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Fandom: Nana

Criado: 21/07/2026

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O Caos Tem Cor de Carmim e Som de Rock n' Roll

A fumaça do cigarro de Itachi subia em espirais lentas, perdendo-se na penumbra do terraço do prédio de Sasuke. O silêncio da noite era o seu refúgio habitual, o único momento em que o peso das responsabilidades que carregava nos ombros — o trabalho exaustivo, a vigilância constante sobre o irmão mais novo, a culpa por coisas que ninguém mais sabia — parecia um pouco mais leve.

Lá embaixo, o som abafado de risadas e música vindo do apartamento denunciava que a "reunião tranquila" que Naruto havia prometido a Sasuke tinha se transformado em uma festa barulhenta. Itachi preferia a distância. Ele sempre preferia a distância.

A porta de metal do terraço rangeu, batendo contra a parede com uma força desnecessária.

— Sabia que o mestre do isolamento estaria aqui em cima. — A voz era rouca, vibrante e carregada de um deboche amigável.

Itachi não precisou se virar para saber quem era. O cheiro de perfume doce misturado com couro e algo que lembrava cereja já havia invadido seu espaço pessoal. Lis caminhou até o parapeito, os cotovelos apoiados no concreto frio ao lado dele. Os cabelos cacheados, negros com mechas vermelhas que brilhavam sob a luz da lua, caíam desordenados sobre os ombros da jaqueta de tachas.

— Está muito barulhento lá embaixo — comentou Itachi, a voz calma e monocórdica, sem desviar os olhos das luzes da cidade.

— Está incrível lá embaixo, Itachi. Você que é um velho de oitenta anos preso no corpo de um cara de vinte e quatro — Lis retrucou, soltando uma risada alta que ecoou pelo espaço vazio. — O Naruto está tentando convencer o Sasuke a dançar, e o seu irmão parece que vai cometer um crime a qualquer momento. A Sakura e a Karin estão em um canto discutindo se o melhor álbum da banda é o primeiro ou o segundo, mas eu tenho certeza de que elas só querem se beijar e não sabem como pedir.

Itachi finalmente desviou o olhar para ela. Lis era um turbilhão. Desde que Naruto a trouxera para o círculo social deles, ela havia se tornado a única pessoa que não baixava o tom de voz ou desviava o olhar diante da seriedade dele. Ela o tratava como um ser humano comum, e não como a figura intocável e misteriosa que os outros viam.

— Você fala demais, Lis — ele disse, embora não houvesse malícia no tom.

— E você fala de menos. Alguém tem que equilibrar o universo, não acha? — Ela se inclinou mais para perto, o olhar intenso fixo no dele. — O que você está escondendo hoje, Uchiha?

Itachi franziu levemente o cenho.

— Não estou escondendo nada.

— Mentira. — Ela esticou a mão e, com uma audácia que sempre o pegava de surpresa, tocou o vinco entre as sobrancelhas dele, tentando suavizá-lo com o polegar. — Você está com aquela cara de quem está carregando o mundo nas costas de novo. Relaxa os ombros. O mundo não vai acabar se você tirar cinco minutos para não ser o "protetor impecável".

Itachi sentiu o toque quente da pele dela contra a sua. Era estranho como Lis conseguia ler as camadas que ele passava anos construindo. Ele se afastou minimamente, desconfortável com a vulnerabilidade que ela provocava.

— Nem todos podem se dar ao luxo de serem espontâneos o tempo todo — ele murmurou.

— E nem todos precisam ser mártires, porra — ela rebateu, perdendo a paciência com a reserva dele. — Você sabe que existe uma coisa chamada diversão, né? Ou o manual de etiqueta dos Uchiha proíbe sorrisos após as dez da noite?

Itachi deu um trago longo no cigarro antes de apagá-lo no cinzeiro improvisado.

— Você fala por nós dois, Lis. É o suficiente.

— Ah, vai se foder com essa sua calma — ela riu, mas havia um brilho de admiração nos olhos. — Um dia eu ainda vou fazer você perder o controle. Só para ver o que acontece.

