
Happy?
Fandom: Alien stage
Criado: 25/07/2026
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Ecos de um Silêncio Cor-de-Rosa
O sol da manhã atravessava as janelas altas do corredor do colégio, refletindo-se no piso polido e nos armários metálicos que enfileiravam as paredes. Era o último ano, o famigerado terceiro ano do ensino médio, e o clima deveria ser de despedida e nostalgia, mas para aquele grupo de amigos, parecia apenas mais um dia de caos habitual.
Mizi caminhava pelo corredor com a energia de quem tinha dormido dez horas seguidas — o que provavelmente era verdade. Seus cabelos longos, um degradê vibrante de rosa choque que terminava em um azul bebê suave, balançavam conforme ela saltitava. A saia preta do uniforme estava dobrada na cintura para ficar mais curta, e o blazer escolar estava esquecido em algum lugar de sua casa luxuosa e silenciosa.
— Ivan! — gritou ela, avistando o garoto alto de cabelos pretos impecáveis perto do bebedouro.
Ivan, que ostentava o paletó completo do uniforme com uma elegância irritante, virou-se com um sorriso ladino. Ele estava mastigando uma bala de caramelo, algo que raramente não estava fazendo.
— Se não é a herdeira mais barulhenta da Coreia — zombou Ivan, desviando de um tapa amigável que Mizi tentou desferir. — O que foi? O despertador finalmente funcionou ou você caiu da cama?
— Você é um idiota. Eu só estava animada porque hoje o almoço é por sua conta — Mizi riu, os olhos dourados brilhando com malícia.
— Nem nos seus sonhos, Mizi. Gastei minha mesada toda em doces importados ontem.
Enquanto os dois melhores amigos trocavam insultos leves, a poucos metros dali, Sua observava a cena. Encostada em seu armário, ela parecia uma sombra em meio à vivacidade de Mizi. Seu cabelo preto curto com a franja fina emoldurava um rosto pálido e cansado, com olheiras que denunciavam mais uma noite perdida entre livros e pensamentos melancólicos. A saia de Sua estava no comprimento exato exigido pelas normas, e o blazer preto estava devidamente abotoado.
Ela sentia aquele aperto familiar no peito. Gostava de Mizi desde o primeiro ano, quando o grupo se formou. Mas como alguém como ela — que parecia carregar o peso do mundo nos olhos roxos e tristes — poderia alcançar alguém que brilhava tanto quanto o sol?
— Ela está linda hoje, não está? — A voz de Hyuna surgiu ao lado de Sua, fazendo-a dar um pequeno salto.
Hyuna era o oposto da melancolia de Sua. Descolada, com seus longos cabelos marrons e olhos azuis penetrantes, ela era a pessoa que mantinha Sua sã.
— Ela está sempre igual, Hyuna — murmurou Sua, fingindo ajustar a alça da mochila.
— Sei... — Hyuna sorriu, passando o braço pelos ombros da amiga. — Você devia falar com ela. O ano está acabando.
— Falar o quê? "Oi, Mizi, eu te amo desde que você tropeçou no cadarço no primeiro dia de aula"? Não, obrigada.
Do outro lado do corredor, Luka, o nerd loiro de olhos amarelos, observava Hyuna com uma admiração silenciosa enquanto fingia ler um livro de física avançada. Ele era alto e sempre impecável no uniforme, mas perdia toda a sua eloquência quando Hyuna entrava na sala. Till, por outro lado, estava encostado na parede oposta, com os braços cruzados sobre a blusa social branca amarrotada. O cabelo cinza estava mais bagunçado que o normal, e seus olhos verdes fuzilavam Ivan.
— Perdeu alguma coisa aqui, seu poste de luz? — Till rosnou quando Ivan passou por ele de propósito, esbarrando em seu ombro.
— Só verificando se você ainda está vivo, Till. Você parece um pouco mais pálido que o normal. Talvez precise de açúcar? — Ivan ofereceu uma bala, rindo da expressão de ódio do menor.
— Vai pro inferno, Ivan!
O sinal tocou, dispersando o grupo para as salas de aula. O dia seguiu seu curso normal, entre aulas de literatura e cálculos complexos, até o intervalo da tarde.
Sua encontrou Mizi sozinha no corredor dos armários, perto da saída para o pátio interno. O coração de Sua disparou. O clima estava estranhamente silencioso. Mizi estava distraída, tentando prender uma mecha de cabelo azul que insistia em cair nos olhos.
— Mizi? — A voz de Sua saiu mais trêmula do que ela gostaria.
Mizi virou-se, abrindo um sorriso radiante.
— Ah, Sua! Oi! Você viu o Ivan? Aquele idiota sumiu com a minha caneta favorita.
— Eu não vi... mas, Mizi, eu queria te dizer uma coisa. Rápido, antes que todo mundo volte.
Mizi inclinou a cabeça, curiosa.
— Claro, pode falar. Está tudo bem? Você parece mais pálida que o normal.
Sua respirou fundo. O ar parecia faltar em seus pulmões. Ela sabia que, se não dissesse agora, morreria com aquelas palavras presas na garganta.
— Eu... eu gosto de você, Mizi. E não é como amiga. Já faz muito tempo.
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. O sorriso de Mizi não desapareceu de imediato, ele simplesmente congelou, transformando-se em algo desconfortável, quase feio. Ela deu um passo para trás, e o brilho dourado de seus olhos se tornou frio.
— O quê? — Mizi perguntou, a voz carregada de uma estranheza que Sua nunca tinha ouvido.
— Eu disse que gosto de você... — Sua tentou dar um passo à frente, mas Mizi recuou novamente.
— Sua, isso é... isso é nojento — disse Mizi, as palavras saindo como chicotadas. — O que deu em você? Nós somos garotas! Você está me dizendo que é uma dessas... dessas pessoas?
