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Sandra e Àqua

Fandom: Palworld

Criado: 20/07/2026

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O Despertar das Escamas de Safira

O sol da manhã sobre as Ilhas Palpagos não era apenas uma fonte de luz, mas uma promessa de calor que afastava a névoa úmida do arquipélago. Na pequena colônia de Porto Áureo, encravada entre falésias cinzentas e o azul infinito do oceano, a vida seguia o ritmo dos martelos e dos rugidos baixos dos Pals de carga. Para Sandra, de treze anos, aquele som era a trilha sonora de uma espera que parecia eterna.

Enquanto a maioria dos jovens de sua idade já exibia orgulhosamente seus Cattivas para ajudar na horta ou Lamballs para a produção de lã, Sandra ainda caminhava sozinha. Seus pais diziam que "o Pal certo escolhe o momento certo", mas para uma menina que passava os dias observando o horizonte, o "momento certo" estava demorando uma eternidade.

Naquela manhã de terça-feira, Sandra carregava uma vara de pescar improvisada e um balde de madeira descascado. Ela se afastou das docas barulhentas, onde os Pengullets ajudavam os pescadores a resfriar os peixes, e seguiu para uma enseada isolada, onde as águas eram tão claras que se podia ver os corais brilhando no fundo.

— Hoje vai ser diferente — murmurou Sandra para si mesma, ajustando o chapéu de palha. — Sinto que o mar está guardando algo.

Ela se sentou em uma rocha polida pelas ondas e lançou a linha. O silêncio era interrompido apenas pelo grito distante de um Mammorest que pastava nas colinas e pelo suave chap-chap da maré.

Passaram-se horas. O balde continuava vazio, e a paciência de Sandra começava a minguar. Ela estava prestes a recolher a linha quando algo estranho chamou sua atenção. Não era o movimento de um peixe, nem o reflexo de uma concha. Era um brilho azulado e metálico, balançando suavemente entre as espumas brancas, preso em um emaranhado de algas marinhas.

— O que é aquilo? — perguntou ela, semicerrando os olhos contra o reflexo do sol.

Ela largou a vara e caminhou com cuidado pelas pedras escorregadias. A água batia em seus joelhos, fria e revigorante. Conforme se aproximava, o objeto revelou sua forma: uma Esfera Pal. Mas não era uma esfera comum, daquelas azuladas e simples que os mercadores vendiam no vilarejo. Esta era mais robusta, com detalhes em bronze e um brilho interno que pulsava como um coração submerso.

Com as mãos trêmulas, Sandra a resgatou da água. A esfera estava gelada, mas, ao toque de seus dedos, emitiu um calor súbito que subiu por seu braço.

— Uma Giga Esfera? Ou talvez algo mais raro... — sussurrou, maravilhada. — Quem teria perdido isso no meio do oceano?

Ela voltou para a areia seca, sentando-se de pernas cruzadas com o tesouro no colo. Havia algo de magnético na esfera. Ela não parecia vazia. Através do material translúcido, Sandra pôde ver sombras que se moviam lentamente, como se algo estivesse enrolado ali dentro, em um sono profundo.

— Você está machucado? — perguntou ela à esfera, como se o Pal pudesse ouvi-la. — Ou está apenas perdido como eu?

Sem pensar muito nas consequências — a curiosidade de uma jovem de treze anos sempre vencia a cautela —, Sandra pressionou o botão central de liberação.

O mecanismo estalou. Uma luz azul intensa e líquida explodiu da esfera, materializando-se no ar antes de colapsar sobre a areia. Sandra protegeu os olhos com o antebraço. Quando a luminosidade diminuiu, ela soltou um arquejo de pura surpresa.

À sua frente, não estava um Pal de água comum como um Celaray ou um Fuack. Era uma criatura majestosa, cujas escamas brilhavam como safiras polidas sob a luz do meio-dia. O corpo era elegante, lembrando um dragão, mas com asas que pareciam feitas de membranas aquáticas e barbatanas delicadas que flutuavam levemente, mesmo fora da água.