Enquanto isso, no andar de baixo, o caos que Lis descrevera era real. A sala de Sasuke estava impregnada com o cheiro de pizza e cerveja. Naruto estava em pé em cima do sofá, gesticulando dramaticamente.

— Eu estou falando, Sasuke! Se você não aprender a relaxar, vai acabar ficando com a cara travada para sempre! — Naruto exclamou, os olhos azuis brilhando de animação.

Sasuke, sentado na poltrona com os braços cruzados e uma expressão de tédio profundo, apenas suspirou.

— Desça do meu sofá, Naruto. Agora.

— Só se você admitir que se divertiu hoje! — Naruto pulou no chão, parando a centímetros de Sasuke, invadindo seu espaço pessoal sem o menor pudor. — Vamos lá, teme. Eu sei que você gostou daquela música que eu coloquei.

— A música era horrível. Você tem um gosto deplorável — Sasuke disse, mas não se afastou. Seus olhos negros fixaram-se nos de Naruto, e por um breve segundo, a barreira fria vacilou.

— Você fala demais... mas talvez seja por isso que eu gosto de ouvir você — Sasuke murmurou, tão baixo que quase se perdeu no ruído ambiente.

Naruto paralisou, o sorriso alargando-se de uma forma que iluminava o rosto inteiro.

— Eu sabia! Você me ama, admite!

— Não força a amizade, idiota — Sasuke resmungou, embora o canto de sua boca tenha ameaçado subir em um sorriso que ele rapidamente suprimiu.

Na cozinha, a tensão era de uma natureza diferente. Karin estava encostada no balcão, ajustando os óculos com um gesto impaciente, enquanto Sakura organizava as latas de bebida que haviam sobrado.

— Você é organizada demais, sabia? Isso irrita — Karin disse, cruzando os braços. A blusa de alcinha deixava à mostra a tatuagem discreta no ombro, e seus cabelos vermelhos pareciam fogo sob a luz fluorescente.

Sakura parou o que estava fazendo e olhou para ela com calma.

— Alguém precisa garantir que esse lugar não vire um lixão, Karin. O Sasuke e o Naruto não têm senso de ordem.

— Que se dane a ordem! A gente está em uma festa, ou o mais próximo que o seu grupo de amigos depressivos consegue chegar de uma — Karin deu um passo à frente, diminuindo a distância entre elas. — Você se cobra demais, Sakura. Tenta ser a perfeita, a equilibrada... dá um tempo.

Sakura suspirou, sentindo o cansaço da semana pesar.

— Eu só quero que as coisas corram bem.

— Eu não preciso que você seja perfeita — Karin disse, a voz subitamente mais baixa e séria, perdendo o tom agressivo. — Só preciso que seja verdadeira comigo. Se você está cansada, diz que está cansada. Se quer me calar a boca, me cala. Mas para de fingir que está tudo sob controle.

Sakura olhou para Karin, vendo além da fachada explosiva e dramática. Ela viu a lealdade feroz e a necessidade de conexão que a ruiva tentava esconder.

— Você é exaustiva, Karin — Sakura sorriu de canto, um sorriso genuíno.

— E você me adora por isso — Karin piscou, recuperando a confiança habitual.

De volta ao terraço, o vento estava ficando mais frio. Lis percebeu que Itachi estava em silêncio por tempo demais, mergulhado em pensamentos que pareciam sombrios. Ela se aproximou, deixando o deboche de lado.

— Itachi — ela chamou suavemente.

Ele olhou para ela, e por um instante, Lis viu o cansaço real nos olhos dele. Não era apenas sono; era o cansaço de uma alma que sentia que precisava proteger a todos, custasse o que custasse.

— Você não precisa ser forte o tempo todo — ela disse, repetindo o que havia se tornado quase um mantra entre os dois. — Até quem salva os outros merece ser salvo às vezes.

