
Controle?
Fandom: An Observation Log of My Fiancée Who Calls Herself a Villainess
Criado: 21/07/2026
Tags
A Medida da Perfeição e o Inconveniente do Ciúme
O jardim da academia, geralmente um local de tranquilidade e estudos bucólicos, transformara-se no palco de um drama digno das piores peças de teatro mambembe. No centro da mesa de chá, Bertia Evilu Alphasta parecia um tanto atordoada, piscando seus grandes olhos enquanto tentava processar a sequência de eventos que a levara até ali.
À sua frente, a "heroína" — como Bertia insistia em chamá-la em seus monólogos internos sobre o "jogo" — soluçava de forma audível, segurando uma barra de seu vestido levemente manchada.
— Como você pôde, senhorita Bertia? — a voz da garota tremeu, carregada de uma fragilidade calculada. — Eu sei que não sou de uma linhagem tão nobre, mas estragar o meu vestido apenas por... por inveja?
As amigas de Bertia, nobres de linhagem impecável e lealdade feroz à sua líder (embora muitas vezes ficassem confusas com as excentricidades dela), não demoraram a reagir.
— Inveja? — Joanna, uma das seguidoras, soltou uma risada ríspida. — Por que a nossa futura Rainha teria inveja de um trapo como esse? A senhorita Bertia tem acesso aos melhores alfaiates do reino!
— Não é do vestido que ela tem inveja! — a heroína exclamou, elevando o tom de voz para atrair a atenção dos alunos que passavam por perto. Lágrimas artificiais brilhavam em suas bochechas. — Ela o rasgou e o manchou porque... porque meu corpo a intimida! Ela sabe que não possui as curvas de uma mulher madura, que seus seios não são... atraentes como os meus! Ela quer me diminuir para se sentir melhor com sua própria falta de atributos!
Um silêncio chocado caiu sobre a mesa. Bertia, cujo rosto costumava alternar entre a determinação de ser uma "vilã" e a confusão genuína, ficou instantaneamente vermelha. O rubor subiu de seu pescoço até a ponta das orelhas. Ela abriu a boca, mas as palavras pareciam presas. Ela não sabia se deveria ficar ofendida pela acusação de vandalismo ou mortificada pelo comentário sobre seu corpo.
— Que audácia! — exclamou outra amiga de Bertia, batendo o leque na palma da mão. — Como ousa falar de forma tão vulgar na presença de nobres?
Foi nesse exato momento que a atmosfera no jardim mudou. Não foi um barulho alto, mas sim o peso súbito de uma presença que exigia reverência. O Príncipe Herdeiro Cecil Glo Alphasta aproximava-se, acompanhado por seu séquito habitual.
Cecil caminhava com a elegância de um predador que dominava totalmente seu território. Seus cabelos loiros claros brilhavam sob o sol, e seus olhos azuis, geralmente frios e distantes como o gelo eterno, estavam fixos na cena à sua frente. Para quem o conhecia bem, havia um brilho perigoso naquela imensidão azul.
A heroína, vendo a oportunidade perfeita, correu em direção a ele, parando a uma distância que considerava "encantadora".
— Príncipe Cecil! — ela soluçou, fazendo uma reverência trêmula que enfatizava exatamente o que ela acabara de vangloriar. — Por favor, peço sua proteção! A senhorita Bertia... ela me atacou! Ela destruiu meu vestido e disse coisas horríveis sobre mim, tudo porque não consegue aceitar que... que eu possa atrair olhares que ela não atrai!
Cecil parou. Ele não olhou para a garota que chorava a seus pés. Seus olhos estavam em sua noiva, que parecia querer enfiar a cabeça em um buraco de tatu de tanta vergonha.
— Bertia — disse ele, sua voz suave e melodiosa, mas carregada de uma autoridade inquestionável.
— P-Príncipe Cecil! — Bertia gaguejou, ainda vermelha. — Eu... eu juro que não rasguei nada! Eu estava apenas tentando explicar que, como vilã, eu deveria...
Cecil não a deixou terminar. Ele caminhou calmamente, ignorando a heroína como se ela fosse um arbusto mal podado, e parou exatamente ao lado de Bertia. Ele colocou uma mão possessiva no ombro dela, um gesto que fez o coração da jovem dar um salto.
— Você está errada — declarou Cecil, voltando seu olhar para a heroína.
A garota piscou, confusa.
— Como? O senhor viu o que ela fez? Ela é má, ela...
— Não sobre o vestido — interrompeu Cecil, sua expressão permanecendo impecável, embora um sorriso gélido começasse a se formar em seus lábios. — Você está errada ao acusar Bertia de sentir inveja de você. Especialmente sobre algo tão trivial quanto o físico.
Um dos rapazes que acompanhava a heroína, um nobre de escalão inferior que tentava desesperadamente ganhar o favor da "vítima", deu um passo à frente, encorajado pela própria imprudência.
— Com todo o respeito, Vossa Alteza, como o senhor poderia saber com tanta certeza? — perguntou ele. — É visível que as formas dela são... diferentes das da senhorita Bertia. É natural que uma mulher sinta ciúmes quando não possui o que outra tem.
Ao lado de Cecil, Zeno, seu fiel assistente e confidente, sentiu um calafrio percorrer a espinha. Ele conhecia aquele olhar no rosto do príncipe. Era o olhar de alguém que acabara de encontrar um inseto particularmente irritante e estava decidindo a maneira mais eficiente de esmagá-lo. Zeno olhou desesperadamente para Cecil, enviando um sinal silencioso de "por favor, não diga o que você está pensando em público".
