
Night of drinking
Fandom: EngLot
Criado: 23/07/2026
Tags
Alianças de Ouro e Whisky Barato
O neon de Bangkok pulsava como um coração frenético, refletindo-se nas poças de chuva e nos vidros fumês dos carros de luxo que cortavam a Sukhumvit Road. Dentro da boate exclusiva "The Gilded Cage", o ar era pesado, saturado com o cheiro de perfume caro, tabaco e o perigo latente que apenas a presença de Engfa Waraha poderia emanar.
Sentada em um dos camarotes mais reservados, Engfa ajustou os óculos de grau que descansavam sobre a ponte de seu nariz. Aos 36 anos, ela não era apenas uma mulher de negócios; ela era a sombra que movia as engrenagens da cidade. O corte cicatrizado no canto de sua boca, uma lembrança de uma briga de rua em sua juventude, conferia-lhe um ar ainda mais intimidador quando ela sorria de forma sarcástica.
— P'Fa, você precisa relaxar — disse Faye Malisorn, sua mão direita e confidente, virando um shot de tequila. — Acabamos de fechar o contrato do porto. Bilhões, Fa. Bilhões! Pare de olhar para esse tablet e olhe para as mulheres nesta pista.
Engfa soltou um suspiro baixo, a voz rouca e calma.
— Eu prefiro o silêncio do meu escritório, Faye. Você sabe que não gosto de exibições desnecessárias.
— Você é teimosa demais. Só uma noite. Prometo que não vou deixar ninguém te matar enquanto você bebe — Faye brincou, embora soubesse que ninguém ousaria tocar em um fio de cabelo de Engfa Waraha.
Do outro lado do salão, a energia era drasticamente diferente. Charlotte Austin, com seus 25 anos e uma vitalidade que parecia iluminar o ambiente, ria alto com suas amigas. Heidi, Tina e Marima tentavam acompanhar o ritmo da estudante de direito, que já estava em seu quinto — ou seria o sexto? — drink de morango com vodka.
— Char, devagar! — Heidi gritou por cima da música eletrônica. — Amanhã temos que visitar o Grande Palácio!
— Amanhã é um conceito abstrato, Heidi! — Charlotte respondeu, os olhos brilhando. — Hoje eu só quero sentir que não tenho que ler dez mil páginas de jurisprudência!
Charlotte era uma mistura fascinante. A herdeira de traços britânicos e tailandeses possuía sardas delicadas que pareciam constelações em seu nariz e bochechas, e seus cabelos castanho-claros ondulavam conforme ela se movia. Como sempre, ela se sentia atraída pelo mistério. E foi então que seus olhos encontraram a figura solitária e austera no camarote vip.
Engfa Waraha era exatamente o tipo de Charlotte: mais velha, reservada e com uma aura de autoridade que fazia o sangue da estudante ferver.
— Eu já volto — anunciou Charlotte, cambaleando levemente sobre seus saltos altos, ignorando os protestos das amigas.
O trajeto até o camarote foi um borrão de luzes. Quando ela finalmente alcançou a área reservada, um segurança tentou barrá-la, mas Engfa, observando a cena com uma curiosidade súbita, fez um sinal sutil com a mão para que a deixassem passar.
Charlotte, no entanto, não contava com o piso levemente escorregadio. Ela tropeçou, e o copo de drink em sua mão voou, derramando o líquido gelado e pegajoso de morango diretamente sobre a camisa social de seda preta de Engfa.
O silêncio no camarote foi imediato e gélido. Faye arregalou os olhos, esperando uma explosão.
Engfa olhou para a mancha em seu peito e depois para a mulher à sua frente. Charlotte não parecia nem um pouco intimidada. Na verdade, ela estava com as mãos na cintura, bufando.
— Olha o que você fez com o meu drink! — Charlotte exclamou, a voz levemente arrastada pela embriaguez. — Você ficou parada bem no caminho!
Engfa arqueou uma sobrancelha, o sarcasmo brilhando em seus olhos escuros.
— Eu estava sentada, Nong. Você é quem parece ter dificuldades para coordenar os próprios pés.
— Não me chame de Nong como se eu fosse uma criança — Charlotte retrucou, aproximando-se perigosamente do rosto de Engfa. — Você tem cara de quem precisa de um banho de qualquer jeito. É muito séria. Muito... fechada.
Engfa sentiu uma faísca de interesse que há muito não sentia. A audácia daquela garota era refrescante. Ela se levantou, revelando seus 1,70m de altura, ficando cara a cara com Charlotte, que era ligeiramente mais alta.
— E você tem cara de quem precisa de alguém que a ensine a ter modos — Engfa murmurou, a voz baixa e perigosa. — Sabe quem eu sou?
— Não me importa se você é a rainha da Tailândia — Charlotte sorriu, um sorriso travesso e desafiador. — Você é bonita. E eu gosto de mulheres bonitas que usam óculos. Dá um ar de intelectual... ou de alguém que esconde muitos segredos.
Engfa soltou uma risada curta, seca.
— Você é louca ou apenas está muito bêbada?
— Um pouco dos dois — Charlotte admitiu, esticando a mão para tocar o corte no canto da boca de Engfa. — Como conseguiu isso? Lutando? Eu adoraria ver você lutar.
A possessividade, um traço inerente à personalidade de Engfa, despertou instantaneamente. Ela segurou o pulso de Charlotte, não com força, mas com firmeza. Naquele momento, a mafiosa decidiu: aquela garota não sairia de sua vista.
— Faye, cancele o resto da noite — Engfa ordenou, sem desviar os olhos de Charlotte. — Vou levar a... como é seu nome?
— Charlotte. Mas para você, pode ser Char.
— Vou levar a Charlotte para casa.
O que se seguiu foi um borrão de luxo e impulsividade. Engfa, fascinada pela mistura de doçura e petulância da estudante, permitiu que Charlotte a guiasse por um flerte descarado dentro do carro blindado. Charlotte falava sem parar sobre música e leis, enquanto Engfa a observava com a intensidade de um predador que acabara de encontrar sua presa favorita.
Ao chegarem à cobertura de Engfa, a tensão explodiu. Entre beijos ávidos que misturavam o gosto de morango e whisky caro, as roupas foram deixadas pelo caminho. Engfa era protetora e possessiva até na forma como tocava a pele de Charlotte, como se estivesse marcando um território que agora lhe pertencia por direito.
No auge da madrugada, em meio a risadas ébrias e promessas sussurradas que faziam sentido apenas para duas pessoas embriagadas de desejo e álcool, um documento foi trazido por um dos advogados de plantão de Engfa — que estava acostumado a pedidos estranhos às três da manhã.
— Se você quer ser minha, Nong Char, tem que ser oficial — Engfa disse, a voz rouca, enquanto segurava uma caneta dourada. — Eu não divido o que é meu.
— Ótimo — Charlotte respondeu, assinando o papel com uma caligrafia trêmula, mas decidida. — Porque eu também sou muito ciumenta, P'Fa. Se eu descobrir que você tem outras "nongs" por aí, eu processo você até ficar sem esse prédio luxuoso.
Engfa riu, assinando logo em seguida. O selo da certidão de casamento brilhou sob a luz do abajur.
Na manhã seguinte, a luz do sol de Bangkok invadiu o quarto através das cortinas de seda. Charlotte acordou com uma dor de cabeça latejante, mas o calor de um corpo ao seu lado a impediu de entrar em pânico imediato. Ela se virou e viu Engfa, ainda de óculos, lendo alguns papéis na cama, a expressão calma e imperturbável.
Charlotte olhou para a própria mão e viu um anel de ouro maciço. Suas memórias da noite anterior começaram a voltar em flashes. O drink derramado, o carro, os beijos... e o papel.
