
Oliver
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 21/07/2026
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Bolhas de Sabão e Segredos de Giz
O corredor da Paper School estava estranhamente silencioso, exceto pelo som rítmico dos passos de Oliver e o ruído peculiar de algo sendo mastigado. Para qualquer aluno comum, o lanche da tarde seria uma maçã ou um pacote de salgadinhos, mas Oliver não era um aluno comum. Ele segurava um pedaço de sabonete em barra, retirando pequenas lascas com os dentes como se fosse o chocolate mais fino do mundo.
— Nada como o sabor de limpeza cítrica para começar bem o dia — murmurou Oliver para si mesmo, soltando uma pequena bolha de sabão pelo canto da boca.
Seu longo cabelo branco, preso naquele rabo de cavalo baixo que quase tocava o chão, balançava conforme ele caminhava. O laço preto estava perfeitamente alinhado, e a marca de "A+" em seu cabelo brilhava sob as luzes fluorescentes da escola. Ele se sentia invencível. Com seu braço de lápis, ele ocasionalmente rabiscava as paredes, deixando marcas pretas e cinzas que deixariam os professores furiosos. Oliver vivia para o caos, geralmente acompanhado por Zip e Edward, mas hoje ele estava curtindo sua própria companhia.
Ou pelo menos era o que ele achava.
Ao dobrar a esquina que levava aos armários dos laboratórios, uma mão grande e firme agarrou seu ombro esquerdo — o braço de lápis.
— Ei! O que é isso? — Oliver exclamou, tentando girar o corpo, mas o agressor foi mais rápido.
Edward surgiu das sombras, com aquele sorriso enigmático que Oliver conhecia bem. No entanto, havia algo diferente no olhar de seu amigo hoje. Não era a camaradagem habitual de quem estava prestes a colocar tachinhas na cadeira de Alice. Era algo mais... focado.
— Peguei você, Oliver — disse Edward, sua voz soando mais profunda do que o normal no corredor vazio.
— Engraçadinho, Ed. Agora me solta, eu ainda tenho metade desta barra de Dove para terminar — Oliver tentou se desvencilhar, empurrando o peito de Edward com a mão de carne, mas Edward não cedeu um centímetro.
O que aconteceu a seguir foi um borrão. Oliver sentiu um puxão, o mundo girou e, de repente, a escuridão o envolveu quando um saco de pano foi jogado sobre sua cabeça.
Quando a consciência de Oliver finalmente se estabilizou, a primeira coisa que ele sentiu foi a restrição. Ele tentou mover as mãos, mas elas estavam presas atrás das costas. Tentou abrir a boca para protestar, mas apenas um som abafado e úmido saiu. Seus olhos se abriram bruscamente.
Ele estava em uma sala mal iluminada, possivelmente um dos depósitos esquecidos atrás da biblioteca. Ele estava sentado em uma cadeira de madeira rígida, e fitas pretas e resistentes envolviam seus pulsos e tornozelos. O mais humilhante, porém, era a fita preta colada firmemente sobre sua boca, impedindo qualquer insulto criativo que ele estivesse planejando.
Oliver sentiu o calor subir pelo pescoço. Ele estava furioso, sim, mas havia uma pontada de algo que ele não queria admitir: constrangimento. Suas bochechas estavam tingidas de um vermelho vivo que contrastava com sua pele pálida e cabelos brancos.
— Mmmph! Mmm-mpph! — ele protestou, debatendo-se na cadeira. Seus chifres pretos quase bateram no encosto enquanto ele tentava se soltar.
"Edward, seu idiota! Quando eu sair daqui, vou transformar seus cadernos em confete!", a voz de Oliver ecoou furiosamente dentro de sua própria mente. Ele conseguia se imaginar gritando, sua voz estridente ecoando pelas paredes da escola, mas na realidade, tudo o que saía eram ruídos desesperados.
Passos ecoaram no piso de linóleo. Edward saiu das sombras, caminhando lentamente ao redor da cadeira. Ele não parecia arrependido. Ele parecia estar se divertindo com a visão de Oliver, o grande mestre das travessuras, finalmente capturado em sua própria rede.
