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onde meu coração encontrou voce

Fandom: Jeon Jungkook

Criado: 22/07/2026

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RomanceDramaFatias de VidaDor/ConfortoFofuraHistória DomésticaSongficRealismo
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Onde o Horizonte é Verde e o Amor é Livre

O asfalto irregular da estrada de terra fazia o SUV preto balançar suavemente, levantando uma nuvem de poeira fina que dourava sob o sol do final de tarde em Minas Gerais. Pela janela, a paisagem era um contraste vibrante com os arranha-céus frios de Seul ou a modernidade litorânea de Busan. Ali, o mundo era pintado em tons de verde esmeralda, terra batida e um céu azul tão vasto que parecia abraçar as montanhas no horizonte.

Alyssa respirou fundo, sentindo o cheiro de mato e liberdade que só o interior do Brasil possuía. Ao seu lado, Jeon Jiwook observava tudo com olhos curiosos e atentos. Ele usava roupas simples — uma camiseta de algodão branca, calças largas e um boné — e, sem a maquiagem de palco ou os holofotes, parecia apenas um jovem comum em busca de paz.

— Você está bem? — perguntou Alyssa, tocando a mão dele, que descansava sobre o joelho. — Sei que a viagem foi exaustiva.

Jiwook virou-se para ela, um sorriso doce iluminando seu rosto.

— Estou mais do que bem, Aly. Eu nunca vi um lugar com essa energia. Parece que o tempo aqui corre mais devagar. É... acolhedor.

Eles haviam planejado cada detalhe com a precisão de uma operação militar, mas com o coração de quem busca um refúgio. Após a tensão do contrato de confidencialidade na VEON e a exposição controlada de seu relacionamento na Coreia, esse mês de anonimato no Brasil era o oxigênio que ambos precisavam. Para o mundo, Jiwook estava em um hiato criativo. Para os poucos que cruzavam com eles, ele era apenas "Jiwon", um primo distante de Alyssa que viera conhecer as raízes da família.

O carro parou diante da porteira de madeira da fazenda. O coração de Alyssa deu um salto. Ela não via os pais desde antes do acidente, desde a perda que quase a destruiu.

— Chegamos — sussurrou ela, a voz embargada.

Jiwook apertou sua mão com força, oferecendo o suporte silencioso que se tornara a base da reconstrução deles.

— Eu estou aqui. E eles vão amar ver você tão radiante.

Assim que desceram do carro, o som de cães latindo e o cheiro de café fresco vindo da casa principal os receberam. A mãe de Alyssa, Dona Maria, saiu na varanda, limpando as mãos no avental. Quando seus olhos encontraram os da filha, o grito de surpresa ecoou pelo vale.

— Alyssa! Minha nossa senhora, Alyssa!

O reencontro foi uma explosão de lágrimas, abraços apertados e o calor que só uma família brasileira consegue proporcionar. O pai de Alyssa, Seu Sebastião, logo apareceu, com o rosto vincado pelo sol e um sorriso largo que derreteu qualquer resquício de tensão que Jiwook pudesse sentir.

— E esse rapaz bonito aí? — perguntou o pai, após soltar a filha.

— Pai, mãe... esse é o Jiwook. Meu namorado. — Alyssa sorriu, vendo a expressão de surpresa nos rostos deles, que sabiam da existência do "coreano", mas nunca imaginaram vê-lo ali, em carne e osso, no meio de Minas Gerais.

— Seja bem-vindo, meu filho! — disse Dona Maria, puxando Jiwook para um abraço que o deixou momentaneamente sem fôlego. — Aqui não tem frescura, viu? Pode entrar que o pão de queijo tá saindo agora.

Jiwook, que havia praticado algumas frases em português durante os voos, curvou-se levemente por instinto, mas logo se permitiu ser guiado pela hospitalidade calorosa.

— Muito obrigado. É um prazer... conhecer vocês — disse ele, com um sotaque carregado e charmoso que fez a mãe de Alyssa se derreter imediatamente.

