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Fandom: Nenhum

Criado: 20/07/2026

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O Encontro de Contrastes e o Desejo Inesperado

A recepção da creche "Pequenos Passos" parecia pequena demais para a fúria de Emanuel. Ele caminhava de um lado para o outro, as botas pesadas ecoando no piso vinílico, enquanto seus braços musculosos, cobertos por tatuagens que contavam histórias de sua ascensão como o maior nome da tatuagem no país, estavam cruzados sobre o peito largo. Ao seu lado, Sara era a personificação do impacto. Usando um vestido justo de estampa de onça que realçava suas curvas acentuadas pelo silicone e um salto agulha que a deixava quase da altura de Emanuel, ela retocava o batom vermelho vibrante enquanto olhava para a filha.

Valentina, de apenas três anos, estava sentada em uma poltrona de veludo infantil, com uma expressão de puro desdém. A menina era uma cópia fiel da mãe: os cabelos loiros presos em um laço gigante de grife, um vestido de tule rodado e uma pose de mini diva que intimidaria qualquer outra criança. No braço gordinho da menina, uma marca vermelha de dentes era o motivo de todo aquele caos.

— Eu quero o nome dos pais dessa... dessa selvagem! — Emanuel rugiu, a voz grave fazendo a secretária da escola encolher-se. — Ninguém toca na minha filha e sai impune. Eu pago uma fortuna nessa escola para ter segurança, não para a Valentina ser atacada por um animalzinho de estimação de alguém!

— Calma, Manu — Sara disse, a voz arrastada e irônica, embora seus olhos brilhassem com a mesma indignação. — A Valentina é uma rainha, e rainhas não se misturam com a plebe. Mas concordo, o barraco hoje vai ser de alto nível. Quero ver quem teve a audácia de morder a minha boneca.

Nesse momento, a porta da diretoria se abriu. Mas quem saiu de lá não foi o monstro que Emanuel esperava.

Eduarda apareceu primeiro, segurando a pequena Amélie no colo. Aos vinte anos, Eduarda parecia uma pintura de outro século transportada para o mundo moderno. O corpo esguio de bailarina movia-se com uma leveza quase etérea. Ela usava uma saia de tule rosa pálido, uma sapatilha de ponta pendurada na bolsa de lona e uma blusa de algodão branca que deixava transparecer uma fragilidade doce. Seus cabelos castanhos estavam presos em um coque frouxo, e seus olhos, grandes e expressivos, estavam marejados de preocupação.

Amélie, a bebê de dois anos, estava com o rosto escondido no pescoço de Eduarda. Ela usava uma chupeta lilás, uma fralda que fazia volume sob o vestidinho de algodão simples e segurava um coelhinho de pelúcia encardido. Era a imagem da doçura e da entrega.

Emanuel parou de falar instantaneamente. O ar pareceu faltar em seus pulmões por um segundo. Ele, que estava acostumado com a exuberância agressiva de Sara e com o mundo cru e direto das convenções de tatuagem, sentiu-se atingido por um raio de serenidade. Eduarda exalava um perfume suave de talco e flores, algo que contrastava violentamente com o perfume importado e forte de Sara.

— Mil desculpas... — a voz de Eduarda saiu baixa, trêmula. — Eu sinto muito mesmo. A Amélie... ela é uma bebê muito doce, mas está passando por uma fase difícil. Ela foi abandonada pela mãe biológica, minha prima, há oito meses, e eu assumi a criação dela. Ela ainda está se adaptando, fica muito manhosa quando está cansada...

Eduarda aproximou-se de Emanuel, e o olhar dele desceu involuntariamente para os seios médios e macios que subiam e desciam com a respiração ansiosa dela. Ele sentiu um impulso protetor quase irracional. Toda a raiva que sentia pela mordida em Valentina evaporou, substituída por uma curiosidade magnética por aquela mulher que parecia precisar de um abraço tanto quanto a bebê em seu colo.

— Ela mordeu a minha Valentina! — Sara deu um passo à frente, as unhas longas e decoradas apontando para a marca no braço da filha. — Você tem noção do trauma estético que isso pode causar?

Eduarda encolheu os ombros, os olhos fixos em Sara com uma mistura de medo e admiração pela confiança da outra mulher.

— Eu sei, eu sinto muito... eu posso pagar qualquer tratamento ou... — Eduarda começou a chorar baixinho, a insegurança tomando conta. — Eu sou professora de ballet e estudo História da Arte, eu não tenho muito, mas...

