
Abbie x Engel
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 25/07/2026
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O Silêncio de Papel e o Nó do Medo
O ar na sala estava pesado, impregnado com o cheiro de grafite e papel antigo, mas havia algo mais — um odor metálico de medo que parecia emanar de cada poro de Abbie. O garoto, cujos cabelos pretos estavam desgrenhados e o coque em forma de maçã pendia frouxo no topo de sua cabeça, sentia o coração martelar contra as costelas como um pássaro enjaulado. Ele não sabia como haviam chegado ali. A última coisa de que se lembrava era do corredor escuro da Paper School e do brilho sinistro dos olhos de Miss Circle.
Agora, a realidade era um pesadelo tátil. Abbie e Engel estavam ajoelhados sobre uma cama de lençóis ásperos, as cinturas unidas por cordas grossas que os forçavam a manter uma proximidade desconfortável. A pele de Abbie, pálida e sensível, reagia ao toque do corpo de Engel com arrepios involuntários. Mas o pior não era a corda; era a mordaça de bola. O couro preto das tiras contrastava com a pele clara de seus rostos, e a esfera plástica em suas bocas impedia qualquer tentativa de articulação.
— Mmmph! Mmm-mmmph! — Abbie tentou gritar, mas o som saiu apenas como um gemido abafado e desesperado. Suas pupilas em forma de fenda dilataram-se de terror enquanto ele olhava ao redor, procurando uma saída que não existia.
Ao seu lado, Engel tentava manter a calma, embora o suor escorresse por sua testa, fazendo com que seus longos cabelos brancos grudassem no pescoço. Engel, sempre o protetor, o garoto que enfrentaria qualquer professor para salvar um colega, sentia-se impotente. Ele estava sem seu macacão habitual, sem a camisa polo de listras coloridas. Estavam ambos despidos de suas proteções, vulneráveis de uma forma que nunca imaginaram.
A cauda branca de Engel, normalmente escondida ou discreta, estava agora totalmente visível e agitava-se nervosamente atrás dele. Quando a ponta da cauda roçou involuntariamente a perna de Abbie, Engel sentiu seu rosto queimar em um tom de vermelho profundo.
— Mmm-nnngh... — Engel murmurou através da mordaça, tentando encontrar os olhos de Abbie. Ele queria dizer que tudo ficaria bem, que eles dariam um jeito, mas o som que escapava era patético e carregado de angústia.
Dentro da cabeça de Abbie, sua própria voz ecoava, gritando por socorro, chamando pelo nome de Engel, implorando para que Miss Circle não aparecesse com suas bússolas gigantes e seu apetite por punição. O silêncio da sala era preenchido apenas pelos sons ruidosos de suas respirações pesadas e pelos gemidos abafados que lutavam para romper a barreira do couro.
Abbie fechou os olhos com força, as lágrimas começando a picar os cantos de suas pálpebras. Ele sentia o calor do corpo de Engel contra o seu, uma sensação que, em qualquer outra circunstância, poderia ter sido reconfortante, mas que ali apenas aumentava seu constrangimento e pânico. Ele era apenas um garoto que gostava de maçãs e queria passar de ano; ele não fora feito para aquele tipo de tortura psicológica.
Engel, percebendo o tremor violento de Abbie, tentou se mover. As cordas em suas cinturas estalaram, apertando-os ainda mais um contra o outro. Ele forçou seus braços pretos, com aqueles dedos pontiagudos e afiados, a tentarem alcançar os nós atrás das costas, mas a posição em que foram amarrados tornava o movimento quase impossível. Cada centímetro de movimento resultava em mais fricção, mais calor e mais rubor em suas bochechas.
— Mmmph! — Engel tentou novamente, desta vez com mais urgência, olhando para Abbie. Seus olhos azuis e laranja brilhavam com uma mistura de preocupação e vergonha.
Abbie abriu os olhos e encontrou o olhar de Engel. O constrangimento era mútuo. Estar ali, naquela situação, sem roupas e amordaçados, desnudava não apenas seus corpos, mas todas as suas inseguranças. Abbie sentia-se pequeno, enquanto Engel sentia o peso de não conseguir cumprir seu papel de guardião.
