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Engel

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 25/07/2026

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Armadilha de Grafite e Papel

O silêncio nos corredores da Paper School era raro, mas quando acontecia, carregava um peso estranho, quase opressor. As luzes fluorescentes piscavam ritmicamente, projetando sombras longas sobre o chão quadriculado. Engel estava sozinho na sala de artes, organizando alguns materiais que haviam sido deixados para trás. Como sempre, seu instinto de ajudar e proteger a ordem da escola falava mais alto, mesmo que ninguém estivesse olhando.

Ele ajeitou o rabo de cavalo baixo, sentindo as penas azul e vermelha balançarem levemente no topo de sua cabeça. Suas mãos escuras e pontiagudas moviam-se com delicadeza enquanto ele guardava uma lupa em seu bolso. Engel era o tipo de garoto que todos podiam confiar, o pilar de gentileza em um lugar que muitas vezes parecia cruel.

No entanto, a paz durou pouco. Um som de passos leves, mas carregados de uma intenção travessa, ecoou perto da porta.

— Trabalhando até tarde de novo, Engel? Que heróico da sua parte — uma voz arrastada e divertida preencheu o recinto.

Engel virou-se e deu de cara com Oliver. O garoto de cabelos longos até os tornozelos estava encostado no batente da porta, ostentando aquele sorriso malicioso que raramente significava algo bom. Ele brincava com o braço de lápis, girando a ponta de grafite como se estivesse entediado. A marca de "A+" em seu cabelo brilhava sob a luz fria.

— Oliver... eu já terminei aqui. Só estou garantindo que tudo esteja em ordem antes de sair — respondeu Engel, tentando manter seu tom amigável habitual, embora um calafrio percorresse sua espinha.

Oliver não respondeu de imediato. Ele começou a caminhar lentamente ao redor de Engel, como um predador avaliando sua presa. O olhar de Oliver era intenso, fixo nos detalhes do macacão preto de Engel e nas polainas listradas.

— Você é sempre tão certinho, tão... protetor — Oliver parou bem na frente dele, diminuindo o espaço pessoal. — Às vezes eu me pergunto o que aconteceria se você não pudesse proteger ninguém. Nem a si mesmo.

— O que você quer dizer com isso? — Engel franziu a testa, confuso. Ele deu um passo para trás, mas Oliver foi mais rápido.

Antes que Engel pudesse processar o que estava acontecendo, Oliver puxou um rolo de corda resistente de trás de suas costas. Com uma agilidade que só alguém acostumado a causar o caos possuía, Oliver avançou.

— Ei! O que você está fazendo? — gritou Engel, tentando se esquivar.

Mas Oliver era ágil. Ele usou seu braço de lápis para prender Engel contra uma das mesas pesadas de madeira. Em poucos movimentos coordenados, a corda começou a serpentear pelo torso de Engel, prendendo seus braços contra o próprio corpo. Engel se debateu, suas garras arranhando o ar em vão, mas a força de Oliver era surpreendente.

— Oliver, pare com isso! Não tem graça! — Engel exclamou, o tom de voz subindo de amigável para irritado e assustado.

— Ah, mas eu acho que tem muita graça — Oliver riu, um som seco e travesso. — Você fica tão tenso, Engel. Precisa aprender a relaxar.

Oliver não parou no torso. Ele se abaixou e, com outra corda, começou a amarrar os tornozelos de Engel, logo acima de suas polainas coloridas. Engel sentiu o pânico subir pela garganta. Ele tentou chutar, mas o aperto de Oliver era firme e preciso. O coração de Engel martelava contra as costelas enquanto ele se via imobilizado, incapaz de usar suas mãos ou suas pernas.

— Por que você está fazendo isso? Me solta agora! — Engel exigiu, sua respiração ficando ofegante.

Oliver se levantou, limpando a poeira de suas bermudas brancas. Ele olhou para Engel com uma expressão de pura diversão maliciosa. Ele então tirou do bolso de sua camisa preta algo que fez os olhos de Engel se arregalarem em choque: uma mordaça de bola vermelha com tiras de couro pretas.

— Você fala demais sobre regras e segurança, Engel — disse Oliver, aproximando-se do rosto do outro. — Acho que precisamos de um pouco de silêncio por aqui.

— Não! Oliver, nem pense nisso! — Engel tentou se defender, movendo a cabeça freneticamente de um lado para o outro.

Oliver interrompeu qualquer tentativa de protesto. Ele segurou o queixo de Engel com firmeza, forçando-o a ficar parado. Com um movimento rápido e prático, ele posicionou a bola entre os dentes de Engel e apertou as tiras de couro atrás da cabeça dele, prendendo-as firmemente sobre o rabo de cavalo branco.

Engel soltou um som abafado, um protesto que morreu na garganta. Seus olhos se arregalaram e, quase instantaneamente, uma onda de calor subiu por seu rosto. Ele sentiu suas bochechas queimarem em um tom escarlate intenso. A humilhação de estar amarrado e silenciado por um dos alunos mais problemáticos da escola era demais para processar.

— Mmmph! Mmm-mmph! — Engel tentou falar, mas as palavras eram apenas ruídos ininteligíveis.

Oliver inclinou a cabeça para o lado, observando a reação de Engel com um interesse renovado. Ele estendeu a mão e tocou levemente o rosto de Engel, sentindo o calor que emanava de sua pele.

— Olha só isso... — Oliver comentou em um sussurro, um brilho de malícia dançando em seus olhos. — Você está todo coradinho, Engel. Quem diria que o grande protetor da escola ficaria tão envergonhado assim?

Engel fechou os olhos com força, tentando desviar o olhar, mas Oliver não permitiu. Ele começou a mexer nas penas no topo da cabeça de Engel, puxando-as levemente, o que fez o garoto amarrado estremecer e soltar outro som abafado de surpresa e medo.

— O que foi? Está assustado agora? — Oliver provocou, passando o dedo pelo contorno da orelha de Engel. — Você fica muito mais interessante assim, sem poder dar lições de moral em ninguém.

Engel sentiu que ia explodir de tanta vergonha. Seu corpo inteiro estava tenso, e cada toque de Oliver parecia enviar choques de nervosismo por sua espinha. Ele tentou se debater novamente, as pequenas botas de salto batendo fracamente contra o chão, mas a restrição era absoluta.

Oliver soltou uma risada baixa e vitoriosa. Ele se afastou apenas alguns centímetros, admirando sua "obra de arte". Engel estava ali, completamente à sua mercê, o garoto gentil e prestativo reduzido a uma figura vulnerável e ruborizada no canto da sala de artes.

— Acho que vou deixar você assim por um tempinho — Oliver disse, guardando as mãos nos bolsos. — Talvez assim você aprenda que nem tudo na Paper School pode ser protegido. Especialmente você.

Engel olhou para ele com uma mistura de raiva e súplica, mas Oliver apenas piscou, deu meia-volta e caminhou em direção à porta, o som de seus sapatos ecoando no corredor vazio enquanto ele deixava Engel sozinho com seu silêncio forçado e seu rosto em chamas.

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