Edward parou na frente dele e inclinou-se. O silêncio da sala era quebrado apenas pela respiração pesada e abafada de Oliver.
— Você está muito barulhento para alguém que não pode falar, Oliver — comentou Edward, estendendo a mão.
Com um movimento lento e deliberado, Edward segurou o queixo de Oliver, forçando-o a olhar diretamente em seus olhos. Oliver tentou desviar o olhar, mas o aperto era firme. O contato da pele de Edward contra a sua fez o coração de Oliver dar um solavanco descompassado.
— O que foi? Onde está toda aquela audácia agora? — perguntou Edward, a voz baixa e provocadora. — Você passa o dia inteiro provocando todo mundo, comendo seu sabonete e agindo como se fosse o dono da Paper School. Achei que seria justo ver como você se comporta quando as regras mudam.
Oliver estreitou os olhos, as sobrancelhas franzidas em uma expressão de puro ódio misturado com uma confusão crescente. Ele tentou morder a fita, mas o material era resistente.
— Sabe, você fica muito mais interessante quando está em silêncio — continuou Edward, soltando o queixo dele apenas para passar os dedos levemente pela mecha arrepiada no topo da cabeça de Oliver. — Fica menos... irritante. E muito mais adorável.
Oliver congelou. "Adorável?" Ele queria rir, queria gritar que Edward tinha perdido o juízo, mas o calor em seu rosto apenas aumentou. As batidas de seu coração eram tão altas que ele tinha certeza de que Edward podia ouvi-las.
Edward se afastou um pouco, cruzando os braços e observando sua "obra de arte".
— Zip me perguntou onde você estava. Eu disse a ela que você estava ocupado em uma... sessão de monitoria especial.
Oliver soltou um som que soou claramente como um xingamento, apesar da fita. Seus olhos brilhavam com promessas de vingança. Ele forçou seus pulsos contra a fita preta, sentindo o plástico ranger, mas a amarração era profissional. Edward realmente tinha planejado isso.
— Não adianta se esforçar tanto — disse Edward, pegando um pequeno pedaço de sabonete que havia caído do bolso de Oliver durante a confusão. Ele girou o objeto entre os dedos. — Você quer isso de volta?
Oliver parou de se debater e olhou para o sabonete, depois para Edward. Ele estava morrendo de fome, e o estresse da situação só aumentava seu desejo por aquele sabor químico e refrescante.
— Eu posso tirar a fita — Edward propôs, dando um passo à frente, o rosto a poucos centímetros do de Oliver. — Mas só se você prometer que não vai gritar e que vai me ouvir. Estamos entendidos?
Oliver hesitou por um segundo. Ele odiava ceder, odiava perder o controle. Mas a curiosidade e o desconforto da fita eram maiores. Ele assentiu com a cabeça, um movimento curto e irritado.
Edward sorriu. Ele levou a mão à borda da fita preta no rosto de Oliver.
— Isso vai doer um pouco. Tente não chorar, "bad boy".
Com um puxão rápido e seco, a fita foi removida. Oliver soltou um ganido de dor, sentindo a pele arder, e imediatamente começou a lamber os lábios para aliviar a sensação.
— Seu... seu desgraçado! — Oliver disparou, a voz rouca, mas ainda carregada de veneno. — O que diabos deu em você? Me solta agora ou eu juro que vou usar meu braço de lápis para escrever coisas horríveis sobre você em todos os banheiros desta escola!
Edward não pareceu intimidado. Pelo contrário, ele soltou uma risada curta.
— Você não está em posição de fazer ameaças, Oliver. Olhe para você. Amarrado, corado e completamente à minha mercê.
Oliver abriu a boca para retrucar, mas as palavras morreram em sua garganta. Edward estava certo. A vulnerabilidade da situação estava começando a pesar sobre ele. Ele sempre foi o predador, nunca a presa. Estar ali, incapaz de se mover, com Edward dominando o espaço, fazia algo estranho revirar em seu estômago.
— O que você quer, Edward? — perguntou Oliver, tentando recuperar o tom de tédio irritado, embora sua voz falhasse levemente.
