
Planos da Amélia
Fandom: My Status as an Assassin Obviously Exceeds the Hero's
Criado: 26/07/2026
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Entre Sombras e Lençóis: O Dilema do Assassino
O vapor ainda subia da pele de Oda Akira, uma sensação residual da água quente que, por alguns momentos, conseguiu dissipar a tensão acumulada em seus músculos. A batalha anterior havia sido desgastante, não apenas fisicamente, mas mentalmente. Manter seus colegas de classe vivos, enquanto lidava com a incompetência estratégica do "herói" oficial e as conspirações daquele reino decadente, exigia um esforço constante de processamento.
Akira suspirou, passando a mão pelos cabelos úmidos. Ele estava em um quarto de pousada simples, mas confortável o suficiente para quem já havia dormido em galhos de árvores e masmorras úmidas. A luz das velas balançava suavemente, criando sombras longas nas paredes de madeira.
— Você está pensando demais de novo, Akira-kun.
A voz de Amélia veio de trás dele, suave e carregada de uma diversão maliciosa. Akira não precisou se virar para saber que ela estava sorrindo. Ele a conhecia bem o suficiente para identificar o tom de vitória em sua voz. Afinal, ela finalmente o convencera a dividir o banho — um evento que testou a compostura de aço do assassino mais do que qualquer luta contra demônios.
— Estou apenas revisando nossos próximos passos — mentiu ele, mantendo a voz monótona e pragmática. — O Rei não vai ficar satisfeito com o nosso progresso. Ele quer resultados que justifiquem o "investimento" em nós.
— O Rei que se dane — Amélia disse, aproximando-se. O som de seus pés descalços no chão de madeira era quase imperceptível, mas para os sentidos aguçados de Akira, era como um trovão. — Agora é hora de descansar. E você prometeu.
Akira finalmente se virou, pretendendo reiterar a necessidade de vigilância, mas as palavras morreram em sua garganta. Amélia estava parada ali, a poucos passos da cama de casal que dominava o centro do quarto.
— Amélia... eu disse que você precisava vestir algo apropriado.
Ela inclinou a cabeça, os cabelos longos ainda um pouco úmidos caindo sobre os ombros. Ela não estava usando o pijama de algodão que ele havia sugerido. Em vez disso, estava apenas de sutiã e calcinha, peças simples, mas que, nela, pareciam um desafio direto à sanidade de Akira. A pele dela brilhava sob a luz fraca, e a confiança com que ela exibia seu corpo faria qualquer outro homem perder a fala.
— Mas isso é confortável — respondeu ela, dando de ombros com uma inocência que Akira sabia ser puramente performática. — E está calor aqui dentro, não acha? Além disso, depois de tudo o que passamos hoje, você realmente vai me dar um sermão sobre etiqueta de vestuário?
Akira fechou os olhos por um segundo, massageando as têmporas. Sua mente analítica, que geralmente conseguia prever três movimentos à frente de qualquer inimigo, estava encontrando um erro de sistema. Ele calculou as variáveis: se ele insistisse, eles passariam a próxima hora discutindo, o que resultaria em perda de sono e fadiga no dia seguinte. Se ele cedesse, teria que lidar com a proximidade física de uma mulher que claramente não tinha intenção de facilitar as coisas para ele.
— O pragmatismo venceu — murmurou ele para si mesmo.
— O que disse? — perguntou ela, já se acomodando sob os lençóis de linho grosso.
— Nada. — Akira caminhou até a mesa, apagando a última vela com um movimento rápido dos dedos. A escuridão envolveu o quarto, quebrada apenas pelo brilho pálido da lua que atravessava a fresta da cortina. — Só não espere que eu consiga dormir tão facilmente quanto você.
— Ah, eu sei que você vai — disse Amélia, sua voz vindo do lado direito da cama. — Você está exausto, Akira. Pare de tentar ser o guarda-costas do mundo por cinco minutos e apenas deite-se.
Akira suspirou e sentou-se na beira do colchão. Ele sentiu o peso dela se deslocar quando ele se deitou, mantendo uma distância cautelosa, mas necessária, na borda oposta. O silêncio da noite se instalou, mas para Akira, o som da respiração de Amélia era mais alto do que o vento lá fora.
Ele fixou o olhar no teto, sua mente mapeando a pousada por instinto. Ele sabia onde cada um de seus amigos estava dormindo. Sabia quais tábuas do corredor rangiam e qual janela tinha a tranca mais fraca. Era assim que ele sobrevivia. A confiança era uma moeda rara, e ele a gastava apenas com aqueles que provaram seu valor.
— Você está tenso — a voz dela quebrou o silêncio.
— É o meu estado natural — respondeu ele, curto e grosso.
— Não, não é. — De repente, Akira sentiu um calor se aproximando. Amélia se arrastou pelo colchão, ignorando completamente a "fronteira" invisível que ele havia tentado estabelecer. Ela encostou o braço no dele, e a maciez da pele dela contra a sua enviou um choque elétrico pelo sistema nervoso de Akira. — Você está tenso porque está tentando controlar tudo. Até o que sente.