Itachi sentiu um aperto no peito. Era irritante como Lis conseguia desarmá-lo com tanta facilidade. Ele era o estrategista, o homem que sempre tinha um plano, o pilar da família Uchiha. Mas ali, sob o olhar de uma garota que usava batom escuro e ouvia rock pesado, ele se sentia apenas... Itachi.

— E quem me salvaria, Lis? — ele perguntou, um desafio sussurrado.

Lis deu um passo final, colando seu corpo ao dele. Ela era menor, mas sua presença preenchia todo o espaço. Ela segurou o rosto dele com as duas mãos, as unhas pintadas de preto contrastando com a pele pálida dele.

— Eu, seu idiota — ela respondeu, antes de puxá-lo para um beijo.

O beijo de Lis era exatamente como ela: intenso, sem reservas e cheio de uma sinceridade que assustava Itachi. Ele demorou um segundo para processar, o cérebro tentando analisar a situação, mas logo desistiu. Suas mãos desceram para a cintura dela, puxando-a para mais perto, sentindo a textura da jaqueta de couro e o calor do corpo dela.

Era o caos. Lis era o caos personificado, entrando em sua vida e derrubando todas as prateleiras organizadas de sua mente. E, pela primeira vez em anos, Itachi não se importou em perder o controle.

Quando se separaram, as respirações estavam curtas. Itachi mantinha a testa encostada na dela, os olhos fechados.

— Você é um problema — ele murmurou contra os lábios dela.

— O melhor problema que você já teve — ela corrigiu, sorrindo. — Agora, vamos descer. Antes que o Naruto bote fogo no apartamento do seu irmão.

Itachi abriu os olhos e viu o brilho travesso nela. Ele sabia que as cicatrizes do passado ainda estavam lá, e que o amanhã traria novas responsabilidades e pesos para carregar. Mas, enquanto olhava para Lis, ele percebeu que não precisava enfrentar o escuro sozinho.

Eles desceram as escadas em silêncio, mas desta vez, a mão de Itachi estava firmemente entrelaçada na dela.

Ao entrarem na sala, a cena era digna de um retrato de família disfuncional. Naruto e Sasuke estavam sentados no chão, dividindo um pedaço de pizza e discutindo algo sobre o treino do dia seguinte, com uma proximidade que tornava óbvio o quanto se importavam um com o outro. Sakura e Karin estavam no sofá, dividindo um fone de ouvido, a expressão de Sakura muito mais relaxada do que antes.

Naruto olhou para cima e viu os dois.

— Finalmente! Achei que o Itachi tinha virado estátua lá em cima! — o loiro gritou, acenando.

Sasuke olhou para as mãos dadas do irmão e de Lis, erguendo uma sobrancelha em um questionamento silencioso. Itachi apenas assentiu levemente, um gesto quase imperceptível que dizia tudo.

Lis se jogou no sofá ao lado de Karin, puxando Itachi junto com ela.

— Abram espaço, que o casal real chegou — ela brincou, ganhando um revirar de olhos de Sasuke e uma risada de Sakura.

A noite continuou, entre provocações, confissões sussurradas e brigas por quem ficaria com o último pedaço de pizza. No meio daquela bagunça, Itachi percebeu que Lis estava certa. As cicatrizes não definiam quem eles eram. Eram apenas marcas de que haviam sobrevivido até ali para encontrarem uns aos outros.

Ele olhou para Lis, que estava gesticulando animadamente enquanto contava uma história qualquer para Naruto. Ela pareceu sentir o olhar dele e se virou, piscando um olho.

Itachi não sorriu abertamente, mas o brilho em seus olhos era o mais próximo que ele chegava de uma gargalhada. Pela primeira vez em muito tempo, o silêncio em sua mente não era de solidão, mas de paz.

— Você está bem? — ela sussurrou, aproximando-se do ouvido dele enquanto o som de uma guitarra elétrica preenchia a sala.

Itachi apertou a mão dela sob a mesa improvisada de centro.

— Sim — ele respondeu, e pela primeira vez, não havia nenhum peso naquela palavra. — Eu estou exatamente onde deveria estar.

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