Os dias que se seguiram foram, como Alyssa descreveu mais tarde em seu diário, mágicos. Longe dos paparazzi e das cláusulas contratuais, Jiwook floresceu.

Em uma manhã ensolarada, eles decidiram cavalgar até a cachoeira que ficava nos limites da propriedade. Jiwook, que nunca tinha montado em um cavalo de verdade fora de sets de filmagem controlados, estava inicialmente hesitante.

— Ele é manso, Ji — incentivou Alyssa, já montada em sua égua castanha. — O nome dele é Trovão, mas ele é mais preguiçoso que um gato no sol.

— Se eu cair e quebrar um braço, meu coreógrafo vai ter um ataque cardíaco — brincou Jiwook, subindo com uma agilidade natural que denunciava seu condicionamento físico de idol.

Eles cavalgaram por trilhas estreitas, cercadas por quaresmeiras roxas e o som constante de cigarras. Quando chegaram à queda d'água, o barulho da água batendo nas pedras era música pura. Eles se sentaram à beira do rio, os pés mergulhados na água gelada.

— Aly... — começou Jiwook, olhando para o reflexo do sol na água. — Às vezes eu esqueço que o mundo pode ser assim. Sem câmeras, sem expectativas de milhões de pessoas. Só... o barulho da água e você.

— Eu queria que você conhecesse esse meu lado — disse ela, encostando a cabeça no ombro dele. — A Alyssa que cresceu correndo descalça nessas pedras. A Coreia me deu muito, mas Minas me deu a alma.

— Eu amo a sua alma — respondeu ele, beijando o topo da cabeça dela. — E amo o fato de que, aqui, eu não sou o "Jiwook do VELON". Sou só o cara que gosta de pão de queijo e que está perdidamente apaixonado por você.

À noite, a rotina era simples e encantadora. Eles iam até a praça da pequena cidade vizinha. Os seguranças da VEON, vestidos de forma casual para parecerem turistas ou amigos, mantinham uma distância respeitosa, permitindo que o casal vivesse a normalidade que lhes fora roubada por tanto tempo.

Em um dos barzinhos de esquina, com mesas de metal na calçada e música sertaneja ao fundo, Jiwook experimentou sua primeira caipirinha.

— Isso é... forte — comentou ele, fazendo uma careta engraçada que fez Alyssa rir alto.

— É o sabor do Brasil, meu amor.

Eles observavam o movimento da praça: crianças correndo, idosos conversando nos bancos, casais caminhando de mãos dadas. Ninguém os incomodava. Para os moradores locais, eles eram apenas um casal bonito — ela, a filha do Sebastião que foi estudar fora, e ele, o namorado estrangeiro "estiloso".

— Sabe o que é mais estranho? — sussurrou Jiwook, segurando a mão de Alyssa por cima da mesa. — Eu me sinto mais seguro aqui, no meio dessa praça no interior do Brasil, do que em qualquer cobertura de luxo em Seul.

— É a liberdade, Ji. Ela não tem preço.

No entanto, a sombra do passado e a responsabilidade do futuro ainda pairavam sobre eles. Uma tarde, enquanto caminhavam pelo pomar da fazenda, colhendo jabuticabas direto do pé, o assunto da volta para a Coreia surgiu.

— Meus pais perguntaram se vamos demorar a voltar para visitá-los — disse Alyssa, observando Jiwook tentar descascar a fruta com os dentes, da forma que ela o ensinara.

— Eu cumpri minha promessa, não cumpri? — Jiwook parou, olhando-a seriamente. — Eu disse que viria. E digo mais: eu quero que eles venham conosco. Ou que tenham uma casa em Busan, perto da nossa. Eu não quero que você sinta que precisa escolher entre sua família e eu, Aly. Nunca mais.

— Eles estão considerando, Ji. Mas o meu pai ama essa terra. Acho que eles vão preferir nos visitar com frequência.

— Então construiremos uma ponte entre os dois mundos — afirmou ele com determinação. — A empresa já entendeu que eu não sou mais um produto que eles podem trancar em um dormitório. Eu sou um homem que tem uma vida, uma mulher e uma família.

