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Sombra de amor

Fandom: Sombras e ossos

Criado: 25/07/2026

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O Brilho Oculto entre as Sombras

A luz da manhã filtrava-se pelas pesadas cortinas de veludo negro dos aposentos do General Kirigan, desenhando linhas douradas sobre a pele alva de Clara. Ela ainda dormia, um emaranhado de curvas suaves e cabelos bagunçados contra os lençóis de seda. Aleksander a observava da poltrona próxima à lareira, já vestido em seu kefta negro bordado com fios de eclipse, mas com o olhar desprovido da frieza que costumava paralisar os corações de Ravka.

Para o mundo, ele era o Herege Negro, o mestre das sombras, o homem que comandava exércitos com um aceno de mão. Para Clara, ele era apenas Aleksander. E para ele, Clara era o centro de um universo que ele passara séculos tentando reconstruir.

Ele se levantou silenciosamente e sentou-se na beira da cama. Sua mão, longa e elegante, traçou o contorno do ombro dela, descendo pelas costas onde a pele era macia e convidativa. Clara soltou um suspiro baixo, despertando aos poucos. Seus olhos castanhos encontraram os dele, e um sorriso tímido, quase culpado, surgiu em seus lábios.

— Você já está pronto para ir? — perguntou ela, a voz rouca pelo sono.

— O dever é um mestre exigente, minha querida — respondeu ele, inclinando-se para beijar a testa dela. — Mas eu preferiria passar o resto da eternidade aqui, sob o calor da sua pele.

Clara puxou o lençol para cobrir o decote da camisola, um gesto instintivo de insegurança que Aleksander detestava ver. Ele sabia que ela se sentia deslocada no Pequeno Palácio. Enquanto as outras Grishas eram esguias e altivas, Clara possuía curvas generosas, ancas largas e um rosto arredondado que ele considerava a definição de perfeição. Mas, acima de tudo, ela possuía o poder que ele tanto buscava: a luz.

Ela era a Conjuradora do Sol. O poder vivia dentro dela, pulsando sob a superfície, mas Clara se recusava a usá-lo. Ela odiava a ideia de ser uma salvadora, odiava a atenção que isso traria e, acima de tudo, temia que a luz a transformasse em algo que ela não reconhecia.

— Você vai para o acampamento hoje? — ela perguntou, sentando-se e deixando que ele segurasse suas mãos.

— Sim. Os reforços de Fjerda estão se aproximando da fronteira norte. Preciso organizar as defesas — explicou ele, seu polegar acariciando o dorso da mão dela. — Voltarei em três dias.

— Três dias sem você... — Clara desviou o olhar. — O palácio parece tão vazio. As pessoas me olham, Aleksander. Elas sussurram. Elas não entendem por que a "companheira do General" não faz nada além de ler na biblioteca.

Aleksander sentiu uma pontada de fúria pelos sussurros que ela mencionava, mas suavizou a expressão imediatamente.

— Deixe que sussurrem. Eles são insignificantes. Você é minha, Clara. Eu aceitei sua escolha no momento em que você me disse que não queria ser a Santa de ninguém. Eu não preciso que você conjure o sol para me dar luz. Você já faz isso apenas por existir.

Ele a puxou para um abraço apertado, sentindo o calor reconfortante do corpo dela contra o seu. O contraste era absoluto: ele era a sombra eterna, ela era a vida vibrante. Quando faziam amor, como haviam feito na noite anterior, Aleksander sentia-se humano novamente. Não havia estratégias de guerra ou planos de séculos; havia apenas o toque dela, o peso do corpo dela sobre o dele, o som de sua respiração acelerada em seu ouvido.

— Eu te amo — sussurrou ela contra o peito dele.

— Eu te amo mais do que a própria vida — respondeu ele, e pela primeira vez em muito tempo, ele não estava mentindo.

Mas, ao se afastar, a sombra da responsabilidade voltou a escurecer seus olhos. O problema permanecia: a Dobra das Sombras estava crescendo, e Ravka precisava de uma Conjuradora do Sol. Se Clara não assumiria esse papel — e ele jamais a forçaria, pois o medo de perdê-la para o ressentimento era maior do que sua ambição —, ele precisava encontrar outra. Uma ferramenta. Alguém que pudesse usar para seus fins sem que isso custasse a paz da mulher que ele amava.

Por isso, ele mantinha seus rastreadores em alerta máximo. Ele buscava uma segunda Conjuradora, uma anomalia, para que Clara pudesse continuar sendo apenas sua Clara, protegida dentro das paredes de sua devoção.

— Fique segura — disse ele, levantando-se. — Não saia dos jardins privados.

— Eu sei, Aleksander. Eu estarei aqui quando você voltar.

Ele saiu do quarto sem olhar para trás, temendo que, se o fizesse, abandonaria o exército apenas para voltar para os braços dela.


As horas no Pequeno Palácio passavam lentamente para Clara. Ela passava a maior parte do tempo na estufa ou na biblioteca, escondendo-se dos olhares analíticos de Genya Safin ou da frieza de Zoya Nazyalensky. Ela sabia o que diziam: que ela era apenas um capricho do General, uma mulher comum que ele mantinha por algum motivo obscuro.

À tarde, enquanto folheava um livro sobre a história de Ravka, Clara sentiu aquela pressão familiar no peito. Era como um pássaro engaiolado tentando bater as asas. A luz. Ela conseguia senti-la chamando, implorando para ser libertada. Mas ela apertou os olhos e respirou fundo, forçando o poder a recuar.

— Por que você luta tanto contra isso? — Uma voz interrompeu seus pensamentos.

