Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Meu bruxo

Fandom: The witcher

Criado: 19/07/2026

Tags

RomanceFantasiaDor/ConfortoAventuraGravidez Não Planejada/IndesejadaCenário CanônicoDrama
Índice

O Sangue de Fogo e o Destino de Prata

A neve caía pesada sobre as trilhas sinuosas que levavam às montanhas de Kaer Morhen, mas o frio parecia hesitar diante de Karen. Ela cavalgava com uma postura que denunciava sua linhagem nobre, embora os adornos de seda e ouro tivessem sido substituídos por couro batido e runas de proteção. Seus cabelos, vermelhos como brasas vivas em uma fogueira de acampamento, esvoaçavam sob o capuz, e seus olhos — da mesma cor hipnotizante — cortavam a neblina com uma acuidade que nenhum humano comum possuía.

Ao seu lado, o Lobo Branco mantinha o passo firme. Geralt de Rívia não era um homem de muitas palavras, mas o modo como ele olhava para Karen quando acreditava que ela não estava percebendo dizia mais do que qualquer bardo poderia cantar. Ele a conhecia como a bruxa mais temida do continente, uma mulher que transformava o caos em arma, mas para ele, ela era a âncora que o mantinha ligado a algo que ele nunca pensou possuir: um futuro.

— O rastro dela está ficando mais fresco — comentou Karen, sua voz soando como o estalar de madeira seca no fogo. — Ciri passou por aqui há menos de dois dias. Posso sentir o resíduo da magia dela no ar. É como um zumbido sob a pele.

Geralt puxou as rédeas de Carpeado, parando por um momento para observar o horizonte acinzentado.

— O tempo está mudando, Karen. Se não encontrarmos abrigo logo, a tempestade vai nos soterrar antes de chegarmos à próxima estalagem.

— Desde quando você tem medo de um pouco de neve? — Ela sorriu, um brilho desafiador em seus olhos cor de fogo.

— Não é da neve que eu tenho medo — rebateu Geralt, aproximando seu cavalo do dela. — É do que o cansaço pode fazer com você. Você tem estado pálida, Karen. Mais do que o normal para alguém que carrega o sol no sangue.

Karen desviou o olhar, sentindo um aperto estranho no estômago que nada tinha a ver com a fome ou com o medo de monstros. Ela era uma bruxa treinada nas artes mais obscuras, vinda de uma linhagem que outrora governava províncias inteiras antes de abraçar o caminho das mutações e da caça. Ela conhecia seu corpo como um mestre conhece sua espada, mas nas últimas semanas, algo parecia fundamentalmente... diferente.

— Estou apenas focada, Geralt. Encontrar Ciri é o que importa agora. Ela é sua Criança Surpresa. O destino de vocês está entrelaçado, e eu prometi que estaríamos juntos nisso.

Geralt soltou um rosnado baixo, um som que Karen aprendera a traduzir como preocupação genuína.

— O destino é uma faca de dois gumes — disse ele, voltando a cavalgar. — E ele gosta de cobrar seu preço.

Eles continuaram em silêncio por mais algumas horas, até que as sombras das árvores começaram a se alongar de forma grotesca. O vento uivava entre os galhos secos, parecendo vozes de almas penadas. Foi quando Karen sentiu uma pontada aguda em seu ventre, um latejar que a fez perder o fôlego por um segundo e segurar com força as rédeas de sua montaria.

— Karen? — Geralt estava ao lado dela em um piscar de olhos, desmontando com a agilidade de um predador.

— Eu estou bem — mentiu ela, embora sua testa estivesse subitamente coberta por uma fina camada de suor frio.

— Não, você não está. — Geralt a ajudou a descer do cavalo, segurando-a pela cintura. Seus olhos amarelos de gato brilharam sob a luz fraca, examinando-a com uma intensidade que ela não conseguia evitar. — Suas mãos estão tremendo.

— É apenas o caos, Geralt. Sinto a magia de Ciri por perto, e isso está reagindo com o meu próprio poder. — Karen tentou se afastar, mas uma nova onda de náusea a atingiu, e ela teve que se apoiar no peito dele.

Geralt a conduziu para debaixo de uma saliência rochosa que oferecia alguma proteção contra o vento. Ele preparou um pequeno fogo com a rapidez de quem já fizera aquilo milhares de vezes, usando o sinal Igni para acender os gravetos úmidos.

