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Inocência de bertia

Fandom: An Observation Log of My Fiancée Who Calls Herself a Villainess

Criado: 26/07/2026

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O Sorriso sob a Máscara e a Inocência do Abismo

O pátio da Academia Real estava banhado pelo sol suave da tarde, um cenário que, para a maioria, emanava paz e prestígio. No entanto, para o Príncipe Herdeiro Cecil Glo Alphasta, era apenas mais um palco onde ele desempenhava seu papel de perfeição. Ele caminhava com uma elegância que beirava o sobrenatural, mantendo aquele sorriso gentil que derretia corações e silenciava críticas.

Mas, para os observadores mais atentos — e aqueles que conviviam com o príncipe diariamente —, a máscara estava começando a apresentar rachaduras calculadas. Ou talvez, Cecil simplesmente não se importasse mais em escondê-la tanto quanto antes.

Ao seu lado, Bertia Evil Evil, sua noiva e autoproclamada "vilã", caminhava com uma expressão de determinação absoluta que, aos olhos de qualquer pessoa sã, parecia apenas adorável e levemente confusa.

— Príncipe Cecil! — Bertia exclamou, parando subitamente e apontando para um canteiro de flores. — Veja aquelas rosas! Elas são o cenário perfeito para eu espalhar boatos maldosos sobre a popularidade das outras damas! Como uma verdadeira vilã, eu deveria pisotear uma delas para mostrar meu desdém pela beleza efêmera!

Cecil parou, inclinando a cabeça levemente. O brilho em seus olhos azuis não era de julgamento, mas de um entretenimento profundo e sombrio.

— Uma ideia fascinante, Bertia — disse ele, sua voz como seda. — Mas se você pisar nelas, sujará seus sapatos de seda. E eu detestaria ver algo tão belo manchado pela terra. Por que não deixamos que eu ordene aos jardineiros que as removam completamente? Assim, o vazio que restará simbolizará a sua dominação absoluta sobre o jardim.

Bertia arregalou os olhos, as bochechas ficando rosadas.

— Oh! Que pensamento maligno, Príncipe Cecil! O senhor realmente está aprendendo comigo! — Ela bateu as palmas das mãos, radiante.

Zeno, que caminhava alguns passos atrás, sentiu uma veia saltar em sua têmpora. Ele observava a cena com uma mistura de pavor e exaustão. Ele era um dos poucos que via a realidade: Bertia não tinha um osso maldoso no corpo, e Cecil era um predador que usava a "vilania" dela como desculpa para exercer seus próprios instintos sádicos.

— Vossa Alteza — interveio Zeno, aproximando-se rapidamente quando viu a mão de Cecil deslizar "acidentalmente" pela cintura de Bertia, puxando-a para mais perto do que o protocolo permitia em público. — Creio que estamos atraindo atenção excessiva. E Bertia-sama, por favor, não incentive o príncipe a destruir o patrimônio da academia.

Cecil lançou um olhar lateral para Zeno. Foi apenas um segundo, mas o brilho frio e calculista fez o sangue do rapaz gelar. Era o olhar de um mestre de xadrez vendo uma peça tentar se mover por conta própria.

— Ora, Zeno, não seja tão rígido — disse Cecil, e embora o sorriso estivesse lá, a voz carregava uma advertência silenciosa. — Estou apenas garantindo que minha noiva não tropece. O terreno é... irregular.

Enquanto falava, os dedos de Cecil traçaram um caminho lento pelas costas de Bertia, parando na curva de seu ombro. Bertia estremeceu, mas não de medo. Ela ficou vermelha como um pimentão, seus olhos girando em confusão.

— P-príncipe Cecil... essa proximidade... é para me intimidar como sua rival nos jogos de poder? — gaguejou ela, tentando manter sua fachada de vilã enquanto seu coração disparava. — Sim! Deve ser isso! O senhor está tentando me desestabilizar com seu magnetismo de protagonista!

— Exatamente, minha querida Bertia — sussurrou Cecil, inclinando-se para perto do ouvido dela, ignorando completamente os estudantes que começavam a cochichar ao redor. — Eu quero desestabilizar você de todas as formas possíveis.

— Vossa Alteza! — Zeno quase gritou, dando um passo à frente para se colocar entre os dois. — O senhor está tocando no ombro dela de forma... inadequada para o ambiente escolar!

Cecil suspirou, uma expressão de tédio fingido cruzando seu rosto perfeito.

— Você é tão barulhento, Zeno. Só estou conferindo se o tecido do vestido dela é de qualidade suficiente. Como seu noivo, é meu dever zelar pelo seu conforto.

