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Entre a Glória e o caos- copa do mundo

Fandom: Bela-filha do Neymar, Neymar, Luna-filha do endrick, endrick, Miguel

Criado: 24/07/2026

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RomanceDramaFatias de VidaHumorCiúmesCenário Canônico
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O Caos Tem Nome, Sobrenome e uma Camisa 10

A umidade do Rio de Janeiro parecia um abraço apertado e suado de alguém que você não vê há anos. Bela desembarcou no Galeão sentindo que o ar condicionado dos Estados Unidos era uma memória distante e sem graça. O intercâmbio em Boston tinha sido ótimo para o seu currículo, mas péssimo para a sua alma que clamava por uma coxinha de posto e um pagode de domingo.

— Pelo amor de Deus, pai! — Bela exclamou, rindo, enquanto era esmagada pelo abraço de Neymar. — Eu só fiquei fora alguns meses, não fui pra Marte!

— Pra mim parece que foi uma eternidade, Bela! — Neymar se afastou, analisando a filha com aquele olhar de pai coruja que tentava disfarçar a preocupação. — E olha só, voltou bem na hora da Copa. O Brasil tá parado. A gente vai pro Catar daqui a pouco, mas antes tem o churrasco de despedida na casa do Endrick.

O sorriso de Bela murchou levemente. O nome "Endrick" trazia consigo o fantasma de Luna. Elas eram inseparáveis, a dupla dinâmica que fazia os seguranças dos estádios perderem o cabelo, até que a grande discussão aconteceu. O motivo? Bobagem de adolescente misturada com ego e um mal-entendido que nenhuma das duas deu o braço a torcer para resolver.

— A Luna vai estar lá? — perguntou Bela, tentando soar indiferente enquanto ajeitava o óculos escuros.

— Provavelmente — Neymar deu de ombros, já puxando a mala da filha. — Mas foca no churrasco, Bela. A carne tá incrível e tem gente nova no pedaço. O Endrick convidou um afilhado, um tal de Miguel. O moleque é bom de bola e, dizem as más línguas, bom de papo também.

Bela revirou os olhos, mas sentiu uma pontada de curiosidade.

O churrasco na mansão de Endrick estava exatamente como Bela imaginava: barulhento. O som do grupo de pagode ao vivo competia com as risadas altas e o tilintar de copos de cristal cheios de guaraná e caipirinha.

Assim que pisou no jardim, Bela sentiu os olhos de Luna nela. A filha de Endrick estava impecável, usando um conjunto de linho que gritava "sou rica e não sinto calor", segurando um copo com um canudo de metal. O olhar que trocaram não foi de saudade, mas de um desafio silencioso.

— Olha só quem voltou das terras do Tio Sam — Luna disse, alto o suficiente para atrair atenção, enquanto se aproximava com um sorriso sarcástico. — Aprendeu a falar "apple" sem sotaque ou ainda prefere o nosso bom e velho português, Bela?

— Aprendi o suficiente para saber quando alguém está sendo desnecessária, Luna — Bela respondeu, mantendo o sorriso firme. — E você? Aprendeu a cuidar da própria vida ou ainda precisa de GPS para não se perder na dos outros?

O clima pesou por um segundo, até que uma risada grave e desconhecida quebrou o gelo.

— Caramba, o churrasco mal começou e já tem final de campeonato? — Um rapaz alto, de ombros largos e um sorriso que parecia iluminar o jardim inteiro, se aproximou. Ele segurava um espetinho de coração de galinha com uma naturalidade invejável.

Bela piscou, perdendo o fio da meada do insulto que estava preparando para Luna. O rapaz era, sem dúvida, o tal Miguel. Ele tinha aquele jeito de "carioca malandro" que era o ponto fraco de qualquer pessoa com bom gosto.

— Você deve ser a Bela — disse ele, estendendo a mão livre. — Sou o Miguel. O Endrick me avisou que você era brava, mas esqueceu de mencionar que era bonita de doer.

— Ele também esqueceu de mencionar que você era tão convencido — Bela rebateu, mas não conseguiu evitar o sorriso.

Luna bufou, claramente incomodada por ter perdido o protagonismo da cena.

— Cuidado, Miguel. Ela voltou dos Estados Unidos achando que o mundo gira em torno do próprio umbigo — Luna alfinetou antes de dar as costas e sair pisando duro.

Miguel olhou para Bela e deu de ombros, oferecendo o espetinho.

— Quer um coração? Tá no ponto. E relaxa, a Luna é assim mesmo, late mas não morde... bom, às vezes morde, mas aí é só tomar vacina.