O momento mais emocionante da viagem aconteceu na última noite. A família se reuniu ao redor de uma fogueira no pátio da fazenda. Seu Sebastião pegou um violão antigo e começou a dedilhar algumas modas de viola. Jiwook, fascinado pelo som diferente do instrumento, observava cada movimento das mãos do sogro.

— Toca uma pra nós, rapaz — desafiou o pai de Alyssa, estendendo o violão. — Alyssa disse que você é o melhor cantor lá daquelas bandas da Ásia.

Jiwook hesitou por um segundo, olhando para Alyssa. Ela assentiu, com os olhos brilhando.

Ele pegou o violão. Não conhecia os acordes da música caipira, mas a música era uma linguagem universal. Ele começou a dedilhar uma melodia suave, uma composição autoral que vinha escrevendo desde que chegaram ao Brasil. Era uma mistura da melancolia coreana com a leveza que ele encontrara naquelas montanhas.

Quando ele começou a cantar, em coreano, sua voz aveludada e potente silenciou até o som dos grilos. Mesmo sem entender as palavras, Dona Maria e Seu Sebastião sentiram a emoção. Era uma canção sobre cura, sobre encontrar o caminho de casa nos braços de alguém, sobre perder uma estrela no céu e encontrar o sol na terra.

Alyssa chorou silenciosamente. Ela sabia que aquela música era para ela. Era para a filha que eles perderam. Era para o futuro que estavam construindo sobre as cinzas do que restou.

Ao terminar, houve um silêncio reverente. Seu Sebastião deu um tapinha no ombro de Jiwook.

— É... você canta com o coração, meu filho. Isso é o que importa.

Naquela noite, deitados na cama de solteiro do antigo quarto de Alyssa, espremidos mas felizes, eles olhavam para o teto de madeira.

— Eu não quero ir embora — confessou Jiwook baixo.

— Nós temos que ir, Ji. Mas levamos isso conosco. — Alyssa virou-se para ele. — Essa paz, esse sentimento de que somos apenas Alyssa e Jiwook. Quando as coisas ficarem difíceis em Seul, quando a imprensa for cruel ou a rotina for exaustiva, feche os olhos e lembre-se do cheiro da chuva na terra roxa.

— Eu vou lembrar — prometeu ele. — E vou lembrar que, não importa onde estejamos, meu lar é onde você estiver.

A viagem ao Brasil não foi apenas umas férias; foi a consagração de uma nova era. Eles voltariam para a Coreia não como o idol e sua namorada secreta, mas como dois parceiros que enfrentaram a morte, a perda e o peso da fama, e escolheram, acima de tudo, a simplicidade de um amor que atravessa oceanos.

Enquanto o SUV se afastava da fazenda na manhã seguinte, rumo ao aeroporto, Alyssa olhou pelo retrovisor e viu os pais acenando até sumirem na poeira. Ela apertou o colar que Jiwook lhe dera — uma pequena peça de ouro com as coordenadas geográficas daquela fazenda.

— Pronta para voltar? — perguntou ele, entrelaçando seus dedos.

— Com você? Sempre — respondeu ela.

O voo de volta na primeira classe seria longo, mas pela primeira vez em muito tempo, a ansiedade não era o sentimento predominante. Havia uma certeza sólida no peito de ambos. A vida em Busan os esperava, o contrato de confidencialidade ainda existia, a pressão da VEON continuaria, mas nada disso tinha poder sobre o que eles haviam fortalecido sob o sol de Minas Gerais.

Jiwook encostou a cabeça no assento e fechou os olhos, um leve sorriso nos lábios. Ele já estava mentalmente traduzindo sua nova canção para o português. Ele queria que o mundo inteiro soubesse que, no coração de um dos maiores artistas da Coreia, agora batia um ritmo que aprendera em uma fazenda no interior do Brasil. Um ritmo de cura, de esperança e, finalmente, de liberdade.

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