Os estudantes que passavam começaram a diminuir o passo. Os boatos já circulavam há semanas. O "Príncipe Perfeito" parecia estar mudando. Ele não era mais apenas o gênio distante; havia algo de possessivo, quase predatório, na forma como ele olhava para Bertia. E o que era mais perturbador: ele parecia estar se divertindo com a confusão dela.

— Olhem só para eles — sussurrou uma estudante do segundo ano para sua amiga. — O Príncipe Cecil parece que vai devorá-la a qualquer momento... e a senhorita Bertia parece nem perceber o que está acontecendo.

— Ela é tão inocente — respondeu a outra. — Ela realmente acredita que ele é um santo e que ela é a vilã. É quase doloroso de assistir.

Foi nesse momento que a atmosfera mudou. A "heroína" da história, aquela que Bertia insistia que deveria ficar com o príncipe, aproximou-se do grupo. Ela vinha com passos rápidos, uma expressão de falsa preocupação pintada no rosto, cercada por alguns garotos que pareciam enfeitiçados por sua presença.

— Príncipe Cecil! — exclamou ela, a voz aguda e trêmula. — Eu... eu não pude deixar de ouvir! É verdade o que dizem? Que a Senhorita Bertia tem ameaçado as outras alunas e até mesmo tentado sabotar as aulas de magia? Eu sinto tanto medo por todos nós!

Bertia piscou, seus olhos brilhando de empolgação.

— Oh! Ela me acusou! Finalmente! — sussurrou Bertia para si mesma, embora todos pudessem ouvir. — Sim, sim! Eu sou terrível! Eu sou a vilã que trará o caos!

Cecil, no entanto, não parecia nem um pouco entretido com a interrupção. Ele se virou para a heroína, e a temperatura ao redor deles pareceu cair dez graus. O sorriso gentil permaneceu, mas seus olhos eram pedaços de gelo azul.

— Ameaças, você diz? — perguntou Cecil, sua voz suave demais. — Isso é uma acusação muito séria. Você tem provas, ou está apenas desperdiçando o meu tempo com ficções mal escritas?

A heroína vacilou, recuando um passo.

— B-bem... eu ouvi dizer que ela planejava...

— "Ouviu dizer" — interrompeu Cecil, dando um passo à frente. — Interessante. Bertia, você tem algo a dizer sobre essas... terríveis vilanias?

Bertia estufou o peito, tentando parecer ameaçadora, o que resultou apenas em parecer uma criança tentando imitar um dragão.

— Eu confesso! — declarou ela dramaticamente. — Eu planejei comer todos os doces da cafeteria antes que as outras pudessem chegar! E... e eu também pretendia rir de forma malévola no meio da biblioteca!

Houve um silêncio constrangedor. Zeno cobriu o rosto com a mão. Os garotos que acompanhavam a heroína entreolharam-se, confusos.

Cecil soltou uma risada curta, um som que raramente era ouvido, e que soava perigosamente atraente.

— Viu só? — disse ele, voltando sua atenção para a heroína, que agora parecia genuinamente assustada. — Minha noiva é uma mente criminosa sem precedentes. Comer doces... rir na biblioteca... se esses são os crimes dela, temo que o reino esteja em grave perigo sob minha proteção, já que pretendo recompensá-la por cada um desses atos.

— Mas Príncipe Cecil! — a heroína tentou novamente, desesperada por atenção. — Ela é má! Ela não combina com a sua luz! O senhor deveria estar com alguém que entenda a sua bondade...

Cecil se aproximou dela, inclinando-se o suficiente para que apenas ela e Bertia pudessem ouvir seu tom real.

— Minha "luz"? — ele repetiu, e o sarcasmo em sua voz era cortante como uma navalha. — Você realmente não entende nada, não é? Bertia é a única coisa neste mundo que me impede de ficar entediado. E quando eu fico entediado, as coisas tendem a se tornar... desagradáveis para as pessoas ao meu redor. Se você continuar a incomodar minha noiva com essas mentiras medíocres, eu terei que garantir que sua vida acadêmica se torne tão "interessante" quanto os meus pensamentos mais sombrios.

A heroína empalideceu, suas mãos tremendo. Os garotos atrás dela, sentindo a aura opressiva que emanava do príncipe, deram um passo atrás, instintivamente tentando se distanciar do conflito.

— Príncipe Cecil, você é tão protetor! — Bertia exclamou, agarrando o braço dele. — Isso deve ser parte do seu plano para me manter por perto e garantir que eu cumpra meu destino de ser exilada! Que estratégia brilhante!

