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Obito

Fandom: Naruto e A odisseia

Criado: 23/07/2026

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Promessas ao Luar de Ítaca

As ondas do Mar Jônico quebravam com uma cadência melancólica contra as rochas de Ítaca, o som ecoando pelas varandas de mármore do palácio. Rin Uchiha, a rainha cujos olhos castanhos claros pareciam carregar toda a paciência e a dor do mundo, observava o horizonte. A brisa noturna bagunçava seus cabelos ondulados, mas ela não se movia. Aos trinta e sete anos, Rin mantinha uma beleza serena, mas havia um vazio em seu lado da cama que nem mesmo o poder de governar um reino conseguia preencher.

Quatro anos. Quatro anos desde que Obito, seu marido e o grande amor de sua vida, partira para a Guerra de Troia. Ela ainda conseguia sentir o calor da pele parda dele contra a sua, a força daqueles braços musculosos que a envolviam com uma delicadeza que poucos imaginariam vinda de um general tão temido. Obito era a força de Ítaca, mas era também o coração de Rin.

— Ele voltará em breve, minha senhora — uma voz jovem e levemente brincalhona quebrou o silêncio do terraço.

Rin virou-se e sorriu levemente ao ver Kuro Hatake. O rapaz de vinte e um anos, com seus cabelos brancos curtos e repicados que sempre pareciam desafiar a gravidade, aproximou-se com o passo leve de quem conhece cada pedra daquele castelo.

— Os mercadores que aportaram hoje dizem que as muralhas de Troia estão prestes a ceder — continuou Kuro, encostando-se na balaustrada. — Dizem que o General Obito Uchiha é o terror dos campos de batalha. Nenhum homem sobrevive ao seu Sharingan ou à sua força.

— Eu sei que ele é forte, Kuro — disse Rin, voltando o olhar para o mar. — Mas a guerra muda os homens. Eu só quero que o Obito que partiu seja o mesmo que retorne para mim.

Kuro suavizou o sorriso. Ele fora um dos poucos jovens poupados da convocação de Agamemnon, graças ao sorteio que Rin secretamente agradecia todos os dias. Obito sempre vira potencial no garoto, treinando-o pessoalmente antes da partida. Para Rin, Kuro era mais do que um súdito; era o protetor que ela escolhera para sua bem mais precioso.

— E como está Tatsuyo? — perguntou a rainha, mudando de assunto.

— Exausta, eu imagino — Kuro riu, coçando a nuca. — O velho amigo do seu marido não pega leve com ela. Mas ela é incrível, majestade. A cada dia que passa, ela manuseia a lança com mais precisão.

Rin assentiu. Tatsuyo, a herdeira do trono, era a mistura perfeita de seus pais. A pele parda e os cabelos pretos ondulados que desciam até a cintura vinham de Obito, enquanto a determinação e a inteligência eram traços que Rin reconhecia em si mesma. Aos dezessete anos, a beleza de Tatsuyo era comentada em todas as ilhas vizinhas, comparada à de uma deusa, o que trazia preocupações constantes para a rainha.

Enquanto Rin e Kuro conversavam no alto, no pátio de treinamento abaixo, o som do metal colidindo ecoava.

Tatsuyo Uchiha limpou o suor da testa com as costas da mão. Seus olhos pretos brilhavam sob a luz das tochas. Ela estava ofegante, mas não baixava a guarda.

— De novo — ordenou o instrutor, um veterano de guerra que Obito deixara encarregado da segurança da filha.

— Estou pronta — respondeu Tatsuyo, a voz firme apesar do cansaço.

Ela avançou com uma agilidade impressionante para seus 1,63 de altura. Seus movimentos eram uma dança letal. Quando o treino finalmente terminou, ela se sentou nos degraus de pedra, sentindo os músculos arderem.

— Você está ficando rápida demais para o seu próprio bem — disse uma voz familiar.

Tatsuyo olhou para cima e viu Kuro descendo as escadas. Ele carregava dois odres de água e entregou um a ela.