Edward se aproximou novamente, desta vez colocando as mãos nos braços da cadeira, cercando Oliver. O cheiro de grafite e papel velho, típico de Edward, misturou-se ao aroma de lavanda do sabonete de Oliver.
— Eu queria sua atenção total — respondeu Edward, a voz agora suave, quase um sussurro. — Sem a Zip por perto, sem você correndo atrás dos alunos novos, sem distrações. Apenas você e eu.
Oliver engoliu em seco. A raiva estava sendo lentamente substituída por uma tensão elétrica que ele não sabia como rotular.
— Você poderia ter apenas pedido para conversar, seu maníaco — murmurou Oliver, desviando o olhar para o chão, tentando esconder o quão afetado estava.
— E você teria ouvido? — Edward arqueou uma sobrancelha. — Ou teria feito alguma piada idiota e saído correndo?
Oliver ficou em silêncio. Edward tinha razão. Ele nunca levava nada a sério.
— Eu gosto de você, Oliver. Do seu jeito caótico, da sua marca de A+ que você exibe como um troféu, e até desse hábito nojento de comer sabonete — Edward confessou, sua mão subindo novamente para tocar o rosto de Oliver, desta vez com uma delicadeza que fez o garoto de cabelos brancos estremecer. — Mas às vezes, eu só quero que você pare de atuar por um minuto.
Oliver olhou para cima, encontrando o olhar sincero de Edward. A máscara de "garoto travesso" de Oliver rachou por um instante. Ele não sabia o que dizer. O silêncio na sala não era mais opressor; era carregado de uma expectativa pesada.
— Ed... — Oliver começou, mas não conseguiu terminar.
— Eu vou te soltar agora — disse Edward, pegando uma pequena tesoura de bolso. — Mas se você fugir, eu vou te caçar de novo. E da próxima vez, não serei tão gentil com a fita.
Edward cortou as amarras dos pulsos de Oliver primeiro. Oliver esfregou a pele marcada, sentindo o sangue voltar a circular. Em seguida, Edward libertou seus tornozelos.
Oliver levantou-se lentamente. Ele era alto, mas naquele momento sentia-se pequeno diante de Edward. Ele poderia ter corrido. A porta não estava trancada. Ele poderia ter acertado Edward com seu braço de lápis e saído rindo.
Em vez disso, ele deu um passo à frente, fechando a distância entre eles.
— Você é um idiota completo — Oliver murmurou.
— E você está com o rosto vermelho como um tomate — Edward rebateu com um sorriso de canto.
Oliver bufou, pegando o pedaço de sabonete da mão de Edward e dando uma mordida agressiva. O gosto cítrico o acalmou um pouco.
— Da próxima vez — disse Oliver, apontando o lápis afiado para o peito de Edward —, use cordas de seda. Essa fita arrancou metade da minha dignidade junto com os pelos do meu rosto.
Edward riu, uma risada genuína que fez Oliver sorrir contra sua vontade.
— Anotado.
Eles saíram do depósito juntos, o corredor agora mergulhado na luz alaranjada do pôr do sol que entrava pelas janelas altas. Oliver caminhava um pouco à frente, balançando seu rabo de cavalo com a confiança habitual recuperada, mas de vez em quando ele olhava para trás, certificando-se de que Edward ainda estava lá.
A Paper School continuava a mesma, um labirinto de papel e perigo, mas para Oliver, algo tinha mudado fundamentalmente. Ele ainda era o garoto que comia sabonete e causava caos, mas agora, ele sabia que havia alguém capaz de capturá-lo — e, estranhamente, ele não se importava nem um pouco em ser pego novamente.
— Ei, Ed! — Oliver chamou, parando na porta do refeitório.
— O quê?
— Você ainda tem aquela fita preta? — Oliver perguntou com um brilho malicioso nos olhos.
Edward balançou a cabeça, sorrindo.
— Guardada para uma ocasião especial.
Oliver deu uma piscadela e entrou no refeitório, deixando um rastro de bolhas de sabão e mistério para trás. O jogo estava apenas começando.
