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Assumindo o papel

Fandom: Once upon a time

Criado: 23/07/2026

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O Trono de Veludo e Espinhos

A névoa de Storybrooke nunca pareceu tão densa, nem tão carregada de promessas sombrias, quanto na noite em que Cora Mills atravessou a fronteira invisível da cidade. Ela não caminhava como uma refugiada de um mundo esquecido, mas como uma rainha retomando o que sempre lhe pertenceu por direito divino e de sangue. Seus olhos, escuros e penetrantes, varreram as ruas desertas até pararem na imponente mansão da prefeita.

Regina estava lá dentro. Sua linda Regina. A criação perfeita que ela moldara com mãos de ferro e corações partidos.

Quando a porta da mansão se abriu, Regina estancou. O copo de cidra em sua mão tremeu levemente, a única rachadura em sua máscara de porcelana.

— Mãe... — A voz de Regina saiu como um sussurro, uma mistura de pavor e uma sede desesperada por aprovação que nunca havia secado totalmente.

Cora sorriu, um gesto que não alcançava a frieza de seu olhar, e entrou na casa sem ser convidada, o farfalhar de sua capa ecoando no hall silencioso.

— Minha doce Regina. Você parece cansada. — Cora estendeu a mão, tocando o rosto da filha com a ponta dos dedos enluvados. — Olhe para este lugar. Tanta luta, tanto esforço para ser aceita por pessoas que nunca entenderão a sua grandeza. Você tentou preencher os vazios da sua vida com migalhas.

— Eu construi uma vida aqui, Cora — rebateu Regina, recuperando a postura, embora o coração martelasse contra as costelas. — Eu sou a prefeita. Eu tenho um filho.

Cora soltou uma risada baixa, um som aveludado que fez os pelos do braço de Regina se arrepiarem.

— Um filho que você compartilha com aquela salvadora insossa? Amigos que a toleram por medo ou necessidade? — Cora deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Regina até que suas respirações se misturassem. — Você não precisa mais deles. Eu estou aqui agora. Eu serei tudo o que você precisa.

— Do que você está falando? — Regina tentou recuar, mas suas costas encontraram a parede fria do corredor.

— Eu serei sua conselheira, sua única amiga. Serei a figura que guiará Henry com a firmeza que falta a você. — Cora inclinou a cabeça, os lábios roçando a orelha de Regina. — E, à noite, quando as luzes se apagarem e o mundo lá fora deixar de existir, eu serei aquela que possuirá cada centímetro do seu corpo e da sua alma.

O choque percorreu a espinha de Regina, mas não era apenas repulsa; era uma vertigem perigosa, um magnetismo que ela sempre sentira pela mulher que a destruíra e a criara.

— Você é louca — sibilou Regina, embora sua voz faltasse convicção.

— Sou a única que te ama de verdade, Regina. — Cora deslizou a mão pelo pescoço da filha, apertando levemente. — Ninguém mais pode te dar o que eu dou. Ninguém mais conhece a escuridão que habita em você tão bem quanto eu. Eu vou te foder até você esquecer que um dia desejou o toque de qualquer outro ser humano.

Regina sentiu os joelhos fraquejarem. O poder de Cora era opressor, uma força da natureza que não aceitava "não" como resposta.

— Você não pode simplesmente chegar e tomar conta de tudo — disse Regina, a respiração curta.

— Eu já tomei, minha querida. — Cora selou a promessa com um beijo casto na testa, antes de seus olhos brilharem com uma luxúria predatória. — Agora, vá para o seu quarto. Eu vou preparar um drink. E depois, vou mostrar a você o que significa pertencer a alguém.

As semanas que se seguiram foram uma descida lenta e inebriante em um abismo compartilhado. Cora infiltrou-se em cada fresta da rotina de Regina. Nas reuniões da prefeitura, ela permanecia nas sombras, ditando ordens com um olhar, tornando-se a mão invisível que governava Storybrooke através da filha. Com Henry, ela era a avó perfeita, mas com uma autoridade que começava a suplantar a de Emma e da própria Regina.

Mas era à noite que a verdadeira dinastia de Cora se estabelecia.

O quarto de Regina, antes um refúgio de solidão e mágoa, transformou-se em um altar de excessos. Cora não tinha pressa. Ela despojava Regina de suas roupas e de sua dignidade com a mesma precisão com que despojava seus inimigos de seus corações.

— Diga meu nome — ordenou Cora, certa noite, enquanto pressionava Regina contra os lençóis de seda negra.

Regina arqueou as costas, as unhas cravando-se nos ombros de Cora. O suor brilhava em sua pele sob a luz da lua que filtrava pelas cortinas.

— Cora... por favor... — implorou Regina, a voz rouca de desejo e exaustão.

— "Mãe", "Senhora", "Amante"... — Cora sussurrou, descendo os beijos pelo pescoço de Regina até o vale de seus seios. — Eu sou o seu mundo agora, Regina. Diga que você não quer mais ninguém.

— Eu não quero... mais ninguém — repetiu Regina, as lágrimas escorrendo pelos cantos dos olhos, uma mistura de prazer agonizante e a rendição final de sua vontade.

Cora sorriu contra a pele dela. Ela usava o corpo de Regina como um instrumento, explorando cada zona erógena com uma crueldade deliciosa. Seus dedos eram ágeis e implacáveis, levando Regina a ápices que ela nunca soubera existir, apenas para puxá-la de volta antes do clímax, prolongando o tormento.

— Você é tão linda quando está quebrada para mim — murmurou Cora, olhando nos olhos da filha enquanto a penetrava com uma intensidade que fazia Regina perder o sentido da realidade. — Você é minha obra-prima.

— Por que você faz isso? — Regina arquejou, agarrando os lençóis enquanto o prazer começava a nublar sua visão.

— Porque o amor é uma fraqueza, mas a obsessão... a obsessão é eterna. — Cora inclinou-se, capturando os lábios de Regina em um beijo que sabia a possessão e magia negra. — Eu te dei a vida, Regina. É justo que eu a tome de volta, em todas as formas possíveis.

Naquela noite, e em todas as que viriam, Regina Mills não era mais a Rainha Má ou a Prefeita de Storybrooke. Ela era apenas a argila nas mãos de Cora. E enquanto a morena mais velha a possuía, de todas as maneiras, todas as noites, Regina percebia, com um horror excitante, que nunca se sentira tão completa.

Cora assumira o papel de amiga ao ouvir suas inseguranças apenas para usá-las contra ela. Assumira o papel de pai ao ditar a disciplina de sua casa. E, acima de tudo, assumira o papel de amante, garantindo que o corpo de Regina respondesse apenas ao seu comando.

— Você é minha — declarou Cora, quando o silêncio finalmente caiu sobre o quarto, enquanto ela acariciava os cabelos de uma Regina exausta e trêmula.

— Eu sou sua — ecoou Regina, fechando os olhos e entregando-se ao abraço da mulher que era seu céu e seu inferno.

Storybrooke continuava lá fora, ignorante de que sua rainha agora tinha um trono de carne e desejo, e que a verdadeira governante da cidade nunca precisaria de uma eleição para manter o poder. Bastava o toque, a voz e o domínio absoluto de Cora Mills.

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