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Fandom: Naruto
Criado: 21/07/2026
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O Aroma de Baunilha e o Silêncio da Alma
O sol de final de tarde começava a tingir as paredes da sala em tons de âmbar e pêssego. Dentro da casa dos Uchiha, o silêncio nunca era absoluto; ele era preenchido pelo som suave de uma playlist de jazz que tocava na cozinha e pelo tilintar ocasional de louças. Lis cantarolava baixinho, uma melodia desconexa que acompanhava o ritmo de seus quadris enquanto ela mexia um molho no fogão.
Ela usava um dos moletons cinzas de Itachi — que nela ficava quase como um vestido, cobrindo metade de suas coxas — e meias felpudas. O contraste entre a delicadeza de seus gestos e as tatuagens que adornavam seu pescoço e mãos era algo que Itachi sempre dizia ser sua obra de arte favorita.
O som do carro estacionando na brita da garagem fez o coração dela dar aquele salto familiar, o mesmo de cinco anos atrás. Lis desligou o fogo, limpou as mãos no avental e correu para a entrada.
A porta se abriu, revelando a figura alta e esguia de Itachi. Ele parecia exausto, a camisa social azul-escura levemente amassada nos cotovelos e a pasta de couro pendurada no ombro. Mas, no momento em que seus olhos escuros encontraram os de Lis, a rigidez em seus ombros desapareceu.
— Cheguei, meu bem — disse ele, a voz rouca e aveludada, soltando a pasta no aparador.
Lis não respondeu com palavras. Ela se jogou nos braços dele, envolvendo o pescoço do marido com força. Itachi a segurou pela cintura, erguendo-a do chão por alguns segundos enquanto escondia o rosto na curva do pescoço dela, inspirando o perfume de baunilha e casa limpa que ela sempre exalava.
— Oi, bonito — sussurrou ela, afastando-se apenas o suficiente para beijar a ponta do nariz dele. — O dia foi difícil?
Itachi soltou um suspiro longo, fechando os olhos por um momento enquanto sentia as mãos pequenas de Lis acariciarem sua nuca.
— Muitos processos pesados hoje. Ouvir é um privilégio, mas às vezes o silêncio da volta para casa é o que me mantém inteiro. Especialmente sabendo que você está aqui.
— Pois o seu silêncio acabou — brincou ela, puxando-o pela mão em direção à cozinha. — Fiz aquele risoto de cogumelos que você gosta. E não tente me ajudar com a louça agora, você vai direto para o banho.
Itachi sorriu, aquele sorriso discreto que apenas Lis conseguia arrancar com facilidade.
— Você sabe que eu não consigo ver a pia cheia, Lis. É mais forte que eu.
— Banho, Itachi! — Ela apontou para o corredor com uma falsa seriedade, os piercings em seus lábios brilhando sob a luz da cozinha. — Ou eu como tudo sozinha e deixo você com o pão de forma.
— Tudo bem, tudo bem. Você venceu, minha princesa.
Vinte minutos depois, Itachi retornou vestindo uma calça de moletom preta e uma camiseta larga. O cabelo preto, geralmente preso em um rabo de cavalo baixo e impecável, agora caía solto e úmido sobre os ombros. Ele encontrou Lis servindo o vinho em duas taças.
Eles jantaram sob a luz morna do lustre da sala de jantar, um ambiente que Lis havia decorado com pequenos vasos de suculentas e velas aromáticas que cheiravam a alecrim. A conversa fluía sem esforço. Lis contou sobre a nova planta que comprou para a varanda e sobre como o vizinho voltou a brigar com o cortador de grama. Itachi ouvia cada palavra com uma atenção genuína, observando a forma como as mãos tatuadas dela se moviam enquanto ela gesticulava dramaticamente para descrever a cena.
— Você é muito dramática, sabia? — comentou Itachi, levando o garfo à boca, os olhos brilhando de diversão.
— Eu? Jamais! — Lis colocou a mão no peito, fingindo ofensa. — Eu apenas dou a ênfase necessária aos fatos da vida, Tachi. Sem mim, sua vida seria um manual de psicologia em tons de cinza.
— Provavelmente — admitiu ele, esticando a mão sobre a mesa para segurar a dela. — E eu seria um homem muito menos feliz.
O clima mudou sutilmente, tornando-se mais denso, mais íntimo. Itachi acariciou o dorso da mão de Lis com o polegar, sentindo a textura da pele e o relevo das tatuagens. Ele a achava fascinante. A mistura de sua própria calma analítica com o caos criativo e vibrante dela era o que mantinha o equilíbrio do mundo deles.
