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Fandom: record of ragnarok

Criado: 26/07/2026

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Reflexos de Vidro e Fumaça Estelar

O ar no centro de comando improvisado estava pesado, saturado com o cheiro de ozônio e o zumbido eletrônico das telas. Nikola Tesla, com seus olhos brilhando de curiosidade científica, digitava freneticamente no painel de controle da boate "Submundo Celestial". Eles haviam acabado de invadir o local, uma fachada luxuosa que servia de entreposto para o tráfico ilegal de armas celestiais — um crime que nem mesmo os deuses mais benevolentes poderiam ignorar.

Hades permanecia de pé, a postura impecável e a expressão de uma seriedade gélida. O soberano de Helheim cruzou os braços, sua presença emanando uma autoridade que fazia os próprios alicerces do prédio tremerem levemente. Ao seu lado, Zeus e Poseidon observavam com desdém, enquanto Brunhilde roía a unha do polegar, ansiosa por provas que pudessem incriminar os fornecedores.

— As câmeras de segurança foram restauradas — anunciou Tesla, ajustando os óculos. — Vou retroceder alguns dias para identificar quem forneceu o carregamento de lanças de adamantino.

A tela gigante na parede piscou, chiou e finalmente estabilizou. O que viram, no entanto, não foram mercenários ou divindades menores negociando armas.

A data no canto da tela indicava três dias atrás. A boate estava lotada, as luzes neon em tons de roxo e azul cortando a penumbra. No centro da pista de dança, uma figura se destacava de forma quase hipnótica.

— Aquele é... — Brunhilde começou, a voz falhando.

— O Imperador? — Zeus completou, soltando uma risada estridente e confusa.

Qin Shi Huang estava irreconhecível. Longe das túnicas imperiais pesadas e da venda nos olhos, ele vestia uma calça boca de sino preta, adornada com detalhes de estrelas prateadas que brilhavam sob o estrobo. Uma blusa preta de manga longa, justa ao corpo, destacava sua agilidade, e nos pés, sapatos com um salto discreto que lhe davam uma elegância felina. Ele usava uma maquiagem leve, destacando os olhos que, pela primeira vez, pareciam brilhar com uma liberdade selvagem.

Ao seu lado, Alvitr, a Valquíria que normalmente era a personificação da prudência e do dever, usava um vestido curto rosa-bebê e saltos altos com fitas que subiam delicadamente por suas pernas.

— O que eles estão fazendo ali? — Poseidon perguntou, sua voz fria como o gelo, mas com um toque inequívoco de incredulidade.

Na tela, Qin não se portava como o homem que exigia um trono onde quer que sentasse. Ele estava rindo. Ele dançava com uma fluidez impressionante, os quadris movendo-se no ritmo da música eletrônica. O vídeo mostrou o momento em que uma divindade menor se aproximou dele; Qin não a ignorou com arrogância. Em vez disso, ele sorriu, um sorriso charmoso e perigoso, e começou a flertar abertamente. Ele puxou a pessoa para perto, dançando de um jeito que faria qualquer um corar, antes de passar para a próxima conquista com a facilidade de quem domina não um império, mas a própria vida noturna.

Alvitr não ficava atrás. Ela estava cercada por dois homens, rindo alto enquanto virava um copo de uma bebida azul neon.

— Eles parecem... amigos — murmurou Hades, seus olhos fixos na figura de Qin. Havia algo naquela imagem que incomodava o Rei do Submundo, uma centelha de surpresa por ver o "Rei Onde Eu me Sento" tão desprovido de suas defesas habituais.

De repente, a câmera focou neles em um canto mais reservado da boate. Qin Shi Huang retirou um cigarro fino do bolso da blusa. Com um movimento elegante, ele o acendeu. Ele deu uma tragada longa, fechando os olhos enquanto a fumaça escapava por seus lábios em uma nuvem cinzenta. Sem dizer uma palavra, ele passou o cigarro para Alvitr. A Valquíria aceitou naturalmente, deu uma tragada profunda e ficou com ele, enquanto Qin voltava a se perder na música, como um jovem adulto sem o peso do mundo nos ombros.

— Eles fumam? — Brunhilde exclamou, horrorizada. — Alvitr nunca tocou em um cigarro na vida!

— Parece que o seu Imperador tem muitos segredos, Brunhilde — comentou Hades, sua voz soando mais profunda que o normal. Ele analisava cada movimento de Qin na tela, a maneira como ele se movia, a falta de armadura emocional. Ali, ele não era o Primeiro Imperador da China; era apenas Qin.

Alguns dias depois, a missão de apreensão das armas havia terminado com sucesso, e o grupo retornou ao palácio celestial onde estavam hospedados para um breve período de "férias" forçadas após as tensões do Ragnarok.

O clima no salão principal era de uma descontração ácida. Qin Shi Huang estava sentado em sua posição habitual — ou seja, em cima de uma mesa que ele decidiu ser seu trono no momento — enquanto Alvitr estava sentada ao lado dele, limpando suas unhas com um desdém fingido.

