
Lovely Complex
Fandom: Sem fanfom
Criado: 26/07/2026
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Calor Sob Zero
O ônibus escolar sacolejava enquanto subia as estradas sinuosas das montanhas, deixando para trás o asfalto seco e mergulhando em um mundo tingido de branco absoluto. Dentro do veículo, a energia era caótica. Sofia, sentada ao lado de Rafaella, não parava de falar um segundo sequer, gesticulando com entusiasmo enquanto apontava para os picos nevados.
— Rafa, você tem noção do que isso significa? — Sofia exclamou, os olhos brilhando. — Uma semana inteira sem pais, só a gente, chocolate quente e, quem sabe, um instrutor de esqui bonitão.
Rafaella sorriu, um pouco tímida, ajeitando a mecha de cabelo castanho que caía sobre o rosto. Ela era o tipo de garota que atraía olhares sem fazer esforço; a beleza era natural, as curvas suaves escondidas sob o casaco pesado, e um jeito carinhoso que fazia todos quererem estar perto dela.
— Eu só quero não quebrar uma perna, Sofi — respondeu Rafaella, rindo baixo. — E, por favor, me chame de Rafa. Você sabe que odeio formalidade.
— Tá bom, Rafa! Mas olha ali... — Sofia cutucou o braço da amiga e apontou para três fileiras à frente.
Lá estava Augusto. O capitão do time de futebol parecia esculpido em mármore, mesmo vestindo um moletom largo. Ele conversava com alguns colegas, mas sua intensidade era palpável. Augusto não era apenas o atleta típico; havia uma profundidade nele, um romantismo que transparecia nas músicas que ouvia e no jeito respeitoso como tratava as pessoas. Quando ele se virou e seus olhos encontraram os de Rafa, ele sustentou o olhar por um segundo a mais do que o necessário, oferecendo um sorriso de canto que a fez corar instantaneamente.
O caos começou na recepção do hotel. Aparentemente, o sistema de reservas havia sofrido uma pane devido à nevasca iminente que se aproximava.
— Como assim não há mais quartos disponíveis? — Rafa perguntou ao recepcionista, sentindo um frio na barriga que não vinha do clima.
— Sinto muito, senhorita. Houve um erro no agrupamento das turmas. A lista final diz que você está no quarto 402 — explicou o homem, visivelmente estressado.
— Mas o 402 é o meu quarto! — A voz grave e vibrante veio logo atrás dela.
Rafa se virou e deu de cara com Augusto. Ele segurava a chave magnética e parecia tão confuso quanto ela.
— Augusto? — Rafa murmurou, sentindo as bochechas esquentarem.
— Oi, Rafa. Parece que vamos ser colegas de quarto — ele disse, com um tom de voz que misturava surpresa e algo que ela não soube identificar.
Sofia, que estava logo atrás, deu um pulinho de animação silenciosa, lançando um olhar de "eu não acredito nisso" para a amiga. Rafa tentou contestar, pediu para trocar, mas a diretora da escola foi enfática: com a tempestade piorando lá fora, ninguém sairia do hotel e ninguém trocaria de quarto até que a logística fosse resolvida na manhã seguinte.
O quarto 402 era aconchegante, mas pequeno. Havia apenas uma cama de casal grande e luxuosa, uma lareira elétrica e uma janela imensa com vista para a floresta de pinheiros.
— Eu posso dormir no chão, Rafa. Não quero que você se sinta desconfortável — Augusto disse, colocando sua mochila no canto.
— Não seja bobo, Augusto. Está congelando lá fora e o chão é puro piso frio — Rafa respondeu, sua persistência natural vindo à tona. — Podemos dividir a cama. Há espaço suficiente.
A noite caiu rápido, e com ela, a fúria da natureza. O vento uivava contra o vidro da janela como um animal selvagem. De repente, um estalo alto ecoou e toda a luz se apagou. O silêncio que se seguiu foi interrompido apenas pelo som da respiração dos dois.
— A energia acabou — constatou Augusto na escuridão.
— E o aquecedor parou — Rafa notou, sentindo o ar gelado começar a invadir o quarto quase instantaneamente.
Eles esperaram alguns minutos, mas a temperatura despencou. O frio era cortante, daqueles que doem nos ossos.
— Rafa? — Augusto chamou baixinho. — Você está tremendo.
— E-eu estou bem — ela mentiu, os dentes batendo.
— Não, você não está. Vem aqui.
Sem muita escolha e movida pelo instinto de sobrevivência, Rafa se aproximou. Augusto já estava debaixo das cobertas pesadas. Quando ela se deitou ao lado dele, sentiu o calor que emanava do corpo dele. Era como se ele fosse uma fornalha humana.
— Pode chegar mais perto — ele sussurrou. — O calor corporal é a única coisa que vai nos manter aquecidos agora.
Rafa hesitou por um segundo antes de se aninhar contra o peito dele. Augusto passou o braço por cima dela, puxando-a para mais perto, envolvendo-a em um abraço protetor. O cheiro dele — uma mistura de perfume amadeirado e sabonete — inundou os sentidos dela.
— Melhor? — perguntou ele, a voz roçando o topo da cabeça dela.
— Muito melhor — ela respondeu, sentindo o coração disparar.
O silêncio do quarto escuro, quebrado apenas pelo som da neve batendo no vidro, criou uma bolha de intimidade que nenhum dos dois esperava. A timidez de Rafa parecia derreter sob o calor de Augusto. Ela sentia a musculatura firme dele sob o moletom, a intensidade da sua presença.