— O que foi? — perguntou ela, a voz mais baixa.
— Nada. Só estava pensando no quanto eu amo esse lugar — respondeu ele. — E em como "esse lugar" é, na verdade, você.
Lis sentiu o rosto esquentar. Mesmo depois de tanto tempo, Itachi ainda tinha o poder de deixá-la sem jeito com sua honestidade desarmante. Ela se levantou, contornou a mesa e sentou-se no colo dele, ignorando o fato de que ainda havia comida no prato.
— Você está muito romântico hoje — murmurou ela, brincando com os fios de cabelo dele. — Isso é saudade ou você quer me pedir algo?
— É apenas a verdade — ele disse, as mãos subindo pelas coxas dela por baixo do moletom, o toque quente contrastando com a pele fria. — E talvez eu tenha sentido sua falta a cada hora do dia.
Itachi a puxou para um beijo profundo. Tinha gosto de vinho tinto e de um desejo que nunca esfriava. A língua dele encontrou o piercing snake eyes dela, um detalhe que sempre o instigava, provocando uma corrente elétrica que descia por sua espinha. Lis soltou um gemido baixo, enterrando os dedos nos cabelos dele, puxando-o para mais perto, querendo fundir seus corpos.
Ele a ergueu com facilidade, como se ela não pesasse nada, e a levou para o sofá da sala, onde a luz era mais fraca. Deitou-a sobre as almofadas que ela passava o dia arrumando, e que agora seriam bagunçadas com um propósito muito melhor.
— Itachi... — ela suspirou quando ele começou a beijar seu pescoço, exatamente sobre a tatuagem de aranha, descendo para a clavícula.
— Eu tenho o resto da noite só para você — sussurrou ele contra a pele dela. — Sem pacientes, sem telefone. Só você.
A noite avançou entre carícias lentas e uma entrega que só o tempo e a confiança constroem. Para eles, o sexo não era apenas uma liberação física, mas uma extensão das conversas que tinham na varanda, um diálogo de peles e suspiros. Itachi era meticuloso, observador, focando em cada reação de Lis, em cada arqueada de costas e em cada vez que ela chamava seu nome. Ele a tratava como algo precioso, mas com uma intensidade que a deixava sem fôlego.
Mais tarde, quando a respiração de ambos já havia voltado ao normal, eles ficaram aninhados sob uma manta de lã. A cabeça de Lis estava apoiada no peito de Itachi, ouvindo o batimento rítmico do coração dele, enquanto ele fazia círculos preguiçosos em seus cachos ruivos.
— Tachi? — chamou ela, quase pegando no sono.
— Sim, meu bem.
— Você já pensou... sabe, no que vem depois?
Itachi parou o carinho por um segundo, olhando para o teto. Ele sabia do que ela estava falando. Eles haviam tocado no assunto de aumentar a família algumas vezes nos últimos meses.
— Penso. Penso em um cachorro correndo no quintal e talvez em alguém com os seus cachos e o meu mau humor matinal.
Lis deu uma risadinha, dando um tapinha leve no peito dele.
— Você não tem mau humor matinal, você só é... silencioso. E eu não sou tão difícil assim.
— Você é teimosa, dramática e rouba todas as minhas roupas — ele listou, beijando o topo da cabeça dela. — Mas não há nada no mundo que eu queira mais do que continuar construindo isso com você. No nosso tempo. Sem pressa.
— Sem pressa — concordou ela, fechando os olhos. — Eu gosto do agora.
— Eu também.
Itachi tateou a mão dela por baixo da manta e entrelaçou seus dedos, segurando-a com firmeza, como fazia todas as noites antes de dormir. Ele se lembrou da caixinha em sua gaveta, cheia de bilhetes dela, e do chocolate que havia esquecido na pasta, mas que entregaria a ela pela manhã, junto com o café recém-passado.
O mundo lá fora podia ser caótico, barulhento e cheio de problemas que ele passava o dia tentando ajudar os outros a resolver. Mas ali, entre as quatro paredes decoradas com velas e o cheiro de baunilha, Itachi Uchiha tinha tudo o que precisava.
— Boa noite, minha princesa — sussurrou ele, quando percebeu que a respiração dela havia se tornado profunda e regular.
Ele fechou os olhos, sentindo a paz que só o lar — o lar que tinha nome, tatuagens e um sorriso largo — poderia proporcionar.
