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Recuperação

Fandom: Lei e ordem

Criado: 22/07/2026

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O Eco do Que Restou

O apartamento de Olivia Benson nunca pareceu tão frio, mesmo com o aquecimento ligado. As sombras nos cantos da sala pareciam se esticar, sussurrando lembranças de dias que ela tentava desesperadamente enterrar. William Lewis havia sido derrotado, estava atrás das grades, mas as marcas que ele deixou não estavam apenas nos pulsos de Olivia ou nas cicatrizes escondidas sob suas roupas; elas estavam no silêncio que a sufocava toda vez que o sol se punha.

A campainha tocou, um som agudo que a fez saltar do sofá, o coração disparando contra as costelas. Olivia respirou fundo, fechando os olhos por um segundo, forçando-se a lembrar que estava segura. Ela caminhou até a porta, espiando pelo olho mágico.

O fôlego de Olivia falhou.

Lá fora, sob a luz pálida do corredor, estava Alexandra Cabot. A ex-promotora estava impecável como sempre, o longo cabelo loiro caindo sobre os ombros de um casaco de lã escura, mas seus olhos azuis, geralmente gélidos e determinados, carregavam uma melancolia que Olivia não via há anos.

Olivia abriu a porta lentamente. O silêncio entre elas foi denso, carregado pelo peso do tempo e de tudo o que não havia sido dito.

— Alex — sussurrou Olivia, a voz levemente rouca.

— Oi, Liv. — Alex deu um passo à frente, hesitante, algo raro para uma mulher que costumava comandar qualquer tribunal em que pisasse. — Eu soube. Assim que consegui me liberar de Washington, eu vim.

Olivia abriu espaço, e Alex entrou. A loira olhou ao redor, notando os detalhes que denunciavam o estado de alerta de Olivia: a tranca extra, a postura rígida, o olhar que nunca descansava totalmente. Quando Alex se virou para encarar a detetive, seus olhos se encheram de lágrimas que ela se recusou a deixar cair.

— Eu sinto muito — disse Alex, a voz falhando. — Eu sinto tanto, Olivia.

Olivia cruzou os braços, tentando manter os pedaços de si mesma unidos.

— Pelo que, Alex? Pelo Lewis? Você não estava aqui. Não foi sua culpa.

— Exatamente! — Alex deu um passo rápido em direção a ela, encurtando a distância. — Eu não estava aqui. Eu te deixei. De novo. Toda vez que as coisas ficam perigosas ou complicadas, eu sou arrancada da sua vida ou eu escolho ir embora pelo bem de um caso, de uma missão... e eu deixei você sozinha para enfrentar aquele monstro.

— Você estava fazendo o seu trabalho, Alex. Protegendo pessoas. — Olivia tentou soar firme, mas a exaustão em sua voz era evidente.

— E quem protegeu você? — Alex perguntou, a voz subindo de tom pela emoção. — Eu li os relatórios, Liv. Eu vi as fotos. Quando eu soube o que ele fez com você... o quanto você sofreu naquele chalé... eu senti como se o chão tivesse sumido. Eu passei anos fugindo, vivendo sob identidades falsas, mas nada me assustou tanto quanto a ideia de perder você sem nunca ter dito a verdade.

Olivia desviou o olhar, sentindo o nó na garganta apertar. A vulnerabilidade de Alex era desarmante. A promotora corajosa, a mulher de ferro que enfrentava cartéis e assassinos, estava ali, tremendo diante dela.

— Por que você veio agora? — perguntou Olivia, quase em um sussurro.

Alex estendeu a mão, tocando levemente o braço de Olivia. O contato fez um choque percorrer a espinha da morena, uma sensação de calor que ela não sentia há meses.

— Porque eu não aguento mais ficar longe — Alex confessou, dando o passo final que eliminava qualquer espaço entre elas. — Eu te amo, Olivia. Eu amo você de um jeito que nunca permiti que fosse real porque o meu mundo estava sempre desmoronando. Mas o seu mundo desmoronou agora, e eu me recuso a não estar aqui para ajudar a juntar os pedaços.

Olivia olhou para cima, encontrando a imensidão azul dos olhos de Alex. Ela viu ali uma promessa, uma sinceridade que a desarmou completamente. As lágrimas que Olivia vinha segurando desde que Lewis fora sentenciado finalmente transbordaram.

— Ele me quebrou, Alex — soluçou Olivia, cobrindo o rosto com as mãos. — Eu não sei se consigo ser quem eu era antes.

Alex não hesitou. Ela envolveu Olivia em um abraço apertado, puxando a cabeça da morena para o seu ombro. Ela sentiu o corpo de Olivia tremer contra o seu, os soluços pesados de alguém que carregou o mundo nas costas por tempo demais.

— Você não precisa ser quem era antes — Alex murmurou contra o cabelo escuro de Olivia. — Você só precisa ser você. E eu vou estar aqui. Eu não vou a lugar nenhum, Liv. Eu pedi licença por tempo indeterminado. Eu vou ficar neste apartamento, ou na calçada, ou onde quer que você me deixe estar, até que você se sinta segura de novo.

Olivia se afastou apenas o suficiente para olhar para Alex, os olhos vermelhos e úmidos.

— Você promete? — A pergunta soou infantil, mas era a única coisa que importava naquele momento.

— Eu prometo — Alex disse com uma firmeza absoluta. Ela levou as mãos ao rosto de Olivia, limpando as lágrimas com os polegares. — Eu nunca mais vou deixar você enfrentar a escuridão sozinha. Nós vamos passar por isso. Um dia de cada vez. Uma hora de cada vez.

— Vai ser difícil — avisou Olivia. — Eu ainda tenho pesadelos. Eu ainda vejo o rosto dele quando fecho os olhos.

— Então eu vou ser a primeira coisa que você verá quando os abrir — respondeu Alex, aproximando sua testa da de Olivia. — Eu vou te lembrar que você é mais forte do que ele jamais foi. E que você é amada.

O silêncio que se seguiu não era mais frio. Era preenchido pela respiração compartilhada e pela batida de dois corações que, apesar de todas as feridas e da distância, finalmente haviam encontrado o caminho de volta para casa. Alex inclinou-se e depositou um beijo suave e demorado na testa de Olivia, um selo de sua promessa.

— Vem — disse Alex suavemente, pegando a mão de Olivia e entrelaçando seus dedos. — Vamos nos sentar. Eu trouxe chá, e eu não vou sair do seu lado.

Olivia permitiu-se ser conduzida. Pela primeira vez em muito tempo, o apartamento não parecia tão vazio. Enquanto se acomodavam no sofá, com a cabeça de Olivia descansando no ombro de Alex e a presença protetora da loira envolvendo-a, a detetive sentiu um pequeno vislumbre de paz.

A estrada para a recuperação seria longa e íngreme, cheia de gatilhos e sombras do passado. Mas, enquanto sentia o aperto firme da mão de Alex na sua, Olivia soube que, desta vez, ela não teria que caminhar sozinha. O eco do que restou de sua dor ainda estava lá, mas a voz de Alex era mais alta, prometendo um futuro onde o medo não seria mais o protagonista.

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