— Oh my God... — Charlotte murmurou, cobrindo o rosto com as mãos. — Did I really do that? I'm married? To a mafia boss? This is absolutely mental!
Engfa franziu a testa imediatamente. Ela odiava quando Charlotte começava a falar naquela língua que soava como um chiado irritante em seus ouvidos.
— Charlotte — Engfa chamou, a voz firme. — Fale tailandês. Você sabe que eu não entendo nada do que você diz nesse sotaque de Londres.
Charlotte retirou as mãos do rosto, um brilho travesso surgindo em seus olhos apesar da ressaca. Ela percebeu o ponto fraco da esposa.
— Oh, are you cross with me, darling? — Charlotte continuou, forçando um sotaque britânico ainda mais carregado. — It’s just that it’s quite a shock, isn’t it? Waking up and realizing I’ve tied the knot with someone so... grumpy.
Engfa fechou o tablet com força, a veia em sua têmpora saltando levemente.
— Pare com isso agora.
— Why should I? — Charlotte sentou-se na cama, deixando o lençol cair levemente, sabendo exatamente o efeito que tinha sobre a outra mulher. — Is the big, bad P'Fa annoyed because she can't understand her own wife?
Engfa largou os papéis e se inclinou sobre Charlotte, prendendo-a contra os travesseiros. O olhar de Engfa era uma mistura de desejo e pura irritação.
— Eu não sei o que você está dizendo, mas o seu tom me irrita — Engfa sussurrou perto do ouvido de Charlotte, sua mão descendo possessivamente pela cintura da mais nova. — Se você continuar falando assim, eu vou encontrar uma maneira de ocupar a sua boca para que nenhum som saia dela.
Charlotte sentiu um calafrio percorrer sua espinha, mas sua teimosia era tão grande quanto a de Engfa.
— You’re so bossy — ela provocou, embora seu coração estivesse disparado. — It’s actually quite charming in a terrifying way.
Engfa soltou um rosnado baixo e beijou o pescoço de Charlotte com força, deixando uma marca que claramente dizia "propriedade de Engfa Waraha".
— Tailandês, Charlotte. Agora.
Charlotte riu, passando os braços pelo pescoço de Engfa e trazendo-a para mais perto.
— Está bem, P'Fa... eu disse que você fica linda quando está estressada. E que, embora eu esteja chocada por ter casado com uma mafiosa em uma noite de bebedeira, eu não me arrependo.
Engfa relaxou minimamente, o orgulho ferido sendo curado pela confissão da esposa. Ela ajeitou os óculos e olhou profundamente nos olhos de Charlotte.
— Você é minha, Nong Char. Não importa se foi o álcool ou o destino. Eu não deixo ninguém levar o que é meu. E se você tentar fugir para Londres, eu compro a companhia aérea inteira só para trazer você de volta.
— Possessiva — Charlotte murmurou, agora em tailandês, escondendo um sorriso carinhoso.
— Leal — Engfa corrigiu. — E agora, como sua esposa, eu exijo que você tome café da manhã. E depois, vamos discutir as regras desta casa. A primeira delas: nada de inglês britânico antes do café.
Charlotte revirou os olhos, mas não conseguiu conter o sorriso. Ela sabia que sua vida de herdeira e estudante de direito tinha acabado de se tornar um filme de ação muito perigoso e excitante.
— Yes, ma'am — Charlotte sussurrou, apenas para ver a expressão de Engfa se fechar novamente.
— Charlotte!
— Brincadeira, P'Fa! Brincadeira!
Enquanto Engfa a puxava para um beijo possessivo que selava o compromisso inusitado, Charlotte soube que, apesar do perigo e do temperamento difícil da mulher à sua frente, ela nunca se sentiria tão protegida quanto nos braços de sua P'Fa. O contrato de bilhões de Engfa era importante, mas Charlotte Austin era, sem dúvida, o seu melhor investimento.