— Sente-se — ordenou ele, não com autoridade, mas com uma doçura que ele reservava apenas para ela.

Karen obedeceu, sentindo o calor das chamas começar a lutar contra o frio que emanava de dentro de seus ossos. Ela olhou para as próprias mãos, onde pequenas faíscas alaranjadas dançavam entre seus dedos de forma errática.

— Geralt, há algo que eu não te contei sobre a minha linhagem — começou ela, a voz baixa, quase sumindo no vento.

— Os nobres de Tretogor sempre tiveram segredos, Karen. Eu nunca me importei com eles.

— Não é sobre política ou coroas — disse ela, encontrando os olhos dele. — É sobre o que corre nas minhas veias. As mulheres da minha família... diziam que nosso sangue era ligado à fênix. Que nada poderia apagar nossa chama, nem mesmo as mutações que nos tornaram bruxas.

Geralt franziu o cenho, sentando-se à frente dela.

— As mutações deveriam nos tornar estéreis, Karen. É o preço que pagamos pela força, pela velocidade... pelos olhos.

— Eu sei — sussurrou ela, levando a mão ao ventre de forma instintiva. — Mas o destino parece ter um senso de humor cruel. Ou talvez seja o sangue antigo que os magos tanto procuram. Geralt... a Criança Surpresa não é a única que estamos buscando.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Até o crepitar do fogo pareceu parar. Geralt ficou imóvel, processando as palavras dela. O bruxo, que já enfrentara estriga, dragões e reis tiranos, parecia subitamente desarmado.

— Você está dizendo que... — Ele não conseguiu terminar a frase.

— Há outra vida aqui — disse ela, com uma lágrima solitária traçando um caminho quente por sua bochecha pálida. — Um pequeno fogo que começou a queimar. Eu não sei como, e eu não sei o que isso significa para nós, mas ele está aqui.

Geralt estendeu a mão, hesitante, e a colocou sobre a mão de Karen que repousava em seu ventre. Através das luvas de couro, ele não podia sentir nada além de calor, mas seus sentidos de bruxo, aguçados ao extremo, detectaram um segundo batimento cardíaco. Era rápido, forte e pulsava com uma energia que ele nunca sentira antes.

— Um filho — murmurou Geralt, e sua voz falhou. — Um filho de um Lobo e de uma Fênix.

— O mundo vai temê-lo, Geralt — disse Karen, a preocupação nublando seus olhos de fogo. — Ou vão tentar usá-lo, assim como tentam usar a Ciri.

Geralt apertou a mão dela com firmeza, seu rosto assumindo aquela expressão de determinação inabalável que fazia exércitos inteiros recuarem.

— Deixe que tentem — disse ele, a voz agora como o aço frio. — Nós vamos encontrar Ciri. Vamos protegê-la. E vamos proteger o que é nosso. Eu já perdi muito nesta vida, Karen. Não vou perder vocês.

Karen sorriu, e pela primeira vez em dias, o peso em seu peito pareceu diminuir. Ela se inclinou para frente, encostando a testa na dele.

— Somos uma família estranha, não somos? Um bruxo errante, uma bruxa de sangue nobre, uma princesa perdida e um milagre indesejado pelo destino.

— É a melhor família que eu poderia imaginar — respondeu Geralt, antes de selar a promessa com um beijo que carregava o gosto de neve e a promessa de fogo.

Lá fora, a tempestade finalmente desabou sobre as montanhas, mas dentro da pequena caverna, protegidos pelas chamas de Karen e pelo aço de Geralt, o futuro parecia, pela primeira vez, algo que valia a pena lutar para alcançar. Eles sabiam que a jornada seria longa e que inimigos poderosos os aguardavam nas sombras, mas o Lobo e a Fênix agora tinham um motivo a mais para nunca deixarem suas chamas se apagarem.

— Geralt? — chamou ela, quando o sono começava a tomá-la.

— Hum?

— Se for um menino... por favor, não deixe que ele tenha o seu senso de humor.

Geralt soltou uma risada curta e seca, puxando-a para mais perto enquanto a envolvia em seu manto de pele.

— E se for uma menina com os seus olhos e o seu temperamento? O continente não está pronto para isso, Karen.

— Talvez seja exatamente disso que o continente precisa — murmurou ela, fechando os olhos enquanto o calor do seu próprio poder a embalava em um sonho onde a neve era feita de estrelas e o destino era, finalmente, deles para escrever.

Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic