
Amor
Fandom: Naruto e grecia antiga
Criado: 25/07/2026
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O Sangue sob a Proteção de Ares
O sol de Ítaca surgia como uma carruagem de fogo sobre o Mar Jônico, banhando as colunas de mármore do palácio com um dourado quase divino. No pátio de treinamento, o som do metal colidindo contra o metal ecoava, interrompendo o silêncio matinal.
Tatsuyo Uchiha moveu-se com a fluidez de uma pantera. Seus longos cabelos ondulados e pretos, que desciam até a cintura, estavam presos em uma trança firme, mas algumas mechas teimosas moldavam seu rosto de pele parda. Aos dezessete anos, a princesa de Ítaca carregava a beleza das lendas; os mercadores que passavam pelo porto juravam que Afrodite havia descido à terra, mas quem a via com uma xifos na mão sabia que ela pertencia a outro deus.
— Você está lenta hoje, Tatsy — provocou Kuro Hatake, desviando de um golpe lateral com uma facilidade irritante.
Kuro deu um passo para trás, o cabelo branco e repicado brilhando sob a luz matinal. Seus olhos castanhos escuros cintilavam com o humor costumeiro. Aos vinte e um anos, ele possuía a altura e a agilidade de um guerreiro veterano, mas mantinha o espírito de um garoto que adorava testar a paciência da herdeira.
— Lenta? — Tatsuyo sorriu, um brilho perigoso nos olhos pretos. — Eu estava apenas dando a você uma chance de não passar vergonha antes do desjejum.
Com um movimento rápido, ela girou o corpo, usando o impulso para desferir um golpe descendente. Kuro bloqueou, mas o impacto o fez recuar dois passos. Ele riu, limpando o suor da testa.
— É por isso que eu amo treinar com você. Outras princesas estariam bordando, mas você prefere tentar arrancar minha cabeça.
— Se eu quisesse arrancar sua cabeça, Kuro, você já estaria sem ela — rebateu ela, guardando a espada na bainha de couro.
De uma das sacadas superiores, dois pares de olhos observavam a cena com orgulho. Obito Uchiha, o Rei de Ítaca, permanecia com os braços cruzados sobre o peito musculoso. Aos trinta e sete anos, ele era a imagem viva do poder e da autoridade, mantendo a imponência de seus 1,82 de altura. Ao seu lado, Rin, sua rainha, sorria suavemente. A pele branca dela contrastava com o castanho de seus cabelos ondulados, e seus olhos castanhos claros brilhavam com uma mistura de admiração e preocupação materna.
— Ela está ficando cada vez melhor — comentou Obito, a voz grave carregada de satisfação. — Kuro foi a escolha certa. Eu vi aquele fogo nele quando ele ainda era um moleque correndo pelas docas. Lealdade não se ensina, Rin. Nasce com o homem.
— Eu sei, meu amor — Rin respondeu, encostando a cabeça no ombro do marido. — Mas meu coração de mãe ainda aperta. Ela é a herdeira, e a beleza dela atrai olhares que não buscam apenas o trono, mas algo mais sombrio.
Obito descascou o olhar do pátio para encarar a esposa, depositando um beijo em sua testa.
— Ninguém tocará nela. Kuro jurou pela própria vida, e eu confio nele tanto quanto confio em minha própria espada. Além disso, Ares a protege.
Rin assentiu, embora seu olhar se desviasse para o lado oposto do pátio, onde um grupo de nobres se reunia para o conselho matinal. Entre eles, destacava-se Elian, um jovem de vinte e três anos de uma linhagem influente. Ele observava Tatsuyo com uma intensidade que Rin não apreciava. Elian era um dos muitos pretendentes que buscavam a mão da princesa, mas havia algo em sua cobiça que parecia ultrapassar a política.
No pátio, Kuro percebeu o olhar de Elian. O Hatake instintivamente deu um passo para mais perto de Tatsuyo, sua mão repousando casualmente no cabo de sua própria arma.
— Os abutres já acordaram — sussurrou Kuro, apenas para ela ouvir.
Tatsuyo não olhou na direção dos nobres. Ela sabia exatamente quem estava lá.
— Deixe que olhem. Eles cobiçam o que não podem ter e o que não sabem conquistar.
— Elian parece especialmente irritado hoje — Kuro continuou, com um sorriso de canto. — Acho que é porque você me derrubou no chão cinco minutos atrás e ele mal consegue segurar um escudo sem tremer.
— Você é impossível, Kuro — Tatsuyo riu, empurrando o ombro dele de leve. — Vamos. Preciso passar no altar antes que meu pai me chame para a sala do trono.
Eles caminharam pelos corredores de pedra fresca do castelo, um caminho que conheciam de cor. O palácio de Ítaca era único por abrigar três altares distintos, cada um dedicado ao deus de devoção da família real. O de Obito era dedicado a Zeus, o senhor do Olimpo; o de Rin, à sábia Atena. Mas o de Tatsuyo ficava em uma área mais isolada, onde o cheiro de incenso de mirra e o metal frio predominavam.
O pequeno altar de Ares era adornado com um elmo de bronze antigo e gravuras de batalhas épicas. Desde seu nascimento, as sacerdotisas haviam declarado que o Deus da Guerra seria seu patrono, uma raridade para uma mulher, mas algo que Tatsuyo abraçava com cada fibra de seu ser.
Kuro parou à entrada, como sempre fazia. Ele respeitava o momento dela, mas nunca se afastava mais do que alguns passos. Era sua sombra, seu escudo e, secretamente, o dono de seus pensamentos mais confusos.
Tatsuyo ajoelhou-se diante da estátua, fechando os olhos.
— Senhor da Lança, dê-me a força para proteger meu povo e a sabedoria para saber quando a guerra é necessária — sussurrou ela.
— Você acha que ele responde? — perguntou Kuro, encostado na coluna de mármore.
— Ele responde através do peso da espada na minha mão, Kuro. Ele responde quando meu coração não vacila diante do perigo.
Tatsuyo levantou-se e caminhou até ele. O silêncio entre os dois mudou de tom, tornando-se algo mais pesado, carregado de palavras que nenhum dos dois tinha coragem de dizer. Kuro olhou para ela, e por um momento, a máscara de "engraçadinho" caiu. Ele viu a princesa, a guerreira, a mulher que ele jurou proteger, mas que ele desejava de uma forma que desafiava sua posição.
— Eu nunca vou deixar nada acontecer com você — disse ele, a voz subitamente séria. — Nem nobres ambiciosos, nem deuses furiosos.
Tatsuyo sentiu o rosto esquentar, uma reação que ela odiava por não conseguir controlar.
— Eu sei me cuidar, Hatake.
— Eu sei que sabe. Mas é meu trabalho garantir que você não precise fazer isso sozinha.
Eles foram interrompidos pelo som de passos pesados. Elian apareceu no corredor, acompanhado por dois guardas de sua própria casa. Seu rosto era uma máscara de polidez aristocrática, mas seus olhos queimavam de ódio ao ver Kuro tão próximo da princesa.
— Princesa Tatsuyo — disse Elian, curvando-se levemente. — Seu pai a aguarda. E vejo que seu... criado... continua sendo sua sombra constante.
Kuro apertou os olhos, mas manteve o sorriso sarcástico.
— É meu dever, Lorde Elian. Uma joia como a princesa atrai muitos ladrões. É bom ter alguém que saiba distinguir um aliado de um oportunista.
O rosto de Elian obscureceu por um segundo.
— Cuidado com suas palavras, Hatake. Você é apenas um soldado que o rei acolheu por caridade.
— Basta — interrompeu Tatsuyo, sua voz soando com a autoridade de uma rainha. — Kuro está aqui por ordem de meu pai e por meu desejo. Se o rei me chama, eu irei. Kuro, venha.
Ela passou por Elian sem olhar para trás, sentindo a tensão vibrar no ar. Kuro seguiu-a, mas não antes de lançar um olhar de aviso para o nobre.
Ao chegarem à sala do trono, Obito e Rin estavam sentados em suas respectivas cadeiras de carvalho e marfim. Obito parecia imponente, suas cicatrizes de batalhas passadas contando histórias de um homem que conquistou tudo o que possuía.
