
Amor
Fandom: Naruto
Criado: 26/07/2026
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Entre o Gelo e o Algodão
A música eletrônica pulsava nas paredes da mansão em Konoha Heights, um som tão grave que Kuro podia senti-lo vibrar em seu esterno. O lugar estava saturado de perfumes caros, fumaça de narguilé e o brilho ofuscante de flashes de celulares. Para qualquer um, aquela era a festa do ano. Para Kuro, o defensor estrela do time de hóquei Konoha Wolves, era apenas mais uma noite tentando desviar de modelos que queriam uma foto para ganhar seguidores e de empresários querendo vender suplementos.
Kuro bufou, passando a mão pelo cabelo branco curto e repicado. Com 1,80m de altura e um físico que era resultado de anos de treinos intensos no gelo, ele não passava despercebido. Sua pele branca contrastava com a camisa social preta, cujos primeiros botões estavam abertos, revelando o início de um abdômen definido que levava a internet à loucura toda vez que ele postava um treino sem camisa. Seus olhos castanhos escuros, no entanto, não procuravam as câmeras. Eles procuravam uma pessoa específica.
Ele a encontrou perto da mesa de bebidas, e um sorriso involuntário surgiu em seus lábios.
Tatsuyo estava lá, parecendo um oásis de autenticidade naquele deserto de aparências. Enquanto a maioria das mulheres usava vestidos de seda que mal cobriam o corpo e saltos agulha, ela vestia uma jardineira jeans escura sobre uma camiseta branca com a estampa de um filme clássico de animação que eles haviam discutido semanas atrás. Seus cabelos pretos e lisos caíam em cascata pelas costas, e sua pele parda brilhava sob a luz ambiente, sem a necessidade de camadas de base ou contorno pesado. Ela era real. Ela era linda.
— Você veio mesmo — disse Kuro, aproximando-se por trás dela, sua voz grave cortando o barulho da festa.
Tatsuyo deu um pequeno pulo e se virou, sorrindo ao vê-lo.
— Eu disse que viria. Mas admito que me sinto um pouco como um peixe fora d’água. Acho que não recebi o memorando sobre o código de vestimenta "tapete vermelho".
Kuro riu, o som vibrando de forma calorosa. Ele se inclinou um pouco, ficando mais próximo dela.
— Você é a única pessoa aqui que parece estar confortável na própria pele, Tatsuyo. E, honestamente? Você está muito mais bonita do que qualquer uma dessas capas de revista.
Ela sentiu as bochechas esquentarem. Como jornalista esportiva, ela estava acostumada a lidar com jogadores de ego inflado, mas Kuro era diferente. Ele era intenso, quase obcecado, mas de uma forma que a fazia se sentir vista, não apenas observada.
— Você é um bajulador, Kuro — ela brincou, tomando um gole de seu suco.
— Sou um homem de fatos — ele rebateu, mas seu sorriso vacilou quando percebeu o desconforto dela.
Algumas modelos e influenciadoras do outro lado da sala estavam cochichando, apontando para Tatsuyo e rindo discretamente enquanto olhavam para os celulares. O burburinho sobre o "solteiro mais cobiçado da liga" estar conversando com uma garota "comum" já estava começando. Tatsuyo ajeitou a alça da jardineira, o olhar baixando para os próprios pés.
— Eles estão olhando, não estão? — perguntou ela, a voz baixa.
Kuro olhou ao redor com um brilho frio nos olhos castanhos. Ele odiava aquilo. Odiava como as pessoas tentavam reduzir Tatsuyo a um padrão que ela claramente superava por ser quem era.
— Estão. Mas não porque você está "errada", e sim porque eles não conseguem entender como alguém pode ser tão interessante sem tentar desesperadamente ser.
— Kuro, eu... — Ela suspirou, sentindo o peso dos olhares. — Está ficando um pouco sufocante aqui dentro.
Kuro não hesitou. Ele estendeu a mão, mas parou antes de tocá-la, esperando sua permissão silenciosa. Quando ela assentiu, ele segurou seu pulso gentilmente.
— Vamos sair daqui.
— Para onde? A imprensa está na porta — lembrou ela.
— Eu tenho um plano. Confia em mim?
— Sempre.
Eles atravessaram a multidão. Kuro usou sua estatura para abrir caminho, bloqueando a visão de qualquer um que tentasse tirar uma foto indiscreta de Tatsuyo. Eles saíram pelos fundos, passando pela cozinha industrial e saindo em uma garagem privativa que cheirava a couro e cera automotiva.
Kuro destravou seu carro, um SUV preto robusto e luxuoso, mas discreto o suficiente.
— Entra — disse ele, abrindo a porta para ela.
Assim que as portas se fecharam, o silêncio foi absoluto. O isolamento acústico do carro era impecável, deixando o caos da festa a quilômetros de distância, mesmo que estivessem apenas a alguns metros da casa.
Tatsuyo soltou um suspiro longo, relaxando os ombros contra o banco de couro macio.
— Obrigada. Eu achei que ia ter um ataque de pânico se mais uma pessoa olhasse para a minha camiseta e fizesse cara de nojo.