Clara deu um sobressalto. Era Baghra, a mãe de Aleksander, observando-a do canto das sombras com seu olhar severo e sua bengala de osso.

— Eu não luto contra nada — mentiu Clara, fechando o livro com força.

— Você mente tão mal quanto ele — sibilou a velha. — Você tem o poder de acabar com a escuridão dele, de salvar este país, e prefere se esconder atrás de lençóis de seda e banquetes.

— Eu não pedi por isso! — Clara levantou-se, a voz tremendo de indignação. — Eu não quero ser um símbolo. Eu só quero... eu só quero ser amada por quem eu sou, não pelo que posso fazer.

— E você acha que ele a ama por quem você é? — Baghra riu, um som seco e sem alegria. — Meu filho não conhece o amor sem a possessão. Ele a protege porque você é o tesouro mais raro dele. Mas o que acontecerá quando ele encontrar outra igual a você? Uma que esteja disposta a brilhar?

As palavras de Baghra atingiram Clara como um soco no estômago. Ela sabia que Aleksander estava procurando outra Conjuradora. Ele não escondia isso totalmente, embora dissesse que era "pelo bem de Ravka".

— Ele me ama — afirmou Clara, embora a insegurança sobre seu próprio corpo e sua utilidade sempre estivesse lá, sussurrando que ela era insuficiente. — Ele aceita que eu não queira usar meu poder.

— Ele aceita por enquanto — disse Baghra, virando as costas. — Mas o sol não foi feito para ser guardado em uma caixa, garota. Eventualmente, ele queima quem tenta escondê-lo.

Clara ficou sozinha na biblioteca, as mãos trêmulas. Ela olhou para as próprias palmas, imaginando o brilho que poderia emanar dali. Ela amava Aleksander com cada fibra de seu ser, mas às vezes sentia que vivia em uma redoma de vidro, esperando o momento em que ele encontraria algo mais brilhante e útil do que ela.


Três dias depois, o som de cascos de cavalos anunciou o retorno do General. Clara correu para a varanda, observando a comitiva negra entrar nos portões. Aleksander desmontou com a elegância de um predador, mas seus olhos procuraram imediatamente a janela dela. Ao vê-la, um vislumbre de alívio cruzou seu rosto.

Ele subiu as escadas dois degraus por vez, encontrando-a no corredor. Sem uma palavra, ele a envolveu em seus braços, enterrando o rosto em seu pescoço, inalando o perfume de baunilha que ela sempre usava.

— Senti sua falta — murmurou ele, a voz carregada de um cansaço que ele só admitia diante dela.

— Eu também. Como foi no acampamento? — perguntou ela, conduzindo-o para dentro do quarto.

Aleksander sentou-se na cama e começou a desabotoar o kefta pesado. Clara aproximou-se para ajudá-lo, suas mãos ágeis desatando os fechos de prata.

— O mesmo de sempre. Homens morrendo por fronteiras que não se movem. Mas... — Ele hesitou, olhando para ela com uma intensidade nova. — Meus rastreadores encontraram um rastro em Keramzin. Uma órfã. Houve um incidente durante um teste.

O coração de Clara falhou uma batida.

— Outra Conjuradora? — a voz dela saiu pequena.

— Talvez. Ivan foi enviado para buscá-la. Se for verdade, Clara... se ela puder fazer o que é necessário...

— Então eu não serei mais necessária? — As palavras escaparam antes que ela pudesse impedi-las. As lágrimas começaram a turvar sua visão. — Você finalmente terá sua Santa, e eu serei apenas a mulher gorda que ocupa espaço na sua cama?

Aleksander congelou. Ele se levantou em um salto, segurando o rosto de Clara com as duas mãos, forçando-a a olhar para ele.

— Nunca mais diga isso — ordenou ele, sua voz vibrando com uma autoridade sombria, mas seus olhos estavam cheios de dor. — Você acha que meu amor por você é baseado em utilidade? Você acha que eu te olho e vejo apenas um poder que você se recusa a usar?

— Eu vejo como você olha para os mapas, Aleksander. Eu vejo o peso que você carrega. Se ela puder tirar esse peso de você...

— Ninguém pode tirar de mim o que eu sinto por você — interrompeu ele, encostando a testa na dela. — Eu busco outra Conjuradora justamente para que você nunca precise carregar esse fardo. Eu quero que você seja livre, Clara. Quero que você seja minha rainha, não minha ferramenta. Eu amo cada curva sua, amo sua teimosia, amo o fato de que você é a única pessoa neste mundo que me olha sem medo.

Ele a beijou com uma urgência desesperada, um beijo que falava de séculos de solidão e da promessa de que ele nunca a deixaria ir. Clara se entregou ao toque dele, sentindo as mãos dele percorrerem seu corpo com uma adoração que ela ainda custava a acreditar que merecia.

Ele a deitou nos lençóis, despindo-a com uma reverência quase religiosa. Para Aleksander, Clara não era uma peça no tabuleiro; ela era o motivo pelo qual ele ainda queria o tabuleiro. Ele beijou a curva de seu quadril, o ventre macio, os seios fartos, sussurrando promessas de devoção em sua pele.

— Você é minha luz — disse ele, entre beijos. — A única que importa.

Naquela noite, enquanto o General Kirigan dormia com a cabeça repousada no peito de Clara, ela olhou para o teto, ouvindo o vento uivar lá fora. Ela sabia que a chegada de uma nova Conjuradora mudaria tudo em Ravka. Mas, ali, no calor dos braços do homem que todos temiam, ela finalmente se permitiu acreditar que, para ele, ela era o suficiente.

Mesmo sem brilhar para o mundo, ela era o sol dele. E, por enquanto, isso bastava para manter as sombras afastadas.

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