— Tatsuyo, minha filha — disse Obito. — Há rumores de agitação nas fronteiras do norte. Alguns senhores acreditam que nossa linhagem é vulnerável porque você ainda não escolheu um consorte.
Tatsuyo sentiu um aperto no peito. Ela olhou para o lado, vendo Kuro manter a postura profissional, mas seus nós dos dedos estavam brancos de tanto apertar o cabo da espada.
— Meu pai, eu treinei a vida inteira para liderar. Não preciso de um consorte para provar minha força ou a força de Ítaca.
— Nós sabemos disso — disse Rin, com a voz suave e conciliadora. — Mas a política grega é feita de alianças, querida. Elian e outros têm pressionado o conselho.
— Elian não é um guerreiro, é um calculista — rebateu Tatsuyo. — Ele quer o trono, não Ítaca.
Obito levantou-se e caminhou até a filha, colocando as mãos grandes em seus ombros.
— Eu não vou forçar você a nada que não queira. Eu e sua mãe nos casamos por amor, e não aceitarei menos para você. Mas saiba que os lobos estão circulando.
Ele então olhou para Kuro.
— Kuro.
— Sim, meu Rei — Kuro deu um passo à frente, batendo com o punho no peito em saudação.
— Redobre a vigilância. Não a deixe sozinha nem por um instante fora das muralhas. Sinto que o ar está mudando, e não é para melhor.
— Com minha vida, senhor — prometeu Kuro, seus olhos encontrando os de Tatsuyo por um breve segundo.
Mais tarde naquela noite, Tatsuyo estava na varanda de seus aposentos, observando o mar. O vento soprava seus cabelos, e ela sentia o peso da coroa antes mesmo de usá-la.
— Pensativa demais para uma herdeira de Ares — a voz de Kuro veio das sombras do jardim logo abaixo.
Ele escalou o muro com a agilidade que lhe era peculiar e sentou-se no parapeito da varanda, a poucos metros dela.
— Você não deveria estar aqui — disse ela, embora não houvesse nenhuma repreensão em seu tom.
— Eu sou seu guarda, lembra? Estou apenas checando o perímetro.
— Kuro... o que meu pai disse... sobre os pretendentes...
Kuro desviou o olhar para o horizonte, o humor desaparecendo de seu rosto.
— Você é uma deusa, Tatsuyo. É claro que eles vão lutar por você. Qualquer homem com sangue nas veias faria o mesmo.
— E você? — a pergunta escapou antes que ela pudesse impedi-la.
Kuro voltou a olhar para ela. O silêncio entre eles foi preenchido apenas pelo som das ondas quebrando nas rochas lá embaixo. Ele se aproximou, o suficiente para que ela sentisse o calor de seu corpo.
— Eu não sou um lorde, Tatsy. Eu não tenho terras ou títulos para oferecer a Ítaca. Tudo o que eu tenho é minha espada e minha lealdade.
— Às vezes — sussurrou ela, dando um passo em direção a ele —, isso é mais do que qualquer reino pode oferecer.
Kuro estendeu a mão, tocando levemente uma mecha de seu cabelo preto. O toque era elétrico. Por um momento, o mundo exterior — Elian, as pressões do trono, a política da Grécia — desapareceu.
— Eu morreria por você — ele disse, a voz rouca. — Mas o que mais me assusta é a ideia de ter que viver vendo você pertencer a outro.
Tatsuyo segurou a mão dele contra seu rosto, fechando os olhos.
— Então não deixe que isso aconteça.
A promessa silenciosa foi selada no ar da noite. Eles sabiam que os dias que viriam seriam marcados por desafios. Nobres como Elian não desistiriam facilmente, e as ameaças às fronteiras eram reais. Mas, enquanto estivessem juntos, sob a proteção de Zeus, a sabedoria de Atena e a fúria de Ares, Ítaca permaneceria inabalável.
No dia seguinte, o treinamento recomeçaria. As espadas colidiriam novamente. Mas agora, havia algo mais profundo guiando cada golpe. Não era apenas o dever de uma herdeira ou a obrigação de um guarda. Era o fogo de um amor que, como a própria Grécia, estava destinado a se tornar lenda.
