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Why you hate me ?

Fandom: Alien stage

Criado: 24/07/2026

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Páginas Amareladas e Casacos Esquecidos

O sinal da Escola de Artes Anakt tocou, ecoando pelos corredores como um lembrete cruel de que o Ensino Médio estava em sua reta final. No fundo da sala de aula do 3º ano, Mizi despertou com um sobressalto, os fios rosa de seu cabelo grudados levemente na bochecha devido ao suor do sono. Ela bocejou, esticando os braços e revelando um sorriso preguiçoso que, para qualquer um que estivesse olhando, era a personificação do brilho solar.

— Dormindo de novo, Mizi? — A voz de Hyuna veio acompanhada de um tapinha amigável no ombro. A garota morena de olhos azuis já estava com sua mochila pendurada, exibindo a energia inesgotável de sempre. — O professor de história quase jogou o giz em você.

— Ele não teria coragem, Hyuna. Eu sou o amuleto de sorte dessa sala — Mizi respondeu com uma voz rouca e sedutora, passando a mão pelos cabelos para ajeitar as pontas azuis.

Próximo dali, Ivan fechava seu caderno com uma precisão cirúrgica. Ele se levantou, ajeitando o uniforme impecável sobre o corpo alto. Ao seu lado, Till, com seu habitual estilo emo e o cabelo cinza mais bagunçado que o de costume, resmungava algo sobre a playlist de rock que fora interrompida pelo fim do intervalo.

— Se a Mizi é o amuleto, você é o peso morto, Till — Ivan provocou, um sorriso de canto nos lábios pálidos.

— Vai se ferrar, Ivan! — Till retrucou, os olhos verdes faiscando de irritação. — Pelo menos eu não passo o dia inteiro comendo doce e cuidando da vida dos outros.

Ivan apenas deu de ombros e caminhou até a mesa onde sua irmã, Sua, permanecia sentada. Ela era o oposto da energia vibrante que circulava ao redor de Mizi. Pequena, pálida e com o olhar fixo em um livro de capa escura, Sua parecia habitar um universo paralelo onde o som não chegava.

— Vamos, Sua. O Luka já está esperando lá fora — disse Ivan, sua voz perdendo o tom lúdico e assumindo uma frieza cortante. — E pare de fingir que esse livro é tão interessante. Sabemos que você só está se escondendo.

Sua não levantou o olhar. Seus dedos apertaram a borda da página.

— Eu não estou me escondendo de nada, Ivan. Só quero terminar o capítulo.

Mizi, percebendo a interação, aproximou-se do grupo com seu jeito saltitante. Ela sempre tentava incluir Sua, apesar de sentir que havia um muro invisível entre elas desde o 8º ano.

— Ei, Sua! O que você está lendo? Parece ser um drama daqueles bem intensos — Mizi perguntou, inclinando-se sobre a mesa.

O perfume de Mizi — algo que lembrava morangos e flores frescas — atingiu Sua como um soco no estômago. Por um breve segundo, a respiração da garota de olhos roxos falhou. Ela fechou o livro abruptamente, levantando-se sem olhar nos olhos dourados da outra.

— É só um livro, Mizi. Nada que você gostaria — Sua respondeu de forma seca, sua voz monótona escondendo o tremor em suas mãos.

— Ah... entendi — Mizi forçou um sorriso, coçando a nuca. — Bom, a gente se vê na saída então?

— Talvez.

Sua passou por ela rapidamente, saindo da sala sem olhar para trás. Ivan, que observava a cena com um desdém divertido, inclinou-se para Mizi.

— Eu já te disse, Mizi. Ela é uma causa perdida. Não sei por que você ainda tenta ser legal com ela. Ela simplesmente não gosta de você.

— Eu não sei o que eu fiz para ela, Ivan — Mizi suspirou, sentando-se na mesa vaga. — Somos amigas desde o 8º ano, mas parece que quanto mais eu tento me aproximar, mais ela me odeia.

Ivan soltou uma risada curta, pegando um pirulito do bolso.

— Algumas pessoas nasceram para ser sozinhas. Deixe ela lá.

Enquanto isso, no corredor, Sua caminhava a passos largos até encontrar Luka. O garoto loiro e nerd estava encostado nos armários, absorto em seus próprios pensamentos calmos. Ao ver a amiga, ele apenas acenou.

— Ela falou com você de novo? — Luka perguntou, com a percepção aguçada de quem compartilhava do mesmo temperamento melancólico.

— Ela sempre fala — Sua sussurrou, encostando a testa no metal frio do armário. — Por que ela não pode simplesmente me ignorar? Seria muito mais fácil se ela fosse uma idiota. Mas ela é... ela é a Mizi.

Sua fechou os olhos por um momento. Em sua mente, a imagem de Mizi rindo na sala de aula se transformou. Ela imaginou o que aconteceria se, em vez de tratá-la com frieza, ela simplesmente a puxasse pela gola do uniforme. Imaginou o toque daquela pele de tom natural contra a sua, o calor dos lábios de Mizi pressionando os seus em um beijo que provaria todos os anos de desejo reprimido.

