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Ao sol da tarde

Fandom: Marvel, quente e romântica

Criado: 23/07/2026

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O Limiar do Desejo

O quartel-general dos Vingadores raramente era um lugar de silêncio, mas naquela tarde de terça-feira, o corredor da ala leste parecia estranhamente isolado do caos habitual de explosões controladas e reuniões táticas. Samara caminhava com os braços carregados de relatórios de inteligência, seus longos cachos castanhos balançando contra as costas a cada passo. Aos dezenove anos, ela já havia aprendido a ignorar a imponência das paredes de aço, mas havia algo que ela nunca conseguia ignorar: a presença de Nick.

Nick não era apenas um agente promissor ou o filho de um dos contatos mais antigos da S.H.I.E.L.D. Para o mundo, ele era uma lâmina de gelo. Com seu cabelo preto liso sempre impecavelmente penteado e um olhar que parecia capaz de congelar o sangue de qualquer um que ousasse flertar com ele, Nick mantinha uma distância gélida de todas as mulheres da base. Mas, para Samara, ele era a exceção completa à sua própria regra.

— Se você continuar carregando esses papéis desse jeito, vai acabar tropeçando no próprio pé, Sam. E eu não quero ter que carregar você até a ala médica... embora a ideia não seja de todo ruim.

A voz dele, baixa e carregada de uma malícia que só ela conhecia, fez Samara parar bruscamente. Nick estava encostado em uma das colunas de metal, os braços cruzados sobre o peito largo. O uniforme escuro realçava sua postura predatória.

— Eu não vou tropeçar, Nick. Eu tenho equilíbrio — respondeu ela, lançando-lhe um sorriso fechado, aquele que ela usava para esconder o quanto o coração disparava só de ouvi-lo. — E você deveria estar no treinamento de combate agora, não?

Nick se desencostou da parede e caminhou em direção a ela. O movimento era fluido, quase como o de um felino se aproximando de sua presa. Quando ele parou, estava perto demais. O cheiro de sândalo e metal frio que sempre o acompanhava invadiu os sentidos de Samara.

— O treinamento ficou entediante sem alguém para me desafiar — disse ele, estendendo a mão para pegar os relatórios das mãos dela.

Ao fazer isso, ele não apenas pegou os papéis; seus dedos longos e frios deslizaram deliberadamente sobre os pulsos de Samara, demorando-se ali mais do que o necessário. O toque enviou uma descarga elétrica pelo corpo dela, fazendo seus olhos esverdeados se arregalarem levemente.

— Nick... as pessoas podem ver — sussurrou ela, embora não houvesse ninguém por perto.

— Que vejam — retrucou ele, a voz tornando-se subitamente mais rouca. — Deixe que saibam que você é a única pessoa nesta base que eu não suporto ver longe de mim.

Ele inclinou a cabeça, aproximando o rosto do dela. Os olhos negros de Nick, geralmente tão distantes, agora queimavam com uma intensidade que Samara nunca tinha visto antes. Era um desejo que beirava o possessivo, algo que parecia ter sido guardado por anos, desde que eram crianças brincando nos jardins da creche da S.H.I.E.L.D., e que agora estava transbordando.

— Você está sendo estranho hoje — disse ela, tentando recuperar o fôlego, embora suas pernas parecessem feitas de gelatina. — Mais do que o normal.

— Estranho? — Nick soltou uma risada curta, sem humor, enquanto uma de suas mãos subia para enrolar um cacho rebelde de Samara em volta do dedo. — Talvez eu esteja apenas cansado de fingir, Samara. Cansado de agir como se eu não quisesse te trancar em uma sala e nunca mais deixar você sair.

Samara sentiu o ar sumir de seus pulmões. Aquela frase, dita com uma seriedade mortal, não era uma piada. Ela o conhecia desde sempre; conhecia cada nuance de seu sarcasmo, mas aquilo era diferente. Havia uma fome em seu olhar, um desejo doentio que a assustava e a excitava ao mesmo tempo.

