
Skell! 🤨😳
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 20/07/2026
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O Silêncio de Veludo e o Instinto da Diretora
O ar na sala da diretoria era pesado, saturado com o cheiro de papel antigo e o perfume seco, quase metálico, que Miss Grace exalava. Skell estava sentado de qualquer jeito na cadeira de madeira, uma perna cruzada sobre a outra, balançando o pé calçado com desdém. Seu cabelo preto na altura dos ombros caía sobre o rosto, escondendo parcialmente a irritação em seus olhos, mas não conseguia ocultar os chifres pretos que se destacavam contra o fundo branco das paredes da Paper School. O sino em seu pescoço deu um tilintar solitário quando ele bufou.
— Eu já disse que não vejo sentido nisso — resmungou Skell, a voz arrastada e carregada de tédio. — Por que eu preciso de "treinamento de contenção"? Eu não causei problemas esta semana. Pelo menos não dos grandes.
Miss Grace, sentada atrás de sua mesa maciça, não desviou os olhos dos documentos que assinava. Ela era a personificação da autoridade rígida; cada movimento seu era preciso, cada vinco em sua roupa parecia ter sido calculado matematicamente. Ela ergueu o olhar, e a intensidade de suas íris fez Skell se empertigar levemente, embora ele tentasse manter a fachada gótica e indiferente.
— Disciplina não é apenas sobre punir o caos, Skell — disse ela, a voz fria e cortante como uma folha de papel nova. — É sobre garantir que o instinto não governe a razão. Você tem demonstrado uma natureza... volátil. Se deseja continuar nesta instituição, precisa provar que tem controle sobre sua própria biologia.
Skell revirou os olhos, ajeitando o broche de esqueleto em seu cabelo. O torso peludo de sua anatomia única subia e descia com sua respiração pesada.
— E o que você quer que eu faça? — perguntou ele, desafiador. — Que eu finja que sou um aluno perfeito como os outros?
— Quero que você execute os exercícios de submissão e foco que listei — respondeu Miss Grace, levantando-se. Ela contornou a mesa, sua silhueta alta e imponente projetando uma sombra sobre o garoto-morcego. — Comece agora. No chão.
Skell trincou os dentes. O mal-humor borbulhava dentro dele, uma mistura de humilhação e teimosia. No entanto, ele conhecia as consequências de desobedecer Grace. Com um suspiro audível, ele se escorregou da cadeira e se ajoelhou no chão frio de linóleo. A posição era degradante para alguém que preferia estar isolado em algum canto escuro da escola ouvindo música depressiva.
— Abaixe-se mais — ordenou a diretora, pairando sobre ele. — Foco na respiração. Suprima o ruído.
Skell se inclinou, apoiando as mãos no chão. Ele sentiu o pelo de seu torso roçar no tecido da própria pele, uma sensação estranha. A raiva era como uma pressão em seu peito.
— Grrr... — O som escapou de sua garganta, um rosnado abafado, baixo e gutural, que vibrou em suas cordas vocais.
— Controle isso — disse Grace, a voz agora mais próxima, quase acima de sua cabeça.
Skell fechou os olhos com força, tentando bloquear a presença opressora da diretora. Ele se concentrou na escuridão atrás de suas pálpebras, tentando ignorar o tilintar suave do sino em sua coleira toda vez que seus ombros tremiam de raiva. O silêncio na sala tornou-se absoluto, quebrado apenas pelo som de seu próprio coração batendo.
Foi então que ele sentiu.
Algo tocou sua cauda.
O apêndice, que normalmente ficava escondido ou enrolado discretamente, foi capturado por dedos longos e firmes. O choque elétrico daquela invasão de espaço pessoal percorreu a espinha de Skell instantaneamente. Suas orelhas de morcego se agitaram e um calor súbito subiu por seu pescoço, atingindo suas bochechas pálidas que agora ganhavam um tom vívido de vermelho.
— O-o que você está fazendo? — gaguejou Skell, os olhos ainda fechados, o corpo ficando rígido como pedra.
Ele esperava uma resposta verbal, uma bronca ou uma instrução técnica. O que recebeu, no entanto, foi algo que desafiava toda a lógica da hierarquia escolar.
Skell sentiu uma pressão úmida e afiada. Miss Grace havia se inclinado e, com uma audácia inexplicável, mordeu a cauda do garoto. Não foi uma mordida agressiva de combate, mas foi firme o suficiente para causar um sobressalto violento em todo o seu ser.
— Ah! — Skell soltou um arquejo, abrindo os olhos bruscamente e virando a cabeça para trás.
Ele estava completamente corado, o rosto queimando em uma mistura de vergonha e fúria. A diretora estava ali, agachada com uma elegância predatória, soltando a cauda dele enquanto mantinha um olhar impenetrável, embora houvesse um brilho estranho e autoritário em seus olhos.
— Você se distraiu — disse ela, limpando o canto da boca com as costas da mão, como se nada de extraordinário tivesse acontecido. — O treinamento é sobre manter o foco, Skell. Independentemente do estímulo externo.
— Estímulo externo?! — Skell explodiu, levantando-se do chão em um salto, a cauda ainda latejando e eriçada. — Você me mordeu! Que tipo de diretora faz isso? Isso é... isso é insano!
— É eficiente — rebateu ela, levantando-se lentamente até recuperar sua altura total, olhando-o de cima. — Veja como seu batimento cardíaco acelerou. Veja como sua postura mudou. Você não está mais entediado, Skell. Você está alerta.
— Eu estou irritado! — gritou ele, ajustando a coleira com as mãos trêmulas, o sino tocando freneticamente. — Você não pode simplesmente sair mordendo as pessoas para "dar uma lição"!
— Eu posso fazer o que for necessário para garantir que os alunos desta escola não se tornem animais selvagens — disse Miss Grace, dando um passo à frente, o que fez Skell recuar instintivamente até bater as costas na porta. — Ou você prefere que eu use métodos mais... convencionais e letais?
Skell engoliu em seco. O rubor em sua face não diminuía. Ele se sentia exposto, vulnerável de uma forma que detestava. O toque dela em sua cauda — uma parte tão sensível e pessoal de sua anatomia — tinha deixado um rastro de calor que ele não conseguia ignorar.
— Você é louca — murmurou ele, desviando o olhar, tentando recuperar sua máscara de indiferença gótica, embora suas mãos ainda estivessem fechadas em punhos.
— Sou a diretora — corrigiu ela, voltando para sua mesa com uma calma exasperante. — E você está dispensado por hoje. Mas saiba, Skell... se eu perceber que sua disciplina está falhando novamente, continuaremos nosso "treinamento" exatamente de onde paramos.
Skell não esperou por uma segunda ordem. Ele abriu a porta da sala da diretoria e saiu quase tropeçando nos próprios pés, o som do sino em seu pescoço ecoando pelo corredor vazio como um lembrete constante de seu constrangimento.
Enquanto caminhava apressadamente, ele passou a mão pela cauda, sentindo o lugar onde os dentes dela haviam pressionado. Ele estava furioso, sim. Ele estava odiando cada segundo daquela escola, com certeza. Mas, no fundo de sua mente, uma pergunta irritante não o deixava em paz: por que, apesar de toda a raiva, aquele toque estranho e autoritário o fizera se sentir mais vivo do que qualquer outra coisa naquela semana?
Ele bufou, puxando o cabelo para cobrir o rosto vermelho.
— Velha maluca... — resmungou para as paredes de papel, embora soubesse que, na próxima vez que fosse chamado àquela sala, seu coração bateria exatamente da mesma forma descontrolada.
