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Cecil

Fandom: An Observation Log of My Fiancée Who Calls Herself a Villainess

Criado: 21/07/2026

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O Limiar da Paciência e o Sorriso do Predador

O jardim da Real Academia de Alphasta estava particularmente vibrante naquela tarde de primavera, mas para o grupo de amigos que cercava o Príncipe Herdeiro, a beleza das flores era o menor dos seus problemas. O verdadeiro desafio era manter a compostura diante da exibição pública de afeto — e de algo consideravelmente mais ousado — que Cecil exercia sobre sua noiva, Bertia.

Cecil estava sentado em um banco de mármore, com Bertia acomodada entre suas pernas, de costas para ele. A jovem, com sua habitual expressão de pureza radiante, falava animadamente sobre como pretendia "vilanizar" o próximo festival escolar, sem notar que as mãos de Cecil não estavam apenas descansando em sua cintura. Os dedos longos e elegantes do príncipe subiam e desciam de forma lenta, sentindo a curva do quadril dela e pressionando levemente a carne macia sob o tecido fino do vestido.

— Vejam só, Príncipe Cecil! — exclamou Bertia, gesticulando para o canteiro de rosas. — Se eu plantar espinhos venenosos ali, serei uma vilã perfeita, não acha?

— Certamente, minha querida Bertia — murmurou Cecil, sua voz uma oitava mais baixa que o normal. — Embora eu ache que você já é perigosamente cativante do jeito que está.

Enquanto falava, Cecil inclinou a cabeça, enterrando o rosto na curva do pescoço dela. Seus lábios roçaram a pele exposta, e sua mão direita subiu de forma "acidental", o polegar roçando a lateral do seio de Bertia enquanto ele fingia ajustar uma mecha de cabelo dela.

Zeno, que observava a cena a poucos metros de distância, sentiu uma veia saltar em sua têmpora. Ele deu um passo à frente, tossindo forçadamente para atrair a atenção do príncipe.

— Vossa Alteza — disse Zeno, com a voz carregada de uma advertência polida —, creio que o protocolo exige um pouco mais de... distância em locais públicos. O casamento ainda está a meses de distância.

Cecil levantou o olhar. Seus olhos azuis, geralmente frios e calculistas, brilharam com uma centelha de irritação divertida. Ele não retirou a mão da cintura de Bertia; pelo contrário, puxou-a para mais perto, fazendo com que as costas dela se colassem firmemente ao seu peito.

— Ora, Zeno, não seja tão rígido — respondeu o príncipe, sua expressão voltando à máscara de perfeição. — Bertia parecia estar com um pouco de frio. Eu estava apenas garantindo que ela se sentisse confortável.

— Frio? — Bertia piscou, confusa, olhando para o sol escaldante de meio-dia. — Oh! É verdade, agora que você mencionou, Príncipe Cecil, senti um calafrio agora mesmo! Você é tão atencioso, sempre cuidando da minha saúde, mesmo quando eu mesma não percebo!

Os amigos ao redor, incluindo o príncipe herdeiro de um reino vizinho e outros nobres, desviaram o olhar, constrangidos. Era óbvio para todos — exceto para a própria Bertia — que o olhar de Cecil estava fixo no decote dela há pelo menos dez minutos, e que suas "verificações de temperatura" eram desculpas esfarrapadas para tocar o máximo de pele possível.

— Ela é tão inocente que chega a ser doloroso — sussurrou um dos rapazes ao fundo.

— O problema não é a inocência dela — retrucou outro —, é a falta de vergonha dele. Ele é um gênio, ele sabe exatamente o que está fazendo e sabe que ninguém pode impedi-lo.

A tranquilidade do grupo foi interrompida pela chegada de Heronia. A "heroína" autoproclamada aproximou-se com passos pequenos, as mãos juntas ao peito e uma expressão de profunda tristeza, como se estivesse prestes a desabar em lágrimas.

— Príncipe Cecil... — Heronia começou, a voz trêmula. — Eu... eu me sinto tão intimidada. Lady Bertia me olhou de uma forma tão cruel mais cedo. Sinto que meu coração está partido por ser tratada assim por alguém tão próxima de Vossa Alteza.

Bertia imediatamente se alarmou. Ela tentou se levantar para se desculpar por qualquer "vilania" não intencional que pudesse ter cometido, mas os braços de Cecil se fecharam como algemas de ferro em volta de sua cintura, mantendo-a sentada em seu colo.

— Bertia olhou cruelmente para você? — Cecil perguntou, sua voz subitamente gélida. — Isso é fascinante. Geralmente, quando ela olha para alguém, ela está apenas tentando imaginar como essa pessoa ficaria dentro de um caldeirão borbulhante ou algo igualmente fantasioso.

— Mas ela foi malvada! — insistiu Heronia, aproximando-se mais, tentando invadir o espaço pessoal do príncipe. — Ela disse que eu era uma "personagem secundária sem relevância"!

— E ela mentiu? — Cecil arqueou uma sobrancelha, um sorriso predatório brincando em seus lábios. — Se me permite ser franco, Lady Heronia, você está interrompendo um momento privado. E, honestamente, sua presença é muito menos estimulante do que a maciez da pele da minha noiva.