— Você não deveria dizer coisas assim — murmurou ela, a voz falhando.

— Por que não? — Nick deu mais um passo à frente, forçando-a a recuar até que suas costas encontrassem a parede fria. Ele colocou uma das mãos na parede, ao lado da cabeça dela, prendendo-a. — Porque faz seu coração bater tão rápido que eu consigo ouvir daqui?

— Nick, pare com isso — pediu ela, mas suas mãos, em vez de empurrá-lo, subiram para o peito dele, agarrando o tecido do uniforme.

— Eu passei a vida inteira esperando você crescer, Sam — disse ele, a voz agora apenas um sussurro contra o ouvido dela. O hálito quente dele fez Samara estremecer. — Eu te vi se tornar essa mulher incrível, e a cada dia que passa, o pensamento de qualquer outro homem tocando em você me faz querer queimar este lugar até o chão.

Ele se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos dela. A intensidade era quase insuportável. Nick não estava apenas flertando; ele estava reivindicando algo que ele acreditava ser dele por direito desde o berço.

— Você é minha, Samara — afirmou ele, a mão descendo para a cintura dela e apertando com força, um toque possessivo que a fez soltar um gemido baixo. — Você sempre foi. Só que agora eu não tenho mais paciência para esperar que você perceba.

— Eu sempre soube — confessou ela, a voz trêmula, decidindo finalmente baixar as defesas que mantinha há anos. — Eu sempre amei você, Nick. Mas você é tão... frio com todo mundo. Eu achei que eu era só a sua amiga de infância.

Nick soltou um rosnado baixo, a testa encostada na dela.

— Amiga? — Ele riu, um som sombrio. — Eu nunca olhei para você e vi uma amiga. Eu olho para você e vejo a única razão pela qual eu ainda não me tornei um monstro completo. Mas se você continuar me olhando com esses olhos verdes... eu posso acabar perdendo o controle.

— E quem disse que eu quero que você se controle? — desafiou Samara, a coragem surgindo do fundo de sua paixão secreta.

O olhar de Nick escureceu instantaneamente. Ele largou os relatórios no chão, as folhas se espalhando pelo corredor esquecido, e envolveu o rosto dela com as duas mãos. O beijo não foi gentil; foi uma colisão de anos de desejo reprimido, possessividade e uma necessidade febril. Ele a beijava como se estivesse tentando consumi-la, a língua explorando a boca dela com uma urgência que a deixava sem chão.

Samara passou os braços pelo pescoço dele, puxando-o para mais perto, sentindo a dureza do corpo de Nick contra o seu. Ele era fogo escondido sob o gelo, e agora que a barreira havia sido quebrada, não havia volta.

— Se eu começar — Nick murmurou contra os lábios dela, a respiração errática —, eu não vou parar. Eu vou querer cada parte de você, Samara. Cada pensamento, cada centímetro de pele. Eu vou ser o seu pesadelo e o seu único porto seguro. Você entende o que isso significa?

Samara sorriu, um sorriso genuíno e corajoso, apesar do tremor em suas mãos.

— Significa que finalmente estamos na mesma página, Nick.

Ele a pegou no colo com uma facilidade impressionante, as pernas dela circulando a cintura dele por instinto. Nick a pressionou contra a parede mais uma vez, os olhos fixos nos dela com uma promessa perigosa.

— Ótimo — disse ele, a voz carregada de uma promessa sombria e apaixonada. — Porque eu não pretendo dividir você com o resto do mundo nem por mais um segundo.

Naquele corredor deserto do complexo dos Vingadores, o gelo de Nick finalmente derreteu, revelando uma obsessão que queimaria qualquer um que tentasse se colocar entre ele e Samara. O desejo que ele nutria não era apenas romântico; era absoluto, e Samara, em seu amor profundo, estava mais do que pronta para se perder naquele incêndio.

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