Era um Elphidran Aqua. Uma variante raríssima, conhecida apenas em lendas de navegadores que se aventuravam nos mares mais profundos e perigosos.

O Pal abriu os olhos lentamente. Suas íris eram de um dourado profundo, como moedas de ouro no fundo de um poço. Ele soltou um murmúrio baixo, uma nota musical que parecia o som de uma harpa tocada sob a água.

— Oh... — Sandra estendeu a mão, mas hesitou, parando a poucos centímetros do focinho úmido e azulado. — Você é... você é lindo.

O Elphidran Aqua inclinou a cabeça, observando a menina com uma inteligência que ia além do instinto animal. Ele cheirou a mão de Sandra e, para a surpresa dela, encostou a testa fria na palma de sua mão.

— Você estava dormindo há muito tempo, não estava? — perguntou Sandra, sentindo uma conexão instantânea, um calor que parecia unir sua alma à da criatura.

— Elphi... — o Pal soltou um sopro de vapor fresco, fechando os olhos e aceitando o carinho.

— Sandra! Onde você se meteu? — A voz do velho Silas, um dos guardiões da colônia, ecoou do topo da falésia. — Sua mãe está preocupada, o almoço já...

Silas parou abruptamente no topo da trilha de pedra. Seus olhos quase saltaram das órbitas ao ver a cena na praia: a pequena Sandra, que nunca conseguira capturar nem um Lamball, estava sentada ao lado de um dragão lendário que brilhava como o próprio oceano.

— Pelas barbas do Jetragon... — exclamou Silas, descendo a trilha o mais rápido que suas pernas velhas permitiam. — Menina, você tem noção do que é isso?

Sandra levantou-se, mas não se afastou do Elphidran. O Pal, por sua vez, ergueu o pescoço longo, posicionando-se de forma protetora à frente da menina, as asas se abrindo levemente e liberando uma névoa cintilante.

— Calma, amigão! Ele é um amigo — disse Sandra, acariciando o flanco do dragão para tranquilizá-lo. Ela olhou para Silas, com um sorriso que iluminava seu rosto mais que o sol. — Eu o encontrei, Silas. Ou melhor, a esfera me encontrou.

O velho parou a uma distância segura, apoiando-se em seu cajado, boquiaberto.

— Isso é um Elphidran Aqua, Sandra. Eles são protetores das correntes marítimas. Dizem que só aparecem para aqueles que possuem um coração puro e uma paciência infinita — Silas balançou a cabeça, rindo baixinho. — E pensar que seu pai achava que você voltaria para casa apenas com alguns peixes-espada.

— Ele não é um trabalhador de horta, Silas — disse Sandra, olhando nos olhos dourados do Pal. — Ele é... diferente.

— Com certeza não é — concordou o velho. — Um Pal desses não nasce para carregar lenha ou regar plantações de bagas. Ele nasceu para os céus e para os mares.

O Elphidran Aqua soltou um rugido melódico, batendo as asas com força. O deslocamento de ar criou uma brisa fresca que cheirava a sal e flores silvestres. Com um movimento ágil, ele circulou Sandra, convidando-a a se aproximar.

— Acho que ele quer te mostrar algo — sugeriu Silas, visivelmente emocionado.

Sandra aproximou-se do dorso da criatura. As escamas eram suaves como seda, mas pareciam firmes como aço. Com a ajuda do Pal, que se abaixou para facilitar, ela subiu e se acomodou entre as protuberâncias das costas.

— Tem certeza disso? — perguntou Silas, agora com um tom de preocupação. — Voar em um dragão não é como montar em um Rushoar, menina.

— Eu não tenho medo — respondeu Sandra, e pela primeira vez em sua vida, ela realmente sentia que não tinha. — Eu confio nele.

Com um impulso poderoso das patas traseiras e uma batida magistral de suas asas de safira, o Elphidran Aqua decolou. Sandra soltou um grito de alegria pura enquanto o chão se afastava rapidamente. O Porto Áureo tornou-se uma miniatura de brinquedo, e as florestas de árvores de Paladium pareciam um tapete azul e verde abaixo deles.

