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Reader x elfo doméstico apaixonado

Fandom: Harry Potter

Criado: 20/07/2026

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Meias Coloridas e Gentilezas Gigantes

O castelo de Hogwarts era muito maior do que qualquer livro de arquitetura poderia descrever, e para a nova funcionária, cada corredor parecia um labirinto de pedras vivas e quadros que fofocavam baixinho. Com seus trinta e quatro anos, ela já deveria se sentir uma adulta centrada, mas a verdade era que seu coração batia contra as costelas como um pássaro assustado. Ela apertava o avental impecavelmente limpo contra o corpo, os olhos brilhando com uma mistura de ansiedade e maravilha.

— Vamos lá, você consegue — sussurrou para si mesma, a voz suave carregando aquela doçura característica que lembrava o mel. — É só encontrar a pintura da fruteira. O Diretor Dumbledore foi bem claro.

Ela caminhava com cuidado, tentando não fazer muito barulho, mas sua força física era algo que ela sempre precisava monitorar. Às vezes, um simples passo mais firme parecia pesado demais, e ela morria de medo de tropeçar e, sem querer, derrubar uma daquelas armaduras ancestrais. Ela era uma alma gentil, mas possuía uma força que frequentemente a surpreendia — e a assustava.

Finalmente, após descer as escadas próximas ao Salão Comunal da Lufa-Lufa, ela avistou o quadro. Uma enorme fruteira de prata com frutas que pareciam suculentas o suficiente para serem colhidas. Ela se aproximou, lembrando-se das instruções. Com um dedo trêmulo e delicado, ela esticou a mão e fez cócegas na grande pera verde.

Para sua surpresa e deleite absoluto, a pera soltou uma risadinha aguda e transformou-se em uma maçaneta verde brilhante.

— Oh! Que coisa mais adorável! — exclamou ela, o rosto iluminando-se com um sorriso que poderia aquecer todo o castelo durante o inverno.

Ao girar a maçaneta e abrir a porta, ela foi recebida por um espetáculo de atividade. A cozinha de Hogwarts era imensa, com tetos altos e mesas que espelhavam exatamente a disposição das mesas das casas no Salão Principal lá em cima. Centenas de pequenos elfos domésticos corriam de um lado para o outro, picando legumes, mexendo caldeirões borbulhantes e polindo talheres de prata.

Ela ficou parada na entrada por um momento, sentindo-se uma gigante em um mundo de brinquedo. O cheiro de pão fresco, canela e ensopado de carne era inebriante. Ela respirou fundo, sentindo o estômago roncar levemente — seu apetite era quase tão grande quanto sua força, e ela amava descobrir novos sabores.

— Com licença... — ela começou, mas sua voz era tão doce e baixa que se perdeu no tilintar das panelas. — Olá? Eu procuro por alguém chamado Dobby?

De repente, um vulto colorido passou correndo por entre suas pernas, parando abruptamente a alguns metros de distância. Era a criatura mais peculiar que ela já vira. O elfo tinha grandes olhos verdes que lembravam bolas de tênis, orelhas pontudas como asas de morcego e um nariz fino. Mas o que realmente chamou sua atenção foi o vestuário. Ele usava várias camadas de suéteres, shorts que não combinavam e, o mais fascinante de tudo, meias. Muitas meias, uma por cima da outra, todas de cores e padrões diferentes.

O pequeno elfo olhou para cima, encarando a nova funcionária com uma expressão de choque puro.

— Uma humana! — exclamou ele, a voz aguda e carregada de emoção. — Uma humana nas cozinhas! Dobby nunca viu uma humana tão gentil vindo trabalhar com os elfos!

Ela se abaixou imediatamente para ficar mais próxima da altura dele, tomando o cuidado de não fazer movimentos bruscos. Ela ofereceu o seu sorriso mais caloroso, aquele que costumava desarmar qualquer estranho.

— Olá. Você deve ser o Dobby, certo? O Diretor Dumbledore falou muito bem de você. Meu nome é... bem, eu sou a nova faxineira. Vim para ajudar vocês com a limpeza pesada, os pratos e tudo o que precisarem.

Dobby arregalou ainda mais os olhos, se é que isso era possível. Seus lábios tremeram e ele começou a soluçar de alegria.

— O Diretor Dumbledore falou de Dobby para a senhora? Dobby está tão honrado! Dobby é um elfo livre e agora Dobby vai trabalhar com uma senhora tão educada!

— Oh, por favor, não precisa chorar! — Ela estendeu a mão, mas hesitou, com medo de que sua força pudesse machucá-lo sem querer, então apenas gesticulou suavemente. — Eu estou muito feliz de estar aqui. E, por favor, não me chame de senhora, me faz sentir muito velha! Podemos ser amigos?

Dobby soltou um grito de felicidade e começou a pular no lugar, as meias coloridas aparecendo sob a bainha de seus shorts.

— Amigos! Dobby tem uma nova amiga humana! Primeiro Harry Potter, e agora a senhora... digo, você! Dobby vai explicar tudo! Dobby sabe tudo sobre as cozinhas de Hogwarts!

