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Oliver

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 25/07/2026

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Reflexos de um Passado de Tinta e Sabão

O corredor da Academia Paper estava estranhamente silencioso naquela tarde. O som dos passos de Oliver ecoava contra o chão branco e liso, um ritmo constante que acompanhava o movimento rítmico de sua mandíbula. Ele segurava uma barra de sabão de lavanda, mordendo um pedaço como se fosse a mais deliciosa das maçãs. Para Oliver, o gosto alcalino e a textura deslizante eram o lanche perfeito entre uma travessura e outra com Zip e Edward.

Ele ajeitou o rabo de cavalo baixo, sentindo o peso do cabelo branco que chegava quase aos seus tornozelos. O laço preto estava firme, e o lápis que servia como seu braço esquerdo brilhava sob as luzes fluorescentes. Oliver estava de bom humor; ele tinha acabado de desenhar um "A+" falso no mural de avisos para irritar os outros alunos.

— Nada como um bom sabonete para refrescar as ideias — murmurou ele para si mesmo, limpando um rastro de espuma do canto da boca.

De repente, a temperatura no corredor pareceu cair drasticamente. As luzes piscaram, e uma sombra longa se estendeu à frente de Oliver, projetando-se da parede como se tivesse vida própria. Oliver parou de mastigar, seus olhos se estreitando. Ele sentiu uma presença pesada, algo que cheirava a tinta velha e perigo.

— Ora, ora... se não é a minha versão mais... "suave" — uma voz distorcida, profunda e carregada de malícia ecoou pelo corredor.

Oliver se virou rapidamente, o sabonete quase caindo de sua mão direita. Diante dele estava uma figura que era o seu reflexo distorcido. Era Danger Oliver. Ele era mais alto, sua aura transbordava uma escuridão que Oliver reconhecia de pesadelos esquecidos. Os detalhes eram semelhantes, mas tudo nele gritava "caos".

— Quem é você? — perguntou Oliver, tentando manter o tom brincalhão, embora seu coração estivesse acelerado.

Danger Oliver deu um passo à frente, um sorriso predatório cruzando seu rosto.

— Você sabe quem eu sou, irmãozinho — disse ele, a palavra "irmãozinho" saindo como um veneno doce. — Você apenas escolheu esquecer o que fomos antes de toda essa... brancura.

As memórias atingiram Oliver como um soco. Flashes de borrões de tinta, gritos abafados e uma versão de si mesmo que não comia sabão, mas que causava destruição real. Ele deu um passo para trás, o pânico começando a subir pela garganta.

— Fique longe de mim! — gritou Oliver, olhando em volta desesperadamente em busca de Zip ou Edward. — Socorro! Alguém!

Oliver respirou fundo para gritar novamente, mas antes que o som pudesse sair, Danger Oliver se moveu com uma velocidade sobre-humana. Em um piscar de olhos, ele estava atrás de Oliver. Uma mão enluvada e forte segurou o ombro de Oliver, enquanto a outra pressionou um pano grosso contra sua boca.

— Shhh... — sussurrou Danger Oliver no ouvido dele, sua voz vibrando contra a pele de Oliver. — Não faça barulho. Isso só vai tornar as coisas mais difíceis para você.

Oliver começou a lutar, chutando e tentando usar seu braço de lápis para perfurar o atacante, mas Danger Oliver era muito mais forte. Sons abafados e desesperados saíam debaixo do pano.

— Mmmph! Mmm-mmph! — Oliver tentava gritar, mas seus pulmões pareciam estar ficando pesados.

— Durma, pequeno Oliver — disse Danger Oliver, apertando o pano com mais firmeza. — Quando você acordar, estaremos em um lugar onde ninguém vai interromper nossa reunião.

A visão de Oliver começou a escurecer. O cheiro de produtos químicos no pano superou o gosto do sabão em sua boca. Seus joelhos fraquejaram, e a última coisa que sentiu foi o corpo frio de sua contraparte segurando-o antes de mergulhar na inconsciência.

...