O vento açoitava seu rosto, mas a aura de água que envolvia o Elphidran parecia criar uma bolha de proteção, mantendo o ar calmo ao redor dela. Eles sobrevoaram a costa, onde o dragão mergulhou subitamente em direção ao mar, apenas para raspar a superfície da água com as garras, criando um rastro de espuma branca.

— Isso é incrível! — gritou ela para o céu.

Lá embaixo, os habitantes da colônia saíram de suas casas, apontando para o céu. Os Pals de trabalho pararam o que estavam fazendo, erguendo as cabeças para saudar o retorno de um soberano dos mares.

O Elphidran Aqua executou uma pirueta suave no ar e começou a circular a grande árvore que ficava no centro da colônia. Ele não era apenas um companheiro; ele era um símbolo de que os tempos estavam mudando para Sandra.

Quando finalmente pousaram de volta na enseada, Sandra estava sem fôlego, o cabelo despenteado e o coração batendo a mil por hora. Ela desceu do dragão e o abraçou pelo pescoço longo.

— Obrigada por me escolher — sussurrou ela.

— Elphi... — respondeu o Pal, fechando os olhos em contentamento.

Silas, que terminara de descer a trilha novamente, aproximou-se com um olhar de respeito.

— Bem, Sandra, parece que sua vida de pescadora de beira de praia acabou — disse ele, sorrindo. — O que vai fazer agora?

Sandra olhou para o horizonte, onde outras ilhas do arquipélago de Palpagos surgiam entre as nuvens, cheias de mistérios, perigos e outros Pals lendários. Ela sentiu a Giga Esfera em sua mão, agora vinculada àquela criatura magnífica.

— Vou explorar — disse ela com determinação. — Há um mundo inteiro lá fora, e eu não sou mais a menina que espera na areia.

— E como vai chamá-lo? — perguntou Silas. — Um Pal desses precisa de um nome à altura.

Sandra observou os reflexos da água nas escamas do dragão, lembrando-se de como ele brilhava sob as ondas.

— Safira — disse ela com firmeza. — O nome dele é Safira.

O Elphidran Aqua soltou um jato de água cristalina para o alto, que caiu sobre eles como uma chuva refrescante, celebrando o início de uma nova jornada.

Naquela noite, a colônia de Porto Áureo não falou de outra coisa. O boato de que a jovem Sandra havia despertado um dragão das águas espalhou-se como fogo em palha seca. Mas, enquanto os adultos discutiam o poder e o valor de tal criatura, Sandra estava no celeiro, deitada ao lado de Safira.

O dragão emanava um brilho suave que iluminava a palha e as ferramentas de madeira. Sandra usava a asa de Safira como cobertor, sentindo o pulsar rítmico da vida do Pal.

— Amanhã vamos para o norte — murmurou ela, quase pegando no sono. — Ouvi dizer que há vulcões onde os Pals de fogo dançam na lava. Você me protege, não protege?

Safira abriu um olho dourado, observando a pequena humana com carinho. Ele soltou um baixo ruído vibrante, um som que prometia lealdade eterna.

— Eu sei que sim — disse Sandra, fechando os olhos.

A jornada de Sandra estava apenas começando. Nas Ilhas Palpagos, onde a sobrevivência era uma luta diária e os segredos da tecnologia antiga estavam escondidos em cada ruína, ter um amigo como Safira era mais do que uma vantagem; era o destino se cumprindo.

A menina que antes observava o mar com melancolia agora era a cavaleira do dragão de safira. E, enquanto as estrelas brilhavam sobre o oceano, o mundo de Palworld parecia um pouco menor, e muito mais cheio de possibilidades.

— Durma bem, Safira — sussurrou Sandra por fim. — Temos muito o que ver amanhã.

O silêncio da noite foi apenas quebrado pelo som das ondas e pela respiração profunda do dragão, guardando o sono daquela que o libertou das profundezas. A aventura estava apenas no primeiro capítulo, e as páginas do futuro de Sandra seriam escritas com água, vento e escamas.

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