Bela riu, sentindo a tensão deixar seus ombros.

— Obrigada. Eu precisava disso. Do churrasco e da piada ruim.

— Piada ruim é minha especialidade — Miguel piscou. — Vem, vamos fugir desse barulho. Tem um terraço ali em cima que dá pra ver o pôr do sol sem ter que ouvir o meu padrinho tentando cantar pagode desafinado.

Eles subiram para o terraço da mansão. O sol estava se pondo, tingindo o céu do Rio de Janeiro de laranja e rosa. Lá embaixo, a festa continuava, mas ali em cima, o mundo parecia mais calmo.

— Então, como é lá fora? — perguntou Miguel, encostando-se no parapeito. — Sentiu falta do quê?

— De tudo — Bela confessou, olhando para o horizonte. — Da bagunça, do calor, das pessoas que falam alto. Lá é tudo muito... organizado. Senti falta de não saber o que vai acontecer no próximo minuto.

— No Brasil, a única certeza é que o próximo minuto vai ter confusão — Miguel riu, aproximando-se um pouco mais. — Mas e aí, a Bela voltou pra ficar ou só pra ver o hexa?

— Vim pelo hexa, mas quem sabe eu não mude de ideia se o Brasil me der bons motivos para ficar? — Ela o olhou de soslaio, sentindo a eletricidade entre eles aumentar.

Miguel não era de perder tempo. Ele encurtou a distância, deixando o espetinho de lado em uma mesinha de apoio. O cheiro de perfume amadeirado misturado com o ar fresco da noite envolveu Bela.

— Eu posso tentar te dar alguns motivos — ele sussurrou, a voz subitamente mais rouca.

Ele colocou a mão na cintura dela, puxando-a para perto. Bela sentiu o coração acelerar. Não era apenas o jet lag; era a adrenalina de estar de volta ao seu elemento. Quando os lábios dele tocaram os dela, o beijo foi como um gol aos 45 minutos do segundo tempo: intenso, urgente e cheio de alívio.

Miguel tinha pegada. Suas mãos desceram para a curva do quadril de Bela, apertando com firmeza, enquanto a língua dele explorava a dela com uma confiança que a deixava sem fôlego. Bela entrelaçou os dedos nos cabelos da nuca dele, puxando-o ainda mais para si.

— Caramba — Bela arfou quando eles se separaram por um segundo, as testas ainda coladas. — Você joga no ataque, pelo visto.

— Eu não gosto de ficar na reserva, Bela — Miguel sorriu, os olhos brilhando de desejo. — E você é o tipo de troféu que qualquer um gostaria de conquistar.

Ele voltou a beijá-la, desta vez mais profundamente. A mão de Miguel subiu por baixo da blusa de seda de Bela, encontrando a pele quente de suas costas. O toque dele causou arrepios que não tinham nada a ver com a brisa da noite. Bela soltou um gemido baixo, sentindo o corpo dele pressionado contra o seu, firme e impaciente.

— A gente devia... — Bela começou a dizer, mas foi interrompida por um grito vindo lá de baixo.

— BELA! MIGUEL! CADÊ VOCÊS? O NEYMAR TÁ CHAMANDO PRA TIRAR A FOTO OFICIAL DA FAMÍLIA! — Era a voz de Endrick, ecoando pelo jardim.

Eles se separaram rapidamente, ambos ofegantes e com os cabelos levemente bagunçados.

— Salva pelo gongo — Miguel brincou, ajeitando a camisa, mas o olhar que ele lançou para ela dizia que aquilo estava longe de terminar.

— Ou salvo por meu pai — Bela riu, tentando recuperar a compostura. — Se ele sonha que eu estava aqui em cima com o afilhado do Endrick, o hexa vai ser o menor dos problemas dele.

— Ele não precisa saber de tudo agora — Miguel deu uma piscadela. — Mas eu não vou desistir desse "tempo extra", Bela.

Eles desceram as escadas tentando parecer casuais. Na sala, Luna os observava com os olhos semicerrados, claramente percebendo o batom levemente borrado de Bela.

— Demoraram, né? — Luna comentou, passando por eles com um sorriso venenoso. — Cuidado, Bela. O ar do Brasil pode ser viciante, mas as quedas aqui costumam ser bem maiores do que as que seu pai simula em campo.

Bela apenas sorriu, sentindo o calor do beijo de Miguel ainda em seus lábios.

— Pode deixar, Luna. Eu aprendi a cair em pé. E, honestamente? O jogo só está começando.

A Copa do Mundo estava prestes a começar, mas para Bela, a verdadeira competição — de ego, de coração e de drama — já tinha dado o apito inicial.

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