
Um Novo Começo
Fandom: Classe dos Heróis Fracos
Criado: 20/07/2026
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O Eco do Silêncio e o Brilho do Caos
A manhã na Instituição de Ensino Superior Byuksan começou como qualquer outra: o sol pálido de Seul filtrava-se pelas janelas da sala de aula, iluminando as partículas de poeira que dançavam sobre as mesas. Yeon Si-eun, como sempre, era o primeiro a chegar. Ele estava sentado em sua postura impecável, os olhos fixos em um livro de física avançada, o fone de ouvido cancelador de ruído isolando-o do mundo. Para Si-eun, o silêncio era uma ferramenta de sobrevivência.
No entanto, o silêncio daquela manhã estava prestes a ser estraçalhado.
A porta da sala foi escancarada com um estrondo que fez até mesmo Beom-seok, que revisava suas anotações meticulosas em um canto, pular de susto.
— Bom dia, mundo! — A voz vibrante ecoou pelas paredes, carregada de uma energia que parecia deslocada naquele ambiente estéril.
Si-eun levantou os olhos lentamente. Ele não precisava olhar para saber quem era. Yeon Mi-eun, sua irmã mais nova, atravessou o batente da porta com um sorriso que poderia iluminar um estádio inteiro. Ela usava o uniforme da Byuksan de um jeito levemente personalizado, com um broche colorido na gola que desafiava as normas rígidas da escola.
Atrás dela, Park Ha-ri entrou quase correndo, agarrada ao braço de Mi-eun como se fossem gêmeas siamesas. Ha-ri estava radiante, seus olhos brilhando de empolgação.
— Mi-eun! Você realmente conseguiu a transferência! — exclamou Ha-ri, balançando o braço da amiga. — Eu achei que seu pai nunca ia deixar você vir para cá com o Si-eun.
Mi-eun soltou uma risadinha cristalina, embora, por um breve segundo, um brilho de melancolia passasse por seus olhos — um detalhe que apenas o observador Si-eun notou. Ela escondia bem o cansaço emocional de lidar com as expectativas da família, mascarando tudo com aquela alegria contagiante.
— Ele não teve muita escolha depois que eu prometi manter minhas notas no top 10 — disse Mi-eun, caminhando até a mesa do irmão e bagunçando o cabelo dele, que estava perfeitamente penteado. — Oi, maninho. Sentiu saudades do seu raio de sol pessoal?
Si-eun suspirou, ajeitando os óculos e o cabelo com uma paciência que só reservava a ela.
— Você vai atrair atenção demais, Mi-eun. Aqui não é como a sua antiga escola. As pessoas... são diferentes.
— Deixe ela em paz, Si-eun! — interrompeu Kim Ho-ri, que acabara de entrar na sala, mascando chiclete com uma expressão de tédio mortal. — Pelo menos agora essa sala vai ter alguém que não parece um robô calculista.
Ho-ri jogou a mochila sobre a mesa e cruzou os braços. Ela tinha a fama de ter a língua afiada e um pavio curto, mas todos sabiam que, por trás dos xingamentos e do estresse constante, ela era a primeira a defender o grupo.
— Cala a boca, Ho-ri — resmungou Beom-seok, sem levantar a cabeça do caderno. — Alguns de nós realmente tentam estudar aqui.
— Ah, olha só, o nerd resolveu latir — retrucou Ho-ri, embora houvesse um tom de brincadeira em sua voz. Ela só respeitava Beom-seok porque sabia que ele era leal aos amigos, apesar de ser um "filha da puta" com qualquer um que estivesse fora do círculo.
Enquanto a confusão se instalava, uma figura alta e desengonçada apareceu na porta, bocejando de forma sonora. Ahn Su-ho parecia que tinha acabado de lutar doze assaltos contra o próprio travesseiro. Seus olhos estavam semicerrados e o uniforme estava amarrotado.
— Por que tanto barulho logo cedo? — Su-ho murmurou, arrastando os pés até sua mesa, que ficava estrategicamente ao lado da de Si-eun. — Eu trabalhei no restaurante até as três da manhã... Eu só quero dormir.
— Su-ho! — Mi-eun acenou para ele. — Você não pode dormir agora! É meu primeiro dia!
Su-ho abriu um olho, focando na garota. Um sorriso preguiçoso surgiu em seu rosto de lutador.