Cecil olhou para ela, e instantaneamente a frieza desapareceu, substituída por aquela obsessão suave que apenas Bertia evocava.

— Sim, Bertia. Exatamente isso — mentiu ele sem hesitar. — Eu nunca deixaria você ir a lugar nenhum sem mim.

Zeno tentou intervir novamente quando viu Cecil acariciar a bochecha de Bertia com o polegar, um gesto carregado de uma intimidade que fazia os alunos ao redor desviarem o olhar, envergonhados e fascinados.

— Vossa Alteza, as pessoas estão olhando... — murmurou Zeno.

— Deixe que olhem — respondeu Cecil, sem tirar os olhos de Bertia. — Quero que todos saibam exatamente a quem ela pertence. E o que acontece com quem tenta interferir.

— Príncipe Cecil... — Bertia sussurrou, o rosto agora em um tom profundo de carmesim. — O senhor está sendo muito... "safado", como dizem os livros de romance proibidos que eu li para aprender a ser uma vilã sedutora?

Cecil arqueou uma sobrancelha, um sorriso predatório brincando em seus lábios.

— "Safado"? — ele repetiu a palavra com uma lentidão deliciosa. — Que termo interessante, Bertia. Talvez você devesse me mostrar o que mais aprendeu nesses livros. Em particular.

— Vossa Alteza! — Zeno quase teve um colapso. — Estamos em público!

— Zeno, você está dispensado — disse Cecil, sua voz voltando ao tom de comando absoluto. — Bertia e eu temos muito o que discutir sobre seus "planos malignos".

— Mas... mas o senhor não pode simplesmente levá-la para um canto isolado! — protestou Zeno, embora soubesse que era inútil.

Cecil não respondeu. Ele simplesmente envolveu a cintura de Bertia com o braço, puxando-a para perto de seu corpo de forma possessiva. Bertia, em sua eterna confusão, apenas sorriu, achando que estava ganhando pontos em seu caminho para a destruição, enquanto na verdade estava sendo envolvida cada vez mais fundo na teia de um gênio que não tinha a menor intenção de deixá-la escapar.

Enquanto se afastavam, deixando a heroína trêmula e os estudantes sussurrando, Cecil olhou por cima do ombro. O olhar que ele lançou ao pátio não era o de um príncipe benevolente, mas o de um rei que acabara de marcar seu território.

— Sabe, Bertia — disse ele enquanto entravam nos corredores mais vazios do castelo escolar —, eu estava pensando sobre aquele seu plano de ser exilada.

— Sim! — ela disse, os olhos brilhando. — O senhor já decidiu o país para onde vai me mandar quando eu falhar miseravelmente?

— Pensei em um lugar muito especial — respondeu Cecil, parando e prendendo-a gentilmente entre seu corpo e a parede de pedra. — Um lugar onde ninguém mais possa te ver, onde suas travessuras sejam apenas para meus olhos. O que você acha desse tipo de exílio?

Bertia piscou, o coração batendo tão forte que ela tinha certeza de que ele podia ouvir.

— Isso soa... estranhamente como um sequestro, Príncipe Cecil! Que vilania de alto nível! O senhor realmente é o melhor antagonista que eu poderia desejar!

Cecil soltou uma risada baixa e rouca, inclinando-se até que suas testas se tocassem.

— Você não tem ideia do quanto eu posso ser antagônico, minha querida vilã. Mas não se preocupe... eu cuidarei para que você aproveite cada segundo da sua derrota.

Zeno, observando de longe antes de ser forçado a virar o corredor por um dos guardas pessoais de Cecil, apenas suspirou. Bertia achava que estava jogando um jogo de xadrez contra o destino, mas ela não percebia que o próprio destino estava apaixonado por ela e estava disposto a queimar o tabuleiro inteiro só para mantê-la em seus braços.

E a Academia Real, aos poucos, começava a entender a lição mais importante daquele ano: nunca se meta entre o Príncipe Herdeiro e sua "vilã". Porque, por trás do sorriso de um anjo, Cecil Glo Alphasta escondia a mente de um demônio que só tinha uma única e absoluta devoção.

— Agora — sussurrou Cecil, seus lábios roçando a orelha de Bertia —, conte-me mais sobre essas técnicas de sedução que você leu. Estou muito interessado na parte teórica... antes de passarmos para a prática.

Bertia, completamente vermelha e sem palavras, só conseguiu acenar positivamente, sem perceber que, naquele momento, ela não era a vilã da história, mas o tesouro mais precioso do homem mais perigoso do reino. E Cecil, pela primeira vez em sua vida genial e entediada, sentiu que o mundo era, finalmente, perfeito.

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