O silêncio que se seguiu foi sepulcral. Heronia recuou, o rosto alternando entre o vermelho de vergonha e o pálido de choque. O príncipe nunca fora tão direto em público sobre suas inclinações físicas.

— Vossa Alteza! — Zeno interveio novamente, exasperado. — Há limites para o que se diz na frente de damas!

— Limites são para pessoas que não têm o que desejam ao alcance das mãos — rebateu Cecil, voltando sua atenção inteiramente para Bertia. — Não é, minha querida? Ontem à noite, quando estávamos sozinhos na biblioteca, você não parecia se importar com limites quando eu estava ensinando a você a... anatomia da respiração.

Bertia inclinou a cabeça, os olhos brilhando de admiração.

— Ah, sim! Aquela lição foi muito técnica! — exclamou ela para o horror dos presentes. — Embora eu ainda não entenda por que o Príncipe Cecil precisava manter as mãos sob minha blusa para "sentir a expansão dos meus pulmões". Mas ele é um gênio, então deve ser o método de estudo mais eficiente!

Zeno cobriu o rosto com as mãos, soltando um gemido de derrota. Os outros amigos fingiram um interesse súbito em examinar as formigas no chão.

— Cecil — rosnou Zeno —, você vai acabar causando um escândalo antes das núpcias.

O príncipe suspirou, visivelmente entediado com a reprimenda. Ele se levantou, mas não soltou Bertia. Em vez disso, manteve uma mão possessiva na base das costas dela, onde o tecido do vestido encontrava o início da curva das nádegas, apertando levemente de forma discreta para quem estava na frente, mas óbvia para quem estava atrás dele.

— Eu estou perdendo a paciência com essas interrupções — declarou Cecil. — Bertia, vamos para o meu escritório. Tenho alguns documentos para assinar e preciso que você se sente... por perto.

— Oh, claro! — Bertia sorriu, radiante. — Posso levar meus planos para o exílio?

— Pode levar o que quiser, desde que me deixe provar aquele novo brilho labial que você está usando. Parece... delicioso.

Zeno tentou se colocar entre eles, um último esforço para manter a decência real.

— Alteza, o conselho espera por você em dez minutos. Você não pode simplesmente se trancar com ela agora.

Cecil parou. Seus olhos brilharam com uma intensidade perigosa. O tédio que costumava definir sua vida antes de Bertia parecia estar sendo substituído por uma fome muito específica e difícil de saciar. Ele deu um passo em direção a Zeno, a aura de autoridade real emanando de cada poro.

— Zeno — disse ele, a voz baixa e cortante —, eu passei anos da minha vida sem sentir nada além de um vazio absoluto. Agora que encontrei algo que me diverte, me excita e me pertence, sugiro que você não tente se colocar entre mim e o meu entretenimento.

O ar parecia ter ficado mais pesado. Até Bertia sentiu a mudança de atmosfera, embora tenha interpretado da sua própria maneira.

— Príncipe Cecil, você está parecendo um verdadeiro vilão agora! — ela bateu palmas, encantada. — Que expressão maravilhosa de desprezo!

O efeito foi instantâneo. A tensão assassina de Cecil evaporou, substituída por um suspiro de resignação afetuosa. Ele puxou Bertia pela nuca, sem se importar com quem estava olhando, e a beijou com uma intensidade que deixou a jovem sem fôlego e os espectadores em choque. Não foi um beijo casto; foi um beijo de posse, profundo e faminto.

— Só você, Bertia... — murmurou ele contra os lábios dela quando se separaram. — Só você consegue me acalmar e me irritar ao mesmo tempo.

Ele olhou de relance para os amigos, que ainda estavam paralisados.

— Zeno, diga ao conselho que o Príncipe Herdeiro está ocupado garantindo a sucessão do trono. No sentido teórico, por enquanto.

Com isso, Cecil conduziu Bertia para longe, sua mão descendo descaradamente para dar um tapinha firme e possessivo em sua retaguarda enquanto caminhavam.

— Príncipe Cecil? — a voz de Bertia soou um pouco ofegante. — Por que você fez isso? Era algum tipo de sinal secreto de vilão?

— Exatamente, minha flor — respondeu a voz suave do príncipe, sumindo ao longe pelo corredor. — É o sinal de que você é minha, e de que eu mal posso esperar para que o sol se ponha.

No jardim, Zeno permaneceu em silêncio por um longo tempo, antes de olhar para os outros.

— Alguém, por favor, me diga que o casamento é na semana que vem.

— Daqui a seis meses, Zeno — respondeu um dos nobres, limpando o suor da testa.

— Que os deuses nos ajudem — suspirou o guarda. — Ou o reino de Alphasta será o primeiro a ter um herdeiro nascido exatamente nove meses após o casamento... ou talvez um pouco antes, se o príncipe continuar ignorando as leis da física e da decência.

Enquanto isso, Heronia permanecia esquecida no canto, percebendo finalmente que, contra uma vilã que não sabia que era amada e um príncipe que amava demais sua própria luxúria, não havia roteiro de heroína que pudesse salvá-la.

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