— Sentimentos são variáveis instáveis, Amélia. Em uma batalha, eles te matam. Em uma conspiração política, eles te tornam um alvo de chantagem.
— E aqui, em um quarto trancado com uma aliada? O que eles fazem aqui? — perguntou ela, sua voz agora a poucos centímetros do ouvido dele.
Akira virou o rosto levemente, encontrando os olhos dela brilhando na penumbra. Ele viu a sinceridade ali, mas também a provocação. Ela sabia exatamente o efeito que causava.
— Aqui, eles são uma distração desnecessária para o descanso — ele respondeu, embora sua voz tivesse perdido um pouco da firmeza habitual.
Amélia soltou uma risada baixa, um som que vibrou no peito de Akira. Ela se atreveu a passar a mão pelo peito dele, sentindo as cicatrizes finas que ele acumulara desde que chegara àquele mundo.
— Você é um mentiroso horrível para alguém tão inteligente, Oda Akira.
— Eu não minto. Eu omito o que não é relevante.
— Então admita que é relevante que eu esteja aqui. Com você.
Akira ficou em silêncio por um longo tempo. Ele pensou em sua vida antes de ser transportado. Pensou na apatia que costumava usar como armadura contra o mundo superficial da escola. Ali, naquele mundo perigoso e distorcido, Amélia era uma das poucas constantes reais. Ela não o via apenas como o "Assassino" com estatísticas absurdas, nem como o estudante estranho. Ela o via como ele era.
— É relevante — admitiu ele finalmente, sua voz pouco mais que um sussurro.
Amélia pareceu satisfeita com a pequena concessão. Ela se aninhou mais perto, apoiando a cabeça no ombro dele. Akira hesitou por um momento, sua mão pairando no ar antes de finalmente pousar, com uma leveza quase hesitante, no braço dela.
— As pessoas da nossa turma... — Amélia começou, mudando o tom para algo mais sério — ...eles ainda acreditam que este mundo é um jogo. Eles acham que o Rei é o NPC que dá missões e que o Herói vai salvar o dia com o poder da amizade.
— Eles são tolos — disse Akira, o ceticismo voltando à tona. — Este mundo é um moedor de carne. O Rei nos vê como armas, nada mais. Se o "Herói" falhar, ele simplesmente tentará nos descartar e invocar novos peões.
— Por isso precisamos de você, Akira. Você é o único que vê as rachaduras na parede. Mas se você se quebrar tentando segurar o teto sozinho, todos nós cairemos.
Akira sentiu um aperto no peito. Ele odiava dramas, odiava a responsabilidade emocional que vinha com a liderança não oficial que ele exercia nas sombras. Mas ele sabia que ela tinha razão.
— Eu não vou quebrar — afirmou ele, a frieza analítica retornando. — Eu já calculei as rotas de fuga e as possibilidades de traição. Se as coisas ficarem ruins, eu tirarei vocês daqui, quer o Rei queira ou não.
— Eu sei que vai. — Amélia bocejou, o cansaço finalmente vencendo sua energia provocadora. — Mas por agora... apenas seja o Akira que gosta de silêncio.
Ela fechou os olhos, sua respiração tornando-se rítmica e profunda em poucos minutos. Akira, no entanto, permaneceu alerta. Ele sentia o calor do corpo dela contra o seu, o cheiro de sabão e algo que era puramente Amélia. Era uma situação que desafiava toda a sua lógica pragmática.
Ele deveria estar dormindo para recuperar energia. Deveria estar preocupado com a falta de vestimenta dela, que era uma distração óbvia. Mas, enquanto olhava para o teto, Akira percebeu que, pela primeira vez em muito tempo, a vigilância constante não parecia um fardo tão pesado.
Ele permitiu que seus músculos relaxassem, centímetro por centímetro. Seus dedos se fecharam um pouco mais firmemente ao redor do braço dela, um gesto silencioso de proteção que ele nunca admitiria em voz alta.
— Durma, Amélia — sussurrou ele para a escuridão. — Eu cuido das sombras.
A noite continuou, silenciosa e vasta. Fora da pousada, o mundo de fantasia continuava sua marcha em direção ao caos, com reis conspiradores e monstros à espreita. Mas dentro daquele quarto pequeno, o assassino cético e a mulher que se recusava a deixá-lo ser apenas uma ferramenta encontraram um momento de trégua.
Akira finalmente fechou os olhos. Ele ainda desconfiava de quase tudo naquele mundo, desde o sistema de status até a divindade que os trouxera ali. Mas, enquanto sentia o peso reconfortante de Amélia ao seu lado, ele decidiu que, por aquela noite, a análise estratégica poderia esperar. Afinal, até mesmo o mais eficiente dos assassinos precisava de um lugar para baixar a guarda, mesmo que esse lugar fosse uma cama de pousada barata, dividida com uma mulher teimosa demais para usar pijamas.
O sono finalmente o alcançou, não como uma fraqueza, mas como o repouso necessário de um guerreiro que sabia exatamente pelo que estava lutando. E, nas sombras do quarto, o status de Akira permanecia o mesmo: incomparável, letal e, agora, estranhamente em paz.