Ele começou a liderá-la pelo vasto espaço, gesticulando freneticamente para as diferentes estações de trabalho.

— Aqui é onde nós lavamos os caldeirões grandes — explicou Dobby, apontando para uma área com pias de pedra maciça. — É um trabalho muito duro para os elfos pequenos, mas Dobby faz porque Dobby gosta de trabalhar!

Ela olhou para os caldeirões de ferro fundido. Para os pequenos elfos, aquilo devia ser uma tarefa hercúlea. Ela se aproximou de um deles, que estava cheio de crostas de poção ou ensopado queimado, e o levantou com apenas uma mão para testar o peso.

— Eu posso cuidar disso com facilidade — disse ela, surpresa consigo mesma. — Eu gosto de deixar as coisas brilhando. E o chão também parece que precisa de uma boa esfregada, não quero que nenhum de vocês escorregue.

Dobby olhou para a facilidade com que ela manejava o caldeirão pesado e soltou um "uau" baixinho.

— Você é muito forte! Tão forte quanto um trasgo, mas muito mais bonita e cheirosa! — Dobby sorriu, e ela corou violentamente, o que era um hábito comum nela.

— Obrigada, Dobby. Eu... eu só tento ser útil. Às vezes eu quebro as coisas sem querer, então, por favor, me avise se eu estiver sendo bruta demais.

— Dobby avisará! — prometeu o elfo. — Agora, venha! Dobby precisa mostrar o horário das refeições. Os alunos de Hogwarts sentem muita fome, e os elfos trabalham dia e noite. Dobby recebe um galeão por semana e tem um dia de folga por mês! Dobby é muito sortudo!

Ela sentiu um aperto no coração ao ouvir aquilo. Sua empatia natural a fazia querer abraçar o pequeno elfo e dar a ele todo o ouro do mundo, mas ela sabia, pelas histórias de Dumbledore, que Dobby valorizava sua independência e seu contrato de trabalho.

— É um ótimo acordo, Dobby — disse ela com sinceridade. — Eu também vou morar aqui agora. Trouxe alguns livros para ler nas horas vagas... eu adoro histórias de amor. Você gosta de histórias?

Dobby balançou as orelhas positivamente.

— Dobby gosta de histórias sobre liberdade! E sobre meias!

Ela riu, uma risada clara e cristalina que fez alguns outros elfos, que observavam de longe com desconfiança, se aproximarem um pouco mais.

— Sabe de uma coisa, Dobby? — Ela se inclinou, como se fosse contar um segredo. — Eu notei que suas meias são maravilhosas. Eu adoro fazer artesanato. Se me permitir, eu gostaria de tricotar um par de meias para você como presente de boas-vindas. De cores diferentes, claro!

Dobby parou de andar. Ele olhou para ela com uma adoração tamanha que seus olhos começaram a transbordar novamente. Ele levou as mãos às orelhas, puxando-as levemente.

— Um presente? Para Dobby? Uma roupa feita por uma amiga? — Ele parecia prestes a começar a se punir por tamanha felicidade, mas ela rapidamente interveio, lembrando-se do que o Diretor dissera sobre a mania do elfo de se castigar.

— Sim, mas só se você prometer que vai aceitar como um gesto de amizade! Nada de se bater, ou eu ficarei muito, muito triste. E eu odeio ficar triste, me dá vontade de comer dez bolos de chocolate de uma vez.

Dobby soltou uma risadinha fungada.

— Dobby não quer que a amiga fique triste! Dobby promete!

Eles continuaram o tour, e ela foi apresentada a outros elfos. Alguns eram tímidos, como uma elfa chamada Winky que parecia um pouco tristonha em um canto, mas a nova faxineira fez questão de cumprimentar a todos com a mesma doçura. Ela até ajudou a empurrar uma mesa imensa de carvalho que três elfos estavam tentando mover, fazendo-o com um empurrãozinho casual que deixou todos boquiabertos.

— Bem — disse ela, arregaçando as mangas do avental e pegando um esfregão que parecia um palito de dentes em suas mãos fortes. — Onde começamos? Quero que esta cozinha esteja tão limpa que o Diretor consiga ver o reflexo da barba dele no chão!

Dobby saltitou de alegria, apontando para a pilha de pratos que começava a chegar magicamente das mesas do café da manhã.

— Dobby vai ajudar! Dobby e sua nova amiga vão ser a melhor equipe de limpeza de Hogwarts!

Enquanto ela mergulhava as mãos na água morna e ensaboada, sentiu uma paz que há muito não sentia. Ela era apenas uma faxineira, e Hogwarts era um lugar de magia e grandes destinos, mas ali, entre o vapor das panelas e a tagarelice alegre de Dobby, ela sentia que tinha encontrado seu lugar. Ela era ingênua, sim, e talvez um pouco tímida demais para os grandes salões, mas seu espírito indomável estava pronto para transformar aquela cozinha no lugar mais acolhedor do castelo.

E, no fundo da mente, ela já planejava os padrões das meias que faria para Dobby: uma amarela com estrelas roxas e outra verde com listras alaranjadas. Afinal, a vida era muito curta para usar meias iguais.

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