— E você está ficando vagabundo demais, passando o tempo todo no terraço com a minha mãe — provocou ela, bebendo a água com avidez.

— Hey! — Kuro sentou-se ao lado dela, fingindo ofensa. — Eu estava cumprindo meu dever. Sua mãe me pediu para vigiar o horizonte e, consequentemente, vigiar você.

Tatsuyo revirou os olhos, mas não conseguiu esconder um sorriso. Kuro era seu melhor amigo, a pessoa em quem ela mais confiava no mundo.

— Você sabe que eu não preciso de uma babá, Kuro. Eu sou a futura rainha de Ítaca. Eu sei me defender.

— Eu sei que sabe — Kuro disse, o tom de voz tornando-se subitamente sério. Ele olhou para o perfil dela, admirando como a luz do luar destacava suas feições. — Mas o mundo lá fora é cruel, Tatsuyo. E você... bem, você não é apenas a herdeira. Você é o alvo de todos os pretendentes gananciosos que esperam que seu pai não volte.

Tatsuyo apertou o punho da espada que estava ao seu lado.

— Ele vai voltar. Meu pai é o homem mais forte que já existiu.

— Eu não duvido disso — Kuro suspirou. — Mas até que ele atravesse aqueles portões, eu fiz uma promessa à Rainha Rin. E fiz uma promessa a mim mesmo. Ninguém encosta em você enquanto eu respirar.

Tatsuyo sentiu o rosto esquentar. Ela desviou o olhar, observando as mãos calejadas de Kuro.

— Por que você leva isso tão a sério? — perguntou ela em voz baixa. — Você poderia estar fazendo qualquer outra coisa. Poderia estar tentando a sorte no mar, ou buscando sua própria glória.

Kuro soltou uma risada curta, mas seus olhos castanhos escuros permaneceram fixos nela.

— E perder a chance de ver você me derrubar nos treinos todos os dias? Jamais. Além disso — ele hesitou por um segundo —, Ítaca é o meu lar. E você é... você é o que faz esse lugar valer a pena.

O silêncio que se seguiu não foi desconfortável, mas carregado de algo que ambos hesitavam em nomear. A amizade entre eles era o alicerce, mas os anos de convivência e a transição para a vida adulta estavam transformando aquele laço em algo mais profundo, algo que pulsava sob a pele sempre que suas mãos se tocavam por acidente durante um combate.

No andar superior, Rin observava os dois jovens lá embaixo. Ela conhecia aquele olhar no rosto de Kuro; era o mesmo olhar que Obito costumava direcionar a ela quando eram jovens e o mundo parecia mais simples.

— Proteja-a, Kuro — sussurrou Rin para o vento. — Proteja o coração dela, pois o meu está atravessando o mar em algum navio de guerra.

Subitamente, um grito veio do porto. As tochas começaram a se agitar e o som de um berrante ecoou pelas colinas de Ítaca. Rin sentiu o coração disparar. Kuro e Tatsuyo levantaram-se de um salto, as mãos alcançando as armas instintivamente.

— Um navio! — gritou um vigia da torre. — Um navio com as cores de Ítaca está entrando na baía!

Rin não esperou. Ela correu pelos corredores do palácio, seus pés mal tocando o chão. Tatsuyo e Kuro vinham logo atrás, a adrenalina correndo por suas veias. Quando chegaram ao cais, a multidão já começava a se aglomerar.

O navio estava avariado, as velas rasgadas contavam histórias de batalhas brutais. Quando a prancha foi baixada, a figura que emergiu não era a de um rei vitorioso, mas a de um mensageiro exausto e ferido.

Rin parou, o fôlego curto.

— Onde ele está? — perguntou ela, a voz tremendo pela primeira vez em quatro anos.

O mensageiro caiu de joelhos diante da rainha.

— Majestade... a guerra acabou. Troia caiu.

— E o Rei Obito? — Tatsuyo deu um passo à frente, sua voz ecoando com a autoridade que ela herdara do pai.

O mensageiro baixou a cabeça.