O sangue fugiu do rosto de Sua. Ela esperava uma rejeição, talvez um "sinto muito", mas não aquilo. Não o desprezo escancarado.
— Mizi, desculpe, eu não queria... eu achei que...
— Achou o quê? Que eu também era assim? — Mizi interrompeu, a voz subindo de tom, a raiva mascarando o que quer que fosse que ela estivesse sentindo. — Não chega perto de mim, Sua. Isso é errado. É doentio.
— Mizi, por favor, me escuta! — Sua tentou alcançar a mão da amiga, mas Mizi se esquivou com violência.
— Não encosta em mim! Nunca mais fala comigo sobre isso. Que horror!
Mizi virou as costas e saiu apressada, o som de seus sapatos ecoando no corredor vazio, deixando Sua paralisada, com as lágrimas começando a queimar seus olhos roxos. O mundo, que já era cinza para ela, acabara de desmoronar por completo.
O resto do dia foi um borrão. Sua e Mizi não se olharam. Mizi se trancou em seu círculo com Ivan e Till, rindo mais alto que o necessário, enquanto Sua se encolhia em seu lugar, sentindo o peso de cada olhar, mesmo que ninguém mais soubesse o que havia acontecido.
Na saída da escola, o céu estava nublado, condizendo com o humor de Sua. Ela caminhava de cabeça baixa quando sentiu uma mão firme em seu ombro.
— Ei, o que aconteceu? — Hyuna perguntou, o tom de voz suave, mas preocupado.
Sua balançou a cabeça, tentando esconder o rosto.
— Nada, Hyuna. Só estou cansada.
— Não minta para mim, Sua. Você está com cara de quem acabou de ver um fantasma, e Mizi está agindo como se tivesse tomado um choque elétrico. O que você fez?
As duas começaram a caminhar em direção à casa de Sua. Hyuna insistiu, caminhando ao lado dela em silêncio por um tempo, até que Sua não aguentou mais.
— Eu contei para ela — confessou Sua, a voz falhando.
Hyuna parou de caminhar por um segundo, os olhos azuis arregalados.
— Você contou? Para a Mizi?
— Sim. E ela... ela me odiou, Hyuna. Ela disse que era nojento. Ela foi homofóbica comigo. Ela me tratou como se eu fosse uma doença.
Hyuna soltou um suspiro pesado e abraçou a amiga ali mesmo, no meio da calçada.
— Aquela idiota... — Hyuna murmurou, sentindo a raiva crescer. — Eu sabia que ela podia ser mimada e alienada, mas não achei que seria cruel. Sinto muito, Sua. De verdade.
— Eu só queria que o chão me engolisse — disse Sua, chorando baixinho no ombro da amiga. — Como eu vou olhar para ela amanhã?
Enquanto Hyuna tentava consolar Sua no caminho para casa, a poucas ruas dali, a tensão era de um tipo diferente.
— Dá pra parar de me seguir, Ivan? — Till gritou, parando abruptamente e virando-se para o garoto mais alto.
Ivan parou logo atrás, com as mãos nos bolsos do paletó, um sorriso cínico no rosto.
— Seguir você? Este é o caminho público, Till. Eu só decidi que hoje queria ver as árvores desta rua. São muito... cinzas. Combinam com você.
— Você mora na direção oposta, seu imbecil! — Till deu um passo à frente, agarrando a gola da camisa de Ivan. — Por que você não me deixa em paz?
Ivan não recuou. Pelo contrário, inclinou-se para frente, o rosto a centímetros do de Till. O cheiro de bala de morango emanava dele.
— E perder a chance de ver você ficar todo vermelhinho de raiva? Nunca. Você é muito mais divertido de irritar do que a Mizi.
Till o empurrou com força, o rosto queimando de fúria e de algo que ele se recusava a nomear.
— Eu te odeio, Ivan.
— Eu sei — Ivan respondeu, a voz subitamente mais baixa e séria, enquanto via Till se afastar a passos largos.
Longe dali, dentro de um ônibus lotado, Luka observava a paisagem passar pela janela. Seus pensamentos, no entanto, estavam fixos em Hyuna. Ele se lembrava do jeito que ela ria, do jeito que ela o tratava com uma familiaridade que às vezes parecia algo mais, mas que nunca cruzava a linha. Ele sabia que todos sabiam de seus sentimentos, e a incerteza de não saber se ela sentia o mesmo era sua maior tortura nerd.
Enquanto isso, em uma mansão silenciosa e luxuosa, Mizi estava deitada em sua cama king-size. A herança deixada pelos pais que ela mal conhecia garantia que ela tivesse tudo o que quisesse, mas naquele momento, o quarto parecia grande demais e frio demais.
Ela olhava para o teto, as palavras de Sua ecoando em sua mente. "Eu gosto de você".
Por que ela tinha reagido daquela forma? Por que o pânico tinha subido por sua garganta como um veneno, fazendo-a dizer coisas tão horríveis? Mizi não se considerava uma pessoa má, mas a ideia de Sua — sua amiga doce, calma e constante — olhá-la daquela maneira a tinha apavorado.
Ela se virou de lado, enterrando o rosto no travesseiro. O rosto de Sua, pálido e devastado pela rejeição, não saía de sua cabeça.
— Que droga, Sua... — sussurrou Mizi para o quarto vazio. — Por que você tinha que estragar tudo?
Mas, no fundo, uma parte pequena e escondida de Mizi se perguntava se quem tinha estragado tudo, na verdade, fora ela mesma. O silêncio da casa, antes reconfortante, agora parecia sufocante. Pela primeira vez em muito tempo, a garota mais popular da escola se sentia completamente sozinha.