Quando Oliver abriu os olhos, a primeira coisa que sentiu foi o frio. Ele não estava mais nos corredores iluminados da escola. O lugar era escuro, úmido, com paredes que pareciam feitas de papel machê envelhecido e mofado. Ele tentou mover os braços, mas sentiu um puxão brusco. Ele estava amarrado a uma parede metálica, seus pulsos presos por correntes que rangiam a cada movimento.

— Finalmente acordou — disse uma voz vinda das sombras.

Danger Oliver caminhou até a luz fraca de uma lâmpada pendurada. Ele não parecia mais ameaçador de uma forma violenta, mas sim de uma forma obsessiva. Ele se aproximou de Oliver, que respirava pesadamente, os olhos arregalados de medo e raiva.

— Me solta! — gritou Oliver, forçando as correntes. — O que você quer? Você é louco!

Danger Oliver ignorou o insulto. Ele estendeu a mão e tocou o queixo de Oliver, forçando-o a olhar para cima. Seus dedos desceram lentamente para o pescoço de Oliver, sentindo a pulsação acelerada sob a pele clara.

— Você é tão fascinante — murmurou Danger Oliver, seus olhos brilhando com uma admiração doentia. — Tão puro, mesmo com toda a sua travessura. Eu passei tanto tempo observando você do outro lado... e agora que te tenho aqui, você é ainda mais bonito de perto.

— Saia de perto de mim! — Oliver tentou cuspir nele, mas o cansaço e o medo o deixavam trêmulo.

Danger Oliver aproximou o rosto, a centímetros do de Oliver. Ele parecia estar em transe, absorvendo cada detalhe do rosto de sua versão mais jovem.

— Você não entende, não é? Nós somos um só. Mas eu sou a parte que você tentou esconder. E agora, eu vou garantir que você nunca mais sinta vontade de fugir.

Oliver sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ele tentou gritar por socorro novamente, abrindo a boca para soltar o grito mais alto que pudesse.

— SOCORRO! ALGUÉM ME AJU...

Antes que ele pudesse terminar, Danger Oliver colocou o dedo indicador entre os lábios de Oliver, bloqueando o som.

— Silêncio — ordenou Danger Oliver, sua voz agora suave, mas firme. — Eu já disse que ninguém vai te ouvir aqui.

Oliver tentou morder o dedo dele, mas Danger Oliver foi mais rápido, pressionando o dedo contra a língua de Oliver.

— Abra a boca, Oliver — pediu Danger Oliver, seus olhos fixos nos lábios do garoto.

Oliver cerrou os dentes, balançando a cabeça negativamente. Ele estava furioso, as lágrimas de frustração começando a arder em seus olhos.

— Eu disse... abra — repetiu Danger Oliver, usando a outra mão para apertar levemente as bochechas de Oliver, forçando sua mandíbula a ceder.

Relutantemente, sob a pressão física e o cansaço, a boca de Oliver se abriu. Danger Oliver deslizou o dedo para dentro, explorando a cavidade bucal que ainda tinha o leve gosto residual do sabonete de lavanda.

— Mmm... — Oliver soltou um gemido abafado, uma mistura de desconforto e uma sensação estranha que ele não conseguia identificar. Seu rosto ficou intensamente corado, a cor vermelha se espalhando até as orelhas.

Danger Oliver sorriu, parecendo satisfeito com a reação. Ele retirou o dedo lentamente e, para o choque de Oliver, inclinou-se para frente. Em vez de um beijo, ele pressionou os lábios contra a bochecha de Oliver, sugando a pele macia com uma intensidade que deixou uma marca imediata.

— Você é meu, irmãozinho — sussurrou Danger Oliver contra a pele quente de Oliver. — E eu nunca vou deixar você voltar para aquele mundo de papel de rascunho.

Oliver fechou os olhos, o coração batendo tão forte que ele achou que quebraria as costelas. Ele estava preso, à mercê de sua própria escuridão, e pela primeira vez em sua vida, nem mesmo o gosto do seu sabonete favorito poderia salvá-lo daquele pesadelo.

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