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Theo new girl

Fandom: Alien stage

Criado: 26/07/2026

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O Rosa que Abalou o Monotonia

A porta da sala 3-B rangeu, interrompendo o murmúrio incessante sobre o simulado de física. O professor mal teve tempo de apresentar a novata antes que ela cruzasse o batente com uma postura que exalava uma confiança despojada, quase como se fosse a dona do lugar.

Mizi era um contraste vibrante contra as paredes descascadas da escola. O cabelo rosa longo, terminando em pontas de um azul elétrico, balançava conforme ela caminhava. Os olhos amarelos, brilhantes como ouro sob a luz fluorescente, varreram o ambiente com curiosidade. Ela vestia o uniforme de qualquer jeito, com uma mochila pendurada em um ombro só.

— E aí, galera. Sou a Mizi. Foi mal o atraso de três meses, mas cheguei — disse ela, com um sorriso de canto que parecia iluminar a sala inteira.

O professor apontou para os lugares vagos. Mizi analisou suas opções com a rapidez de quem decide qual sabor de sorvete quer. Tinha uma carteira na frente, bem debaixo do nariz do professor (nem ferrando, pensou ela). Tinha outra no fundo, perto de umas garotas que a olhavam de cima a baixo com cara de quem ia pedir para ver a marca da bolsa dela (passo longe das chatas). Por fim, viu um lugar no fundo, no canto oposto.

Lá, o grupo parecia mais interessante. Um cara de cabelo cinza todo bagunçado olhava pela janela com cara de poucos amigos; na frente dele, uma menina pálida de cabelos pretos curtos desenhava freneticamente em um caderno; e à frente dela, um loiro com cara de quem decorou o dicionário. Na fileira ao lado, uma garota morena super descolada conversava com um cara de cabelo preto bem cortado e expressão de quem estava pronto para infernizar alguém.

Mizi caminhou até lá e jogou a mochila na última carteira da fileira do meio, logo atrás do cara de cabelo preto.

— Opa, vizinho. Suave? — Mizi deu um tapinha no ombro de Ivan ao se sentar.

Ivan virou-se lentamente. Seus olhos pretos eram gélidos, mas ele abriu um sorriso sarcástico.

— Suave é uma palavra forte para o terceiro ano, mas bem-vinda ao hospício — respondeu ele, a voz carregada de uma ironia natural.

— Ignora o Ivan, ele nasceu com o espírito de um velho rabugento — Hyuna, a garota morena da frente, virou-se com um sorriso largo. — Sou a Hyuna. O de cabelo bagunçado ali é o Till.

Till, que até então parecia ignorar a existência humana, desviou o olhar da janela por um segundo. Ele encarou Mizi. O rosto dele esquentou minimamente, embora sua expressão continuasse fechada.

— E aí — resmungou Till, voltando a olhar para fora, mas mantendo a atenção na conversa. Ele achou ela bonita. Tipo, muito bonita.

— Prazer, Mizi! — ela respondeu, esticando as pernas por baixo da mesa. — E os dois ali na frente? São da paz ou vão me denunciar por dormir na aula?

Ela apontou para Sua, que continuava mergulhada em seus traços, e Luka, que ajeitava os óculos com uma precisão cirúrgica.

— Eu sou Luka — o loiro disse, virando-se apenas o suficiente para ser educado. — É um prazer conhecê-la, Mizi. Espero que sua transição para nossa instituição de ensino seja proveitosa e desprovida de percalços acadêmicos.

Mizi piscou, processando as palavras.

— Caraca... você fala igual a um livro, né? — Ela riu, genuína.

Sua, no entanto, não disse nada. Ela apenas parou o lápis por um segundo, sentindo um calafrio estranho percorrer sua espinha. A voz de Mizi era alta, vibrante, o oposto do silêncio melancólico em que Sua preferia viver. Ela não se virou. O frio na barriga a assustou.

O sinal para o intervalo tocou pouco tempo depois. Mizi, que já tinha passado a aula trocando bilhetes engraçados com Hyuna e chutando de leve a cadeira de Ivan só para ver a reação dele, foi escoltada pelo grupo até os armários.

— Qual o número da sua sorte? — perguntou Ivan, girando a chave dele.

— Cento e doze — Mizi respondeu, abrindo a portinha de metal com um chute leve na base para destravar. — Tá meio capengando, mas serve.

— A manutenção desta escola é, no mínimo, negligente — comentou Luka, carregando seus livros de capa dura.

— Ah, relaxa, loirinho. Dá um charme de filme de terror — Mizi brincou, guardando o material e ficando apenas com o celular no bolso.

Eles seguiram para o refeitório, pegando uma mesa grande no canto. O grupo se dividiu entre comer e atualizar Mizi sobre o ecossistema social da escola. Hyuna e Ivan eram os narradores principais, apontando para cada mesa como se estivessem em um documentário da National Geographic.

— Tá vendo aquela ali? A Dewey? Não confia, ela rouba lanche e diz que foi engano — Ivan apontou com o queixo, enquanto roubava uma batata frita da bandeja de Till.

— Tira a mão, desgraçado! — Till rosnou, dando um tapa na mão de Ivan. A tensão entre os dois era palpável, um ódio que parecia alimentar a amizade torta deles.

— E o diretor? É de boa? — Mizi perguntou, observando a movimentação.

— É um porre — Hyuna resumiu. — Mas se você não for pega fumando atrás do ginásio ou brigando com o Ivan, ele nem nota que você existe.

