
Itáca
Fandom: Naruto e A odisseia
Criado: 24/07/2026
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O Eco das Ondas e a Sombra dos Pretendentes
A brisa salgada do Mar Jônico soprava contra as colunas de mármore do palácio de Ítaca, trazendo consigo o cheiro de tempestade e a promessa distante de um retorno. Rin Uchiha permanecia no parapeito da varanda real, seus olhos castanho-claros fixos no horizonte onde o azul do céu se fundia com o do oceano. Aos trinta e sete anos, a rainha mantinha uma beleza serena, embora as linhas finas ao redor de seus olhos contassem a história de quatro anos de espera solitária.
Seu marido, Obito, o general cuja força e beleza eram lendárias em toda a Grécia, estava em Troia. Ela conseguia fechar os olhos e visualizar a figura imponente dele: os 1,82 de altura, os músculos esculpidos por décadas de batalha e aquele olhar preto que, embora feroz no campo de guerra, tornava-se infinitamente doce quando pousava sobre ela.
— Ele voltará em breve, minha rainha — uma voz jovem e levemente brincalhona interrompeu seus pensamentos.
Rin virou-se e sorriu ao ver Kuro Hatake. O rapaz de vinte e um anos, com seus cabelos brancos curtos e repicados, encostava-se casualmente em uma pilastra. Kuro era como um filho para ela, um dos poucos jovens que o sorteio de Agamenon poupara da carnificina em solo troiano.
— Os mercadores dizem que as muralhas de Troia estão prestes a ceder — disse Rin, ajeitando uma mecha de seu cabelo ondulado castanho. — Mas o tempo em Ítaca parece passar mais devagar do que em qualquer outro lugar do mundo.
— É porque a senhora carrega o peso de um reino inteiro nas costas — Kuro se aproximou, sua expressão tornando-se mais séria. — E o peso de afastar aqueles abutres que se chamam de nobres.
Rin suspirou. Desde que os boatos sobre a duração da guerra se estenderam, o palácio de Ítaca fora invadido por pretendentes. Homens que não buscavam o coração de Rin — pois todos sabiam que ela pertencia a Obito por toda a eternidade —, mas sim a mão de sua filha, Tatsuyo.
— Onde ela está? — perguntou a rainha.
— No pátio de treinamento, como sempre — Kuro sorriu, mostrando os dentes. — Ela está tentando derrubar o mestre de armas novamente. Eu deveria estar lá para garantir que ela não se machuque, ou melhor, que ela não machuque o pobre homem.
— Vá, Kuro — pediu Rin, tocando o ombro do rapaz. — Proteja-a. Você sabe que ela é o nosso tesouro.
Kuro fez uma breve reverência.
— Com a minha vida, majestade. Eu prometi ao General Obito antes de ele partir, e prometo à senhora todos os dias.
No pátio inferior, o som do metal colidindo contra a madeira ecoava ritmicamente. Tatsuyo Uchiha era uma visão de força e graça. Aos dezessete anos, ela herdara a pele parda do pai e a delicadeza dos traços da mãe. Seus cabelos pretos ondulados, que batiam na cintura, estavam presos em um rabo de cavalo alto, e seus olhos pretos brilhavam com uma determinação feroz.
Ela girou sobre os calcanhares, desviando de um golpe de espada de madeira, e desferiu um contra-ataque rápido que forçou o instrutor a recuar.
— Nada mal para uma princesa — provocou Kuro, saltando do muro para o centro do pátio.
Tatsuyo parou o movimento, ofegante, o suor brilhando em sua pele. Ela sorriu ao ver o melhor amigo.
— Nada mal para um preguiçoso que deveria estar treinando comigo há meia hora — rebateu ela, limpando a testa com o antebraço.
— Eu estava consolando sua mãe — Kuro pegou uma espada de treino que estava apoiada na parede. — Ela olha para o mar como se pudesse fazer o navio do seu pai aparecer apenas com a força do pensamento.
O sorriso de Tatsuyo vacilou levemente.
— Eu sinto falta dele todos os dias, Kuro. Às vezes, esqueço o som da voz dele. Só me lembro de como ele era grande e de como eu me sentia segura quando ele me ensinava a segurar um arco.
— Ele é o homem mais forte que já conheci — disse Kuro, assumindo uma postura de combate. — E ele ficaria orgulhoso de ver que você se tornou a mulher mais perigosa de Ítaca. Agora, chega de conversa. Se você quer ser rainha, precisa aprender a lidar com alguém que não tem medo de você.
Eles começaram a trocar golpes. O treinamento entre os dois era quase uma dança. Kuro era mais alto e tinha a vantagem do alcance, mas Tatsuyo era ágil e imprevisível. Eles cresceram juntos, e a cumplicidade entre eles era evidente em cada olhar.
No entanto, o treino foi interrompido pela entrada de três homens ricamente vestidos no pátio. Eram nobres das ilhas vizinhas, pretendentes que rondavam o palácio como hienas.