— Ah, a pequena Yeon chegou. Agora o Si-eun vai finalmente ter alguém para lembrá-lo de que seres humanos precisam comer e sorrir.
— Onde está a Ra-ana? — perguntou Ha-ri, olhando para o corredor.
Como se fosse invocada pelo nome, Ahn Ra-ana entrou na sala dando um salto, com um caderno de desenho debaixo do braço e os fones de ouvido no pescoço. Ela parecia estar ligada diretamente em uma tomada de 220 volts.
— Eu ouvi meu nome? — Ra-ana perguntou, correndo para abraçar Mi-eun. — Mi-eun! Que bom que você chegou! Eu já comecei a desenhar o seu retrato para o mural de boas-vindas, mas a Seo-ah disse que eu estava sendo "intensa demais".
Hwang Seo-ah entrou logo atrás, caminhando com uma calma que contrastava com a hiperatividade de Ra-ana. Ela era silenciosa, observadora, mas quando se tratava do grupo de amigos, ela sempre encontrava uma maneira de se encaixar.
— Ela estava desenhando corações gigantes ao redor do seu nome, Mi-eun — disse Seo-ah, sentando-se calmamente e abrindo um livro. — Achei que seria melhor poupar você do constrangimento público no primeiro dia.
— Eu ia adorar os corações! — Mi-eun riu, sentando-se na mesa vaga à frente de Si-eun.
O clima na sala mudou completamente. Onde antes havia apenas o peso do estudo opressor, agora havia uma dinâmica vibrante. No entanto, Si-eun observava a irmã com cautela. Ele conhecia o peso que ela carregava por ser "a irmã do gênio". Sabia que aquela alegria era, muitas vezes, uma armadura.
— Mi-eun — chamou Si-eun, sua voz baixa cortando o barulho.
Ela se virou, o sorriso ainda presente, mas os olhos suavizando ao encontrar os dele.
— Sim?
— Se alguém te incomodar... se qualquer coisa acontecer neste lugar... — Ele não precisou terminar a frase. Seus olhos brilharam com aquela frieza calculista que assustava os valentões da escola.
— Relaxa, Si-eun — disse Su-ho, fechando os olhos para finalmente tentar tirar um cochilo. — Se alguém encostar nela, vai ter que passar por mim primeiro. E você sabe que a Ra-ana também não é de levar desaforo para casa, apesar da cara de anjo.
Ra-ana fez uma pose de luta cômica, fazendo todos rirem, exceto Ho-ri, que apenas revirou os olhos enquanto digitava furiosamente no celular, provavelmente mandando uma mensagem para o namorado.
— Eu sei me cuidar — disse Mi-eun, piscando para o irmão. — E eu tenho os melhores guarda-costas do mundo, não tenho?
— Você tem amigos, Mi-eun — corrigiu Seo-ah, sem tirar os olhos do livro, mas com um pequeno sorriso nos lábios. — É diferente.
A aula estava prestes a começar, e o professor entrou na sala, exigindo silêncio. Mi-eun sentou-se corretamente, pegando seu material. Por um momento, o silêncio voltou, mas era um silêncio diferente. Não era mais o vazio solitário de Si-eun; era o silêncio compartilhado de um grupo que, apesar de suas diferenças e traumas escondidos, estava pronto para enfrentar o que quer que o ensino médio jogasse contra eles.
Si-eun voltou sua atenção para o livro de física, mas desta vez, não colocou os fones de ouvido. Ele queria ouvir o som da respiração da irmã, o riso abafado de Ra-ana e até o ronco leve de Su-ho. Pela primeira vez em muito tempo, a Byuksan não parecia apenas um campo de batalha. Parecia, de alguma forma, um lugar onde ele não precisava lutar sozinho.
— Ei, Si-eun — sussurrou Mi-eun, aproveitando que o professor estava de costas escrevendo no quadro.
— O quê? — ele murmurou de volta.
— Obrigada por me deixar vir.
Si-eun não respondeu com palavras. Apenas moveu levemente a mão sobre a mesa, um gesto quase imperceptível de apoio. Ele sabia que os dias seriam difíceis, que o mundo exterior era cruel e que as feridas internas de Mi-eun ainda sangravam às vezes. Mas ali, cercados por aquele grupo caótico e leal, eles tinham uma chance.
E para Yeon Si-eun, as chances eram tudo o que ele precisava para vencer.