Cecil, é claro, ignorou Zeno completamente.
— Eu sei disso — começou o príncipe, sua voz soando quase como um segredo compartilhado, embora todos no jardim estivessem ouvindo — porque eu conheço cada detalhe de minha noiva. E posso lhes assegurar, com autoridade absoluta, que Bertia tem seios lindos. Ela nunca precisaria ter inveja de ninguém, muito menos de alguém cujos atributos são... tão ostensivos quanto desinteressantes.
O silêncio que se seguiu foi tão profundo que era possível ouvir o bater de asas de uma borboleta a metros de distância. Bertia parecia ter atingido um novo estágio de combustão humana espontânea.
— V-Vossa Alteza! — ela exclamou, escondendo o rosto nas mãos. — O que o senhor está dizendo?!
Cecil inclinou a cabeça levemente, uma mecha de cabelo loiro caindo sobre a testa. Ele parecia genuinamente intrigado pela reação dela, embora houvesse um divertimento sombrio em seus olhos.
— Estou apenas dizendo a verdade, Bertia. — Ele se voltou novamente para o grupo atônito. — Na verdade, estou começando a me sentir bastante incomodado. O fato de vocês estarem aqui, discutindo o corpo da minha amada noiva de forma tão vulgar, está despertando em mim um sentimento que raramente experimento.
Ele fez uma pausa, e a pressão mágica ao seu redor pareceu aumentar, fazendo os protetores da heroína recuarem um passo.
— Chama-se ciúme — continuou Cecil, o tom de voz caindo para uma oitava mais perigosa. — E eu não sou um homem que lida bem com a ideia de outros homens — ou mulheres — analisando o que me pertence por direito.
A heroína empalideceu. O plano de fazer Bertia parecer uma agressora mesquinha desmoronara em segundos sob o peso da possessividade do príncipe.
— Mas... mas o vestido... — ela tentou balbuciar.
— O vestido provavelmente foi rasgado por sua própria negligência ou por um desejo desesperado de atenção — disse Cecil, sem um pingo de piedade. — Se eu ouvir mais uma palavra depreciativa sobre o físico da minha noiva, ou se essa encenação patética continuar, garantirei que as consequências sejam muito mais permanentes do que uma mancha de chá em um tecido barato.
Ele se virou para Bertia, sua expressão suavizando-se instantaneamente para aquela doçura que ele reservava apenas para ela.
— Vamos, Bertia? Este lugar tornou-se desagradável.
Bertia, ainda em transe e com as bochechas queimando, apenas assentiu. Ela permitiu que Cecil entrelaçasse o braço no dela e a conduzisse para longe da mesa de chá.
Enquanto caminhavam pelos corredores de pedra da academia, longe dos olhares curiosos, Bertia finalmente recuperou a voz.
— Príncipe Cecil! — ela sussurrou, embora estivessem sozinhos. — O senhor não pode dizer essas coisas! "Seios lindos"? Em público? O que as pessoas vão pensar da minha reputação como vilã? Uma vilã deve ser temida, não... não elogiada dessa forma embaraçosa!
Cecil parou e a encarou. Ele estendeu a mão e tocou suavemente o rosto dela, seu polegar traçando a linha de sua mandíbula.
— Eu não me importo com sua reputação de vilã, Bertia. Eu me importo com a verdade. E a verdade é que eu não suporto a ideia de você se sentir inferior a qualquer pessoa, especialmente quando, aos meus olhos, você é a perfeição personificada.
Bertia piscou, seus planos de "condenação eterna" e "rotas de jogo" vacilando diante da intensidade do olhar dele.
— Mas... o senhor falou sobre ciúmes — ela murmurou, desviando o olhar. — O senhor realmente sentiu isso?
Cecil deu um sorriso pequeno e enigmático. O tédio que costumava definir sua existência desaparecia completamente quando ele estava com ela. Ela era o único elemento imprevisível em seu mundo calculado, a única cor em um quadro cinza.
— Sim — admitiu ele, aproximando-se um pouco mais, o suficiente para que ela sentisse o calor de seu corpo. — Ver aqueles olhos medíocres sobre você, ouvindo-os comentar sobre sua aparência... foi extremamente irritante. Você é minha, Bertia. Cada parte de você. E eu preferiria que o resto do mundo permanecesse cego para sua beleza, para que eu não tenha que punir tantos idiotas de uma só vez.
Bertia suspirou, uma mistura de alívio e exasperação.
— O senhor é muito possessivo, Príncipe Cecil.
— Eu sou um gênio, Bertia — ele respondeu, voltando a caminhar com ela, mantendo-a firmemente ao seu lado. — E gênios sabem reconhecer o valor de um tesouro único. Não pretendo deixar que ninguém o deprecie ou o tire de mim.
Enquanto se afastavam, Bertia pensou que, talvez, ser uma vilã com um noivo tão protetor e levemente assustador não fosse exatamente como o jogo descrevia, mas era, sem dúvida, muito mais interessante. E Cecil, observando o perfil de sua noiva, sentiu aquela ponta de satisfação que só ela conseguia proporcionar. O tédio fora derrotado mais uma vez, substituído pela doce e possessiva necessidade de manter Bertia exatamente onde ela pertencia: sob sua proteção, em seu coração e, acima de tudo, apenas para seus olhos.