— Uma exibição fascinante — disse um deles, um homem de meia-idade com olhos cobiçosos. — Mas uma futura rainha não deveria se desgastar tanto. Guarde suas energias para o salão de banquetes, Princesa Tatsuyo.
Tatsuyo baixou a espada, sua expressão tornando-se instantaneamente fria e polida. Ela odiava a forma como eles a olhavam, como se ela fosse um prêmio, um pedaço de terra a ser conquistado para que pudessem sentar-se no trono de seu pai.
— O treinamento é a base da sobrevivência, Lorde Antino — respondeu ela, sua voz calma, mas cortante. — Um trono sem força para defendê-lo é apenas uma cadeira de madeira.
— Ora, para isso servem os maridos — o homem riu, aproximando-se um pouco demais. — Quando nos casarmos, você poderá descansar seus belos pés enquanto eu cuido das fronteiras de Ítaca.
Kuro deu um passo à frente, posicionando-se sutilmente entre Tatsuyo e o nobre. Sua mão ainda segurava a espada de treino, e seu olhar, geralmente brincalhão, estava gélido.
— A princesa ainda está em horário de treino, milorde — disse Kuro. — E, como o General Obito me encarregou de sua segurança e instrução, temo que o senhor esteja interrompendo um assunto de Estado.
O nobre mediu Kuro com desprezo.
— Você não passa de um cão de guarda, Hatake. Um jovem que teve a sorte de não ser enviado para morrer na lama de Troia. Não se esqueça do seu lugar.
— Meu lugar é exatamente onde eu quero estar — rebateu Kuro, com um sorriso cínico que não chegava aos olhos. — E, se bem me lembro, o senhor também não está em Troia. Deve ser difícil carregar o peso de tantas joias enquanto outros carregam o peso do bronze.
O rosto do nobre ficou vermelho de raiva, mas ele sabia que não podia causar um incidente ali. Rin ainda era a autoridade máxima, e a lealdade do povo de Ítaca à família Uchiha era absoluta.
— Vamos — resmungou o homem para seus companheiros. — Voltaremos para o jantar. Espero que a princesa esteja mais... receptiva.
Quando eles saíram, Tatsuyo soltou um suspiro pesado, seus ombros caindo por um momento.
— Eu os odeio, Kuro. Odeio cada palavra que sai da boca deles.
— Eu sei — disse ele, guardando as espadas. — Mas você foi perfeita. Manteve a compostura. Se você explodir, eles usarão isso como desculpa para dizer que uma mulher é instável demais para governar sozinha.
— Eles só querem o poder do meu pai — ela caminhou até a fonte do pátio e jogou água fresca no rosto. — Eles acham que ele está morto. Mas eu sinto que não. Ele está vivo. Eu saberia se ele tivesse partido.
Kuro aproximou-se dela, sua voz baixando para um tom mais íntimo.
— Ele está vivo, Tatsuyo. Obito Uchiha é musculoso e teimoso demais para ser derrubado por um troiano qualquer. Ele vai voltar e vai chutar cada um desses pretendentes para fora de Ítaca.
Tatsuyo olhou para Kuro. Os olhos castanhos escuros do rapaz transmitiam uma sinceridade que a acalmava. Ela sabia que, enquanto Kuro estivesse ao seu lado, ela não precisaria enfrentar aqueles abutres sozinha.
— Obrigada por estar aqui, Kuro — disse ela, tocando levemente o braço dele. — Minha mãe me disse que pediu para você me proteger, mas eu sei que você faz isso por mais do que apenas uma promessa a ela.
Kuro sentiu seu coração acelerar. Ele a via não apenas como a herdeira do trono ou a filha de seu mentor, mas como a mulher incrível que ela estava se tornando. A "deusa" que todos comentavam, mas que só ele realmente conhecia na intimidade dos treinos e das conversas ao luar.
— Eu faria isso mesmo que o mundo inteiro me proibisse — confessou ele, mantendo o olhar fixo no dela.
O momento foi interrompido pelo som de um berrante vindo do porto. Era um sinal específico. Um sinal que Ítaca não ouvia há quatro anos.
Tatsuyo e Kuro se entreolharam, os olhos arregalados.
— Um navio de guerra — sussurrou Tatsuyo.
— Com as cores de Ítaca — completou Kuro, já começando a correr em direção às escadarias que levavam à cidade baixa.
Lá em cima, na varanda, Rin Uchiha já estava de pé, suas mãos apertando o parapeito com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos. Suas preces haviam sido ouvidas. No horizonte, uma embarcação de velas negras e vermelhas cortava as águas com velocidade.
A guerra de Troia havia acabado. O rei estava voltando para casa, mas os desafios em Ítaca estavam apenas começando. Os pretendentes não desistiriam facilmente do que acreditavam estar ao alcance de suas mãos, e Obito Uchiha encontraria seu reino infestado de homens que cobiçavam sua coroa e sua filha.
— Que os deuses ajudem aqueles que cruzarem o caminho de Obito hoje — murmurou Rin, um sorriso de puro alívio e triunfo surgindo em seus lábios enquanto as primeiras lágrimas de felicidade começavam a cair.
