
Oliver
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 22/07/2026
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Sombras do Passado: O Nó que Sufoca
O silêncio na sala de artes abandonada era quebrado apenas pela respiração pesada e errática de Oliver. Ele estava sentado, ou melhor, forçado contra a madeira fria de uma cadeira velha, com cordas apertando seus pulsos e tornozelos até que a circulação começasse a latejar. A mordaça de pano branco, agora úmida e desconfortável, abafava qualquer tentativa de grito, transformando seus pedidos de socorro em ruídos guturais e desesperados.
À sua frente, Danger Oliver — uma versão distorcida, mais alta e infinitamente mais cruel de si mesmo — segurava o celular de Oliver com uma elegância predatória. O brilho da tela iluminava o rosto malicioso do sósia, cujos olhos pareciam carregar segredos sombrios de uma infância que Oliver lutou anos para enterrar no fundo de sua mente.
— Shh... — Danger Oliver sibilou, deslizando a mão livre pelos cabelos brancos de Oliver, acariciando a mecha arrepiada no topo de sua cabeça com uma falsa ternura que fazia o estômago do garoto revirar. — Se você continuar se debatendo assim, vai acabar se machucando, irmãozinho. E nós não queremos isso agora que a diversão começou, não é?
Oliver arregalou os olhos, sentindo as lágrimas quentes começarem a arder nos cantos. A menção ao termo "irmãozinho" trouxe flashes de memórias traumáticas: corredores escuros, o som de passos pesados e a sensação de nunca estar seguro. Ele tentou gritar novamente, mas o pano branco apenas empurrava sua língua para trás.
Danger Oliver soltou uma risada baixa e rouca, voltando sua atenção para o celular. A chamada de vídeo com Zip e Edward já estava conectada. Na tela, os rostos dos melhores amigos de Oliver estavam pálidos, uma mistura de choque e puro terror ao verem aquela figura idêntica ao amigo, mas com uma aura de perigo absoluto.
— Quem é você?! — a voz de Edward saiu falha pelo alto-falante. — O que você fez com o Oliver? Onde ele está?
Danger Oliver deu um sorriso de lado, aproximando o aparelho do próprio rosto.
— Eu? Eu sou apenas a parte da família que ele esqueceu de mencionar — respondeu Danger Oliver, a voz carregada de sarcasmo. — Sou o irmão dele. E quanto ao que eu fiz... por que não deixamos que ele mesmo conte?
Com um movimento brusco, Danger Oliver virou a câmera para Oliver. A imagem que Zip e Edward viram os deixou sem fôlego: o valentão da escola, o garoto que sempre tinha uma piada ácida ou um pedaço de sabonete na boca, estava ali, vulnerável, amarrado e amordaçado, com o rosto vermelho de vergonha e desespero. A fita preta que Danger havia colocado dentro de sua camisa ainda estava lá, um símbolo de uma violação de privacidade que Oliver nunca imaginou sofrer.
— Oliver! — Zip gritou, batendo na mesa onde quer que estivesse. — Oliver, você está bem? Fala com a gente!
Oliver tentou responder, mas tudo o que saiu foi um som abafado: "Mmmph! Hmmm-mmm!"
Danger Oliver inclinou a cabeça, achando a situação hilária. Ele caminhou até Oliver e encostou o telefone no ouvido do garoto, permitindo que ele ouvisse as vozes de seus amigos com clareza.
— Oliver, me escuta — disse Edward, tentando manter a calma apesar do tremor na voz. — Você está amarrado em uma cadeira?
Oliver fechou os olhos com força, sentindo o peso da humilhação. Ele balançou a cabeça freneticamente e emitiu um som afirmativo e trêmulo.
— Mmm-hmm...
— E... — Edward hesitou, engolindo em seco. — Você está com um pano na boca? Ele te amordaçou?
Oliver sentiu o tecido áspero contra sua pele e a umidade que começava a incomodar. Ele gemeu baixinho, um som carregado de angústia que confirmava a pergunta.
— Mmmph... hmmm...
— Meu Deus... — sussurrou Zip ao fundo, as mãos cobrindo a boca. — Edward, ele também está com os olhos vendados? Parece que ele mal consegue focar na câmera.
— Oliver — continuou Edward —, você está com uma venda?
Novamente, o som abafado de confirmação ecoou pela sala silenciosa. Embora não estivesse completamente vendado no sentido tradicional, a franja longa e o estado de choque faziam com que sua visão estivesse turva e limitada, e Danger Oliver havia garantido que ele não visse nada além do terror à sua frente.
Danger Oliver afastou o telefone do ouvido de Oliver e voltou a olhar para a tela, um brilho sádico nos olhos.
— Viu só? Ele é um bom menino. Responde a todas as perguntas, mesmo sem conseguir falar — Danger provocou, aproximando-se novamente de Oliver e passando o dedo pelo losango branco no centro da camisa dele.
Oliver soltou um gemido abafado e agudo, o corpo inteiro estremecendo ao toque. O contato no centro de seu traje parecia disparar uma eletricidade de puro pânico por seus nervos. Ele tentou se afastar, mas a cadeira estava firme no chão.
— Oh, olhem só como ele cora — Danger Oliver disse para Zip e Edward, rindo da cor carmesim que tomava as bochechas do irmão. — Ele sempre foi o mais fraco. O pequeno Oliver, amarrado e entregue. Sabiam que ele até choramingou quando eu abri a roupa dele?
— Deixa ele em paz! — Zip berrou pelo celular. — Se você encostar mais um dedo nele, a gente vai...
— Vocês vão o quê? — Danger interrompeu, sua voz subitamente fria como gelo. — Vocês nem sabem onde estamos. E, mesmo que soubessem, o que dois pirralhos fariam contra mim? Oliver é meu. Ele sempre foi meu brinquedo favorito.
Danger Oliver desligou a chamada abruptamente, jogando o celular de Oliver no chão, onde a tela rachou levemente. O silêncio que se seguiu foi ainda mais aterrorizante. Oliver estava ofegante, o peito subindo e descendo rapidamente, a fita preta dentro de sua camisa roçando contra sua pele, lembrando-o de que ele não tinha mais controle sobre seu próprio corpo naquela situação.
— Agora que seus amiguinhos já sabem quem manda aqui — disse Danger Oliver, inclinando-se até que seu hálito quente atingisse a orelha de Oliver —, podemos continuar de onde paramos.
Oliver arregalou os olhos, sentindo o pânico atingir um novo ápice. Ele começou a se debater com mais força, o braço de lápis raspando inutilmente contra as cordas, enquanto tentava desesperadamente pedir por socorro através da mordaça.
— Mmmph! Mmm-nnn-gh! — Seus olhos suplicavam por misericórdia, algo que ele sabia que seu "irmão" nunca possuiu.
Danger Oliver apenas sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos, e voltou a acariciar o cabelo de Oliver, descendo a mão para o laço preto que prendia seu rabo de cavalo.
— Fique quieto, Oliver. Você sabe que, quanto mais você luta, mais eu me divirto. E nós temos a noite toda para relembrar os velhos tempos.
As lágrimas finalmente transbordaram, escorrendo pelo rosto de Oliver e sumindo sob o pano branco da mordaça. Ele estava preso, vulnerável e à mercê de um fantasma de seu passado que ele esperava nunca mais ver. Naquela sala escura, o valentão da escola não passava de uma criança assustada, esperando que alguém, qualquer pessoa, viesse salvá-lo do nó que o sufocava.
