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Engel!

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 25/07/2026

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O Silêncio de Penas e Papel

O corredor da Paper School estava estranhamente silencioso, um contraste bizarro com o caos sangrento que costumava habitar aquelas salas de aula. Engel, o garoto de coração gentil e protetor, nunca imaginou que o perigo viria de onde ele menos esperava. Seus braços pretos de dedos afiados, que tantas vezes se estenderam para defender os outros das garras das professoras, agora estavam inúteis, presos firmemente por cordas grossas que queimavam sua pele de papel.

Ele sentiu o balanço suave do corpo de Claire enquanto ela o carregava no colo. Era uma força descomunal para alguém tão pequena e aparentemente frágil. Claire, a doce garota de laço na cabeça e olhar sereno, agora exibia um sorriso que Engel não conseguia reconhecer. Não era o sorriso de uma amiga; era o sorriso de alguém que finalmente havia reivindicado um prêmio valioso.

Engel tentou gritar, mas o som foi imediatamente abafado. Uma mordaça de bola preta, presa por tiras de couro que se apertavam contra suas bochechas, impedia qualquer articulação.

— Hummm! Mphhh! — Seus gemidos eram sons surdos, vibrações de pânico que morriam antes de cruzarem seus lábios.

Claire finalmente parou em uma sala isolada, longe dos olhos vigilantes de Miss Circle ou Miss Bloomie. Com uma delicadeza assustadora, ela o depositou em uma cadeira de madeira no centro do cômodo. Engel sentiu o impacto seco e tentou se debater, mas suas pernas, cobertas pelas polainas listradas em azul e vermelho, foram rapidamente presas aos pés da cadeira.

Claire se inclinou sobre ele. O corte chanel de seu cabelo moldava um rosto que, naquele momento, parecia irradiar uma ternura doentia. Ela estendeu a mão e tocou o rosto de Engel, traçando a linha de sua mandíbula até chegar perto da mordaça.

— Mphhh... mmmph! — Engel soltou um gemido abafado, fechando os olhos com força.

A mente de Engel estava um turbilhão. Claire, por que você está fazendo isso? Por favor, me solta! Nós somos amigos, eu sempre te protegi! As palavras ecoavam dentro de seu crânio, ressoando como gritos em uma caverna vazia, mas para o mundo exterior, ele era apenas um garoto indefeso e silenciado.

— Shhh, Engel... — sussurrou Claire, sua voz suave como uma brisa de verão. — Não lute contra isso. Aqui você está seguro. Ninguém pode te machucar agora. Nem as professoras, nem os outros alunos... nem mesmo você pode se colocar em perigo tentando salvar os outros.

Ela acariciou as penas azuis e vermelho-alaranjadas no topo da cabeça dele, ajeitando o rabo de cavalo baixo que estava despenteado devido à luta anterior. O toque era leve, mas para Engel, parecia o peso de uma montanha. Ele tentou falar novamente, forçando as cordas vocais contra a obstrução de plástico e couro.

— Mmm-phrr! Claire! — A voz em sua mente era clara, desesperada, implorando por uma explicação. Isso não faz sentido! Você é a garota que eu ajudei! Claire, olhe para mim!

Claire se afastou apenas alguns centímetros, observando a reação dele. Ela parecia fascinada pela forma como as bochechas de Engel começavam a ganhar um tom carmesim intenso. A vergonha de estar naquela posição, misturada com o medo e a confusão, fazia o sangue subir ao seu rosto.

— Você fica tão bonito assim, Engel — disse ela, dando um passo para trás. — Tão silencioso. Tão... meu.

Ela caminhou em direção à porta, o som de seus sapatos pretos ecoando no piso frio. Antes de sair, ela se virou uma última vez, lançando-lhe um olhar que era uma mistura de adoração e posse.

— Eu volto logo. Vou buscar algo para nós. Não tente sair, está bem? Seria uma pena se você se machucasse tentando fugir de quem mais te ama.

A porta se fechou com um estalo seco, e o som da chave girando na fechadura selou o destino de Engel.

O silêncio que se seguiu foi absoluto, quebrado apenas pela respiração pesada e ruidosa de Engel através do nariz. Ele estava sozinho. O desespero começou a subir por sua garganta como uma maré negra. Ele começou a se debater violentamente, a cadeira rangendo contra o chão de madeira. Seus dedos afiados tentavam encontrar uma brecha nas cordas, mas Claire o havia amarrado com uma precisão cruel.

Eu preciso sair daqui! — a voz em sua cabeça gritava, cada vez mais alta. Claire enlouqueceu! Ela perdeu o juízo! Alguém, por favor, me ajude!

Ele tentou morder a bola de borracha, esperando que seus dentes pudessem rasgar o material, mas a mordaça estava bem posicionada, forçando sua mandíbula a permanecer aberta em uma posição desconfortável. A saliva começou a se acumular, e ele sentiu o rosto queimar ainda mais.

— Mmmph! Mmm-nnn-ph! — Ele forçou a voz, tentando transformar o gemido em um pedido de socorro.

Por que eu não consigo falar?! — ele se perguntava, sentindo as lágrimas de frustração pinicarem o canto dos olhos. Eu sou o protetor! Eu deveria estar salvando as pessoas, não sendo mantido como um troféu!

A imagem de Claire, com seu laço perfeito e sua camisa branca impecável, contrastava com a imagem da sequestradora que acabara de deixá-lo ali. Engel não conseguia processar a traição. Ele sempre vira Claire como a pessoa mais doce da escola, alguém que precisava de cuidado em um ambiente tão hostil. Descobrir que aquele cuidado havia se transformado em uma obsessão sombria era um golpe mais doloroso do que qualquer castigo de Miss Circle.

Ele parou de se debater por um momento, exausto. Sua pequena cauda branca tremia atrás dele, presa contra o encosto da cadeira. O suor fazia com que algumas mechas de seu longo cabelo branco grudassem em sua testa.

Claire... por favor... — ele pensou, fechando os olhos e deixando a cabeça pender para frente. Isso é um pesadelo. Eu vou acordar e estaremos todos no pátio, comendo papel e conversando sobre as aulas. Isso não pode ser real.

Mas o toque áspero do couro em seus lábios e a pressão das cordas em seus pulsos eram reais demais. Engel estava preso no seu próprio silêncio, esperando pelo retorno da garota que ele pensava conhecer, mas que agora era sua maior captora. O herói da Paper School estava caído, e o eco de sua própria voz era a única companhia que lhe restava naquela sala escura.

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