Kuro se acomodou no banco do motorista, virando o corpo para ficar de frente para ela. Ele não ligou o motor, apenas as luzes internas em um tom suave de âmbar.
— Eu amo essa camiseta — disse ele, com sinceridade. — E amo que você não mudou nada para vir aqui. Eu estava morrendo de medo de você aparecer usando um daqueles vestidos desconfortáveis e não conseguir nem rir direito.
Tatsuyo riu, uma risada leve que fez o coração de Kuro dar um solavanco.
— Eu não seria eu mesma, Kuro. E eu achei que você gostava de mim justamente por isso.
— Eu não gosto de você, Tatsuyo — ele corrigiu, a voz ficando subitamente séria, os olhos fixos nos dela. — Eu sou completamente fascinado por você.
Tatsuyo sentiu o ar faltar por um segundo. Kuro tinha essa intensidade que era quase palpável. Ele era o tipo de homem que tinha o mundo aos seus pés, mas parecia que o único lugar onde ele realmente queria estar era ali, naquele carro, conversando com ela.
— Por que eu? — ela perguntou, a curiosidade vencendo a timidez. — Você conhece atrizes, modelos, atletas de elite... Eu sou apenas a jornalista que te faz perguntas difíceis depois dos jogos e gosta de usar jardineiras de desenho animado.
Kuro esticou o braço, descansando a mão no topo do banco dela, perto de seu pescoço, mas sem tocá-la.
— Porque você é real, Tatsuyo. No meu mundo, tudo é plástico. Tudo é calculado. As pessoas falam comigo pensando no que eu posso dar a elas — fama, dinheiro, um post no Instagram. Mas você... você me corrige quando eu falo bobagem. Você me pergunta sobre o meu livro favorito, não sobre o meu saldo bancário. E você fica linda nessa roupa, porque ela é a sua cara.
Tatsuyo sorriu, sentindo uma conexão profunda. Ela também gostava dele, e não era pelo jogador famoso ou pelo corpo escultural que as revistas tanto elogiavam. Ela gostava do Kuro que ficava nervoso antes de jogos importantes, do Kuro que tinha um senso de humor bobo e que a tratava como se ela fosse a pessoa mais importante da sala.
— Você também não é nada mal, sabia? — ela brincou, tentando aliviar a tensão emocional. — Para um cara que passa metade do tempo sendo atingido por discos de borracha e caindo no gelo.
Kuro soltou uma gargalhada curta e gostosa.
— Ei! Eu sou muito bom em não cair, para sua informação. Sou um defensor, eu sou o muro.
— Um muro que tem um ponto fraco por camisetas de desenho animado — rebateu ela, apontando para a própria estampa.
— Talvez — admitiu ele, aproximando-se um pouco mais. — Mas só quando é você quem está usando.
O silêncio que se seguiu não era desconfortável. Era carregado de uma eletricidade suave. Kuro observava cada detalhe do rosto de Tatsuyo: a curva de seu nariz, a profundidade de seus olhos pretos, a forma como ela mordia levemente o lábio inferior quando estava pensando. Ele era, de fato, obcecado. Cada artigo que ela escrevia, ele lia três vezes. Cada vez que ela aparecia na zona mista para entrevistá-lo, ele tinha que se esforçar o dobro para manter o foco no jogo e não apenas nela.
— Sabe — começou Tatsuyo, quebrando o silêncio —, as pessoas vão falar se virem a gente saindo juntos daqui.
— Deixe que falem — disse Kuro, dando de ombros. — Eles não sabem de nada. Eles não sabem que a gente passou meia hora discutindo se o Batman venceria o Homem de Ferro. Eles não conhecem a garota que me faz querer ser um jogador melhor só para ver o orgulho nos olhos dela.
Tatsuyo sentiu o coração acelerar.
— Você realmente quer isso? A pressão da mídia sobre nós seria enorme.
Kuro finalmente encurtou a distância, tocando levemente uma mecha do cabelo preto dela.
— Eu enfrento atacantes de cem quilos vindo na minha direção a quarenta quilômetros por hora, Tatsuyo. Você acha que eu tenho medo de alguns fotógrafos? A única coisa que me dá medo é a ideia de você não querer estar ao meu lado.
Ela colocou a mão sobre a dele, sentindo o calor e a força de seus dedos.
— Eu quero estar ao seu lado, Kuro. Só... talvez não naquela festa.
— Combinado — disse ele, sorrindo abertamente. — Podemos ficar aqui. Ou podemos ir para a minha casa, pedir uma pizza enorme e assistir ao filme da sua camiseta. O que me diz?
Tatsuyo relaxou completamente, um sorriso genuíno iluminando seu rosto parda.
— Pizza e filme? Isso soa muito melhor do que champanhe morno e fofocas.
Kuro ligou o motor do carro, o ronco potente ecoando suavemente na garagem. Antes de dar a partida, ele olhou para ela mais uma vez.
— Você está incrível hoje, Tatsuyo.
— Você também não está nada mal, jogador.
E assim, enquanto a festa continuava em seu auge de superficialidade lá dentro, Kuro e Tatsuyo saíram silenciosamente pela noite, encontrando um no outro exatamente o que o resto do mundo tentava, mas não conseguia, simular: algo real.