Emanuel, movido por um instinto que nem ele mesmo compreendia, deu um passo à frente, ficando entre as duas mulheres. Ele olhou para Eduarda, e sua expressão severa suavizou-se de uma forma que Sara nunca tinha visto antes para um estranho.

— Está tudo bem — Emanuel disse, a voz agora num tom aveludado. — Acidentes acontecem entre crianças. Valentina é forte, ela vai ficar bem.

Valentina cruzou os braços pequenos, bufando.

— Ela é feia, papai! E usa fralda! — a menina reclamou, fazendo bico.

— Valentina, comporte-se — Emanuel repreendeu-a, mas sem tirar os olhos de Eduarda.

Sara, que conhecia cada milímetro da alma de Emanuel, percebeu o que estava acontecendo. Ela viu a forma como as pupilas dele dilataram ao olhar para a pele clara e natural de Eduarda. Viu como ele parecia querer protegê-la do mundo. Em vez de sentir ciúmes, Sara sentiu uma pontada de empolgação. Ela amava a intensidade de Emanuel, e se ele estava encantado por aquela "coisinha fofa", ela queria entender o porquê.

Após as apresentações formais e as desculpas aceitas — com Emanuel insistindo que não era necessário nenhum ressarcimento — eles saíram da escola. Eduarda se despediu com um aceno tímido, caminhando em direção ao carro pequeno onde seus pais jovens e modernos a esperavam.

Dentro da SUV de luxo de Emanuel, o silêncio durou apenas alguns segundos.

— Ela é uma gracinha, não é? — Sara quebrou o gelo, lixando uma unha enquanto Valentina brincava com um iPad no banco de trás.

Emanuel suspirou, segurando o volante com força. Ele nunca escondia nada de Sara. A relação deles era baseada em uma honestidade bruta e visceral.

— Eu nunca vi ninguém assim, Sara — ele confessou, a voz rouca. — Ela parece... feita de vidro. Tão diferente de tudo. Eu senti uma vontade louca de cuidar dela. E daquela bebê também.

Sara soltou uma risada curta e provocante, ajeitando o decote que revelava o colo marcado pelo silicone.

— Eu vi, Manu. Você ficou babando na bailarina. E quer saber? Eu não te culpo. Ela tem um ar de santinha que dá vontade de corromper ou de colocar em uma redoma.

Emanuel olhou para a esposa. O loiro platinado dela brilhava sob o sol, a maquiagem impecável ressaltava sua beleza agressiva. Ele a amava. Amava o jeito vulgar dela, a forma como ela não levava desaforo para casa, o sexo intenso e a cumplicidade que tinham. Nada no mundo mudaria o que ele sentia por Sara. Mas o espaço que Eduarda abriu em seu peito em apenas dez minutos era algo novo.

— Eu amo você, Sara. Você sabe disso — ele disse, sério.

— Eu sei que ama, seu brutamontes — ela respondeu, inclinando-se para beijar o pescoço dele, deixando uma marca de batom. — E eu amo você. E se você está sentindo que essa Eduarda pode completar algo em nós... por que não? Eu quero que você seja feliz, Emanuel. Se a sua felicidade for ter a loira aqui e a morena sensível ali, eu dou um jeito de fazer acontecer. Eu não vejo aquela menina como ameaça. Ela é doce demais para ser má.

Emanuel sorriu, um sorriso raro e sombrio.

— Você é única, Sara.

— Eu sou a rainha, meu amor. E rainhas podem ter concubinas se o rei delas for bom o suficiente.

Alguns dias se passaram. Emanuel não conseguia tirar Eduarda da cabeça. Ele descobriu onde ela dava aulas de ballet, um estúdio pequeno e charmoso em um bairro nobre. Ele decidiu que Valentina precisava de "atividades extracurriculares" para melhorar seu temperamento.

Naquela tarde, ele levou Valentina até o estúdio. Quando entrou, viu Eduarda no centro da sala, cercada por crianças pequenas. Ela usava um collant preto que marcava sua silhueta magra e delicada, e o cabelo estava preso em um coque perfeito. Amélie estava sentada em um canto, chupando sua chupeta e brincando com blocos de montar, usando uma fralda descartável por baixo de um tutuzinho.

— Eduarda? — Emanuel chamou.

A jovem virou-se, e seu rosto iluminou-se com uma surpresa tímida.

— Sr. Emanuel? O que faz aqui?

— Valentina decidiu que quer aprender ballet — ele mentiu descaradamente, enquanto a filha olhava para as outras crianças com um ar de superioridade. — E eu achei que não haveria professora melhor.

Eduarda aproximou-se, as mãos entrelaçadas à frente do corpo, naquele jeito manhoso que Emanuel achava fascinante.

