
Abbie !
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 21/07/2026
O Labirinto de Papel e o Silêncio Vermelho
O corredor da Paper School parecia se estender infinitamente, as paredes brancas e minimalistas tornando-se um borrão diante dos olhos marejados de Abbie. O papel em sua mão — aquele pedaço de papel maldito — pesava como chumbo. O grande "F" desenhado em vermelho sangue no topo da folha não era apenas uma nota baixa; era uma sentença de morte.
Abbie sentia seu coração martelar contra as costelas, um ritmo frenético que ecoava em seus ouvidos. Seus dedos tremiam tanto que ele quase deixou cair a prova. O coque em sua cabeça, imitando o caule de uma maçã, balançava conforme ele corria desesperadamente, os sapatos pretos batendo no chão polido com um som ecoante que parecia atrair a atenção de algo sombrio.
Ele sabia que ela estava vindo. Ele podia ouvir o som metálico e rítmico de seus passos.
— Abbie... — A voz de Miss Circle ecoou pelo corredor, fria e melódica, carregada de uma promessa terrível. — Não adianta correr, querido. A matemática é exata, e o seu resultado foi... decepcionante.
O garoto soltou um soluço sufocado. Ele dobrou a esquina, perdendo o fôlego. O medo paralisante o fazia querer simplesmente se encolher no chão e desaparecer, mas o instinto de sobrevivência falava mais alto. Ele avistou uma porta entreaberta no final de um corredor lateral, uma sala que ele nunca tinha notado antes. Sem pensar, ele se jogou para dentro e fechou a porta atrás de si.
A sala era estranha. Não havia janelas, e as paredes eram tingidas de um vermelho profundo, quase como se estivessem saturadas de tinta ou algo mais sinistro. O ar ali era pesado e cheirava a papel velho e grafite. Abbie se encolheu em um canto escuro, atrás de uma mesa de madeira pesada, abraçando os próprios joelhos.
— Por favor, por favor, por favor... — ele sussurrava para si mesmo, as pupilas em forma de fenda dilatadas ao máximo pelo terror.
O silêncio que se seguiu foi pior do que os gritos. Durou apenas alguns segundos, mas para Abbie, pareceu uma eternidade. Então, o som veio: um estrondo violento que fez a estrutura da sala vibrar.
A porta de madeira maciça não apenas se abriu; ela foi estraçalhada. Miss Circle entrou na sala, sua figura alta e esguia preenchendo o batente. Seus olhos brilhavam com uma intensidade maníaca, e o compasso gigante que ela carregava no lugar de um dos braços arranhava o chão, produzindo faíscas e um som estridente de metal contra pedra.
— Achei você — disse ela, inclinando a cabeça de forma não natural.
Abbie tentou se espremer ainda mais contra a parede, desejando que o concreto o engolisse. Miss Circle caminhou lentamente em sua direção, cada passo calculado. Ela parou diante dele e, com um movimento rápido e cruel, arrancou a prova das mãos trêmulas do garoto.
— Um erro tão primário... — Ela olhou para o papel com desprezo. — Você não merece carregar este registro.
Com um movimento brusco, ela rasgou a prova ao meio, e depois em pedaços menores, deixando os fragmentos caírem sobre Abbie como uma chuva de neve suja. O garoto soltou um grito mudo, as lágrimas finalmente transbordando. A visão da prova destruída era o sinal final de que não havia mais volta.
— Agora, Abbie — Miss Circle sibilou, agachando-se para ficar na altura dele —, vamos garantir que você aprenda a lição de uma forma que nunca esqueça. Se é que vai sobrar algo de você para lembrar.
Ela o agarrou pelo colarinho da camisa branca, levantando-o sem esforço. Abbie debateu-se, as pernas chutando o ar, mas a força da professora era sobre-humana. Ela o jogou contra uma cadeira pesada e, antes que ele pudesse reagir, começou a imobilizá-lo.
— Não! Por favor, Miss Circle! Eu vou estudar mais! Eu juro! — Abbie implorava, a voz falhando.
— Tarde demais para promessas, pequeno aluno — respondeu ela, sua voz voltando a um tom calmamente aterrorizante.
Ela esticou a mão e, com uma agilidade assustadora, desamarrou a gravata preta que fazia parte do uniforme de Abbie. O garoto arregalou os olhos, tentando se esquivar, mas Miss Circle foi mais rápida. Ela forçou a gravata entre os dentes dele, puxando as pontas para trás de sua cabeça e dando um nó firme.
— Mmmph! Mmm-nnph! — Os gritos de Abbie foram instantaneamente abafados pelo tecido escuro.
Ele tentou empurrar a mordaça com a língua, mas o nó estava apertado demais. O pânico subiu por sua garganta como bile. Ele estava preso, amordaçado e à mercê da mulher que via alunos como nada mais do que rascunhos descartáveis.
Miss Circle soltou uma risada baixa e gutural. Ela se agachou novamente, ficando cara a cara com o garoto. O cheiro de giz e metal emanava dela. Com os dedos longos e pálidos, ela segurou o queixo de Abbie com força, forçando-o a olhar diretamente em seus olhos vazios.
— Olhe para mim, Abbie — ordenou ela. — Veja o que acontece com quem não alcança a perfeição nesta escola.
Abbie soltou sons abafados e desesperados, balançando a cabeça freneticamente. O toque dela era frio como gelo. Ele podia sentir a ponta afiada do compasso roçando levemente em sua bochecha, uma ameaça silenciosa do que viria a seguir.
— Você é tão frágil — comentou ela, quase como se estivesse admirando uma peça de arte prestes a ser quebrada. — Como uma folha de papel ao vento. E eu sou a tesoura.
— Mmmph... mmph-nnn! — Abbie tentava formular palavras, pedindo misericórdia, mas apenas ruídos de terror saíam por trás da gravata preta.
— Shhh... — Miss Circle colocou um dedo sobre os lábios dele, por cima do tecido. — O tempo de falar acabou. Agora é o tempo de ser corrigido.
Ela apertou o queixo dele com ainda mais força, fazendo Abbie soltar um gemido agudo de dor que morreu na mordaça. Ele fechou os olhos, as lágrimas escorrendo pelas bochechas e molhando a gravata de seda preta. Ele nunca gostou de matemática, mas nunca imaginou que os números seriam a causa de seu fim.
A sala vermelha parecia estar se fechando sobre ele. O contraste entre o branco de sua camisa e o vermelho das paredes era um lembrete visual de sua vulnerabilidade. Miss Circle se levantou lentamente, a sombra dela cobrindo-o inteiramente, enquanto o som do compasso sendo aberto ecoava como o tique-taque de um relógio que chegava à meia-noite.
— Vamos começar a lição final, Abbie — disse ela, com um sorriso que não chegava aos olhos. — E espero que, desta vez, você preste bastante atenção.
Abbie, preso e sem voz, só podia observar o brilho do metal enquanto o mundo ao seu redor se tornava um pesadelo de papel rasgado e silêncio sufocante.