As penas no topo da cabeça de Engel estavam caídas, perdendo a vivacidade habitual. Ele tentou inclinar a cabeça, sinalizando para Abbie tentar morder a corda ou se inclinar para frente, mas a mordaça de bola tornava qualquer plano complexo uma tarefa impossível. O plástico rígido forçava suas mandíbulas a permanecerem abertas, e a saliva começava a escorrer pelo canto da boca de Abbie, aumentando sua sensação de humilhação.
— Mmm-mmm-mmmph! — Abbie soluçou, o som vibrando em sua garganta. Ele tentou se afastar, mas a corda o puxou de volta para Engel, fazendo com que seus peitos se tocassem.
O contato físico direto fez com que ambos congelassem. O coração de Engel batia tão forte que Abbie podia senti-lo contra sua própria pele. Engel fechou os olhos, tentando processar o desconforto. Ele nunca quis que Abbie o visse assim — fraco, preso, exposto. E ele sabia que Abbie estava morrendo de medo.
Na mente de Engel, ele gritava: "Abbie, eu sinto muito! Eu vou nos tirar daqui!". Mas o que saía era apenas um ruído rítmico e abafado que ecoava nas paredes frias do quarto.
O tempo parecia ter parado na Paper School. Eles estavam ajoelhados ali, as pernas começando a formigar e a doer pela posição fixa. A cauda de Engel se enroscou timidamente na perna de Abbie, um gesto instintivo de busca por contato ou conforto, o que fez Abbie soltar um som agudo e surpreso por trás da mordaça.
— Nnngh-mmm... — Abbie tentou se comunicar, seus olhos suplicantes fixos nos de Engel.
Engel tentou usar seus dedos afiados para tatear as cordas em sua própria cintura, mas o ângulo era cruel. Ele sentia a textura áspera da corda contra sua pele preta, mas não conseguia obter tração suficiente. A frustração crescia, misturando-se ao medo de que a porta se abrisse a qualquer momento e revelasse quem quer que os tivesse colocado ali.
A luz que entrava pela pequena fresta da porta era pálida, projetando sombras longas e distorcidas no chão de papel. Abbie imaginava o rosto de Miss Circle, o sorriso maníaco e o desejo de ver o fracasso escolar transformado em algo muito mais sombrio. Ele se encolheu, tentando ocupar o menor espaço possível, mesmo estando amarrado a Engel.
— Mmmph... — Engel murmurou suavemente, tentando acalmar o amigo. Ele começou a balançar o corpo levemente, um movimento de ninar, tentando dizer a Abbie que ele não estava sozinho.
Abbie encostou a testa no ombro de Engel, o suor de ambos se misturando. Ele parou de lutar por um momento, deixando que o cansaço e a vergonha o dominassem. O som das mordaças sendo mastigadas e os gemidos abafados eram a única trilha sonora daquele pesadelo. Eles eram apenas dois estudantes perdidos em um sistema escolar que punia muito além das notas vermelhas.
Engel sentiu uma lágrima quente de Abbie cair em seu braço. Aquilo quebrou seu coração. Ele forçou seus músculos, ignorando a dor nos pulsos e a pressão da mordaça em suas bochechas, e tentou desesperadamente encontrar uma falha na corda. Ele não podia desistir. Não enquanto Abbie estivesse sofrendo.
— Mmm-nnn-mmmph! — Engel exclamou, um som de esforço puro.
Eles continuaram ali, ajoelhados na cama, unidos pelo medo e pela corda, esperando que o próximo som que ouvissem não fosse o de passos pesados no corredor, mas sim o de alguém que pudesse finalmente libertá-los daquele silêncio sufocante. O rubor em seus rostos não diminuía; a consciência de sua vulnerabilidade era uma ferida aberta, tão real quanto o aperto das tiras de couro em suas nucas.
Abbie fechou os olhos novamente, imaginando o campo de macieiras longe dali, onde o ar era fresco e ninguém o amarrava ou o silenciava. Mas, ao abrir os olhos, a única coisa que viu foi o branco dos cabelos de Engel e o brilho firme de alguém que, mesmo amordaçado e despido, ainda tentava lutar por ele.