— Seria um prazer... mas a Valentina parece tão... decidida. Não sei se ela vai gostar da disciplina.

— Ela vai aprender — Emanuel disse, dando um passo para mais perto, invadindo o espaço pessoal de Eduarda. — E eu vou adorar vir buscá-la todos os dias.

Eduarda baixou o olhar, as bochechas corando intensamente. Ela sentia a energia poderosa de Emanuel, a masculinidade que ele exalava e que a fazia sentir-se pequena e protegida.

— Eu... eu aceito o desafio — ela sussurrou.

— Ótimo.

Emanuel olhou para Amélie, que agora engatinhava em direção a eles, estendendo os bracinhos para Eduarda.

— Ela é muito apegada a você, não é? — ele perguntou, observando a bebê.

— Muito. Ela é minha vida agora. Meus pais me ajudam muito, eles são bem modernos e me apoiam em tudo, mas a responsabilidade final é minha. Às vezes eu me sinto... sobrecarregada.

Emanuel sentiu um aperto no coração.

— Você não precisa carregar tudo sozinha, Eduarda.

Nesse momento, o celular de Emanuel vibrou. Era uma mensagem de Sara: "Já conquistou a bailarina? Traga ela para jantar qualquer dia desses. Quero ver se ela é tão macia quanto parece."

Emanuel guardou o celular com um sorriso de canto. Ele olhou para Eduarda, a personificação da pureza e da fragilidade, e depois pensou em Sara, o fogo e a força. Ele queria o mundo de Eduarda, a paz dela, a doçura de Amélie. E queria a loucura de Sara, a ambição dela, a personalidade de Valentina.

— Eduarda — ele começou, a voz firme — Minha esposa, a Sara... ela gostaria que você e a Amélie fossem jantar conosco amanhã. Ela quer pedir desculpas formalmente pelo jeito que agiu na escola. Ela pode ser um pouco... intensa, mas tem um coração bom.

Eduarda arregalou os olhos, surpresa.

— Um jantar? Na sua casa?

— Sim. Eu faço questão.

Eduarda olhou para Amélie, depois para Emanuel. Havia algo nos olhos daquele homem que passava uma segurança que ela nunca sentira antes. Era como se, ao lado dele, nada de ruim pudesse acontecer.

— Tudo bem — ela aceitou, a voz quase um suspiro. — Nós iremos.

Emanuel saiu do estúdio sentindo-se vitorioso. Ele sabia que o caminho não seria simples. Eduarda era insegura, sensível, e o mundo de Sara e dele era barulhento e luxuoso. Mas ele era um homem de negócios, um mestre na arte de marcar a pele e a alma das pessoas. Ele ia marcar a vida de Eduarda de um jeito que ela jamais esqueceria.

Ao chegar em casa, Sara o esperava com uma taça de vinho e um sorriso malicioso.

— Ela aceitou? — perguntou a loira, sentando-se no colo dele assim que ele entrou no escritório.

— Aceitou. Amanhã à noite.

— Ótimo — Sara disse, passando a língua pelos lábios. — Vou preparar um banquete. E vou usar o meu melhor vestido. Quero que ela saiba exatamente onde está se metendo, Manu. E quero que ela se sinta em casa.

— Você não se importa mesmo, Sara? — Emanuel perguntou, segurando-a pela cintura, sentindo a firmeza do corpo que ele conhecia tão bem.

— Manu, o que eu sempre te disse? Eu quero você feliz. Se você estiver satisfeito, eu estou satisfeita. E se ela for metade do que você descreveu, acho que até eu vou gostar de ter aquela bonequinha por perto. Valentina precisa de uma irmã, e eu... bom, eu sempre gostei de coisas bonitas e delicadas para decorar a minha vida.

Emanuel a beijou com paixão, um beijo que selava um pacto silencioso. Ele teria as duas. A força e a leveza. O ruído e o silêncio. O couro e o tule.

Naquela noite, Eduarda mal conseguiu dormir. Ela olhava para Amélie dormindo no berço ao lado de sua cama, chupando a chupeta com força, e pensava no homem tatuado e sério que a olhava como se ela fosse o tesouro mais precioso do mundo. Ela sentia medo, mas também uma curiosidade que a aquecia por dentro.

O jantar no dia seguinte seria o início de algo que nenhum deles poderia prever, mas que todos, no fundo, já desejavam intensamente. O encontro entre a mini diva Valentina e a manhosa Amélie, entre a explosiva Sara e a doce Eduarda, sob o olhar protetor e possessivo de Emanuel, estava prestes a mudar o destino daquelas duas famílias para sempre.

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