— O General Obito liderou o ataque final. Ele foi um herói... mas as tempestades no caminho de volta dispersaram a frota. O navio do Rei foi atingido por uma fúria divina. Nós o perdemos de vista perto das rochas de Cila.

Um silêncio sepulcral caiu sobre o porto. Rin sentiu o mundo girar. Obito, seu Obito, perdido no mar?

Tatsuyo sentiu uma mão firme em seu ombro. Era Kuro. Ele não disse nada, mas a pressão de seus dedos transmitia uma força que a impediu de desabar.

— Ele não morreu — disse Rin, sua voz subitamente fria e cortante como aço. Ela se endireitou, a pele branca parecendo quase pálida sob a lua, mas seus olhos castanhos brilhavam com uma determinação feroz. — Obito Uchiha não seria derrotado pelo mar depois de sobreviver a dez anos de inferno em Troia.

— Minha senhora, as águas estavam... — começou o mensageiro.

— Ele está vivo — interrompeu Rin. — E ele está tentando voltar para casa. Até que ele chegue, Ítaca permanecerá firme.

Ela se virou para a filha e para Kuro.

— Tatsuyo, intensifique os treinos. Kuro, mantenha os olhos nas fronteiras e no mar. Os abutres começarão a circular agora que acham que o trono está vazio.

— Sim, majestade — responderam os dois em uníssono.

Quando Rin se retirou para o palácio com a dignidade de uma rainha que se recusa a chorar em público, Tatsuyo ficou para trás, olhando para o mar escuro e revolto.

— Ele vai voltar, não vai? — perguntou ela, a voz agora apenas a de uma filha preocupada.

Kuro aproximou-se, ficando ao lado dela. Ele era muito mais alto, sua presença musculosa oferecendo um escudo contra o medo que tentava se instalar.

— Seu pai é o homem mais teimoso que eu já conheci, Tatsuyo — disse Kuro, tentando trazer de volta seu tom engraçadinho, embora seus olhos estivessem sérios. — Ele não morreria sem antes me dar uma bronca por não ter polido a armadura dele direito. Ele vai voltar. E até lá, eu estarei aqui.

Tatsuyo olhou para Kuro. A pele parda dele parecia brilhar sob a luz das tochas, e por um momento, ela viu nele não apenas o amigo de infância, mas o homem que ele havia se tornado. O homem que Obito confiara para estar ao seu lado.

— Obrigada, Kuro — sussurrou ela.

— Não me agradeça ainda — ele respondeu, desembainhando sua espada curta e oferecendo o cabo a ela. — Temos muito trabalho a fazer. Se o seu pai vai voltar, ele precisa encontrar uma rainha pronta para liderar ao lado dele. E eu pretendo ser o capitão da sua guarda.

Tatsuyo segurou o cabo da espada, suas mãos se encontrando sobre o metal frio. O toque enviou um formigamento pelos braços de ambos, uma promessa silenciosa selada sob o luar de Ítaca.

A guerra de Troia podia ter acabado, mas a odisseia da família Uchiha estava apenas começando. Enquanto Rin governava com mão de ferro e coração esperançoso, e Tatsuyo e Kuro se preparavam para o que quer que viesse das sombras, o mar continuava a rugir, guardando os segredos de um rei que se recusava a morrer e de um amor que atravessaria oceanos para se reencontrar.

— Vamos — disse Tatsuyo, recuperando sua postura. — O treino ainda não acabou. Se meu pai está enfrentando deuses e monstros, o mínimo que posso fazer é estar pronta para enfrentar os homens que ousarem cobiçar o que é dele.

Kuro sorriu, um sorriso genuíno e cheio de admiração.

— É por isso que eu amo o seu espírito, princesa. Vamos lá. Mas não reclame se eu for um pouco mais rápido desta vez.

— Tente a sorte, Hatake.

E assim, sob o céu estrelado da Grécia antiga, a esperança e o dever dançavam juntos, enquanto em algum lugar distante, entre as ondas e o mito, Obito Uchiha lutava para cumprir a única promessa que importava: voltar para os braços de sua Rin e para a terra que o chamava de Rei.

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