— Eu sempre quis falar com você — Augusto disse, a voz baixa e rouca. — Mas você sempre parece estar tão cercada de gente, ou tão distraída...
Rafa levantou o rosto para olhar para ele, mesmo na penumbra.
— Eu também queria falar com você, Augusto. Mas você é o capitão do time, o cara que todo mundo admira. Eu achei que você nem notava que eu existia.
— Como eu não notaria? — Ele se inclinou um pouco, os rostos agora a centímetros de distância. — Você é a garota mais linda que eu já vi, Rafa. E não é só por fora. Eu vejo como você é carinhosa com seus amigos, como você se importa.
O elogio sincero fez o coração de Rafa dar um salto. Ela estendeu a mão, tocando o rosto dele, sentindo a pele quente e a leve textura da barba por fazer.
— Você é muito romântico para um capitão de futebol — ela brincou, a voz falhando um pouco.
— E você é muito mais do que eu imaginava — ele respondeu.
A tensão entre eles, que vinha crescendo desde o momento em que entraram naquele quarto, finalmente atingiu o ponto de ruptura. Foi Augusto quem diminuiu a distância final, selando seus lábios nos dela em um beijo que começou lento e exploratório, mas que rapidamente se tornou intenso.
Rafa soltou um suspiro baixo, passando as mãos pelo pescoço dele, puxando-o para mais perto. O beijo de Augusto era como ele: forte e apaixonado. A língua dele pediu passagem e ela cedeu prontamente, sentindo um arrepio que não tinha nada a ver com o frio lá fora.
— Rafa... — ele murmurou entre os beijos, a respiração ofegante. — Você tem certeza?
— Eu nunca tive tanta certeza de algo — ela respondeu, a persistência brilhando em seus olhos. — Eu quero você, Augusto.
Ele a girou, ficando por cima dela, mas sustentando o próprio peso nos cotovelos para não esmagá-la. As mãos de Augusto começaram a explorar as curvas dela por cima da roupa, descobrindo o corpo que ele tanto desejava em segredo. Rafa era macia, quente e respondia a cada toque dele com pequenos gemidos que o deixavam louco.
— Você é tão gostosa, Rafa — ele sussurrou no ouvido dela, fazendo-a estremecer.
— E você é incrível — ela rebateu, puxando a barra do moletom dele para cima.
As roupas foram descartadas conforme a temperatura entre eles subia, desafiando o gelo que dominava o mundo exterior. A pele contra pele era uma revelação. Augusto a tratava com uma mistura de urgência e adoração, beijando cada centímetro de seu corpo como se ela fosse um tesouro.
— Eu não quero que isso seja só por causa do frio — Augusto disse, parando por um momento para olhar nos olhos dela, a seriedade voltando ao seu rosto bonito. — Eu realmente gosto de você, Rafa.
Rafa sorriu, puxando-o para outro beijo profundo.
— Eu sei que não é só o frio, Augusto. Eu sinto isso também.
Eles se entregaram um ao outro naquela cama de hotel, enquanto a tempestade rugia lá fora. O quarto, antes gélido e escuro, tornou-se o lugar mais quente do mundo. A intensidade de Augusto encontrou a doçura e a paixão de Rafa, criando uma conexão que ia muito além de um simples encontro casual.
Horas depois, quando a respiração de ambos tinha voltado ao normal e eles estavam entrelaçados sob os edredons, a neve continuava a cair silenciosamente.
— Você está acordada? — Augusto sussurrou, acariciando o ombro dela.
— Hum-hum — Rafa murmurou, aninhando-se ainda mais no peito dele. — Pensando que, se a luz não voltar amanhã, eu não vou reclamar nem um pouco.
Augusto riu, um som baixo e vibrante que aqueceu o coração dela.
— Eu também não. Acho que essa viagem escolar acabou de se tornar a melhor da minha vida.
— A minha também, Guto — ela disse, usando o apelido pela primeira vez.
Ele a beijou na testa, apertando o abraço.
— Dorme um pouco, Rafa. Eu estou aqui. Não vou deixar você sentir frio.
Rafa fechou os olhos, sentindo-se segura e desejada. A tempestade lá fora podia ser assustadora, mas ali, nos braços de Augusto, ela tinha encontrado um tipo de calor que aqueceria sua alma por muito tempo.
Na manhã seguinte, a luz do sol refletida na neve inundou o quarto quando as nuvens se dissiparam. A energia havia voltado, e o aquecedor emitia um zumbido suave. Sofia bateu na porta, animada como sempre.
— Rafa! Augusto! Vocês estão vivos? A comida está sendo servida e a pista de esqui abriu!
Rafa e Augusto se olharam, um sorriso cúmplice surgindo nos lábios de ambos.
— Estamos indo, Sofia! — Rafa gritou de volta, rindo.
Augusto segurou a mão dela antes que ela saísse da cama.
— Isso não muda nada lá fora, certo? — ele perguntou, a intensidade romântica brilhando em seus olhos. — Digo, nós... continuamos sendo nós?
Rafa se inclinou e deu um selinho demorado nele.
— Só se você prometer me chamar de Rafa e me abraçar assim todas as noites.
— É uma promessa — ele respondeu, puxando-a para um último beijo antes de enfrentarem o mundo lá fora.
Eles saíram do quarto de mãos dadas, prontos para enfrentar o frio das montanhas, sabendo que, não importava a temperatura, eles tinham encontrado o fogo um no outro.