Sentiu um calafrio percorrer sua espinha e um calor incômodo começar a se concentrar entre suas pernas. Sua apertou as coxas uma contra a outra, sentindo a umidade repentina denunciar sua traição biológica. "Droga", pensou, sentindo-se patética. Ela amava uma garota que o mundo inteiro acreditava ser a "hétero perfeita", a garota que Ivan fazia questão de lembrar, todos os dias, que nunca olharia para ela daquela forma.

— Ela nunca vai olhar pra você, Sua — a voz de Ivan ecoou em sua memória, como se ele estivesse ali. — Você só vai sofrer. Esqueça ela.

Sua respirou fundo, tentando dissipar as imagens pecaminosas de sua mente.

— Vamos para a biblioteca, Luka. Preciso de silêncio.

O dia passou como um borrão. No final da última aula, o grupo se dispersou. Hyuna arrastou Luka para algum plano mirabolante do grêmio estudantil, enquanto Till tentava, sem sucesso, fugir das provocações de Ivan no pátio.

Mizi, distraída como sempre enquanto conversava com um grupo de admiradores que pediam dicas de canto, acabou deixando sua mochila aberta. Ao sair apressada para encontrar Ivan, seu casaco de moletom favorito — um azul-claro que ela vivia usando — escorregou da cadeira e caiu no chão, esquecido sob a mesa.

A sala estava quase vazia quando Sua voltou para buscar um caderno que havia esquecido. O silêncio era absoluto, exceto pelo som de seus próprios passos. Foi então que ela viu.

O casaco de Mizi.

Sua aproximou-se lentamente. Ela se ajoelhou e pegou a peça de roupa. O tecido ainda retinha o perfume de Mizi. Sem conseguir se conter, Sua levou o casaco ao rosto, aspirando profundamente o cheiro. Era uma tortura deliciosa. Ela sabia que deveria apenas deixá-lo ali, ou entregá-lo para Ivan levar para casa, mas o impulso de cuidar de algo que pertencia a Mizi era mais forte que seu bom senso.

Com movimentos meticulosos, Sua dobrou o casaco. Ela alisou cada dobra com as palmas das mãos, garantindo que não houvesse um único vinco.

Naquela noite, Sua não dormiu bem. Ela pensou em como Mizi era popular, em como os garotos da escola suspiravam por ela, e em como ela mesma era apenas a "irmã esquisita do Ivan" aos olhos dos outros. A dor de amar em segredo era como uma ferida que ela se recusava a deixar cicatrizar.

Na manhã seguinte, Mizi chegou à sala de aula um pouco mais cedo que o habitual, parecendo preocupada.

— Ivan, você viu meu casaco? — ela perguntou, revirando a mochila. — Eu tenho certeza que deixei ele aqui ontem.

— Você perde as próprias mãos se elas não estivessem grudadas no braço, Mizi — Ivan respondeu, mastigando um chiclete. — Eu não vi nada.

Mizi suspirou, caminhando até sua mesa. Seus olhos se arregalaram.

Lá estava ele. O casaco azul-claro, dobrado com uma perfeição quase artística, repousava exatamente no centro de sua cadeira. Parecia que tinha acabado de sair da lavanderia.

— Ué? — Mizi pegou o casaco, olhando ao redor. — Quem colocou isso aqui?

— Talvez um dos seus duzentos pretendentes — Till comentou, entrando na sala e jogando sua mochila no chão com um baque alto. — Eles fariam qualquer coisa por um sorriso seu.

Mizi franziu a testa, sentindo uma sensação estranha. Aquilo já tinha acontecido antes com uma caneta e um prendedor de cabelo.

— Ei, pessoal, sério. Quem achou meu casaco? — Mizi perguntou em voz alta para os que já estavam na sala.

Hyuna deu de ombros, Luka nem levantou os olhos de seu tablet.

Mizi olhou para o canto da sala. Sua estava lá, sentada em sua posição habitual, com um livro novo aberto à frente. Ela parecia completamente alheia à conversa, o rosto pálido emoldurado pela franja preta, a expressão fria e distante de sempre.

— Sua? — Mizi chamou. — Você viu quem deixou isso aqui?

Sua virou uma página do livro com calma. Seus olhos roxos encontraram os dourados de Mizi por apenas um milésimo de segundo antes de voltarem para o papel.

— Não — Sua respondeu secamente. — Eu acabei de chegar.

Mizi sentiu um aperto estranho no peito. Ela não sabia por que, mas o tom de Sua a incomodava mais do que o normal naquele dia.

— Ah... tá bom. Obrigada de qualquer jeito.

Mizi vestiu o casaco, sentindo o conforto do tecido. Ela não percebeu, mas Sua apertou o livro com tanta força que as pontas de seus dedos ficaram brancas.

Ivan, observando a cena de longe, soltou um risinho baixo, apenas para que sua irmã pudesse ouvir.

— Patético, Sua — ele sussurrou ao passar pela mesa dela. — Simplesmente patético.

Sua não respondeu. Ela apenas continuou lendo, embora as palavras no livro tivessem perdido todo o sentido. O cheiro de morangos ainda estava impregnado em sua memória, e o peso do segredo em seu coração parecia ficar cada dia mais difícil de carregar. O 3º ano estava apenas começando, e a distância entre o que ela sentia e o que ela mostrava parecia um abismo pronto para engoli-la.

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