— Então... — começou Zeus, aproximando-se com um brilho travesso nos olhos. — Como estava a música na boate há três dias, Imperador?

Qin não vacilou. Ele apenas inclinou a cabeça, um sorriso de canto surgindo em seus lábios.

— A acústica era razoável — respondeu ele, a voz suave. — Mas a companhia era excelente, não é, Alvitr?

— A melhor em séculos — respondeu a Valquíria, chocando a todos com a informalidade.

— Nós vimos as gravações, Qin — disse Brunhilde, cruzando os braços. — O que foi aquilo? A dança, as roupas... o cigarro?

— Ah, aquilo? — Qin saltou da mesa com a agilidade que viram no vídeo. — Um rei deve conhecer todos os seus domínios, Brunhilde. Inclusive os domínios do prazer e da fumaça.

— Você parecia uma criança fugindo da escola — zombou Poseidon, embora seus olhos não tivessem a malícia habitual.

— E você, Poseidon, parece alguém que precisa urgentemente de uma bebida azul e de uma calça boca de sino — rebateu Qin, piscando para o Deus dos Mares.

O salão explodiu em risadas e comentários sarcásticos. Os deuses e humanos começaram a cercar os dois, fazendo perguntas e zoando a performance de "astro do pop" do Imperador. Qin aceitava tudo com uma leveza surpreendente, devolvendo as piadas com inteligência.

No entanto, Hades permanecia um pouco afastado, observando a cena. Ele viu quando a multidão se dispersou levemente e Qin se afastou para a varanda, buscando um pouco de ar fresco. O deus seguiu-o, seus passos silenciosos sobre o mármore.

— Você é cheio de facetas, Qin Shi Huang — disse Hades, parando ao lado dele.

O Imperador não se virou, mas Hades sentiu a mudança na postura dele. A arrogância ainda estava lá, mas havia algo mais suave, um reflexo do jovem que dançava sob luzes neon.

— Um diamante tem muitas faces, Hades. Por que um Imperador seria diferente? — Qin virou-se, apoiando as costas no parapeito. — Ficou impressionado com meus passos de dança?

— Fiquei impressionado com a sua capacidade de se despir de sua própria lenda — admitiu Hades solenemente. — Naquela boate, você não estava lutando por ninguém. Estava apenas... sendo.

Qin riu, um som curto e genuíno.

— A dor deste mundo é pesada demais para ser carregada o tempo todo. Às vezes, você só precisa de uma calça com estrelas e um cigarro compartilhado com uma amiga para lembrar que ainda está vivo.

Hades olhou para as mãos de Qin. Elas eram as mãos de um guerreiro, mas também de alguém que buscava o toque, apesar da dor que isso lhe causava devido à sua sinestesia.

— Alvitr... vocês parecem muito próximos — comentou o deus, sem saber exatamente por que aquele detalhe o intrigava.

— Ela é a única que consegue acompanhar meu ritmo sem reclamar do barulho — explicou Qin. — Nós somos almas semelhantes, Hades. Ambos servimos a propósitos maiores, mas ambos sabemos que, no fim da noite, somos apenas nós mesmos.

Hades assentiu, um respeito renovado brilhando em seus olhos. Ele sempre viu Qin como um oponente digno, um estrategista e um rei. Mas agora, via o homem.

— Da próxima vez que decidir invadir uma boate — disse Hades, um meio sorriso surgindo em seu rosto nobre —, avise-me. Eu gostaria de ver se suas habilidades estratégicas se estendem à escolha das bebidas.

Qin Shi Huang soltou uma gargalhada vibrante, jogando a cabeça para trás.

— Cuidado, Rei do Submundo. Se você for comigo, terá que usar algo mais interessante do que essas túnicas sérias. Eu tenho uma calça de lantejoulas reserva que ficaria divina em você.

Hades soltou um suspiro divertido, olhando para o horizonte.

— Eu temo que isso seja um desafio que eu não possa aceitar, Imperador.

— Veremos — disse Qin, aproximando-se um passo, o brilho de desafio em seus olhos agora misturado com uma diversão cúmplice. — Onde eu me sento, é o meu trono. E se eu decidir sentar no balcão de um bar, você terá que me servir a primeira rodada.

Hades olhou para ele, a sofisticação e a calma de sempre presentes, mas com um novo brilho de entretenimento.

— Feito, Qin Shi Huang. Mas eu escolho o cigarro.

Os dois ficaram ali, em silêncio, enquanto as vozes dos outros deuses e humanos zombando de Alvitr e Qin continuavam a ecoar no fundo. Por um breve momento, a guerra, o dever e a coroa não importavam. Havia apenas a lembrança de luzes neon, o gosto da fumaça e a descoberta de que, até mesmo os seres mais poderosos do universo, às vezes só querem dançar até o amanhecer.

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