Mizi olhou para o outro lado da mesa. Sua estava sentada ali, mexendo em uma salada com o olhar perdido, enquanto Luka lia um artigo científico no tablet.

— Ô, na moral — Mizi chamou a atenção, inclinando-se para frente. — Vocês dois são mudos ou o quê? Não falaram um "a" comigo desde que a gente saiu da sala.

Sua levantou os olhos roxos, encontrando o dourado intenso de Mizi. Ela sentiu o coração falhar uma batida.

— Eu... eu só não tenho muito o que dizer — Sua murmurou, a voz baixa e suave, quase um sussurro melancólico.

— Ela é assim mesmo, Mizi. A Sua vive no mundo da lua e o Luka vive no mundo dos nerds — Hyuna explicou, passando o braço pelo ombro da novata.

Antes que Mizi pudesse responder, o movimento no refeitório pareceu desacelerar. Uma garota do segundo ano, conhecida por todos como Lexy, caminhava em direção à mesa deles. Lexy era a definição de "etéreo": cabelos brancos longos, cílios da mesma cor e olhos azuis que pareciam gelo. Ela era popular, mas do tipo que ninguém conseguia alcançar.

Lexy parou bem na frente de Mizi. O refeitório ficou em silêncio.

— Você é nova — Lexy afirmou, a voz calma.

— Percebeu rápido, hein? — Mizi deu um sorriso charmoso, sem se abalar.

Lexy não sorriu de volta, mas seus olhos brilharam com um interesse óbvio. Ela tirou um pequeno pedaço de papel do bolso e colocou sobre a mesa, bem na frente de Mizi.

— Meu número. Me liga se quiser conhecer a cidade de um jeito mais interessante.

Sem esperar resposta, Lexy deu meia-volta e saiu, deixando um rastro de perfume caro e bocas abertas para trás.

— Caraca! — Hyuna exclamou, batendo na mesa. — A Lexy? A Lexy nunca dá em cima de ninguém assim de cara! Mizi, você chegou quebrando tudo!

Ivan soltou uma risada anasalada, olhando para a irmã, que parecia ter ficado ainda mais pálida.

— A novata tem mel, pelo visto — provocou Ivan. — E aí, Mizi? Vai ligar? O que você curte?

Mizi pegou o papel, olhou para o número e depois para o grupo, que esperava uma resposta. Till parecia levemente incomodado, Sua estava com os dedos apertando o caderno de desenho, e Ivan tinha aquele sorriso de quem queria causar discórdia.

— Ah, ela é gata, né? — Mizi deu de ombros, guardando o papel no bolso da calça. — Mas não sei se faz meu tipo.

— E qual é o seu tipo? — Hyuna perguntou, curiosa. — Porque, olha, todo mundo aqui achou que você tinha mó cara de hétero, daquelas que namora jogador de basquete e tals.

Mizi soltou uma gargalhada alta, jogando a cabeça para trás.

— Eu? Hétero? — Ela limpou uma lágrima imaginária no canto do olho. — Nossa, passei a imagem errada então. Sou lésbica, galera. Cem por cento. Homem pra mim é só pra zoar e ser amigo, tipo o Ivan e o Till.

O silêncio que se seguiu foi quase cômico. Ivan engasgou com o suco. Till arregalou os olhos verdes, sentindo uma pontada de decepção que ele tentou esconder imediatamente voltando a fechar a cara. Luka apenas levantou uma sobrancelha, achando a reação dos amigos estatisticamente interessante.

Mas foi Sua quem teve a reação mais interna. O frio na barriga se transformou em algo mais quente, uma centelha de esperança que ela não sabia que existia. Ela olhou para Mizi e, pela primeira vez naquele dia, deu um sorriso minúsculo, quase imperceptível.

— Lésbica? — Ivan repetiu, recuperando o fôlego. — Caramba. O Till acabou de entrar em depressão profunda.

— Cala a boca, Ivan! — Till gritou, o rosto agora vermelho de verdade. — Eu não tô nem aí!

— Sei, sei — Mizi piscou para Till, achando a reação dele fofa de um jeito engraçado. — Relaxa, Till. Você ainda é meu guitarrista favorito, mesmo que eu nunca tenha te ouvido tocar.

— Eu toco baixo — ele resmungou, cruzando os braços.

— Tanto faz, é tudo corda — Mizi brincou, voltando sua atenção para Sua. — E você, Sua? Também achou que eu era hétero?

Sua sentiu o olhar dourado sobre si e desviou o rosto, as bochechas ganhando um tom rosado que combinava com as pontas do cabelo da novata.

— Eu... eu não costumo rotular as pessoas antes de conhecê-las — Sua disse, a voz quase sumindo.

— Gostei de você. É profunda — Mizi comentou, apoiando o queixo na mão. — A gente vai se dar bem.

O sinal tocou novamente, anunciando o fim do intervalo. Enquanto o grupo se levantava, Mizi caminhava ao lado de Hyuna, rindo de alguma piada, sem saber que sua chegada tinha acabado de virar o mundo daquela mesa de cabeça para baixo.

Ivan olhou para Till, que chutava uma latinha vazia no corredor, e depois para Sua, que caminhava de cabeça baixa, abraçada ao seu caderno de desenhos como se fosse um escudo.

— O ano vai ser longo — Ivan murmurou para si mesmo, um brilho travesso nos olhos. Ele adorava o caos. E Mizi era o caos em forma de cor-de-rosa.

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