roupas?

— Me ignorar.

Charlotte sentiu um aperto no peito. Ela sabia que, para Engfa, o pior castigo era a indiferença. A arrogância da empresária desmoronava diante da possibilidade de ser esquecida. Charlotte passou os dedos pelos fios escuros de Engfa, um gesto de proteção que ela nunca admitiria em voz alta.

— Eu nunca ignoro você, Engfa. Eu só espero você voltar para casa.

Engfa levantou a cabeça, os olhos castanhos buscando os de Charlotte. Havia uma promessa ali, uma lealdade distorcida que as mantinha unidas naquele ciclo de destruição e cura.

— Aquela mulher na festa... ela não significou nada.

— Eu sei — Charlotte disse, a voz voltando ao tom frio e calculista. — Se significasse, eu não teria quebrado apenas o carro. Eu teria quebrado ela.

Engfa soltou uma risada curta, puxando Charlotte para um abraço apertado.

— Você é aterrorizante, Austin.

— E você é minha, Waraha. Nunca se esqueça disso.

Engfa a apertou mais forte, a possessividade de Charlotte agindo como um bálsamo para sua insegurança crônica. Elas eram tóxicas, eram um desastre anunciado, mas no mundo de aparências e contratos em que viviam, aquele fogo era a única coisa que as fazia sentir vivas.

— Charlotte? — chamou Engfa, quando a luz do abajur foi apagada.

— Hum?

— Eu vou comprar uma Lamborghini amanhã.

— Tente não flertar com a vendedora — Charlotte respondeu na escuridão, a voz carregada de um aviso implícito. — Eu detestaria ter que usar o taco de golfe novamente tão cedo.

Engfa sorriu, fechando os olhos enquanto buscava a mão de Charlotte sob os lençóis. Ela sabia que, não importa o quão longe fosse, ou o quanto tentasse provocar, Charlotte estaria lá — com um taco de golfe em uma mão e um kit de primeiros socorros na outra. E para Engfa, isso era o mais próximo do amor que ela jamais permitiria ter.

Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic